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[Comum] Considere-se morto

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[Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Nov 25, 2015 11:42 pm


BALLTIER
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Robe de peles
Detalhes:
Descrição: Bisbilhoteiro / É fácil adquirir um inimigo; difícil é conquistar um amigo
Tendência: Bom
Animal: Cachorro


BONES
PV: ?%
PE: ?%
Itens:
-Macacão laranja, sapatos de pano
-Colar com várias presas de tamanhos variados e formatos diferentes. A mesma presa nunca se repete
-Pulseira de fio de cobre maleável, com unhas velhas e partes pequenas de ossos velhos
Detalhes:
Descrição: Ambicioso (conhecimento/poder) / Um ghoul amaldiçoado na forma esquelética repleto de vida, ironia e inteligência, bem equilibrado e centrado
Tendência: Caótico Bom
Animal: Corvo


HO
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Macacão laranja, chinelos de couro
Detalhes:
Descrição: Sabedoria / "Minha raça diz que sou mau, mas busco o bem; Que tipo de orc eu sou"
Tendência: Bom
Animal: Hellhound


SEAN
PV: ?%
PE: ?%
Itens:
-Macacão laranja, sapatos de pano
-Pequeno estojo com 3 tipos diferentes ervas de fumo
-2 moedas de prata com o desenho de uma faca em alto relevo num verso e com o outro raspado
-Poção de recuperação
Detalhes:
Descrição: Inocência / O essencial é invisível aos olhos
Tendência: Bom
Animal: Corvo


SOLLRAC
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Macacão laranja
-Par de botas de couro
Detalhes:
Descrição: O Aprendiz / "Conhecimento e treino sempre!"
Tendência: Neutro e leal
Animal: Lobo cinzento


Recuperação de energia
Funciona assim: após um tempo de descanso, o personagem recupera certa quantia de energia + o seu valor em Vigor. Então, segundo a tabela logo aí abaixo, se eu descanso por 1 hora e tenho Vigor 4, recupero 54% de energia. Essa é uma recuperação passiva, mas exige descanso, que é exatamente ficar parado, recuperando o fôlego, tirando uma soneca. Se o personagem está cavalgando, por exemplo, então ele não está descansando e não se recupera.
1 minuto: 5%
5 minutos: 10%
20 minutos: 25%
1 hora: 50%
5 horas: 100%

Recuperação de vida
Recuperação espontânea sem necessidade de descanso. Referente à dano físico, no corpo.
1 minuto: Inconsciência
5 minutos: 25%
20 minutos: 50%
1 hora: 100%
5 horas: Ressurreição


Última edição por NR Sérpico em Seg Maio 08, 2017 1:18 pm, editado 50 vez(es) (Razão : ue atua de forma clandestina no submundo)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Nov 25, 2015 11:58 pm

1. Antessala da Morte

Não havia nada de especial na Antessala da Morte.

Bom, talvez você possa considerar o tapete fofão, original de algum urso muito grande, algo especial. E até mesmo as cadeiras de madeira envernizada, acostamento e assento de couro macio, do tipo que bufa quando a pessoa senta, pode ser algo definido como “bem acabado”, “bem feito”, “obra prima” etecetera. As portas, tanto a da direita como a da esquerda, madeira escura com detalhes brancos, maçaneta dourada, bem, também pode acabar chamando sua atenção. E é verdade que o imenso candelabro que pendia do teto só podia ser coisa de outro mundo. Nem anões teriam mão boa o bastante pra fazer um troço lindo daqueles.

Mas não se engane. Não havia nada de especial na Antessala da Morte.

Exceto os cinco mortos. Talvez eles fossem interessantes.*  

Estavam no mundo dos vivos ainda agora, minutos atrás. Ou assim pareceu, pois de repente se viram sentados nas cadeiras confortáveis, apenas sentados... como que esperando, como se estivessem ali há um bom tempo, apenas dormindo acordados, sonhando com o mundo dos vivos. Se sentiam estranhos.

E estavam amarrados uns nos outros. Com correntes de bronze, chiques e enormes e pesadas. Grilhões bem fechados nos pulsos e nos tornozelos. Usavam roupas laranjas, largas demais. E só.

Ouviram passos que vinham de trás da porta da direita. Uma maçaneta girou, uma folha se abriu e dois homens apareceram. Um deles carregava 5 grandes livros de capa dura e dois pergaminhos. O outro, as mãos seguras atrás do corpo, disse:

Olá, senhores.

Tinha um bigodinho, cabelo liso, usava roupas bem passadas, bem coladas ao corpo, totalmente sob medida. Seus sapatos brilhavam, refletindo as luzes mágicas do candelabro do teto. Sua voz era um tanto grave, musical, como se estivesse interpretando um personagem de ópera ao invés de estar simplesmente conversando.

Quanto aos cinco, se tentassem se levantar, descobririam não ser possível. O máximo que conseguiam eram se remexer no assento e ganhar como resposta uma bufada do couro macio.  

Meu nome é Gerovíngio e este ao meu lado é Aurélio, nosso arquivista disponível. ─ Ele fez um pigarro, limpando o gogó melodioso de barítono. ─ Esta é a Antessala da Morte e vocês, sinto muito, estão mortos. Normalmente os mortos são encaminhados para outros departamentos, só alguns vêm parar aqui, e os que aqui chegam são aqueles que merecem uma segunda chance, de modo que nós oferecemos o espaço ao morto, para que efetue a própria defesa em prol da vida. Infelizmente, não podemos convocar testemunhas.  

Gerovingio girou e pegou um dos pergaminhos com Aurélio, um sujeito baixo, cabelo liso tigela, roupas apertadas, sob medida, sapatos tão lustrosos quanto os de Gerovingio. Este abriu o pergaminho e o leu em silêncio.

E ficou lendo.

Depois de um tempo enrolou o pergaminho e pigarreou. Parecia um pouco surpreso.

Devo adiantar que será uma sessão ordinária de grande porte. Isso não acontece desde... faz tempo que não acontece. Um júri popular foi convocado. Então estejam prontos para ganhar o carisma deles. E o promotor é um homem sagaz. Vocês só devem responder o que ele perguntar, nem mais nem menos...

Devolveu o pergaminho para Aurélio. Depois traçou as mãos novamente atrás das costas.

Este é o momento de fazerem perguntas antes de entrarem. ─ E fez um sinal com a cabeça para a porta da esquerda. ─ Prometo esclarecer qualquer dúvida dentro da minha autoridade de conhecimento.  

E Gerovingio certamente mentiu quando disse “sinto muito, estão mortos”. Não sobre o “estão mortos”, isso era a pura verdade. Mas mentiu quanto ao sentir muito.*

Spoiler:
Camaradas, primeiro momento totalmente interativo, como de costume. E devo dizer que o meu objetivo é ser mais cômico do que soturno e melancólico. Mas vocês podem levar o tema mais a sério, claro. Afinal, morrer deve deixar as pessoas depressivas, hm.

Vocês estão sentados no fundo de uma sala, a parede logo em suas costas. Lado a lado. A corrente mantem vocês a um metro de proximidade de cada. Em ordem alfabética, segundo os Nicks: Bones>Hummingbird>Kaede>Knock>Pacificador. Então Bones tem seu pulso e tornozelo esquerdo livres, estando só sua destra presa à Hummingbird. E o oposto com o Pacificador, que tem o tornozelo e pulso direito livres das correntes, preso à Knock pela canhota.

Se vocês quiserem contar como morreram, fiquem a vontade. Não é obrigatório nem nada. Seria algo pra vocês brincarem e já deixarem os personagens conformados de que estão realmente mortos, pois se lembram de seus últimos momentos. Ou podem preferir não lembrarem como morreram, e fazerem um circo com o pobre do Gerovingio, que tentará lhe explicar que, sinto muito, você morreu mesmo.

Eu marquei algumas frases com asterisco. No inicio e a última. Fiz isso para dar um exemplo de um experimento meu, pra essa campanha. Em termos narrativos, usarei a terceira pessoa normalmente, descrevendo personagens e lugares e ações. Mas haverá momentos, como nessas frases, que deixo de ser imparcial, dando uma opinião clara, como se o narrador fosse um personagem ativo, lá no meio, contando a história... É o mesmo personagem que escreveu o prólogo, a sinopse da campanha... É um experimento e, de certo modo, não muda quase nada. Mas tem um propósito... algo a ser revelado lá para o fim desta campanha.
 
Sobre a XP, eu disse na inscrição que daria só no final. Bem talvez eu mude isso, conforme o tamanho da campanha. Talvez quando surgir um intervalo eu dê parte da XP. Vamos ver.

Mais pra frente eu libero outros detalhes.

Qualquer dúvida chamem.


Última edição por NR Sérpico em Seg Fev 22, 2016 6:47 pm, editado 2 vez(es)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Qui Nov 26, 2015 2:23 pm

Passos. Passos.

Sabe quando se está dormindo e acordando repentinamente com a visão dando voltas buscando perceber onde está? Como se a memória não acordasse junto e você tentasse puxar de outro lugar além da mente o fato de como você chegou onde está... Como se tivesse apagado em um lugar e acendido em outro... Foi o que eu senti.

Acordei. Talvez estivesse dormindo de olhos abertos, mas sentia a respiração baaixa, ritmos cardíacos aquém daqueles das aventuras, uma expressão suáve de descanse e luta para recuperar as forças.

Era como nos dias que eu estava cansado e ouvia as aulas teóricas das finanças e comércio de meu pai. Eu sentava e sentia as mesmas coisas e de repente eu lembrava que não deveria, nem poderia dormir à frente dele, de que eu estava ali por um motivo importante, então eu inconscientemente respirava fundo e forte e me mexia na cadeira e despertava. Fora exatamente isso o que aconteceu.

Respire fundo e forte, arregalando os olhos, virando a cabeça para lembrar como havia chegado ali... Onde era ali? O que eu estava fazendo ali? Como havia chegado lá?

Minha mente não me respondia. Então progressivamente fui notando as características do lugar, começando pelos grilhões que me prendiam nos pés e nas mãos, me deixando junto de outros quatro indivíduos, os quais eu não conseguia ver muito bem.

Notei de imediato a cadeira e o som que fizera quando despertei. Eu não conseguia me mexer... Tinha de aceitar ficar parado. Foi quando meus olhos correram a sala.

Silêncio, aparentemente quebrado por mim e restabelecido novamente. Um candelabro enorme digno de palácios erguido no alto da sala, sala que era impecável, com detalhes que nunca havia visto. Nunca havia visto. Além disso, minha armadura havia sido removida e minhas espadas haviam sido retiradas do meu domínio. Pensei só em uma coisa... "Estou preso... Mas uma roupa laranja? De qual reino será?"

Passos.

O silêncio fora quebrado pelo barulho de passos. Abriu-se a porta da direita. Um homem aparentemente mais baixo que eu entrara na sala seguido por um homem mais baixo que ele, o qual carregava cinco livros e dois pergaminhos... Parecia pesado. O mais alto não portava nada. Só mãos para trás, talvez fosse maior em hierarquia.

Entrou e foi logo falando:
Olá, senhores. Meu nome é Gerovíngio e este ao meu lado é Aurélio, nosso arquivista disponível. Esta é a Antessala da Morte e vocês, sinto muito, estão mortos. Normalmente os mortos são encaminhados para outros departamentos, só alguns vêm parar aqui, e os que aqui chegam são aqueles que merecem uma segunda chance, de modo que nós oferecemos o espaço ao morto, para que efetue a própria defesa em prol da vida. Infelizmente, não podemos convocar testemunhas.

Voz grave e melódica. Lembrava a minha. Combinava perfeitamente com o traje que carregava. Tão lustroso quanto os sapatos, seus modos não pecavam e inclusive mostrava uma aparente sensibilidade pela nossa morte.

"Espere. Mortos?" pensei.
Senti minha boca abrir com a mandíbula caída descrente daquele fato. Eu não falava nada. Taquicardia. Taquipnéia. Nada mais. Podia imaginar o riso na mente daquele tio perante minha notória reação.

E ele continuou falando. Estávamos prestes à entrar em um tipo de julgamento... Um tal de juri popular. E eu só pensava "que merda, que merda". Me conformei. Eu estava morto e pronto. Abaixei a cabeça... Pensei em meu pai, em meu mestre. " Que merda", eu pensava.

Então ele falou em um momento para perguntarmos o que quiséssemos e ele responderia se fosse capaz. Sorri em minha mente. Ele não deveria ter feito aquilo. Milhares de perguntas começavam a surgir na minha mente... Desde as coisas mais triviais como quem havia feito aquele lustre, como trabalhar na sala de arquivos, como pegaram o tapete? Qual seria o pagamento deles. Eu poderia passar a eternidade perguntando coisas... Isso se fosse eterno... Mas pela rapidez que falava, teríamos um certo limite.

-Você é humano? Pq as correntes? Pq laranja nas roupas? Para onde eu irei se for mal no julgamento? Quais as regras para ser bom segundo a óptica daqui? Aqui a gente come como quando vivos? Vocês estão mortos também?

Pensei em perguntar poucas coisas, mas ao abrir a bica, uma avalanche despencou, me Conti um pouco envergonhado com uma possível repreensão, tive receio, pois não podia me mexer, mas já era tarde e as perguntas haviam saído em bom som.

Eu olhava confiante, tentando esconder o receio.

Eu estava lá às margens de um mar desconhecido, talvez tudo o que havia aprendido e feito enquanto vivo, não valesse de nada ali, talvez nada além de me julgar. Mas resolvi me focar e aprender o que podia ser aprendido. Me fiquei a perceber os padrões comportamentais, perceber algum detalhe a mais.

Não sabia o que procurava, mas por isso via tudo com descrição e atenção. Queria aprender se fosse possível e me safar se pudesse... Embora não desse pra fugir da morte.

Era só o começo. Não iria me desesperar. Ainda havia esperança.





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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Qui Nov 26, 2015 7:45 pm

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De repente quando me dei por mim, acho que estava num sonho. Não sei explicar direito, eu estava lá, andando pra lá e pra cá enquanto conversava com Ifrit e, de repente, BUM!

Acho que dormi.

...

Senti uma forte dor na nuca, balancei o pescoço como se tentasse massagear aquela região. Meus olhos, ainda um pouco pesados por causa do sono, piscaram lentamente até me permitirem observar o local em que eu estava. A primeira coisa que vi foi aquele tapete. Parecia bem aconchegante, peludo, mas eu era tão pequeno que sequer meus pés tocavam o chão enquanto eu estava sentado na cadeira. Balancei os pés instintivamente, tentando tocá-lo. E nada. Então reparei num barulho. Correntes? Atento, rapidamente ergui a cabeça e olhei pros dois lados. Vi pessoas. Quero dizer, acho que eram pessoas né? Estavam numa situação parecida, e foi aí que me dei conta; estávamos todos sentados em cadeiras, muito aconchegantes também, talvez até mais do que o tapete. Estávamos presos, a julgar pelos grilhões em nossos pulsos, correntes e tudo mais. Ao menos a cadeira era confortável. Mas sabe o que era mais esquisito nisso tudo? Eu não tive nenhum sinal de Ifrit desde que cheguei. Somente o silêncio. Ah! E por falar nele, se não me falha a memória, estávamos conversando pouco antes de eu adormecer e vir parar aqui. Lembro de estarmos discutindo algo, ele resmungava bastante, como sempre, mas eu não me lembro direito o que.

— Ei! Eu conheço você! - Disse, ao reparar que, entre nós, havia um muito maior do que os demais. Sim, sim, não faz muito tempo desde que o vi pela primeira vez. — Como vai, grande Ho? Puxa, você continua enorme, hahaha! - Tentei parecer simpático, apesar da timidez. Sorri, meio desajeitado, em seguida me ajeitei na cadeira. Pensei em me apresentar para os demais, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ouvi passos. Não demorou até que entrassem duas criaturas na sala. Pararam ali perto, começaram a falar, e dentre as coisas que ouvi, uma delas me chamou atenção. Tanto é que gargalhei, não consegui segurar;

— Mortos? Hahahahaha! Isso explica tudo! - Concluí. Quando aquelas palavras entraram em meus ouvidos, foi como o gatilho para completar minhas lembranças. Agora sei porque eu estou aqui. Foi o Ifrit. Ao mesmo tempo eu senti tristeza, um aperto. Engraçado é que a dor não parecia incômoda; era como se ela estivesse e ao mesmo tempo não estivesse lá. Esquisito. Mas eu senti. Estava um pouco decepcionado, sim, pois eu não esperava que o Ifrit fosse tão longe apenas para ter controle do meu corpo. Abaixei a cabeça, meio cabisbaixo. Esqueci dos demais, fiquei em silêncio. Não tinha dúvidas. Apenas fiquei balançando os pés, pra frente e pra traz, aguardando o que viria depois...

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Pacificador em Sab Nov 28, 2015 6:43 pm

Eu estava caminhado por um bosque, estava olhando ao redor a diversidade da flora. Era  algo que me deixava despreocupado. Dando apenas mais um passo meu corpo começou a pesar, e ao poucos meus passos foram se tornando um fardo insuportável, minha visão ficou turva e consequentemente oscilava e escurecia e tornava a enxerga por breves segundos, logo em seguida me lembro de ir em direção ao chão então... Não me lembro.

A grande questão que estava a minha frente era; como falar sobre morte quando eu não  sei o que é a vida. Estava naquela sala, confuso, normal. Na maioria das vezes o continente me deixava confuso, mas eu sempre aprendia e me aprimorava, mas estar naquele local era algo... Estranho, até mesmo para o mundo. Em meus devaneios me lembrei de algo simples, havia falecido. Algum problema interno no meu corpo? Uma data de validade talvez, eu simplesmente havia perdido algo único, a vida.


Comecei a ouvir passos, e só nesse momento pude constatar que não estava sozinho, sorri para os demais, pelo simples motivo de conhecer a solidão, mesmo na morte não queria estar sozinho.Ouvi as palavras do homem que se chamava Gero-Vingio. Observei por breves segundos não aceitando aquilo, estar morto era diferente de estar vivo? Bem, eu entendia um pouco do que estava para acontecer, a sociedade também tinha tribunais... Eu acho. Era um tribunal? Espera!

-Ehh! Eu não posso morrer! Os guardiões disseram para eu me adaptar! Ei, eu posso voltar? Por favor!- Por alguma razão comecei a não aceita aquilo, não era por mim, ela pelos guardiões, se eu estava morto não podia continuar a razão na qual eu fui criado, adaptar e aprender. Mas se bem que  mesmo na morte você aprende algo. - Por favor, Gero-Vingio.-

Tentei me acalmar, nunca sabia quais eram aquelas emoções, talvez na morte as emoções si desenvolveram de uma maneira errada, ou talvez eu sempre tive emoções mas nunca tinha um motivo para entende-las.

Me movi na cadeira logo um *puf* pode ser ouvido, não conseguia ficar parado, parei por breves segundos as correntes haviam tomado minha atenção e logo em seguida, o couro  qualidade estranha, isso era bom? - Uma segunda chance?- Perguntei sem nada em mente, algo que garantia uma segunda chance na vida sempre pedia algo em troca, pelo menos esse era o sermão dos guardiões, se bem que um homúnculo é uma segunda chance, não mentalmente mas para os restos que estavam antes de mim.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Kaede em Dom Nov 29, 2015 5:04 am

Ao abrir os olhos a primeira coisa que vejo é a cor laranja, ergui a cabeça e me encontro em uma sala com outras pessoas ao meu redor, sendo nenhuma conhecida e ao me movimentar escuto um barulho de correntes, foi aí que percebi que eu estava preso junto a eles e sentado em uma cadeira.
Não estava entendendo nada dessa situação, há segundos atrás eu estava...

_Argh..._ Dei um rápido grito de dor, pois minha cabeça doía ao tentar me lembrar, mas mesmo com a dor forcei minha mente e parecia que minhas memórias vinham aos poucos, não muito objetivas... na verdade bem embaralhadas...

Minhas memórias me fizeram acreditar que minutos antes eu estava na Península de Ruff, na sombra de uma árvore, olhando o mar e com o corpo exausto do treino matinal, mas depois tudo ficou confuso, vi memórias do meu primeiro beijo com Melanie, dos treinos do vovô e os estudos com Jorlos foi então que escutei...

_Esta é a Antessala da Morte e vocês, sinto muito, estão mortos._

Perdi toda a concentração e me deparo com dois seres em minha frente, falando que eu e os outros ali presentes estávamos mortos. Tentei me levantar e não consegui, observei o meu corpo e percebi que o laranja que eu tinha visto ao abrir o olhos era o traje que usava agora, porém meu corpo estava normal... sem sentir dor, sem machucados, cicatrizes... Eu ou outro qualquer na sala não poderia estar morto, bem...talvez o esqueleto esteja.
Olhei para esquerda e observei o Ghoul e minha cabeça voltou a doer me fazendo lembrar que Jorlos uma vez me falou, que existem magos necromantes que se tornam uma espécie de morto vivo. Isso me fez pensar que o ghoul poderia estar há pouco tempo na sala e que não se encontrava naquele estado por estar esperando por tempo de mais e acabou se deteriorando com o passar do tempo.

Resolvi me conformar com a “minha morte” e procurar buscar o melhor dessa tal “segunda chance” já que isso tudo estava me parecendo uma brincadeira, ou talvez fosse algum teste surpresa da academia de magia de Cobernick para que eu possa ser aceito...
Quando o homem parou de falar e traçou as suas mãos nas costas dando a oportunidade de sanar algumas dúvidas logo de maneira educada e clara lhe perguntei.

_Me desculpe senhor, mas poderia me dizer como foi que eu morri e cheguei até aqui? Minha cabeça dói toda vez que tento me lembrar de algo!_

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Bones em Dom Nov 29, 2015 11:10 am

Sua passagem pelos bosques de Hilydrus não foi exatamente como planejou. Era apenas uma questão de se aproximar de um tempo, buscando tentar se redimir com os deuses e talvez poder morrer de forma apropriada, mas as pessoas comuns se mostravam intolerantes e hostis, não importando onde fosse.

Quando se deu conta, já estava fugindo deles, correndo e tentando se esconder, mas nada que pudesse fazer a respeito dos cachorros, sempre os malditos cachorros, uma aversão pessoal quanto a eles, algo bem pessoal, principalmente por ficarem lhe roendo inteiro...

Foi levado até a praça da vila, jogaram todo tipo de coisa, berrando insanamente sem repararem que os verdadeiros monstros ali eram eles próprios. Não disse nada, sabia que não adiantaria, não havia equilibrado mentalmente o suficiente que o ouvisse naquele momento, tudo que restava era esperar o que ja sabia.

Tentaram afogamento, queimado, desmembrado, golpeado... Faziam fila como se fosse a diversão da cidade. "Mata o morto! Quem é o próximo?", podia jurar que ouviu alguém gritar aquilo. Durou dois longos dias tudo aquilo, sempre recomeçando quando percebiam que ele voltava "a vida", até que um clérigo chegou na vila. "Finalmente alguém mais sensato!" foi seu pensamento, logo antes de ver as ferramentas que ele trazia, mudando seu pensamento para "ótimo, eu achando que era solução e me trouxeram um especialista..."

Após horas de mais tentativas, a vila inteira a mando do clérigo começou a orar, uma oração diferente das convencionais, uma que ainda não havia presenciado, lhe causando uma sensação estranha, como se estivesse sendo puxado dali. Se já não tivesse passado por aquilo antes, poderia acabar num pânico, mas ele sabia exatamente o que acontecia: estava morrendo.

Após um clarão, se viu sentando naquelas cadeiras, acordando com o som da porta. Para sua surpresa, dessa vez haviam outros ali, dois deles pareciam que até se conheciam, sendo ele provavelmente o ultimo a ter despertado. Era Gerovingio e Aurélio quem adentravam, como da ultima vez, pelo visto um protocolo tão rígido quanto sua aparência exalava, começando com seu discurso habitual.

As reações eram as mais diversas de seus "colegas", uns desacreditados e outros tentando barganhar. Esperou os outros se acalmarem e fazerem as perguntas, passando ele próprio meio despercebido até aquele momento, aguardando a oportunidade e chance de poder falar com seu jeito tradicional e informal de ser, cruzando a perna direita na altura do calcanhar sobre o joelho direito, juntando as mãos e cruzando os dedos.

- A quanto tempo Gerovingio. Aurélio. Já faz uns bons anos não?  O promotor ainda continua gargalhando pelo que fez comigo, né?

Não era a primeira vez que Bones havia passado por aquilo, já esteve ali antes, quando "morreu" e acabou preso naquela forma de esqueleto. "Banido da Morte" foi o que colocaram em seu caso, uma punição que ele entendia muito bem o sentido dela, o prendendo no mundo dos vivos como castigo por tentar ser algo além do que um simples mortal...

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Ter Dez 01, 2015 2:37 pm

2. Você viveu sua vida: o que está feito, está feito

Ho falou primeiro. Muitas perguntas. Gerovingio remexeu o bigode, talvez arrependido em ter garantido responder tudo que pudesse. Eram muitas perguntas mesmo.

Senhor...

E olhou para Aurélio, que sussurrou em auxilio:

É Ho.  

Senhor Ho ─ disse Gerovingio, limpando a garganta. ─ Bem, as correntes e as roupas são procedimento padrão deste departamento. Alguns de fato merecem as correntes, por um longo histórico de mal comportamento, em vida. Comportamento hostil. De modo que merecem as correntes. Outros não merecem. Mas a Antessala da Morte é um ambiente de ordem e unanime. Toda norma deve ser igual para todos. ─ Pausou, chupando o ar. Fingiu que tinha esquecido a primeira pergunta de Ho. Foi para as próximas: ─ Se você for condenado pelo júri, bem, será transferido para um dos sete lugares pra onde vão as almas, conforme a lotação. As regras para ser bom? Isso depende do júri. Em geral, são considerados bons aqueles que viveram em devoção para algum deus benigno, aqueles que desenvolveram empatia pelos próximos ou até mesmo aqueles que sempre honraram as autoridades do seu tempo, isto é, o seu governo, o seu rei. Mas isso varia muito, são pontos soltos na costura. Por isso o júri terá um tempo para avaliar cuidadosamente a vida de vocês, que está toda impressa nesses livros.

Realmente, eram livros bem pesados. Mas Aurélio permanecia com a compostura inabalável.

Sobre comida ─ continuou Gerovingio ─, sim, vocês comem, mas não é uma necessidade como quando se estão vivos. Seus corpos não precisam de comida, é a mente que não consegue esquecer a mastigação e acaba dando a impressão de fome. Esse é um pequeno traço que vocês trazem consigo e demora um pouco para superar. Parece estúpido, mas é verdade. Depois de um tempo o morto acaba acostumando a mente. E aqui... aqui nem todos estão mortos. Aqui é um plano intermediário, o submundo, e há vivos que possuem acesso a este lugar, de modo que nem todos são mortos. E há outros seres que os termos vivo ou morto simplesmente não se aplicam.

Ele fez um silêncio sugestivo. Talvez ele e Aurélio e todos na Antessala fossem daquele tipo. Apenas seres que existem ali, no não lugar, no submundo, trabalhando num departamento que trata da vida e da morte sem se preocuparem eles próprios com esses termos. Eles apenas eram.

Gerovingio ignorou o rompante de Sean, e tentou não se irritar com o balançar de pernas dele, fazendo as correntes rangerem.

E então olhou direto para Balltier, que era um exemplar curioso para estar ali. Um homúnculo morria? Moveu a cabeça de lado, os ouvidos em pé para ouvir Aurélio dizer, sussurrando:

Esse aí é o senhor Balltier El Raziel... É um homúnculo.

Sim, senhor Raziel ─ Gerovingio se moveu dos calcanhares para as pontas do pés e depois de volta para os calcanhares. ─ Parece que você pode morrer. De alguma forma. Mas você pode voltar. Como expliquei para o senhor Ho, sendo absolvido no julgamento, você pode escolher voltar para Lodoss.

Então Sollrac entrou no jogo, querendo saber como morreu. Desta vez Gerovingio não precisou requisitar Aurélio para saber quem era o morto. E sabia até mesmo a causa da morte. Disse:

Senhor Senun, o senhor foi consumido em chamas por uma besta alada e furiosa, que não tinha exatamente nada contra o senhor e os próximos ao senhor na hora da desgraça, mas, de tão irracional, ela simplesmente atacou a todos fazendo chover fogo. Sinto muito. E, depois de morto, você apareceu no lago Bodom, foi secado e vestido e encaminhado para cá, assim como todos vocês. Não controlamos quem aparece aqui, quem tem ou não direito a uma segunda chance. Apenas prestamos assistência àqueles que chegam... E se quiser uma dica pessoal, não tente lembrar. Mantenha sua cabeça sem dores. Vai precisar estar funcional daqui a pouco, no julgamento.

Bones, ao contrário, lembrava bem da morte. Algo nada heroico ─ mas que morte era heroica, afinal? Demonstrou conhecer Gerovingio e Aurélio e a Antessala da Morte.

Gerovingio remexeu a boca, o bigode subindo e descendo. Desconfortável.

Desculpe senhor, mas temo não me lembrar de vo

É o senhor Varsok ─ cortou Aurélio. ─ Ele era

Ah, sim. Lembrei. ─ Gerovingio fez de novo a dança dos calcanhares para a ponta dos pés. ─ O promotor não tem tanto tempo de sobra pra ficar lembrando casos antigos, senhor Varsok.

Ele caminhou até a porta da esquerda, e a abriu um pouco, espiando lá dentro, depois abriu de uma vez as duas folhas da porta e se voltou para os mortos.

Pois bem senhores, me acompanhem. Já irei acomodá-los na sala. Deve começar em breve.

E fez sinal para eles, para que entrassem com ele. Agora sentiam que podiam se levantar. Mas se sentiam meio lentos, dóceis, como que incapazes de qualquer ação enérgica demais. Era apenas uma sensação, nada mais... Mas de qualquer forma, estavam limitados pelos grilhões e correntes. Não podiam dar um passo mias largo do que um metro, e a mesma medida ditava o quão longe podiam ficar uuns dos outros.

Passaram por dois guardas postados ao lado da porta, do lado de dentro.

Era um salão comum, piso porcelanato cinza, reflexivo, de modo que conseguiam ver o próprio reflexo no chão. A luz do local vinha dos inúmeros archotes chamejantes das laterais da sala, nas paredes e nas pilastras. Essas pilastras serviam para sustentar as galerias laterais, em que, olhando lá pra cima, era possível ver pessoas se acomodando em cadeiras envernizadas. Espectadores. Ou júris.

Outra parte da luz do local chegava da lua e das estrelas ─ lua e estrelas? Hm ─ que eram visíveis do teto do salão. Por um momento qualquer um podia pensar que o local tinha o teto aberto, mas não: era, logo se percebia, uma nave, uma redoma, como numa igreja, feita de vidro ou outro material transparente, de modo que o céu lá fora ficava bem visível. Um estrela cadente, verde, passou rasgando.

Boa hora pra fazer um pedido.

O juiz já estava lá, vestindo o preto no formato de capa, atrás da bancada central sobre o alto estrado. Estava sentado, segurando uma lente à frente do olho esquerdo ─ pois no direito havia um tampão ─ para poder ler o pequeno livro aberto em suas mãos calejadas. O nome do livro era “Homúnculos sonham com ovelhas de carne e osso?”

Não parecia tão velho, tinha os cabelos apenas grisalhos. Sem barba. Ele continuou lendo enquanto Gerovingio guiava os cinco mortos para outra bancada, no centro do salão, de frente com o juiz. Não foram libertados das correntes, então teriam de sentar na mesma sequência de antes, em cadeiras parecidas com as de antes, macias. Sobre a bancada em que poderiam apoiar seus cotovelos haviam copos com água, caso quisessem molhar a garganta.

Gerovingio se sentou por perto, ao lado de Ho. Estaria ali para esclarecer as dúvidas dos mortos. Não os defenderia ─ isso eles mesmos teriam de fazer.

Aurélio levou os livros para uma parte inferior da bancada, longe do juiz. Provavelmente era o local onde o promotor deveria ficar. E depois o arquivista mirim ficou de canto.  

Houve movimentação num dos lados da galeria, lá em cima. O juiz parou de ler e olhou para o alto, como que contando. Tinha entrado mais gente.

A porta pela qual os mortos entraram foi fechada pelos guardas.

Gerovingio arrumou o cabelo, já arrumado, com as mãos.

Outra estrela riscou o céu através do vidro.

Alguém na galeria começou a tossir e saiu. O juiz olhou pra lá de novo. Gerovingio também.

Esperaram.

Esperaram o que?

Um homem surgiu por uma porta dos fundos, foi até o juiz e sussurrou algo em seu ouvido.

Algumas conversas paralelas começaram nas galerias. E o juiz falou:

Ordem! ─ Sua voz era baixa, rouca, mas de alguma forma houve silêncio no ambiente. ─ Acabo de receber a notícia de que o promotor não poderá vir por motivos pessoais.

Houve conversas paralelas de novo.

Ordem, ordem. Vamos começar essa audiência sem ele. Minhas instruções são, agora, para que o júri elabore perguntas aos réus, para traçar um perfil inicial e ajudar em seus posteriores julgamentos. Aurélio, leve os livros para eles.

Aurélio pegou os livros de volta e subiu por uma escada lateral, deixando os livros em algum lugar lá em cima, na galeria da direita. Havia dez pessoas naquela galeria.

Dos dez, oito eram mulheres. Alguém entrou pela porta, lá em cima, na galeria, o rosto vermelho de quem acabou de enfrentar um ataque de tosse, era um senhor de barba branca (então o corpo era formado por 11 pessoas). Aqueles ali certamente eram o júri. Alguns deles conversaram baixinho, não dava pra ouvir, mal dava pra ver suas bocas se movendo. Olharam para os mortos, analíticos. Duas mulheres foram consultar os livros. Um dos homens pareceu estar escrevendo enquanto duas mulheres gesticulavam ao seu lado, ditando as questões. Sinalizaram para Aurélio que foi até eles, pegou o papel, desceu da galeria e o levou até o juiz.  

O juiz, para os mortos:

Eu sou o juiz Russelo, e peço para que se apresentem formalmente diante de todos aqui, um de cada vez por favor.

Todos faziam extremo silêncio pra poder ouvir a voz baixa dele. Gerovingio recomendou que, na hora da apresentação, ficassem de pé. Depois das apresentação Russelo emendaria algumas das perguntas escritas no papel:

─ Agora, o júri deseja saber: por que você merece viver? E o que você faria para ter sua vida de volta?

Gerovingio sussurrou que eles podiam sentar, com exceção daquele que fosse a vez de responder. E recomendou para que respondessem olhando para o júri.

Dentre o júri, as duas mulheres ainda liam os livros. E um homem, mais afastado e com chapéu, parecia cochilar, ou apenas absorto, pouco interessado. Mas o restante estava de olho neles. O senhor com tosse massageava o peito. O outro homem, que escrevera as perguntas, parecia fazer algumas anotações, ou futuras perguntas. Outras duas mulheres, os cabelos loiros pálidos à luz da lua, também pareciam escrever algo na medida que olhavam para eles. Olhavam para Ho e escreviam algo, olhavam para Bones e escreviam algo, olhavam para Sean e tomavam outra nota, e assim por diante. Estavam analisando. E estavam esperando as respostas.


Última edição por NR Sérpico em Seg Dez 07, 2015 11:01 pm, editado 1 vez(es)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Kaede em Qui Dez 03, 2015 8:13 am

Estranhei a explicação do homem, mas decidi aceitar.

_Criatura alada atacando? Putz..._ Pensou o rapaz.

Após dar a explicação a todos os presentes ele caminhou até uma porta e nos dando instruções do que ocorreria. Ao me levantar me senti exausto e em fila eu e os outros fomos para dentro de outra sala, acho que era a corte. Passei por dois guardas que estavam postados à porta, um de cada lado.
Comecei a observar o local e pude ver o quanto era grande e de certa forma majestosa a corte, com muitas pessoas procurando se acomodarem para o que estava por vir.

_De onde serão todos? Não vejo nenhum conhecido... _ Pensava mais uma vez o rapaz.

Depois de algum tempo, quando todos os presentes na corte pareciam organizados, um homem aparece por outra porta e segue até o juiz e lhe diz algo em seu ouvido, causando um “zum-zum-zum” na corte.

_Ordem!_ Foi o que saiu da boca do juiz seguido da explicação sobre um promotor que não estaria presente, porém mesmo assim o julgamento teria inicio. Engraçado que a ausência do promotor e o pedido de ordem do juiz só fez o povo cochichar mais um com os outros...

Com mais pedidos de ordem e os presentes se calando, o juiz deu instruções ao júri e em seguida se apresentou.

_Eu sou o juiz Russelo, e peço para que se apresentem formalmente diante de todos aqui, um de cada vez por favor._

Após a apresentação do juiz Russelo, Gerovingio, o homem que estava comigo e os outros desde a outra sala nos deu instruções para a apresentação e mesmo assim esperei os outros se apresentarem para poder observar melhor o que poderia ocorrer e algumas apresentações depois, decidi que era a minha vez.
Fiquei de pé e fiz contato visual com o júri e o juiz, me curvei um pouco iniciando a minha apresentação e depois ficando de forma ereta e firme com a voz limpa me apresentei...

_Olá a todos. Meu nome é Solrac Senun, em vida eu era um morador da Península de Ruff, Morava com minha mãe e avô, com quem estudei esgrima e também sou um estudante de magia que estava se preparando para ser aceito na academia de magia de Cobernick._

Em seguida vieram as perguntas e como o Gerovingio tinha instruído, voltei meu olhar para o júri e lhes dei as respostas.

_ Senhores, ainda sou muito jovem e não conclui meus objetivos em vida.
Estou a iniciar uma jornada em busca de conhecimento para descobrir o que eu realmente possuo, pois carrego comigo desde que nasci uma estranha anomalia que me altera não só físico como também emocionalmente e creio que o meu braço seja o inicio da mesma._

Nisso levantei a manga do traje deixando o braço dracônico amostra para todos e continuei com a resposta.

_ Essa anomalia estranhamente parece me dar algum tipo de poder mágico e como meu antigo professor de magia me falou: somente Cobernick poderia me instruir da melhor maneira de poder usa-la sem poder prejudicar as pessoas que amo e a mim mesmo. _

Nisso abaixei a manga cobrindo o estranho braço e lhes dei a resposta para a continuação da pergunta.

_ Quanto ao que eu faria para ter a minha vida de volta? Bem..., eu não sei o que eu faria, mas eu nunca seria capaz de tirar uma vida inocente para isso senhores!_
Com as respostas dadas, aguardei o próximo e me sentei, fiquei observando como o júri tomava nota das coisas e nisso me perguntava como estaria as pessoas que amo, mamãe, vovô, mestre Jorlos e Melanie. O que estariam fazendo nesse momento e como estariam lhe dando com a minha morte se isso tudo que eu vivi desde que acordei trajando laranja for verdade?
Percebi que aos poucos eu estava divido com a opinião se realmente isso fosse a vida pós-morte ou algum tipo de teste da academia de Cobernick...

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Sex Dez 04, 2015 5:11 pm

Gerovíngio tirou alguns dos meus questionamentos, privilégio que, pela cara que fizera ao ouvir minhas perguntas, não se repetiria; talvez eu houvesse perdido a chance de perguntar algo mais profundo, como um rapaz talvez tenha feito, perguntando sobre as circunstâncias de sua morte, mas não sei ao certo se havia uma pergunta tão profunda que eu pudesse ter feito, além daquelas poucas. Dava para tirar um material informativo suficiente a uma primeira chance de esclarecimento. Então entendi e agradeci pelas respostas com um singelo acenar positivo com a cabeça.

Depois da resposta dada a todos os que perguntaram, notei o jovem Sean, o qual havia conhecido há pouco tempo e tentei cumprimenta-lo de longe:
--Olá, Sean! Continua pequeno!Haha—Sorrir aqui é complicado para você não? Não se preocupe. Só esteja alerto.—Não sei por quê, mas talvez eu tenha falado aquilo para mim mesmo. Mais outros sujeitos estavam o nosso lado, mas talvez não houvesse tempo para apresentações ali, nem talvez força vontade.

Gerovingio indicou que era o momento de entrarmos na outra sala. A hora do julgamento começaria. Finalmente sentia que podia me mexer, mas aquela corrente de bronze... finalmente sentia o tapete felpudo, mas... mas nada me cheirava bem... era encantador, mas não especial. Não sei por quê, mas quando me levantei lembrei que nada era o que parecia ser... Lembrei de mim mesmo. Minha mente sempre me guiava a esses tipos de pensamentos. De repente fiquei receoso, mas não deixaria isso ficar óbvio... Tentaria até esconder as microexpressões “num” rosto relaxado e despreocupado.

Entramos na sala; dois guardas nas portas fazendo a guarda, logo tentei ver os detalhes das armas, armaduras, símbolos, tentei ver os olhos deles, expressões, em qual das mãos ou dos lados do corpo tinham a espada mais próxima, assim com as alturas. Entrando na sala, vi rapidamente possíveis rotas de fuga, expressões daqueles que estavam ali. Eu queria fugir? Lutar? Não... era só o instinto que era em mim...

Ao entrar as estrelas e a lua adornavam o teto, mas não eram pinturas, eram de verdade. Talvez nessa hora eu tenha tremido. Acho que havia pensado que submundo era em baixo, mas estávamos tão perto das estrelas que elas passavam raspando em uma cúpula transparente que fazia a divisão entre o céu e o lugar onde estávamos... Acho que estávamos no céu. Sorri com o canto da boca pensando no quanto eu tinha de aprender... Pensando no quanto eu era pequeno.

Gerovingio nos guiou para onde haveríamos de sentar. Vi o juiz o qual estava lendo um livro, algumas pessoas que já estavam presentes, os quais mais tarde eu descobriria que se tratava do júri, e outros que estavam chegando, os quais haviam ido para fazer algo... que eu não sabia o que era... Talvez passar o tempo... se divertir, dormir... Sorri em minha mente com a ideia ou com nada hm.

Houve movimentação no local. Um senhor tossindo me fez olha-lo, mas como ele saiu rápido, procurei detalhes que me permitissem perceber algo do júri; O juiz disse que começaríamos sem o promotor, tentei perguntar a Gerovingio se isso poderia nos prejudicar, depois permaneci em silêncio.

À ordem do excelentíssimo, Aurélio levou os nossos livros ao júri, o qual prontamente se pôs a examina-los, algumas das oito senhoras que estavam lá. Um senhor dos três homens que compunham o júri aparentemente dormia, tentei ver algo a mais do que ele mostrava... Para mim, ele era o que estava mais esperto. Ou não. “Minha mente e suas probabilidades”, refleti. O juiz se apresentou “Russelo”, Gerovingio se arrumou, o que me deu vontade de me arrumar, mas não conseguia, o chão me refletia... “Não sou feio”, sorri com o meu pensamento.

Duas perguntas, uma apresentação. Foi assim que começou.

“Por quê você merece viver? E o que você faria para ter sua vida de volta?”

Esperei algum tempo para responder, para pensar... “merecer viver”... “merecer”... Esperei alguém falar, um jovem começou: Solrac, nome diferente, falou bem e sucintamente, na minha opinião... Mas de quê minha opinião serviria se não desse certo? Esperei outros falarem, mas como não falaram, me levantei para falar:

— Excelentíssimos, Júri e Juiz, Me chamo Ho o orc.— dei uma pausa, pois não sabia se deveria ficar em pé, tentei ouvir algum conselho rápido de Gerovingio e fiz rápida e calmamente como ele me aconselhara e continuei a fim de responder as perguntas:

— Bem, ao iniciar minha caminhada, meu pai quis me ensinar conforme os planos dele a fim de que me tornasse um comerciante tão bom quanto ele, sendo assim, ainda cedo aprendi a ler, escrever; aprendi sobre pesos e medidas e como administrar tudo, porém eu não me sentia completo... Então percebi meu fascínio pelas artes da guerra, sendo elas, estratégias, artes físicas e os combates. Havendo percebido, meu pai me entregou aos cuidados de um mercenário amigo dele, assim, mesmo com a dor de ter de deixar meu pai, segui. Estava me sentindo bem, caminhando, crescendo, indo rumo àquilo que eu achava ser meu propósito.
Eu seguia em minha caminhada, porém aquilo não me fazia mais sentir-me completo... Então não muito tempo depois, percebi que meu desejo por crescer e evoluir era o que me motivava, sendo assim, meu objetivo mudou e passou a ser crescer e evoluir em mim mesmo e em tudo o quanto fizesse. Assim segui.
No decorrer dessa caminhada, conheci uma doce senhora, a qual para uns não passa de uma senhora chata, mas que para mim é tal qual uma musa— dei uma pausa breve e reflexivamente falei continuando— minha musa inspiradora: A Sabedoria. Ela passou a me guiar e humildemente passei a segui-la em meus dias.
Não passado muito tempo, pude conhecer mais de um dos amigos da Sabedoria, o qual foi rude e ríspido comigo; bateu em minha face várias vezes, me fazendo pensar em desistir em muitas, porém A Sabedoria não deixava, me consolava e me fazia crescer e evoluir... Perante ele também me curvo: O nobre senhor Conhecimento, o qual de maneira diferente da minha Musa, sempre foi generoso e caridoso para comigo, pequeno orc que sou perante eles —Tentava gesticular no decorrer do discurso— Bem, como o propósito que instituí para mim vai além de honrar meu mestre, através da vingança, nem provar que o meu pai estava certo com a decisão de me apoiar, sendo então crescer e evoluir, seguindo a sabedoria, cultivando o conhecimento —Mais uma pausa reflexiva, um leve abrir do olhos— Bem, ficando provado que não acaba quando se morre... Se fosse possível ir a um dos sete lugares daqui, me sendo provável continuar crescendo e evoluindo... Então por quê voltar à vida?! Vida de dores, lutas e lágrimas — Um olhar vago, levemente aberto e um sorriso de canto de boca, dessa maneira refletia e continuava com gesticulações limitadas— Se me fosse possível aprender coisas maravilhosas a ponto de fazer com que essa visão maravilhosa — olhando para o teto e o show de luzes em cima dele— fosse considerada normal a tal ponto de ler um livro debaixo dela e não aprecia-la... Então por quê voltar à vida?! —Perguntei em um tom reflexivo e responderia de maneira equivalente— Bem, porque, excelentíssimos... Por que tenho na misericórdia de vós uma oportunidade de voltar e crescer, evoluir, aprender, viver outras coisas maravilhosas de lá que não vi e que nem sei que existem, mas que eu sei que estão lá; um orc tem a possibilidade de voltar e fazer melhor... talvez até pela vida; dar um motivo para ela sorrir. — dei uma pequena pausa— Estar aqui e depois daqui é veredicto, mas voltar é uma oportunidade e eu gostaria de aproveita-la. E quanto ao que eu faria para voltar para voltar à vida... Eu faria o que já fiz antes —me referindo ao ato da fecundação— Lutaria contra milhares... Contra milhões eu iria para ver a Luz me chamar.

Após terminar, me sentei, ouvi o “puff”. Estava mais tranquilo. Havia me demorado muito, estava até um pouco constrangido, mas por algum motivo eu me sentia mais calmo. Agora era só ouvir o que os outros diriam, ver a reação dos juízes.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sex Dez 04, 2015 8:47 pm

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Ho tinha razão. Sorrir naquela situação de repente ficou tão difícil. Eu estava triste. Não! Mais que isso... como é que chamam mesmo? Era uma palavra com D...

— Droga, se ao menos o Ifrit estivesse aqui.. - Resmunguei em meio aos pensamentos.

E então, conversa vai e conversa vem, reparei que aos poucos todos se levantaram. Alerta, ergui a cabeça e olhei para os dois lados como se tentasse entender o que viria agora. Pensei em perguntar para o Ho, mas ele parecia tão compenetrado em seus próprios pensamentos, não sei dizer, estava com uma expressão séria. Olhei para o outro lado, à minha direita estava uma espécie de esqueleto, mas ele era vivo. Enquanto nos levantávamos ainda, tentei me aproximar do tal esqueleto, fixando meu olhar na região do seu peito.

— Ei, você respira? - Indaguei, no auge da curiosidade.

Admito, eu perco a atenção muito facilmente. Era capaz do tal esqueleto sequer responder minha pergunta, que eu logo esqueceria e ficaria obcecado em qualquer outra coisa. E bastou olhar para cima, enquanto entrávamos na tal sala, que já perdi o foco outra vez. Passou uma estrelinha, meio esverdeada. Aquilo me deixou eufórico, e na mesma hora eu puxei um pouco as correntes com meu braço direito, como se quisesse chamar atenção do tal homem-osso apontando para cima;

— Olha! Olha! Uma estrelinha! Não é linda? - As palavras saíam com entusiasmo, aquela estrela me fez lembrar dos meus pais. E por falar em lembrar...

Deprimido!

Era essa a tal da palavra que me fugiu naquela hora. Eu estava mesmo um pouco deprimido, mas, assim que vi a tal estrela passar... não pensei duas vezes; depois de chamar atenção do amigo osso para ver a estrela, fechei os olhos enquanto murmurava; — Se eu morri mesmo, eu quero virar uma estrela tão bonita como aquela... - Em tom quase inaudível, talvez o suficiente para que só o esqueleto ouvisse.


E então, não demorou para que eu fosse obrigado a caminhar junto dos demais - já que estávamos acorrentados - para um outro lado da sala. Tinham cadeiras também, não tão luxuosas quanto as de antes, mas também eram confortáveis, do tipo que "bufa" quando senta. Achei um pouco incomodo, até porque sou muito baixinho, então toda vez que me mexo pra me ajeitar na cadeira, eu afundo e; "Puff", vem o tal do barulho. Fico vermelho de vergonha.

O tal do Gerovingio sentou ali perto, disse que nos daria conselhos sobre como nos portarmos na tal audiência. Eu não entendia muito bem do que estava acontecendo ali, mas eu preferi ficar quieto e deixar os demais falarem primeiro. Enquanto isso, observava em êxtase a maravilha que era aquele céu da noite, com lua e tudo. As galerias com pessoas sentadas, tudo era muito bonito ali, me senti incrível de estar na presença de tudo isso. Aquilo aos poucos foi me deixando mais a vontade, acho que agora eu já estava com mais coragem pra sorrir. Espero que o grande Ho também tenha se sentido melhor... ele me parecia nervoso. E por falar nele, logo depois do tal Solrac, foi o grandão quem falou. Se apresentou, deu seus argumentos, enquanto Gerovingio estava sempre ali, auxiliando como podia. E no fim, mais conversas e murmurinhos lá do alto, da galeria. Decidi então, assim que Ho se sentou, que seria minha vez. Fiz um certo esforço pra puxar as correntes mais uma vez, agora com um pouco mais de calma, para não trazer o amigo-osso junto.

— Errr... Olá! Eu me chamo Sean Lionheart. - Falei, um pouco tímido.

Era mais difícil do que parece falar ali, no meio de tanta gente que ficava me olhando, me encarando como se quisessem me apedrejar ou coisa do tipo. Afinal, o que eu fiz de mal? Eu só morri, nada demais!

E então, chegou a hora. Dizer o porquê mereço viver e o que eu faria para tal. Engoli a seco, meio nervoso. Olhei ao redor, vendo aqueles que se tornaram meus "colegas depois de morto". Ouvi Gerovingio sussurrar algumas coisas, pedindo para que respirasse fundo e então respondesse pausadamente e com objetividade. Pensei um pouco, aquela era uma pergunta difícil pra mim, ainda mais pelo motivo de eu estar aqui. Mas eu de forma alguma culparia o Ifrit pelo que ele fez. Então... como responder sem incriminar meu amigo?

— Na verdade, eu ainda não conheci minha mãe e tenho poucas lembranças do meu pai, já que fui sequestrado ainda muito jovem. Desde então eu tenho vivido por mim, e eu acho que no mínimo preciso ter a chance de achar minha mãe e perguntar isso pra ela. Eu não sei o motivo pelo qual eu nunca a conheci... - E nesse ponto, minha voz esmoreceu um pouco. — Mas eu acredito que tenho esse direito. - Por fim, um longo suspiro. — Eu ainda não sei direito como fazer isso, nem do que sou capaz de fazer para encontrá-la mas, se eu pudesse virar uma estrela bem brilhante como aquela, eu acho que a mamãe ia me ver onde quer que esteja não é? E talvez quem sabe, eu possa fazer ela sorrir, já que eu nunca sequer a vi antes... - Concluí, apontando para o alto, onde havia o tal céu, as estrelas, a lua.

Eu imagino que se o Ifrit me houvesse dizendo isso, me chamaria de idiota. Mas eu acho que ele só não consegue entender que, tudo que eu queria, era estar com meus pais e vê-los sorrir, todos juntos.

Em seguida, voltaria para o meu lugar, me sentando e me reconfortando no acolchoado da cadeira.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Bones em Sab Dez 05, 2015 7:32 pm

Houveram varias explicações a todos, conforme Gerovingio havia prometido e cumprido, ao que parece sandando a maior parte dessas duvidas iniciais que o grupo lhe apresentou no momento. Entretanto, sem perceber, parecia que havia uma outra dúvida no ar, mas não tanto a respeito da situação, mas sim do garoto ao seu lado, indagando-o sobre sua "condição".


— Ei, você respira?


- Eu mereço... Se ganhasse uma moeda de ouro cada vez que escuto isso, teria meu próprio país a essa hora...

Imaginou ele vendo a reação do garoto frente a uma existência como a dele, embora soubesse que realmente era algo a se chamar a atenção, então mudaria um pouco de postura e daria uma chance ao garoto, sanando sua duvida, além é claro de tirar um sarro da situação.

- Garanto para você que respiro, arroto e se me esforçar consigo peidar e deixar essa sala com fedor de uma cova... heheh

Respondeu ele de forma descontraia, tentando quebrar um pouco o clima de seriedade com que alguns estavam encarando a situação e sem dúvidas realçava bastante se comparado com Gerovingio. Ao avançarem, não deixou de notar a estrela cadente, logo lhe remetendo a memórias a muito esquecidas, de noites que passava com sua amada esposa vendo os céus noturnos, dizendo ela docilmente para fazer um pedido quando via uma estrela cadente, repetindo o gesto, silenciosamente.

- Queria ter tido sucesso no ritual e te salvado, meu amor...

Um tolo e ingenuo pedido, desejando por algo já passado e agora imutável por conta daquele próprio tribunal que encararia novamente. Seja como fosse, estavam entrando agora e procurou prestar atenção nos tipos que iriam compor o jurado, dando uma breve avaliação sobre eles e procurando entender se suas aparências realmente condiziam com suas atitudes, afinal, tudo poderia não passar de uma simples encenação.


─ Eu sou o juiz Russelo, e peço para que se apresentem formalmente diante de todos aqui, um de cada vez por favor.

─ Agora, o júri deseja saber: por que você merece viver? E o que você faria para ter sua vida de volta?


Os outros pareciam mais apressados em mostrar seus motivos e razões, então deixaria que eles falassem primeiro, afinal estava no final da fila, ou seria da corrente, por assim dizer... Um após o outro, foram dando suas explicações e motivos e isso permitia que observasse as pequenas mudanças dos jurados, buscando ver se haveriam reações como espanto ou comoção, quem sabe nojo talvez, mas tudo poderia dar um embasamento sobre como poderia agir no seu momento.

- Senhores do juri, Meritíssimo, meus caros "colegas", acho que vão estranhar minhas palavras, mas não creio que eu mereça outra segunda chance, vocês foram bastante claros quando me puniram da ultima vez, me banindo da morte e afastando de minha amada. E tudo isso por que? Só por ser um marido desesperado e fazer o impossível para salvar a esposa em sua agonia de morte, tentando se tornar algo além de um simples mortal e virar um Lich? Fiz e faria novamente, não me arrependo. Se querem novamente me jogar nesse banimento, me joguem, eu aguardarei, voltarei aqui quantas vezes forem necessárias, pois um dia nem esse tribunal nem nenhuma força de toda a Existência poderá me separar dela...

Havia começado seu discurso calma e serenamente, cumprimentando com um aceno de cabeça os juris, o juiz e seus colegas, mas conforme foi falando, foi se inflamando, deixando que suas emoções transparecessem e revelasse quem realmente ele era, falando com paixão em suas palavras, mostrando que não era um egocentrico egoista como tantos outros que tentavam tal procedimento e sim sujeito disposto a tal sacrifício para outra pessoa.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Pacificador em Dom Dez 06, 2015 8:24 pm

Fiquei calado diante da explicação de Gero-vingio, não tinha mais o que ser feito.  De algum modo não queria ter morrido, sabia que os guardiões iriam me repudiar por ter vivido tão pouco aprendido tão pouco, apenas nesse momento conseguir compreender o quanto a vida era cruel, de certa forma isso era uma verdade.

Acompanhei o restante do grupo olhando para baixo, havia aceitado a morte se isso era bom eu realmente não sei explicar. Não reparei em nada ao meu redor, apenas no piso que refletia minha imagem, estava mais melancólico que o habitual e na corrente presa em minha perna e pulso esquerdo apenas reforçava a imagem de alguém que havia aceitado a morte.  

Olhei o copo D'agua e o tomei, observei por alguns segundos, não precisava literalmente tomar o copo, apenas um toque dos meus dedo iriam fazer eu absorver o liquido no entanto, como já estava morto tomei o copo sem ao menos pensar muito nisso. Ergui o rosto olhando ao redor, só nesse momento percebi como era o lugar, diversas pessoas estavam ali logo em cima do nosso grupo, observam-nos alguns sorrindo outros cochichando era algo terrível de presenciar, pelo simples motivo de compreender que talvez um dos comentários era para você. De certo modo me lembrei de algo ruim; parecia que eu estava em experimento novamente.

Olhei para a lua, cheia? Nova? Mesmo tendo conhecimento sobre as os ciclo que me foi passada pelos guardiões não conseguia definir, era estranho, no entanto era reconfortante nem tudo estava perdido, de alguma forma sentia que tinha uma chance de voltar.

Gero-vingio, estava sentado ao meu lado, e o moço com pele vermelha estava a minha esquerda, o ogro era grande, tão grande que fazia meu braço ficar um pouco levantado quando movia as mão sem perceber minha presença, por alguma razão eu tinha de avisar que eu ainda estava ali, se não eu poderia acabar sendo puxado sem ele perceber... Reparei em pouca coisa, e não me importei com a movimentação na bancada dos júri, voltei a olhar para o chão e ouvir o juiz Russelo.

Ergui meu rosto para olhar para o juiz, não me levantei, já estava acorrentado me levantar era de alguma maneira trivial. - Eu sou Ball... - Parei por breves segundos, tentando me acomodar a aquela atmosfera estranha.- Balltier El Raizel.- Disse assentindo para forçar que estava colocando esforço para dizer aquelas palavras.- Sempre me disseram que a vida é algo único, mas agora. Não tenho tanta certeza. Ter minha vida de volta é algo de muita importância, preciso voltar a me aprimorar, continuar morto, seria rejeitar o legado de meus criadores.- Simplesmente não iria responder mais nada. Não por duvida mas pelo simples motivos de não saber se estar morto era realmente algo verdadeiramente contra o criadores, pois só agora havia entendido, mesmo morto podia ganha conhecimento.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Ter Dez 08, 2015 12:01 am

3. Queda livre

Solrac cogitou a possibilidade de ser um teste. Mas não. O velho Cob não tinha nada com isso tudo. Eu sei.

Se apresentou, respondeu, observou o júri. O máximo de expressão que conseguiu captar neles foi quando mostrou o braço. Mesmo assim, foi pouco: uma sobrancelha levantada numa das senhoras, e um aceno noutra, como se soubesse exatamente o que era aquilo. De resto, o júri permaneceu morto. Quando Solrac terminou, uma das loiras fez anotações. Algo curto. E encarou o jovem de volta com o que pareceu um meio sorriso.

Ah, e teve o sujeito do chapéu. De repente ele pareceu atento e não mais dorminhoco.

O Juiz agradeceu Solrac e pediu para que o próximo se levantasse.

No caso, Ho. Tinha até observado os soldados, o que Solrac também fizera, e viu apenas espadas nas cinturas. A armadura era uma básica cota de malha, realmente nada incrível. Eram apenas dois... E de algum modo todos naquele tribunal se sentiam extremamente a vontades e seguros com apenas dois guardas. Deveriam ser bons, embora simples.

Quanto as rotas de fuga, tinha apenas uma porta atrás da bancada do juiz, de onde o homem do recado surgira. Na lateral, uma escada levava para a galeria da direita onde estava o júri, e lá em cima tinha uma porta de saída. A outra galeria também tinha uma porta de saída, mas não tinha uma escada lateral, de modo que as pessoas só poderiam descer com um salto bem dado, e vice-versa. Não viu janelas, embora o lugar parecesse ventilado.

Gerovingio sussurrou, quanto ao promotor, que a ausência dele era boa coisa. O júri por si só é isento, suas perguntas não teriam explicitas intenções de condenar. Ao menos na teoria.

Então o meio orc se apresentou e deu suas respostas. O júri escutou. Uma das senhoras, com um dos livros, se remexeu um pouco, tentando recuperar algum detalhe perdido no meio da resposta do orc. Nem pareciam respirar.

Por um momento, alguma coisa passou voando lá fora e tapou as luzes noturnas. Tinha asas grandes. E ninguém pareceu ligar pra aquilo.  

Quando Ho terminou, o homem do chapéu bateu palmas. Só algumas, pois logo foi fuzilado por olhares disciplinados que odeiam manifestações desnecessárias em momentos sérios como aquele, hm. Alguns tomaram notas.

Ho se sentou.  

Sean se levantou, também se sentindo fuzilado. Depois de Solrac e Ho, o júri parecia mais... bom, parecia exatamente o mesmo, mas, Sean teve a impressão de ver algumas mulheres abrirem um pouco a boca, como se estivesse difícil respirar pelo nariz, talvez condoídas ─ deprimidas! ─ com a história que ouviam, ainda que meio por cima. Vai ver algumas delas eram mães. Com intenção ou não, Sean deve ter atirado com a arma certa. Sentou.

Bones se ergueu logo em seguida. Antes, com suas respostas sarcásticas ─ ou não ─ ele conseguiu, ao menos, uma risada de Aurélio, que logo engoliu o riso e caminhou pra dentro da sala.

E não, aquilo tudo não parecia uma encenação. Não parecia.

Quando ele terminou de falar, não pegou nenhuma reação significativa de volta. Então o senhor de barba branca começou a tossir novamente, não conseguiu se controlar e deixou a sala. Já o cara do chapéu balançou a cabeça num positivo, como se só ele e Bones estivesse no local, numa conversa particular, e o homem soubesse o que fazer a seguir. Alguns tomaram notas.

Russelo agradeceu, pediu pelo próximo e último.

Balltier tinha provado da água. Morna. Mas que lhe serviu bem, deixando a garganta limpa. Quanto a lua, era nova, uma cara prateada enorme olhando direto para eles, com as rugas e imperfeições bem visíveis, convidando qualquer um a ficar eternamente olhando e olhando.

Não pareceram incomodados com o fato dele não se levantar. Mas pareceram esperar algo mais quando ele terminou. Tipo, demoraram pra sacar que as respostas tinham acabado. Então o senhor com ataques de tosse entrou novamente com cara de “o que foi que eu perdi?”. O sujeito do chapéu se recostou e coçou o rosto, movimento que permitiu a luz da lua passar pelo chapéu e brilhar numa pele albina e escamosa.

Obrigado ─ disse Russelo e olhou para o júri. ─ Por ora, o que o júri deseja?

Conversaram entre eles. Os espectadores, na outra galeria, também conversavam. Conversaram bastante. Então uma das mulheres pareceu prestes a falar mas o do chapéu foi mais rápido:

Precisamos de um tempo para elaborar mais questões e analisarmos as respostas, meritíssimo. ─ Uma voz normal, exceto pela aparente alegria e disposição.

Quanto tempo? ─ perguntou Russalo.

Um dia.

Houve conversas. Alguns dos júris se levantaram, aparentemente dispostos a protestar. O homem do chapéu foi decisivo:

Não é qualquer coisa! Estamos lidando com vidas! Temos de analisar com calma. Precisamos de um dia!

Russelo, no fundo, parecia concordar. Quem sabe dentro de um dia o promotor pudesse chegar e dar àquela audiência o peso que merecia. Ele decretou, com a voz um tom acima do comum:

Que seja um dia, então. Esta sessão será prorrogada até amanhã. O júri deve se retirar para os seus aposentos a fim de analisar o caso. Levem os livros e sintam-se livres para usar nossa biblioteca na busca de material complementar. Os réus também serão guiados aos seus aposentos. Até amanhã.

E se levantou, pegou seu livro e saiu pela porta de trás, a capa girando atrás de si.

Os espectadores começaram a sair também. O júri se demorou um pouco. Estavam conversando, a maioria olhando feio para o homem de chapéu. O senhor voltou a tossir e saiu de uma vez. Aos poucos eles foram saindo.

Gerovingio para os cinco:

Venham comigo, por favor.

Voltaram para a Antessala da Morte, entraram na outra porta, caminharam pelo corredor com várias portas à direita, todas iguais, enormes, duplas. Haviam soldados parados ao lado de cada porta. Archotes iluminavam o local forrado pelo mesmo tapete da Antessala. Na terceira, ele sacou um molho de chaves e destrancou, abriu as duas folhas e fez sinal para que passassem. Depois que o grupo passou ele entrou e trancou a porta de volta. Estavam noutro corredor, com portas à direita, todas iguais, enormes, duplas. No final do corredor tinha um pequeno lance de escada. Lá perto, mais um guarda. Desceram as escadas, que deveria ter a forma de L.

Saíram em outro corredor, portas à esquerda e outro lance de escada ao final. Desceram... Um terrível labirinto. No próximo corredor, havia guardas, cerca de três deles. Gerovingio parou na segunda porta e a destrancou, abriu as folhas e entrou sem esperar os cinco.

Era um grande aposento quadrado com seis camas nas laterais, de modo que o centro do local ficava livre. Havia dois banheiros num canto, chão atapetado, paredes e teto azulejados. Gerovingio foi acender um lampião à gás. Parecia ser à gás, como no mundo dos vivos. Deixou o lampião numa mesa de centro, e a coisinha provou conseguir iluminar razoavelmente bem o local. Havia uma janela, sem parapeito, uma réplica das portas, só que menores, aberta para o mundo.

Quem fosse ver teria certeza de que o aposento ficava nos subterrâneos de uma fortaleza lapidada numa montanha: pois, olhando para baixo, era possível ver apenas um longo precipício. E as paredes do lado de fora, ao redor da janela, eram rochas brutas, escarpadas. Não era possível ver o fim daquela queda, que sumia em neblinas soturnas, de modo que tudo além era isso, neblina e neblina. Era como se eles estivessem num lugar muito, muito alto e então aquela neblina toda talvez fosse, na verdade, um punhado de nuvens. Ou como se estivessem num ponto tão profundo que não havia mais nada para se ver pela janela. Olhando pra cima, lá estava o mesmo céu de antes, extremamente aberto, livre de nuvens, os luminares todos postos e iluminando a noite. A coisa com enormes asas ainda figurava no fim do horizonte.

Tem comida no armário ─ disse Gerovingio, apontando para um canto do quarto ─, caso sintam a necessidade de mastigar. E venham cá.

Com uma única chave, ele abriu, um por um, os grilhões que prendiam o grupo.

Até o momento, todos se sentiam incapazes de ações energéticas. Agora, estranhamente, sentiam até mesmo seus corações palpitando, o que era muito esquisito. Bom, nem todos sentiam isso... Balltier, por exemplo, apenas se sentia mais... vivo?

Era como estar contido. E então, não mais.

Gerovingio recolheu as correntes e se encaminhou para a porta. Por último, disse:

Recomendo que durmam um pouco, tentem relaxar. Amanhã será um dia longo.

E saiu.

Fechou a porta. Todos puderam ouvir o tlunk que fez o trinco da porta.

Dormir? Sério? Podiam até tentar. Mas, francamente, já não estavam dormindo antes do tribunal começar?

Da janela, eles escutavam uma brisa suave. Se olhassem com mais atenção, perceberiam que poucos aposentos tinham janelas. Vai ver nem todos eram quartos como aquele. Mas aquele certamente era um premiado: fora aquela janela, ele podiam ver apenas outras cinco; três delas alguns metros abaixo, provavelmente do andar de baixo; e as outras duas mais elevadas, pertencentes ao andar de cima.

Por que a janela? Será que tinham tanta confiança assim que não seria possível escaparem?

Mas por que estariam eles, os cinco, pensando em escapar? Só precisavam esperar pelo dia seguinte, pelo julgamento. Seriam bem sucedidos, oras.

Se checassem o armário, encontrariam ameixas dentro de potes, seis copos, duas jarras de água, três jarras de vinho, seis pães em um cesto e uma roda gorda de queijo. Perto do queijo, uma faca.

As camas eram altas, fofas e confortáveis. Talvez fossem inteiramente feitas com montes de lã, cobertas com um lençol fixo e por fim postas numa armação de madeira envernizada. Vai ver que, se deitassem, realmente pegariam no sono.

Do lado de fora, no corredor, não escutavam nada. Mas sabiam que os guardas ainda estavam lá.

E era isso.

Por enquanto.

Spoiler:
Um detalhe que esqueci de mencionar, e me lembrei por causa do Ho pisando no tapete: vocês estão calçados com sapatilhas de pano (já deu pra sacar que é roupa de presidiário?), exceto Ho, que está com chinelos de couro.

Senhores, devo viajar na semana que vem, quarta ou quinta. Daí vou ficar sem postar por um tempo. Então se quiserem receber um último post antes do fim de ano, postem antes da quarta que vem!

Qualquer dúvida ou melhor esclarecimento de qualquer coisa, me chamem.


Última edição por NR Sérpico em Seg Fev 22, 2016 6:52 pm, editado 1 vez(es)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Ter Dez 08, 2015 2:20 pm

Acabei de falar e tive algumas palmas do homem que antes dormia, mas as tive como ironia. Os outros falaram mais sucintamente que eu. Confesso que fiquei olhando as estrelas, a lua... Quem sabia se seria minha última vez olhando algo bonito? Eu tentava aproveitar até que algo passou bloqueando a luz, como se asas. Será que era um dragão? Nossa, fiquei olhando aquilo, lembrei que queria tentar me tornar cavaleiro alado de Hilydrus. Cara, me fartei olhando aquilo. Quis sentir me coração bater de adrenalina. Me vi voando. Me vi preso. Acordei. Continuava dormindo.

Dora pedido mais um dia a fim de que o júri elaborasse mais perguntas e analisasse nossa resposta.

Lembrei que nunca havia tido uma mulher. Como seria? Sorri. Olhei para Sean e percebi que ali, talvez ele fosse o que estivesse pior, pois nem sabia o que era isso e nem muitos prazeres que a carne pede.

Sei lá. Estava pior que as aulas de meu pai. Pior que as viagens nas Estradas. Mas não pior que muitas outras coisas também, então me aquietei e até fiquei grato. Ao recesso, à pausa, Gerovigio nos levará a algum lugar... Nosso quarto para esperar o resultado.

Lá tinha comida. Eu lembrava do caminho. Não vi diferença entre os guardas. Mas eu queria lutar contra uns. Lembrava de Russell pegando o livro de terror ou drama ou comédia e dando de costas. Lá estava claro e escuro. Gerovigio tirara as correntes, mas a corrente que prendia o meu ódio continuava lá, como se também estivesse morto.

--Sean, não se preocupe... Talvez você tenha mais chances... De fato é jovem e tocou o coração dos que te ouviam. -- disse calmamente a ele.

Eu fui comer o queijo, comer outras coisas de lá... Necessidade de mexer a boca? Não não... Só curiosidade sobre o sabor. Olhei pra fora e vi o pássaro dragão ou seja lá o que fosse, estava frio, assobiei, tentando chama-lo ou chama-lo, queria ver de perto
--Hahaha-- sorri, pois não era nada sábio.

Sentei e meditei em mim mesmo... Queria chamar o meu ódio... Queria chamar a mim mesmo... Talvez eu dormisse com isso... De repente me vi dentro de um monstro... Um gosto extraterrestre na minha bica... Cheiro... Visões... Lembrança ou sonho?! Levantei, deitei em uma das camas e fiquei lá de braços esticados apreciando a liberdade das correntes; bati forte na parede, acho que reflexo ou curiosidade. Talvez eu dormisse

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Pacificador em Qua Dez 09, 2015 7:06 am

Parecia que tudo iria durar mais de um dia, se bem que quando se estar morto contar dias é algo estranho. Como foi pedido, segui o Gero-vingio. De alguma forma era reconfortante saber que tinha alguém como ele dando suporte, ou não. Eu não saberia dizer se ele era uma pessoa confiável, se bem que eu não me importava muito com isso.

Segui o moço por aparentemente um corredor tortuosos e confusos, tentei olhar ao redor ou até mesmo tocar em uma das portas para sentir sua textura, mas para o ritmo impondo pelo demais pareciam que eu não iria ter uma chance de bisbilhotar as outras portas.

Apos ser libertado da corrente assenti para gero-vingio, me sentia mais livre, talvez fosse pela falta das correntes, era uma sensação talvez até mesmo nostálgica. Assim que ele saiu me virei e olhei para os outros, no entanto algo me chamou atenção e  era Thanathus; a estrutura dos ossos dele era branca, pareciam mármore e isso era incomum, como ele se movia sem músculo? Ele comia gente como um zumbi? Me aproximei de maneira letárgica, mas sem nada mais para prender meus movimentos era satisfatório, sem perceber tentava levantar a roupa laranja tentando segurar uma de suas costelas... - Não tem nada dentro...- Falei sem nem ao menos perceber que era uma pessoa, eu tinha noção que era um ser vivo, mas era diferente quando se compara com a coisa real. - Você já morreu antes? É sempre assim confuso?- Escutei suas palavras e me apresentei em seguida.- Sou Balltier, pode me chamar de Ball, se quiser.-  Não iria mais importuna o senhor Bones... Por enquanto.  

Segui para outro que eu tinha interesse, era Sollrac, o garoto com garras no braço esquerdo. Me aproximei com velocidade, não tão rápido para um assalto mas também não tão devagar que se poderia ser considerado casual, claro ainda estava letárgico, mas eu queria aprender, olhei seu braço com muito interesse. - Posso tocar?- Olhei em seus olhos. Ergui minha mão esquerda, demonstrando que era também diferente. - Eu sou Balltier e você?- Com as apresentações concluídas. Me voltei para a próxima pessoa.

O próximo de quem me aproximei era Sean, de certa forma não vi nada de estranho a não ser seus olhos, eram amarelos... Dourados? Eu não tinha uma palavra para descrever com exatidão, me aproximei e indaguei sorrindo - Você tem olhos estranhos.- Me apresentei novamente e segui para o próximo integrante do grupo.

Era um moço grande com pele vermelha, eu particularmente não estava com medo mas chateado por ele não ter prestado atenção em mim enquanto andava, eu tinha que toma cuidado para não ser arrastado. Quando me aproximei ele estava dormindo(meditando)... - Olá?- Disse, e ao que parecia ele não iria responder, troquei o peso de um pé para o outro, então voltei para o armário de comida.

Peguei pão e queijo e mais um copo D'Água, como Homúnculo não precisava me alimentar da maneira tradicional, mas de alguma forma estando morto eu não me importava da maneira de como fazia as coisas. Assim que acabei de comer, tecnicamente empurrando a comida por goela abaixo, fui para uma das camas. Me enrolei na coberta como um casulo e dormi sentado, se bem que fiquei ali olhando as pessoas, por algum tempo até adormecer sentado, estar morto era legal, de uma maneira estranha, mas legal.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Kaede em Sex Dez 11, 2015 12:10 pm

Depois que eu e os outros nos apresentamos e respondemos ao júri, o mesmo pediu um dia para poderem tomar a decisão. Aos poucos todos foram saindo até que Gerovingio pediu para que o grupo o acompanhasse para os aposentos.

Durante o trajeto para os aposentos, fiz uma pergunta para Gerovingio que nos guiava pelo caminho que mais parecia ser um labirinto de portas e escadas.

_Senhor Gerovingio, sobre a biblioteca que o senhor juiz Russelo falou. Eu e os outros podemos ter acesso a ela?_ Já imaginava que teria uma resposta negativa, mas mesmo assim continuei a caminhar próximo ao senhor Gerovingio para ouvir a sua resposta.

Assim caminhamos até que Gerovingio se destacou e entrou em uma sala enorme que imaginei ser o aposento, ele foi acendendo um lampião, depois falou que tinha comida no armário caso tivéssemos necessidade de mastigar e logo em seguida nos libertou dos grilhões.

_Ufa... de certa forma parece que nasci de novo!_ Falei admirado, pois quando os grilhões que me prendiam foram abertos, me senti restaurado. Foi a melhor coisa que tinha sentido até agora depois da minha repentina morte.

Feito isso ele deu mais uma recomendação e saiu de cena, logo quando eu iria fazer mais outra pergunta, pergunta sobre meus familiares. Como será que eles estão?
Nisso abaixei a minha cabeça e fui caminhando aposento adentro e comecei a observar as coisas, a sala era enorme com camas e banheiros. Fiquei a observar a janela que me amostrava muita neblina e uma estranha criatura que voava no horizonte...

_Posso tocar?_

Levei um leve susto por não perceber um dos que também está para se julgado se aproximar de mim com tal pergunta, fora Melanie ele foi primeira pessoa desconhecida a me pedir para ver o meu estranho braço.

_Contando que você não me sugue como fez com a água do copo._ Respondi sorrindo, pois fiquei feliz com a ação do garoto e em seguida para não dar uma má impressão quando percebi que ele olhava em meus olhos, logo falei.

_É brincadeira, há, há..._ E ao perceber que ele também levantou o braço dele me mostrando que também tinha um braço e que poderia ser parecido com o meu e logo fui apertando a sua mão o cumprimentando após a sua apresentação.

_Me chamo Sollrac Senun, mas pode me chamar de Soll._ E em seguida ele foi se distanciando e indo rumo ao próximo para se apresentar. Sujeitinho legal ele...

Decidi que devia comer algo, bem eu não como algo desde que eu estava vivo... piadinha ruim heim cara..., mas na verdade queria comer só por curiosidade e saber como o organismo iria responder.
Me dirigi até ao armário onde Ho estava para pegar comida, fiquei ao seu lado e como o pequeno Balltier decidi me apresentar.

_Olá! Você é Ho o orc, não é? Gostei da forma poética que respondeu ao júri. Como deve ter me ouvido responder ao júri, sou Sollrac!_ Estendi o meu braço para um possível aperto de mãos e quem sabe uma nova amizade.

Depois de ter comido um simples sanduíche de queijo acompanhado de um copo de vinho e acompanhado de Ho, voltei a minha atenção novamente para a janela e ali fiquei observando até o momento em que me dirigia para a cama a espera do dia seguinte.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Dom Dez 13, 2015 2:30 pm

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Depois do meu breve discurso, os demais do nosso grupo também se apresentaram. Falaram e falaram, aquilo estava ficando um pouco entediante. Quero dizer, eu não estava lá muito interessado na história deles, eu estava pensativo. Me peguei concentrado nas coisas que falei. Realmente, eu nunca me senti tão sozinho como agora... sentia falta de minha mãe, mesmo nunca tendo a conhecido, senti falta de meu pai, e acima de tudo, senti falta de Ifrit.

Balançando novamente os pés com certa ansiedade, o tempo passou rápido. Quando me dei conta, o julgamento acho que tinha acabado, todos saíram e o tal Gerovíngio nos convidou para outro aposento. Deixamos aquele salão maravilhoso, fomos guiados por corredores e escadarias estreitas, tudo muito confuso, um caminho que sequer consegui memorizar por onde começamos. Com meus olhos furtivos e curiosos, tentava observar ao máximo das decorações e tudo que tinha por ali, já que era a única coisa que eu tinha pra fazer e pra me distrair daqueles pensamentos chatos.

Bufei. Estava cansado. Esgotado. Mas não era fisicamente, de fadiga nem nada... era um outro cansaço, não sei explicar.

Chegando no quarto, este iluminado por lampiões e com um espaço suficiente para todos do grupo, mais recomendações e enfim fomos liberados de nossas correntes. Assim que os grilhões foram retirados, senti um alívio. Aquilo me tirou um pouco da sensação de cansaço, mas eu ainda estava um pouco triste. Gerovíngio falou mais coisas, os outros também falaram, e enfim. Ficamos sozinhos, finalmente.

E então, Ho mais uma vez me dirigiu a palavra. Falou pouco, mas falou o que eu precisava ouvir. Não necessariamente porque eu estava preocupado com o resultado lá no julgamento, mas eu estava com medo, me sentindo sozinho. De alguma forma me senti melhor com o que ele disse. Aos poucos aquele cansaço foi se aliviando.

— Obrigado, grande Ho. Não sabe como é bom ter alguém conhecido numa hora dessas. Ainda mais você, grande e corajoso desse jeito. - Comentei, voltando a sorrir um pouco desajeitado.

Em seguida, fui surpreendido por um outro garoto. É verdade! Eu quase me esqueci dele. Ele era pequeno quase como eu. Veio até mim, me encarou nos olhos e, de repente, me falou que tenho olhos estranhos. Aquilo foi inusitado, muito inusitado. Mas eu gostei? Fez bem o meu estilo. Dei um tapa em seu ombro, como um cumprimento, e disse;

— Gostei de você, amiguinho! Pode me chamar de Sean! - Sorri. Reparei também que ele tinha cumprimentado o amigo Bones agora há pouco, o que me lembrou também o comentário do homem osso, e me rendeu algumas risadas. Inclinei-me o suficiente para ser capaz de cochichar no ouvido de Ball, dizendo; — Aliás, escolha uma cama bem longe da do Bones viu? De noite pode ser perigoso... - Fazia referência ao que ouvi outrora. Talvez o garoto não entenderia mas, independente disso, eu continuei rindo mais um pouco.

Por fim, ele foi lá para um outro lado, cumprimentar os demais. Eu decidi deixar Ho no seu momento de reflexão e fui em direção a Bones. Dentre os que estavam conosco, ele parecia ser o que mais tem experiência nisso tudo, o que me deixou curioso. Chegando nele, fui bem objetivo, e invasivo também.

— Ei, amigo osso, quer dizer que você já morreu antes? - Caminhei em sua direção lentamente, com os braços relaxados e as mãos nos bolsos da minha capa. O olhar, por sua vez, sempre atento e fitando o companheiro direto nos olhos. — Me conta, me conta, como é que foi? - Adicionei, com certo entusiasmo.

E por fim esperei. Estava sem fome ainda. Sem sede também. Acho que já era costume já que em vida, eu quase não me alimentava. Só não conseguia explicar mesmo essa sensação esquisita de falta de alguma coisa...

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Bones em Dom Dez 13, 2015 5:46 pm

Provavelmente o único que se quer prestou atenção em seu discurso foi o homem de chapéu, entretanto sua reação foi quase como se o conhecesse, mas este fato Bones não poderia confirmar ou negar, dessa parte não se lembrava em nada. Talvez estava em seu julgamento anterior? Quem sabe...

Após todas as apresentações, foram levados pelos corredores. Da ultima vez não havia acontecido aquilo, então agora tudo era novo e inédito para ele, aguçando sua curiosidade e procurando ficar atento a onde estavam indo e o que pretendiam fazer com o grupo, uma vez que estavam indo em direção aonde geralmente ficavam catacumbas e com aquelas roupas, imaginava o tipo de tratamento que teriam.

Se tivesse língua, naquele momento acabaria mordendo-a para pagar pelo seus ditos em pensamento, pois aquela aposento era muito mais confortável do que provavelmente a maior parte das hospedarias do mundo dos vivos. Isso porque era uma prisão!

Enquanto estava observando bem o lugar, sentiu que alguém estivesse mexendo em suas costelas, o que infelizmente deve ter se provado muito desconfortável para o sujeito, uma vez que seus ossos costumavam ser frios como gelo, reagindo como se estivessem lhe espiando enquanto toma banho, puxando sua roupa para o lugar.

- Parou por ai, vamos com calma com a intimidade! Como se sentiria se um sujeito estranho começasse a querer lhe levantar a blusa e ficar passando a mão nas suas costelas???

- Bom, respondendo sua pergunta...


Antes de responder, viu o garoto que estava outrora acorrentado logo ao seu lado lhe perguntar algo semelhante, então decidiu falar uma vez só, poupando o esforço de múltiplas explicações.

-Voltando... Não sei se estava ou não vivo, apenas existo nessa forma. Até antes de vir parar aqui com vocês, eu fui condenado por esse tribunal a "não morrer" nessa forma, banido. Lembrei vagamente de poucos detalhes ao acordar na cadeira, mas sim, já morri uma vez e já havia passado por aquilo, eu acho, mas esses aposentos aqui são novos pra mim...

Procurou ser direto, matando as curiosidades e imaginando que poderiam haver outras perguntas depois, então tratou logo de escolher uma cama e se recostar nela, se preparando mas pelo menos disposto a conversar. Não que precisasse dormir, já até havia esquecido como era isso, mas pelo menos parecia mais confortável do que o tapete no chão.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Ter Dez 15, 2015 8:23 pm

4. Pele

Oh, senhor Senun, temo dizer que não ─ dissera Gerovingio a respeito do acesso à biblioteca. ─ Ao menos não por enquanto. Quem sabe depois do julgamento.  

Depois disso entraram no aposento, se enturmaram, alguns deitaram, outros comeram. A comida cumpria com as expectativas, o paladar deles estava no lugar. Aquilo confortou eles um pouco ─ não o estômago, mas a mente. Era como, por um instante, estar vivo outra vez.

Na verdade, estar morto não era muito diferente de estar vivo. Eles descobririam isso cedo ou tarde. Claro, havia algumas complicações desagradáveis. “Pendências”, digamos assim ─ que eles também iriam descobrir. Mas no geral, não era tão diferente. Aquele mundo, aquele submundo, tinha regras parecidas com o mundo dos vivos.

Antes, Sean não percebeu nada muito incrível nos corredores, além dos tapetes e lustres. Talvez só uma coisa: os quadros. O grupo andou por três corredores. Em cada, havia um quadro, um único quadro, pintado numa única cor. No primeiro corredor, saindo da Antessala, o quadro era vermelho. No corredor de baixo, azul. E nesse corredor onde estavam agora, o quadro era verde escuro. Estranho.

E o bicho voador no fim do mundo certamente não escutou o assobio de Ho.  

Então, em algum momento daquela noite, alguém disse:

Vocês estão condenados.

No centro, ao lado da mesinha com o lampião, o homem do chapéu apareceu. Quem estava dormindo (e tendo sonhos agradáveis, memórias de quando era um ser vivo), acordou.

É sério ─ ele disse, removendo o chapéu. ─ Nesse momento quase todos os jurados estão decidindo pela condenação de vocês.

Vendo de perto, seu rosto era meio redondo, como se tivesse levado uma surra ontem. Era careca. Seus olhos, amarelos. E sua pele era super pálida e escamosa e oleosa. Só dava pra ver a pele do rosto e pescoço, pois o corpo dele estava escondido por debaixo de um sobretudo, botas, e luvas nas mãos. Esquisitão. Mas mesmo assim ele era boa gente, vai por mim.

Mesmo você, jovem sem mãe, ou você aí, do braço esquisito... Mesmo vocês vão rodar. Nesse momento, minha pele está lá na sala, tentando enrolar eles com algum discurso sobre perguntas mais elaboradas e mais tempo para avaliar o caso. Mas eles não estão com paciência. Já foram convidados para serem júris? É um saco. A menos que... ─ Ele fez uma pausa sinistrona. ─ A menos que tenha algo em jogo, daí a coisa fica mais interessante.

Bom... ao menos Sean quase podia ter certeza que tinha ganho a simpatia do júri. Aquele cara poderia estar mentido para dar base no que viria a seguir, hm.

Ele pegou o lampião e o colocou no chão. Sentou na mesinha. Com o dedo médio, equilibrou o chapéu.

É meio complicado acreditar num estranho que aparece do nada no seu aposento, eu sei. Ainda mais quando o sujeito não tem uma aparência carismática. É. Eu não me iludo, não. ─ Ele deu de ombros. ─ Já fizeram isso comigo antes e eu não gostei. Não acreditei no discurso do cara, que apareceu do nada, me alertando e tal. E acabei pagando o pato, depenado e assado.

Ele tinha uma presença ruim. E não é só pelo fato do quarto ter ficado mais frio desde que ele surgiu, não era só isso. Era mais como estar na presença de algo ruim por essência, algo que você evita a proximidade naturalmente, como uma aranha ou um escorpião. Ou uma cobra.

E como diabos ele apareceu? Um teleporter?

Vou direto ao ponto, perdão ─ ele disse, querendo ser mais rápido do que qualquer questão dos cinco. Ou qualquer ação. Afinal, estavam sem as correntes agora. ─ Eu tentei ajudar, ferrando com a viagem do promotor. Mas não tinha como eu saber quem seria convocado para ser júri... Descobri que eles são fracos, nem um pouco empenhados, por isso não querem analisar a vida de cada. Analisar a fundo. Então vão condená-los. Mas eu posso impedir que isso aconteça, com uma contraproposta... ─ ele deixou o chapéu cair. ─ Que seria dar uma utilidade para vocês, aqui, no submundo, para que provem merecer a vida. Russelo adora esses testes, não foi à toa que modifiquei as agendas dos juízes para que justamente ele pegasse esse caso, hm.

Aquele sujeito era no mínimo sagaz. Não parecia ter armas nem nada. Talvez apenas sua lábia bastasse. Ou não. Vamos ver.

Alias, me chamo Vax. ─ Pegou o chapéu do chão e o colocou na cabeça lisa. ─ O que me dizem? ─ Seus olhos amarelos faiscaram, com expectativa. ─ Tenho que voltar logo, minha pele vai começar a se desfazer se eu demorar muito... Então preciso saber se topam. Tenho plena certeza que consigo mudar o cenário de vocês com minha contraproposta. Mas, se não quiserem esse acordo, isto é, se preferirem tentar a sorte no julgamento, então lhes desejo uma boa condenação e até logo. Mas se toparem... ah, será uma aventura épica! E no final vocês levam suas vidas de volta! E, ah ─ ele pareceu se lembrar de algo importante. ─, sempre há a chance de encontrar alguém por aí ─ Vax apontou para o mundo, através da janela. ─ Alguém que vocês conheceram no mundo dos vivos... todos temos entes queridos mortos, não é mesmo? ─ Ele olhou para Ho: ─ O que a Sabedoria lhe diz agora? Hm?

Então alguém meteu uma chave na porta.

Vax disse:

Eles são bons. ─ Olhando para a porta. Então se levantou. ─ Volto daqui uma hora. Tenham uma resposta até lá.

Então Vax desapareceu, simplesmente.

A porta se abriu no momento seguinte e dois guardas deram um passo pra dentro do quarto, observando mais o ambiente do que os cinco mortos. Estavam como que farejando algo. Um deles perguntou:

Tudo certo aqui?

Impossível que tivessem escutado Vax falando, já que este falara num tom baixo que não seria capaz de passar pelas portas grossas... Os guardas não esperavam uma resposta ─ pareciam esperar alguma... reação. Quando nada aconteceu, fizeram menção de sair.

Spoiler:
Senhores, continuem o momento de interação, caso queiram, tipo, momentos antes do Vax aparecer.

Daí comecem uma nova conversa, sobre a proposta do Vax, depois dos guardas saírem. Ou então aproveitem esse "fizeram menção de sair", pra tentar algo antes deles se virarem e fecharem a porta. Sei lá. Cuidado.

Provavelmente só tornarei a postar lá pela segunda semana de janeiro, o que é meio chato, pois eu realmente não queria pausar por "tanto" tempo a campanha... Mas, fazer o que. Então boas férias aí e até logo.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Bones em Ter Dez 15, 2015 11:36 pm


─ Vocês estão condenados.


Com tais palavras de imediato Bones se colocou de pé. Não pelo teor do que foi dito, mas pela voz diferente ali no meio e pela informação dada deveria ser de alguém com conhecimento, ou pelo menos fingindo ter algum conhecimento, sobre o que acontecia fora daquela cela. Se pôs a procurar e então vislumbrou o mesmo homem que havia lhe acenado durante seu discurso no tribunal.


─ É sério... Nesse momento quase todos os jurados estão decidindo pela condenação de vocês.

─ Mesmo você, jovem sem mãe, ou você aí, do braço esquisito... Mesmo vocês vão rodar. Nesse momento, minha pele está lá na sala, tentando enrolar eles com algum discurso sobre perguntas mais elaboradas e mais tempo para avaliar o caso. Mas eles não estão com paciência. Já foram convidados para serem júris? É um saco. A menos que...  A menos que tenha algo em jogo, daí a coisa fica mais interessante.


- E então, de bom grando e puro altruismo ele ira nos oferecer uma otima oportinudade imperdivel, a oportunidade maior de nossas vidas, literalmente... heheh

Pensou ele observando os modos do homem, mas não se incomodando, parecia agir como queria, de forma natural, sem rodeios ou cerimonias, uma postura que até lembrava a dele próprio na maior parte do tempo, mas pelo menos estava simpatizado pela sua figura.


─ É meio complicado acreditar num estranho que aparece do nada no seu aposento, eu sei. Ainda mais quando o sujeito não tem uma aparência carismática. É. Eu não me iludo, não.  Já fizeram isso comigo antes e eu não gostei. Não acreditei no discurso do cara, que apareceu do nada, me alertando e tal. E acabei pagando o pato, depenado e assado.

─ Vou direto ao ponto, perdão. Eu tentei ajudar, ferrando com a viagem do promotor. Mas não tinha como eu saber quem seria convocado para ser júri... Descobri que eles são fracos, nem um pouco empenhados, por isso não querem analisar a vida de cada. Analisar a fundo. Então vão condená-los. Mas eu posso impedir que isso aconteça, com uma contraproposta... Que seria dar uma utilidade para vocês, aqui, no submundo, para que provem merecer a vida. Russelo adora esses testes, não foi à toa que modifiquei as agendas dos juízes para que justamente ele pegasse esse caso, hm.


Até iria se abaixar para pegar o chapéu para o homem, mas ele foi mais rápido. Tão rápido quanto suas palavras, eram poucos que Bones havia visto com um sujeito com um raciocino rápido quanto aquele, com palavras na ponta da lingua, exatamente o que todos estavam prontos para ouvir: esperança. A presença por mais que pudesse ser desconfortável, não lhe era de toda repulsiva, ele próprio causava isso as pessoas ao seu redor, havia se acostumado com aquilo, então nada mais do que natural, talvez.

Provavelmente todos, exceto Bones se banquetearam ao ouvir suas palavras. Esperança era algo que ja não fazia parte de sua existência, viver ou morrer não tinham diferenças, era tudo igual para ele, provavelmente por isso o impuseram tal penitencia eterna.


─ Alias, me chamo Vax. O que me dizem?  Tenho que voltar logo, minha pele vai começar a se desfazer se eu demorar muito... Então preciso saber se topam. Tenho plena certeza que consigo mudar o cenário de vocês com minha contraproposta. Mas, se não quiserem esse acordo, isto é, se preferirem tentar a sorte no julgamento, então lhes desejo uma boa condenação e até logo. Mas se toparem... ah, será uma aventura épica! E no final vocês levam suas vidas de volta! E, ah , sempre há a chance de encontrar alguém por aí . Alguém que vocês conheceram no mundo dos vivos... todos temos entes queridos mortos, não é mesmo?  O que a Sabedoria lhe diz agora? Hm?


- Aonde assino? hehe

Respondeu Bones de forma direta e sem rodeios, mas o homem desapareceu no mesmo instante, dando lugar a porta se abrindo e dois guardas, checando se estava tudo bem por ali. Não sabia a reação dos outros, mas procurou improvisar, ainda mais que havia respondido naquele momento, coisa que os guardas poderiam ter ouvido-o.

-Esta sim, senhor. O senhor saberia dizer se teríamos chance de um testamento ou ultimo pedido? Gostaria de pelo menos fazer um ultimo gesto e deixar para um conhecido velho em Takaras um presente, acho que ele gostaria de meu antigo grimório...

E então esperaria os guardas sairem, para então se voltar ao grupo, tomando um pouco mais de cuidado com tom de voz e surpresas.

- Vamos aos fatos. Ele faz parte do juri ou do tribunal, seja como for, estava lá. Tudo o que ele disse pode ser um grande mentira, o juri pode estar sendo a nosso favor e ele quer "brincar" com cinco almas por sabe-se lá quanta eternidade. Pode ter dito alguma verdade e, nesse caso, poderia ser algo favorável para nos, parcial ou totalmente, mas garanto que seria ainda mais favorável para ele em algum ponto.

Fez então uma pequena pausa, como se puxasse ar e deixasse sair lenta e continuamente uma leve neblina de sua boca, num longo suspiro.

- Não sei quanto a vocês, mas não tenho nada melhor para fazer lá no mundo dos vivos. Sendo mentira, irei ocupar um longo tempo fazendo algo, então meu tédio diminuirá e podem ter certeza que irei explorar oportunidades de subir de cargos... Sendo verdade, será uma chance a ser aproveitada. Então no final das contas, não faz sentido para mim recusar a oferta. Pensem no que vale a pena para vocês e o que estão dispostos a sacrificarem... Sou curioso de mais para não arriscar hehehe

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sab Dez 26, 2015 6:09 pm

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Aos poucos Bones foi sanando minha curiosidade. Notei que o outro garoto, acho que se chamava Balltier, também era eufórico e parecia querer saber sobre tudo. Gostei dele. Sorri enquanto o via futucar as costelas do amigo osso, ao mesmo tempo que Bones nos contava sua breve história. No fim, nada esclarecedor. Suspirei, um pouco insatisfeito. Levantei, pensei em caminhar até a janela, próximo onde Ho estava um pouco antes...até que de repente, outra surpresa.

Um sujeito engraçado, vestido todo pomposo, apareceu no meio da sala quase como num piscar de olhos. Fiquei perplexo. Um largo sorriso se abriu em meu rosto, eu queria correr até ele e ver se era mesmo real, mas antes mesmo que eu tomasse qualquer reação, ele já saiu falando um monte de coisas. Falava tudo muito rápido, tinha um jeito esquisito, apresentou-se como Vax. Não sei porque, senti uma coisa estranha enquanto ele falava, impossível dizer com exatidão, mas era muito parecido com desconfiança. Franzi o cenho direito, regulando sua proposta enquanto fingia estar pensando, levando a mão direita ao queixo.

Ninguém se pronunciou.

O homem parecia apressado, não nos deu muito tempo para responder. Apenas avisou que precisava sair e então desapareceu, do mesmo jeito que chegou. Concomitante, guardas entraram no quarto, tudo muito rápido. Vieram checar como estavam as coisas, e enquanto isso eu mal terminei de piscar e tudo já estava nos conformes de novo. Droga, estou muito distraído!

— Isso aqui é bem agitado pra um lugar de gente morta, não acham? - Falei a esmo, só pra constar mesmo.

Bones então tomou a frente. Ele parecia mesmo ser um cara legal, inteligente, sábio das palavras. Eu não entendia muito bem do seu raciocínio, mas até que parecia divertido entrar nessa. Vax falou que eu talvez tenha convencido alguns membros do juri, e talvez eu até me sentisse confortável por isso a ponto de não me arriscar... mas quando ele falou sobre encontrar os mortos lá fora, definitivamente, acertou na mosca. Ele soube bem como me estimular...

— Eu também quero entrar nessa! - Sem perceber, acabei falando um pouco alto, entusiasmado demais. É que naquele instante eu só conseguia lembrar daquela bruxa que conheci tempos atrás. Ela morreu levando consigo um olhar repleto de mistérios e um punhado de palavras que me atormentam até hoje. Talvez ela saiba algo sobre mim, sobre minha mãe. Talvez, por menor que seja a chance de encontrá-la, eu descubra alguma coisa, e isso já basta pra me convencer. Fechei os punhos, estava ficando animado com a ideia. Ergui a cabeça e caminhei para perto de Bones, afinal, ele era o único que até então demonstrou interesse na proposta de Vax.

— Estou com você, tio Bones. - Em seguida, voltei minha atenção para os demais, fitando-os nos olhos. — Vamos, vamos! Pode ser uma ótima última aventura, já que estamos todos mortos, não é mesmo? - Completei sorrindo.  

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Pacificador em Ter Dez 29, 2015 5:25 pm

Eu simplesmente adormeci, pensei que iria passar a noite toda acordado olhando para as pessoas ali observando, sentindo uma sensação de ódio, que se tornava um sentimento tolo e infantil, de fato eu não tinha um motivo para sentir isso, mas sentia. Eu realmente não sei se era ódio, até agora não compreendia as emoções que se manifestavam em mim, no entanto, adormeci. Não sei quanto tempo dormi, ou até mesmo quanto tempo aquele moço estava ali. Apenas acordei ouvindo a frase. "Vocês estão condenados" Eu entendi. Escutei a tudo calado e um pouco incomodado, sabia que minha mão não era normal, não precisa dizer a todos, pude até mesmo sentir alguns olhares a mim, pelas simples palavras do homem. Vax... De alguma forma me pareceu muito semelhante a Pax, deixei passar eu não tinha certeza sobre nada.
 
 Me encolhi e fiquei de cócoras abraçado aos meus joelhos observei o homem com interesse, me perguntava do por que daquelas palavras. " Rodar" Eu sabia que tinha alguns dialetos estranhos, mas nunca tinha visto isso em vida, apertei meus braços contra os joelhos, estar morto não podia ser tão ruim, se eu fosse condenado isso era tudo que me restava, não podia ser ruim. Reafirmava isso para mim mesmo, não podia ser ruim...

Continuei naquela posição calado. " Não quero ficar sozinho..." Agora olhava apenas para frente indiferente para as decisões que os demais poderiam tomar. -Até mesmo na morte a justiça é uma piada? Então por que não nos matam de uma vez? Ser julgado sem nem mesmo olhar? EU não quero isso, não gosto disso.- Falei sem me importar com o quão misterioso aquilo era, mas uma coisa era certa, fica ali e esperar por um final já determinado não estava em meus planos

Meu corpo ainda estava letárgico, não conseguia dá  uma razão para aquilo tudo. E mais uma vez aquelas emoções me rodeavam, tristeza, culpa. Tinha estado vivo e não vivi como queria, hesitei, nunca fui atrás das oportunidades, ao encontrar com um empecilho simplesmente me desviava. - EU não quero ficar sozinho, Vou ficar com a maioria. - Determinei pela primeira vez que eu podia entender como destino.- Estava na hora de agir.
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 OFF: Próximo post eu troco para 3° pessoa, não consigo desenvolver muito bem na primeira. srry.(ou me aconselhem a melhorar usando a primeira. pur favor T.T)

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Dom Jan 03, 2016 9:00 pm

Uns dos que estavam no quarto vieram falar comigo, assim me apresentei também. Eles pareciam legais... pena que estávamos mortos. Ouvi alguns; ouvi calado. Parece que: o esqueleto, não deveria morrer... Achei uma explicação coerente. Aquele homúnculo... Achei egocêntrica a argumentação... "Se o bicho foi criado por seres mortais, por quê ele seria imortal?" esse era o questionamento que eu fazia a respeito dele. Mas talvez ele fosse jovem, pois a maioria dos jovens são toscos, inclusive eu... Por quê não?!

O tempo passava, eles conversavam entre si, refleti à toa, pois nenhuma resposta sentia, acho que nem me sentia... como se eu ainda estivesse dopado ou seria tédio?! Eu queria saber a resposta. Quando eu estava na cama refletindo sobre o gosto da comida, uma voz ecoou nos meus pensamentos. Era o cara de chapéu e pele esquesitos que eu havia visto no tribunal, um do corpo de júris.

Falou, falou, talvez tenha falado sobre si, ou talvez de outros. O cara não cheirava bem. Ele tinha uma essência malévola. Parecia um demônio ou algum necromante, não que fosse, mas como se estivesse tão envolto à escuridão, que simplesmente a exalava. "Simplesmente".

Uma simples pergunta "O que a sabedoria lhe diz?"

Cheio de si, podia sentir o orgulho que ele transbordava em sua manipulação. Manipulação; orgulho; desejo de vingança... Uma versão melhorada da minha pior parte. Tão bom que parecia um estrategista sádico. Eu sorri.

Ver meu mestre... Nunca havia pensado nisso... Agora pensando nisso, conseguia resumir meu anseio por vingança e treinamentos intensos no exército... a uma simples palavra: orgulho. Acho que não amava tanto a meu mestre. Mestre. Mestre. "Precisei morrer para perceber isso" pensei. Pensar nisso era prova de que eu não havia cessado, como falado no tribunal... E as palavras ditas por aquela víbora me provavam que embora agora eles "fosses o que eram"... eles não eram tão idóneis, quanto eu pensava que eram, o que me fez ter um certo disgosto... Talvez aquilo tudo não tivesse mesmo nada de grandioso.

Tolice... Aquele "homem" parecia ter planejado algo e contava conosco para isso. Depois que ele sumiu, os outros retrucavam que estavam dentro... Eu tinha uma hora para pensar... Seria o bastante? Sim... Eu costumava pensar rápido no calor das batalhas... Uma hora era como uma vida.

Se fosse desse jeito, servindo para alguma coisa que o "cobra" havia idealizado, então eu não me contentaria em só viver novamente... Será que ele aceitaria um tipo de negociação?! Eu não tinha dados suficientes para montar um boa equação... tudo o que ele havia exposto, ajudava somente a ele... o que todos sentiam como se fosse proposital.

A resposta é o silêncio. Pois seria sábio colocar a vida em um jogo, muito menos sob essas circunstâncias, com informações tão superficiais, porém se o que foi dito for verdadeiro e essa a única opção, então eu deveria opinar em agarrar a oportunide, com um esclarecimento das questões e, se houver sucesso, então acrescido à vida, deveria haver um bônus o qual também deveria ser conversado com o contratante. Sorri.

Então, tendo pensado isso, era isso o que falaria, porém eu não poderia ser direto. Teria de ser implícito e certeiro em poucas perguntas, porém eu não estava com saco para jogar, então faria três perguntas:
--Esse jogo atrairá atenção somente do juri e do juiz? Todos têm possibilidade de voltar a vida? Caso voltemos a vida, é possível leval algo material daqui para lá?

Provavelmente, eu obteria mais informaçõe na hora na qual o Juiz discutisse os termos do jogo. Creio que o que eu não queria era ser usado sem que me fosse pago um salário digno. Se eu fosse participar de um plano de vingança daquele bicho feio, então queria mais que a minha vida de volta, pensando que ele havia tramado aquilo.

Agora era esperar para poder falar, talvez os outros percebessem minha ideia e se unissem ao meu pensamento.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Kaede em Dom Jan 10, 2016 3:10 am

_Vocês estão condenados._

Acordei ao ouvir tais palavras e me deparei com um dos integrantes presentes do corpo do júri, o homem do chapéu. Ele apareceu do nada em meio ao aposento onde estávamos e falando, falando que de nada valeria o ocorrido no tribunal, pois os integrantes do júri não estavam dando a mínima.

A sua presença não era boa, mas o que as suas palavras traziam aos meus ouvidos ganharam a minha atenção.
Ele tinha uma contraproposta para o grupo, que era nos dar um tipo de utilidade naquele lugar. Confesso que não entendi muito a que ele se referia, mas continuei calado e lhe dando ouvidos...

Jogos, intrigas ... bem isso tudo me parecia um jogo de
peixes grandes, talvez maiores do que o que eu enfrentei uns dias atrás na praia... Mas o que me deixava curioso era o motivo de Vax estar fazendo isso. Pena de nossas almas? Algo de poder maior envolvido? Bem eu não estava muito afim de pensar...

Após ele desaparecer no meio da sala a minha decisão já estava tomada e assim que ele voltasse, eu lhe daria a resposta. Dois guardas entraram na sala e um deles perguntou se tudo estava certo, pensei em dar uma resposta feia, mas fiquei quieto no meu canto sem procurar pensar muito no que poderia estar a esperar nesse outro lado da vida.

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Re: [Comum] Considere-se morto

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