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[Comum] Considere-se morto

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[Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Nov 25, 2015 11:42 pm

Relembrando a primeira mensagem :


BALLTIER
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Robe de peles
Detalhes:
Descrição: Bisbilhoteiro / É fácil adquirir um inimigo; difícil é conquistar um amigo
Tendência: Bom
Animal: Cachorro


BONES
PV: ?%
PE: ?%
Itens:
-Macacão laranja, sapatos de pano
-Colar com várias presas de tamanhos variados e formatos diferentes. A mesma presa nunca se repete
-Pulseira de fio de cobre maleável, com unhas velhas e partes pequenas de ossos velhos
Detalhes:
Descrição: Ambicioso (conhecimento/poder) / Um ghoul amaldiçoado na forma esquelética repleto de vida, ironia e inteligência, bem equilibrado e centrado
Tendência: Caótico Bom
Animal: Corvo


HO
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Macacão laranja, chinelos de couro
Detalhes:
Descrição: Sabedoria / "Minha raça diz que sou mau, mas busco o bem; Que tipo de orc eu sou"
Tendência: Bom
Animal: Hellhound


SEAN
PV: ?%
PE: ?%
Itens:
-Macacão laranja, sapatos de pano
-Pequeno estojo com 3 tipos diferentes ervas de fumo
-2 moedas de prata com o desenho de uma faca em alto relevo num verso e com o outro raspado
-Poção de recuperação
Detalhes:
Descrição: Inocência / O essencial é invisível aos olhos
Tendência: Bom
Animal: Corvo


SOLLRAC
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Macacão laranja
-Par de botas de couro
Detalhes:
Descrição: O Aprendiz / "Conhecimento e treino sempre!"
Tendência: Neutro e leal
Animal: Lobo cinzento


Recuperação de energia
Funciona assim: após um tempo de descanso, o personagem recupera certa quantia de energia + o seu valor em Vigor. Então, segundo a tabela logo aí abaixo, se eu descanso por 1 hora e tenho Vigor 4, recupero 54% de energia. Essa é uma recuperação passiva, mas exige descanso, que é exatamente ficar parado, recuperando o fôlego, tirando uma soneca. Se o personagem está cavalgando, por exemplo, então ele não está descansando e não se recupera.
1 minuto: 5%
5 minutos: 10%
20 minutos: 25%
1 hora: 50%
5 horas: 100%

Recuperação de vida
Recuperação espontânea sem necessidade de descanso. Referente à dano físico, no corpo.
1 minuto: Inconsciência
5 minutos: 25%
20 minutos: 50%
1 hora: 100%
5 horas: Ressurreição


Última edição por NR Sérpico em Seg Maio 08, 2017 1:18 pm, editado 50 vez(es) (Razão : ue atua de forma clandestina no submundo)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Ter Fev 21, 2017 8:28 pm

50. Zimbro

Conectado novamente, soube de que velho ele falava. Que comparação de mal gosto. Nem comentei, pra não perder a amizade. Quanto ao monstro marinho:

— ele pode nos ver, mas não pode nos pegar. mesmo se quisesse. relaxe.

E depois, sobre a miragem:

— um homem no seu lugar? e isso não lhe diz nada, não é? bom, apenas uma miragem aleatória então. estamos quase lá.

Depois do sumiço das luzes holográficas, já dava para ver uma massa de terra no limite do oceano. Alguns segundos depois, o monstro marinho abandonou a perseguição, como se tivesse perdido o interesse, ou como se pudesse ir apenas até ali. Mais alguns poucos segundos e já dava para ver um porto na costa.

Diminui, o que fez Sean diminuir também.

Sobrevoando o porto, descemos para o terraço de um prédio de pedras negras. Dali dava para ver boa parte da região.

Olhando sentido continente, figurava uma cordilheira. Alguns pontos dela brilhava, como que refletindo as luzes do dia. Mas o foco no momento estava na cidade portuária.

— zimbro. quase uma cidade, se não fosse pelo seu fedor. ninguém consegue ficar aqui por muito tempo.

Mas Sean não sentia nada de mal. Ou seu nariz não estava funcionando ou já estava acostumado o bastante com Takaras para não se incomodar com o odor de Zimbro.  

A região era assim: a parte colada com o mar era baixa, uma praia cinzenta e arenosa. As plataformas de madeira pareciam ter a mesma idade que Lodoss, talvez um pouco mais, caindo aqui, apodrecendo ali. Em contradição, as embarcações pareciam em perfeito estado e as pessoas indo e vindo, tripulações grandes formadas por raças diversas, dava a impressão de que aquele era um lugar no mundo dos vivos, e não num meio termo como o submundo.

Então as plataformas entravam areia adentro, e por cima delas foram feitos estabelecimentos baixos, como tavernas e casas de comercio. Ou ao menos assim pareciam. Ao fim da praia, a região era calçada em pedras negras, das quais, parecia, muitas foram esculpidas e tornadas em prédios, como o que Sean pisava no momento.

A região onde Sean estava era o alto de Zimbro, como que no pico dessa grande pedreira à beira mar transformada em cidade.

Não muito longe, havia outro prédio, e do terraço lhe foi feita uma sacada com cobertura. Havia uma grande mesa no centro e tinha um garoto sentado numa cadeira, aparentemente lendo alguns papéis que deveriam ser documentos.

— aquele é o Nasa.

E apontei para o garoto.

Careca, franzino e pálido. Vestia um camisão com pelos de animais nos ombros. As duas mãos estavam enluvadas em couro. E só, nada mais que pudesse chamar atenção naquele agiota casca grossa que na verdade parecia ter uns 10 anos e ausência de alimentação decente.

Mas Sean meio que sentia como se estivesse sendo observado pelo tal Nasa, apesar dele estar com os olhos em sua leitura.

— aquele demônio vai fechar um acordo com você. algo muito próximo com a história do cavaleiro negro. mas a passagem que ele pode abrir daqui para o seu mundo pode ser interceptada por... guardas, e aí você estaria por conta. teria de continuar pelo caminho à força. se perder, há uma grande chance de você ser completamente extinguido. é um dos três jeitos, e é clandestino. Arriscado, mas não impossível. alguma pergunta sobre ele? se não, já irei lhe mostrar a segunda alternativa. não fica longe.

Um dos quatro fios que saia do meu próprio umbigo piscou, como se energizado por um instante. Sorri:

— seu amigo Ho despertou. acredite, isso é uma boa noticia depois de tudo.  

***

Ho despertou e levou alguns segundos para lembrar como faz para se mover. E lembrou apenas disso, o resto estava nublado demais. Tinha algum fragmento de quando entrou numa fortaleza com uma mulher fantasmagórica e então algo lhe acertou e dali pra frente, tudo ficou obscuro. Lembrava de ter visto Sean e de querer pegá-lo, lá, embaixo, numa sala em que uma peça de ouro flutuava. Lembrava que Bones e Sollrac também estavam lá, mas entender o porquê daquilo já lhe escapava das capacidades atuais.

No momento, estava numa carroça.

Ao seu lado, viu um pano roxo amarrotado, como que enrolando algumas coisas, depois viu Sean e Aurélio, ambos dormindo. O cocheiro era Vax, dando nas costas de duas hienas grandes que puxavam diligentemente o veículo em velocidade razoável. Cruzavam um deserto rochoso e quente, que fazia os horizontes vibrarem em ondas. Deveria ser um meio dia, vários luminares celestes no topo do zênite. Ho sentiu sede.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Qua Fev 22, 2017 11:04 am

[jutify]Meus olhos se abriram de súbito, porém o meu corpo não respondia... era como aquele sono de quando estava nas missões e passava dias sem dormir; cansava de tanto suor e a carne se fartava de tanto sangue – aquele sono que se demora a levantar, não se sabe onde está. Vi alguns dos meus comanheiros lá e demorei para reconhece-los. Tie a impressão de ter sido capturado por algum adversário, mas acho que só fora reflexo.

Vi Vax guiando uma carroça com hienas... “De onde saíram esses bichos?” fora a primeira coisa que pensei e depois falei “Vax, te deixei na mão” chamando a atenção da víbora... depois complementei “O que aconteceu?”

Estava ensolarado... Como um deserto... Senti sede. Sol a pino. Seco.


Off: Aos jogadores ativos: Perdão o sumiço se atrapalhei na emoção dos posts e andamentos. Malz
Ao Gm: Obrigado por me aceitar de volta :3 [/justify]

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Dom Fev 26, 2017 12:26 am

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Por algum motivo sentia-me confiante. Talvez uma pausa nessa sequência de eventos atordoantes tenha me feito enxergar as coisas com mais facilidade. Eu sei que costumo me distrair facilmente, como por exemplo aquela criatura marinha que nos seguia durante o caminho. Quase posso dizer que não ouvi boa parte do que Rocco falou durante a viagem uma vez que meus olhos acompanhavam, enfeitiçados, o movimento da grande criatura.

Daí chegou um ponto onde ela simplesmente voltou. Foi quase um ultraje; ela nos acompanhou sem ser convidada, não deu satisfação nenhuma e depois foi embora. Poxa, não deu nem um tchau?

Mas a conversa logo me trouxe de volta. E me trouxe bem longe de onde estávamos no começo, aliás, será mesmo que posso chamar de longe? Eu até agora não sei exatamente onde estou nem como estou. Quer dizer, o cheiro eu senti e me trouxe certa nostalgia. Pensei em lodoss. Mas logo senti também que aquilo não era lodoss, e em lodoss eu sentia-me diferente. E sentir era a única base que eu tinha para determinar na minha cabeça onde e como estou.

Ficou confuso. Mas talvez esse só não seja o momento certo pra responder essa dúvida.

O verdadeiro objetivo ali era conhecer o tal Nasa. E eu nem preciso dizer o tamanho da minha surpresa quando vi aquele garotinho mal alimentado com luvas de couro e uma careca bem apresentada. Passei a mão em meus cabelos, por puro instinto, talvez só pra lembrar que sim, eles ainda estão ali. E então um suspiro. Ufa!

— Uau? Esse lugar não para de me surpreender. — iniciei num tom de surpresa, puxando papo com Rocco — Eu nunca que imaginei um Nasa tão... err.. pequeno? — Será que estamos mesmo falando do Nasa?

Bom, eu não estou em posição de questionar. No fim ficou esclarecido que ele era uma das três opções que eu tinha disponível. E porque diabos eu tenho a impressão de que ele está nos vendo? Mas se Rocco disse que a criatura na água não podia nos ver muito menos nos pegar, então talvez o mesmo seja com esse Nasa. Mas é melhor não arriscar, não mantive contato ocular com o demônio por muito tempo. Voltei a encarar Rocco, ou por vezes, distraía-me com a praia, as cordilheiras, ou mesmo a cidade.

— Tenho uma pergunta sim! — levantei a mão cheio de euforia — Esses tais guardas que você falou. São parecidos com o Sr.Guardião que enfrentei aquela hora? — indaguei, dono de um certo receio. Algo do tipo: definitivamente não estou pronto pra enfrentar outro daqueles, mesmo que as chances sejam baixas. Mas eu ainda não havia feito minha escolha!

Então só fiquei neste questionamento. No mais, seguiria Rocco para onde quer que ele me levasse.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Seg Fev 27, 2017 11:36 pm

51. Nossa sociedade falhou

— o guardião?

Um momento de hesitação pensativa e então:

— mais ou menos. sim. bom, varia um pouco. você pode encontrar seres feitos apenas de fogo ou água, por exemplo. mas também pode achar seres humanos imortais, elfos, draconianos. e eles quase sempre estão acompanhados de algum animal original, o que dificulta a peleja. você já deve ter escutado histórias de um cachorro de três cabeças guardando alguma porta para outro mundo. bom, eles têm algo do tipo acompanhando eles. mas isso varia bastante também. já ouvi falar de um corvo de quatro cabeças e cada cabeça tinha o poder das estações do ano, podiam te fazer você secar e definhar como no verão ou te renovar como na primavera, acompanhando uma anã mestre em artes marciais. hm.

Ainda observava Nasa, mas depois de um tempo me virei para Sean com um olhar sugestivo.

— sabe... o tamanho dele não deveria te surpreender. apesar de pequeno fisicamente, ele, aquele demônio ali, sabe o potencial que reside em sua alma, e esse conhecimento, da própria extensão da força, o torna muito grande, acredite... não é a toa que ele não tem nenhum tipo de segurança. bom. é uma das opções. vamos para a segunda.

Levantei voo e Sean veio junto.

— sul.

A praia correndo logo abaixo e os brilhos ocasionais das montanhas ficando para trás. Depois, um desvio para a direita, entrando no interior da massa de terra, deixando o oceano pra lá. Apesar da condição astral, era possível sentir o calor da Sarça na pele.

Uma imensa árvore foi crescendo no horizonte. O voo terminou a distância de um quilômetro ou mais. Bastava para ver bem o lugar. Deveria ser do tamanho de uma montanha. Era possível ver as raízes despontando da terra, enormes raízes. E os galhos secos e apontados em todas as direções tremeluziam num ar quente inflamado, como num princípio de incêndio. Soprava um bafo escaldante de lá.

— exatamente agora, no seu mundo, uma ilha voadora chamada Eala passa acima da sua ilha, Lodoss. nessa ilha voadora tem uma árvore, parecida com aquela, no centro. as duas se conectam, de um jeito que eu não sei explicar. você teria que ir lá, ao pé dela, e descobrir como. esse é um meio, digamos, legitimo. ninguém vai te impedir de passar desse mundo para outro se descobrir como fazer. creio que a própria árvore irá se manifestar na forma de alguma pessoa para você, e te orientar no caminho. suspeito que um possível preço será você ter que deixar alguma coisa para trás. não algo físico. algo como sua coragem, sua juventude, ou sua memória. coisas assim. das três opções, essa é a mais próxima da sua localização atual, do seu corpo. pronto para ver a terceira?

***

Vax olhou por sobre o ombro com um meio sorriso.

— Você fez o que qualquer um teria feito. Não te julgo por isso, muito pelo contrário. — Ele tornou a olhar para a frente no caminho, embora não houvesse nada de novo para olhar. Acrescentou, como que pensando alto: — Apenas peças num tabuleiro. — Pigarreou e respondeu a pergunta: — Estamos em algum ponto ao sul daquela cidade. Voltando. Nossa... sociedade... falhou. Acho que por enquanto será apenas você, Sean e o Bones no julgamento.

Ele olhou de novo por sobre o ombro e apontou com o queixo os panos amarrotados como uma bagagem improvisada. Deu a entender que os ossos do ghoul jaziam reunidos ali dentro.

— Foi uma completa desgraça. Eu devia ter previsto. Foi aí que errei. Mas não havia tempo para saber de tantos detalhes. O Sean aí tendo relacionamento com gente daqui e Sollrac tendo um selo interno tão fraco, porém oculto, que foi arrebentado facilmente por um feiticeiro velho... Foi uma total desgraça. Mas não havia tempo para estudar todas essas nuances.

Ho se lembrou vagamente, uma imagem súbita pintando em sua mente, de Sollrac em ataques convulsionados, se tornando um dragão completo e derrubando o lugar onde esteve antes de apagar.

— Como se sente?
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Qui Mar 02, 2017 11:40 am

Então estávamos voltando ao local de julgamento. Senti um gosto amargo na boca e um arrepio na nuca, o qual me proporcionava uma sensação sombria.
-Entendi. Entendo- Falei como se respondesse e como se pensasse alto.

Só conseguia pensar nas consequências dá falha. Pensava que se eu estivesse mais preparado... Alguma arma ou armadura... Ou será que havia perdido alguma possibilidade que houvesse passado despercebida por mim... Mas lutei com toda a minha energia, mente... Depois lembrei que havia lutado até os meus dedos quebrarem e quase fazer os meus pulsos serem destroçados... Ainda assim me senti mal. Qual soldado gosta de falhar?! Respirei fundo e fiquei aproveitando o que talvez fosse a minha última visão de algo não tão ruim.
-Frustrado- respondi perante a última pergunta de Vaca.

Eu quis pensar em mais algo, mas dessa vez não pensaria em nada. Só aproveitaria. Deitei e olhei para o céu que não estava nada convidativo. Como eu havia chegado nesse ponto. Talvez agora fosse capaz de sentir o medo que transformou um dos homens que eu mais admirava na face dá ilha. A morte enfim estava quase para me abraçar. No fundo eu tinha curiosidade de saber daqueles caminhos mesmo. Bora lá.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sex Mar 03, 2017 3:49 am

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— Ah, poxa! Por que esses guardas nunca são do tipo que, sei lá, gostam de cartas? De jogar conversa fora? Beber!? — resmunguei baixinho como se não fosse pra Rocco ouvir, mas ouvindo. — As vezes sinto falta do amigo Gregar e do encrenqueiro também. Mas acho que você não os conhece né.. — então dei de ombros como se não fosse tão importante.

Depois Rocco falou algo sobre o Nasa. Sobre ele ser pequeno mas conhecer o poder dele e isso o fazer grande. Essas metáforas são meio confusas, mas acho que entendi. Meu pai costumava falar muito sobre a grandeza de alguém, sobre pessoas que possuem uma índole e um caráter tão bonitos que isso os tornava grandiosos. Será que isso se encaixa no que Rocco quis dizer? Bem, foi o mais perto que consegui chegar de uma explicação.

Mas não expus isso em palavras. Apenas pensei. E o pensamento veio como um sopro, passou rápido assim pois haviam outras informações pertinentes a serem ditas. Afinal, estávamos falando da minha vida não é?

Voltamos a voar e, depois de algum tempo, lá estávamos; diante uma árvore grandona. O hálito quente me fez lembrar Cyrus, e em seguida, Lodoss. Daí senti nostalgia. Que saudades. Esse tempo que passei aqui agora fez-se parecer uma eternidade! De repente me pesou o peito, senti falta de caminhar pela floresta da tortura, ou de comer. Alisei minha barriga como que por instinto; pasmem, nem roncando ela estava! O que está acontecendo comigo?!

— Espera! Então essa árvore aí é tipo uma ponte pro outro lado? — foi mais uma pergunta retórica, meus olhos foram de cima a baixo regulando a tal árvore. — Caramba. Já pensou se aquele carvalho que eu mijei lá atrás era um desses? Meu xixi veio parar aqui? — Desta vez a pergunta foi real. Olhei para Rocco. Depois um silêncio, tempo suficiente para que ele respondesse e depois para que eu formulasse mais questões em minha cabeça. Quero dizer, ele explicou a respeito do possível preço a ser pago pela viagem através da árvore.

— Mas se a outra parte está numa ilha voadora, quando eu chegasse lá eu ia ter que pular até cair em Lodoss de volta? Isso parece perigoso... — as palavras saíram com receio, acompanhadas de uma bisbilhotada a mais na tal árvore, tentando ver o interior cercado pelos galhos.

— Mas bem, a ideia parece legal! Já pensou se eu volto pra lá já adulto? Espero ficar com um cabelão como o seu, hahahaha! — e voltei a sorrir, entusiasmado com as possibilidades.

— Vamos, vamos, agora quero ver qual a última opção! — e tentaria puxar sua mão, apressando-o naquela tarefa.








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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Mar 08, 2017 8:44 pm

52. Fim do sonho

O mundo oscilou por um instante. Era Sean, racionalizando seu próprio estado, como a questão da fome. Sentindo vontades disso e daquilo. Lembrar também era um problema, convocava imagens demais ali pra dentro, uma convocação que não era feita por mim, de modo que não tinha como fazê-las sumir; Cyrus, Gregar, o pai — eu podia sentir a mente dele convocando esses nomes, visíveis como uma aura. Essas coisas estavam quebrando aquela realidade astral. Eu tinha de ser mais rápido.  

Não falei nada sobre o xixi. Você começa a levar a pessoa a sério e ela solta uma dessas. Serviu para me lembrar a idade dele, afinal.

Direto ao ponto:

— exato! uma ponte, sim. ela tem muitos caminhos, na verdade. o mais perto é esse, o da ilha voadora. e tem muitos meios de descer de lá sem se machucar. tem um conhecido lá. quer dizer, acho que ele ainda está lá. o elfo. ele estará atrás de um meio para descer para Lodoss, certeza.

O interior entre os galhos da imensa árvore era apenas luz, não intensa, mas pulsante e embaralhadora do ar. Era como a luz de um vulcão explodindo, caso Sean já tivesse visto um vulcão explodindo.

Ao terceiro local, então. Curioso como eu pude prever muitas coisas na minha vida e morte, mas não pude prever aquele puxão pela mão. Deu pra sentir algumas imagens minhas, que passaram pra ele no toque.

Eu, jovem, uns cinco ou seis anos mais velho que o próprio Sean, tocando um alaúde num salão em festa. Meu mestre estava lá, Slao também. Era uma boa época, Ratharyn em glória. Os Caminhos estavam em ordem. O pássaro estava adormecido e a grande árvore no centro da ilha ainda podia fazer milagres para os peregrinos mais fiéis.

Um frame, apenas. Soltei a mão dele e mantive distância. Voando a toda para o porto, comentei:

— eu era de lá, da Eala.

E só.

Havia uma mancha no céu, vindo do sul. Essa mancha cresceu, essa mancha mostrou asas. Em algum lugar dessa mancha, algo dourado brilhava.

— opa — acelerei, para que aquela coisa não cruzasse com a gente conforme íamos para o leste. — seu amigo Sollrac já era. Não vai demorar até alguém ir caçá-lo por causa do Trianguli. Azar.

A coisa voadora ficou pra trás, indo, aparentemente, para o norte. Continuamos a leste. Lá longe o mar começou a aparecer, mais pra baixo, o Porto Comum figurou. Descemos na praia.

— sua terceira opção é contratar um barqueiro, bem aqui. eles aceitam algumas moedas... mas você não as tem mais. terá de negociar outra coisa ou conseguir moedas com gente do porto. — apontei para o mar. — um barqueiro te levará para além das ilhas, até o fim do Estige Negro, e te deixará em alguma praia de Lodoss. simples, desde que sobreviva aos perigos do mar. lembra daquele bichão nos seguindo? pois é, ele pode ser pior que um guardião de porta e seu animal original.

O mundo oscilou de forma violenta dessa vez. Pareceu um terremoto súbito. Aí passou. Mas ao longe, uma onda enorme se formou. Às vezes me pergunto: porque sempre tem de terminar num afogamento?  

— faça a sua escolha. mas antes, terá de escapar do Vax. ele está levando vocês de volta, e se isso realmente acontecer, será julgamento. Cyrus pode te ajudar, você pode convoca-lo, se tiver vontade o bastante para tanto. você pode. você não precisa do Ifrit.

Então a onda quebrou num estardalhaço e a água negra e espumante dominou o mundo. Quando Sean descobriu que não podia respirar, despertou.

***

— É — comentou Vax. —Também estou frustrado. É como as coisas são: difíceis.

Ho deitou, observou o céu. Talvez fosse seus últimos momentos observando um céu, antes de ser confinado novamente dentro de um prédio para ser julgado.

"Um bardo nascia naquela armadura enferrujada?", se perguntou, certa vez. Uma lembrança esquisita, de quando contava uma história sobre uma emboscada aos seres da floresta, perto da casa do Pintor. Que coisa. Uma história real, ou parcialmente real. Uma história que lembrou Ho, na ocasião, de que havia sido feliz enquanto vivo.

Aquele céu quase podia fazer isso: lembrar histórias de quando era vivo. Seria um bom exercício, ficar apenas ali, revivendo coisas. Mas teve de olhar para o lado quando escutou alguém sufocando de repente.

Sean — que acordou se levantando com tudo, como que saído de um pesadelo.

Para Sean foi estranho sentir tudo como antes, o corpo, o próprio peso, ossos rígidos de quem dormiu de mal jeito. Estava numa carroça, guiada por coiotes, ou bichos próximos disso. Vax era o cocheiro. Ali, atrás na carroça, estava Ho e, num canto, um pano roxo enrolado.

— Olha quem acordou — comentou Vax, sem ânimo e apenas olhando por cima de um ombro.  

Spoiler:
Sean: a menção que eu faço do elfo (Tenkai) estar lá, na tal ilha, é por causa de uma outra campanha, Noiva de Prata, onde “terminou” com todos voltando da Eala (ilha voadora) para Lodoss — menos Tenkai, o que ficaria claro apenas se eu narrasse uma continuação daquela campanha. Enfim. Só pra que saiba, não endoideci não, só estou conectando os pontos na minha cronologia, rs.

Outra coisa é que esses pontos todos que lhe mostrei estão no velho mapa no post principal. Não sei se reparou, rs.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sex Mar 10, 2017 5:08 pm

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O pior de tudo nem é acordar num solavanco desses, mas sim, acordar com a sensação de que tinha algo de muito importante naquele sonho que agora, acordado, eu não conseguia lembrar.

A princípio na minha cabeça veio o afogamento; e não estou falando de metáfora não. Literalmente minha cabeça foi inundada por imagens e coisas que eu lembrava daquele sonho e também do que aconteceu antes dele. Eu pude ver Rocco, lembrei também de pedaços grandes de pedra e das paredes caindo numa espécie de salão — o Sr.Guardião estava lá também não estava?, e muitas outras coisas.

Chacoalhei a cabeça como que tentando me livrar da dormência. Olhei ao redor; encontrei Vax como nosso cocheiro, encontrei a carroça em que estávamos e também encontrei Ho! Assim que o reconheci, deixei um largo sorriso escapar e, se me fosse permitido, o abraçaria. Talvez esse também fosse o primeiro teste pra saber se ainda tenho alguma força comigo, ou se ainda estou tão fraco como estava quando encontrei com a dona bruxa.

— Ei! Que bom que você ta vivo! Eu jurava que o Ifr.. — e de repente as palavras engasgaram. O sorriso no meu rosto foi desaparecendo e dando lugar a aflição — Ah! Q-Quer dizer.. err, eu não lembro direito. Mas que bom que estamos bem! Hah-ha.. — e então desviei o olhar.

Qual é? Como é que vou dizer pra ele que eu e o Ifrit tentamos sugar a sua alma pra um sacrifício? Não tem como!

E foi nessa desviada de olhar que encontrei o outro saco com alguma coisa embrulhada. A curiosidade me cutucou mas, em algum lugar da minha cabeça eu sabia que era melhor não mexer ali. Ansiei para que meu palpite estivesse certo e aquilo que estivesse la dentro fosse quem eu realmente imagino que seja. E quanto ao amigo Sol, bem, na minha lembrança eu o via como um dragãozão voando com alguma coisa brilhante. Demorei a pensar no trianguli, naquele momento só pensei; é, ele já era. E onde é que eu já ouvi isso mesmo?

Depois voltei o meu olhar para Vax. Na curta distância entre nós eu fantasiava uma trilha fria e solitária. E eu imagino que isso seja fruto do que aconteceu desde que nos separamos. Fiquei um pouco envergonhado afinal eu larguei o grupo tempos atrás quando decidi seguir com Cyrus. E agora, aqui estamos. Mas eu não me senti culpado, acreditem!

— Obrigado por nos ajudar, senhor Vax. — enchi o peito e decidi falar, apesar da falta de jeito. Era uma situação embaraçosa, eu acredito que fiz o que tinha que fazer, mas isso também fez os meus amigos ficarem sozinhos, incluindo o senhor Vax. E mesmo assim, ele parece ter nos ajudado. Mas eu não entrei em detalhes. Confesso que ainda to aprendendo a lidar com isso, essa sensação esquisita que eu posso traduzir melhor como: "é melhor não falar/fazer tal coisa. Não é o melhor momento."

Depois dei tempo ao tempo.

Tempo suficiente pra me fazer lembrar de mais algumas coisas daquele sonho. Desde que acordei dele eu me sinto diferente. Tem tanta coisa passando pela minha cabeça e mesmo assim eu não estou assustado ou perdido. Tem tanta coisa que eu gostaria de saber, e mesmo assim não vejo a necessidade de perguntar. Nem mesmo a estranha sensação do Ifrit estar ou não estar comigo tem me perturbado agora. E isso foi o que desencadeou a lembrança essencial daquele sonho.

— E-Eu preciso escolher... — murmurei baixinho, como se tivesse lembrado de algo importante;

Na mesma hora veio tudo na cabeça; todas as opções, o motivo do sonho, o mergulho no oceano escuro e tudo mais. Foi como uma avalanche! E disso eu sei, assim como também sei o que é um vulcão explodindo. E porque diabos estou me respondendo isso? As duvidas ficaram para traz e eu me coloquei a pensar — eu posso convocar o Cyrus e ele pode ser o nosso transporte. Mas e o grandão Ho? Eu definitivamente não quero deixar que outras pessoas decidam nosso caminho. E o mesmo conflito de ideias que tive com o Guardião, agora me trouxe a resposta que eu precisava. O julgamento não é a minha escolha, e acredito que também não é a do grande amigo Ho. Vax nos ajudou muito e, eu agradeço por isso. Mas eu não quero mais fazer parte disso, não sou uma peça.

— Quer saber? Eu não quero isso. — cuspi as palavras num súbito, como que um ataque surpresa.

Chamar atenção? Não, não era esse o objetivo.

— Até agora eu só tive opções mas não pude escolher nenhuma delas. E eu não quero mais isso. — eu não sei direito de onde vinha essa reação, mas foi o suficiente pra queimar aqui dentro de um jeito que poucas vezes eu senti antes. Senti um entusiasmo diferente, não era só alegria ou vontade de correr. Era só... eu não sei, vontade de estar livre. Como naquele oceano negro, ser capaz de voar para onde eu quisesse. E se eu realmente sou capaz disso, então por que até agora eu nunca escolhi por isso?

Eu quero ir

Eu quero voar longe

Eu quero voar o mais alto que eu puder, independente de que seja pra bater nas nuvens e cair

Mas eu quero ir.

— Cyrus, se você pode me ouvir, eu quero que me empreste as tuas asas. — murmurei, fechando os meus olhos e buscando que as palavras ecoassem no meu interior. Como muitas vezes eu fiz com Ifrit. E se Rocco estiver certo, essas mesmas palavras vão ser capazes de alcançar o grande dragão e trazê-lo até mim.

E uma vez o dragão escutando o meu chamado e estando junto conosco, a ideia era usá-lo para ir de encontro à Sarça Ardente. Em caso do nosso encontro ser tumultuado demais, eu teria pouco tempo para expor as opções para Ho e deixá-lo escolher; vir comigo ou com Vax.

Obs:
Esse finalzinho do post envolve uma coisa mais extensa. Quero dizer, não significa que o dragão vai aparecer num teletransporte e nem que talvez dê certo numa primeira tentativa. Mas eu deixei exposto a linha de raciocínio pra que, caso o dragão realmente apareça e tal, você possa trabalhar com isso em cima da narração.

A ideia do Sean é pegar o Cyrus e ir até a árvore lá que tem ponte com Eala. Se o Ho quiser vir junto, ele vai ajudar (se o dragão conseguir levar os dois). Só isso. Se não rolar, vai o Sean sozinho.

E em caso do Vax tentar interromper ou rolar alguma desavença, ai eu posto uma ação em resposta depois blz?



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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Sex Mar 17, 2017 7:12 pm

53. Uma estrela está morrendo

Ho não lhe deu resposta ou reação ao abraço. Parecia perdido do lado de dentro da cabeça. Quanto ao agradecimento feito à Vax, o guia apenas rebateu:

— Não precisa agradecer... Sou o responsável por vocês, de qualquer jeito.

E sim, Sean já se sentia melhor do que antes. Normal. Era como se tivesse dormido por dias e estivesse até com preguiça por conta disso, mas aos poucos ia despertando o corpo como um todo e se sentindo satisfeito com isso. A mente, bem, a mente já estava acesa desde que a onda quebrou.

Pra se distrair, checou que, realmente, em meio os panos, havia um punhado de ossos quebrados...

Houve um silêncio. A carroça se movimentava numa velocidade razoável, fazendo a paisagem correr num ritmo constante.

— Hm? — Vax olhou pra trás quando Sean murmurou. — O que disse?

E sim, pelo que lembrava do tamanho do dragão, mesmo sendo jovem, ele provavelmente conseguiria carregar Ho também. O problema era que... Sean não sentiu nenhum retorno dessa comunicação. Nenhum indicio de que tinha dado certo. Observou o céu em direções variadas e se deteve ao norte. Talvez...

— O que foi? — Vax parou a carroça de repente. Estava de pé no acento do cocheiro, olhando na mesma direção de Sean. Encarou o menino. — Algo de errado?

Fazia um completo silêncio no grande nada onde eles estavam. E calor. Estranhamente intenso, pois não estava assim há alguns instantes. O próprio Vax suava. Ele olhou para o céu logo acima, com uma mão no rosto, tapando os raios dos luminares, e sua boca se dobrou pra baixo. Largou as rédeas.

— Rápido, pra baixo da carroça!

Ele pegou a trouxa com ossos e saltou para o chão, já rolando entre as rodas do veículo. Não deu pra entender. Mas havia alguma mensagem mortal nas duas gotas de suor que saltaram de seu rosto branco quanto ele pulou e evaporaram em pleno ar.

A luz estava ficando intensa, como um despertar incômodo de um sonho escuro, a luz simplesmente invadindo e batendo forte. Mas não era um sonho.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sab Mar 18, 2017 4:03 pm

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E então... nada.

— Ah.. — rendi um suspiro meio que desapontado mas tentando disfarçar — Só estou ensaiando meu discurso pra quando for à julgamento. — menti. Dei de ombros como se não fosse algo de fato importante, mas no fundo eu estava um pouco intrigado. Será que deu certo? Da última vez que encontrei-me com Cyrus ele parecia voar bem rápido. Talvez esteja cansado, ou ocupado quem sabe.

O problema é que a conversa logo foi interrompida. Vax fez como se não se importasse muito com o que eu falava mas sim com o que eu supostamente teria visto nos céus. Olhei para o norte, como se algo lá talvez chamasse atenção, mas nada confirmado. Um palpite? Eu sei lá, meu instinto anda confuso desde que vim parar aqui. Talvez seja porque estamos mortos? Ficou aí o questionamento.

Mas ficou pra depois.

Vax imediatamente saltou da carroça e consigo já puxou o saco de ossos que antes eu pude averiguar e por palpite, fiz menção de Bones em meus pensamentos. Ficamos eu e Ho, com um curto período de reação. Pigarrei, e a saliva desceu a seco, talvez mais do que o normal. Meus olhos piscaram num breve instante e nos poucos pensamentos que tive antes de reagir, estranhamente lembrei de quando abri a porta do laboratório do amigo Duff. Tudo precisava acontecer tão rápido assim? Será que consigo correr pra debaixo da carroça nessa mesma velocidade que Vax anunciou?

Não havia tempo. Nem para tantas perguntas como também pra pensar. Então não pensei.

Me joguei de lado pra fora da carroça, talvez num pulo impensado que renderia uma cambalhota. Se durante a queda eu ainda conseguisse um ângulo melhor, já daria a cambalhota pro lado da carroça, abrigando-me abaixo dela. Se durante o processo fosse possível puxar a mão de Ho para que ele tivesse alguma reação semelhante, eu o faria. Senão, infelizmente teria de deixá-lo para traz outra vez, coisa que eu trataria apenas como última opção.

E se houvesse tempo ou abrigo depois disso;

— Por que isso tão de repente? O que foi isso? — as perguntas como sempre rápidas como flechas. Olhos atentos nos arredores pra tentar identificar o motivo daquela manobra ou algum perigo à vista.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Seg Mar 20, 2017 8:13 pm

54. Pequenas medidas que queimam hienas em segundos

Sean se moveu. Tentou para que Ho viesse, mas o meio orc apenas permaneceu deitado olhando para o céu. Não parecia estar ali. Sean tentou mais e até conseguiu arrastar um pouco o companheiro, mas só quando Vax ajudou que realmente deu certo.

— Mais que merda! — E o céu esquentando, queimando. — Rápido!

Sean rolou, Vax arrastou Ho e também se abrigou. De suas costas, do couro do seu sobretudo, subia fumaça e ele estava meio rosado, como que subitamente queimado. As hienas que puxavam a carroça ficaram firmes até há pouco, mas então começaram a relinchar e tentar se livrar das rédeas. Iriam puxar a carroça, correndo, tirando a cobertura do grupo, mas antes disso Vax fez um movimento com a mão e suas unhas brilharam. As rédeas foram cortadas, liberando os animais, que aceleraram pra longe. Mas não tão longe: caíram a poucos metros, guinchando. A carne se abriu, borbulhou, chiou, soltou no ar um gás quente, e depois secou e secou até virar uma carcaça escurecida de aspecto esquentado. Tudo isso em poucos segundos enquanto o mundo ao redor era luminoso e insuportavelmente quente.  

Então passou. E aí o mundo ficou mais escuro, não mais como uma manhã de sol alpino, mas como uma tarde de sol entre nuvens. Entre as frestas mínimas da carroça, dava para espiar a estranha ausência de um luminar no céu. Vax, deitado com um careta de dor, disse:

— É isso, está começando. Esses fenômenos... — Ele respirou fundo e fez que não com a cabeça. — O fim do mundo vem em pequenas medidas, jovem.

Ali embaixo estava quente, como se tivesse uma forja acesa por perto. Mas além da cobertura da carroça — que também parecia meio queimada, com algumas partes estalando como gravetos ao fogo — o chão não era nem um pouco convidativo para uma caminhada. Era visível a fumaça subindo da terra.

— Vamos ter de ficar mais um tempo aqui — reclamou Vax, ainda como quem sente dores.

Então, o som das asas.    

Vax despertou da própria dor e franziu o rosto para aquele som chegando perto. Olhou para Ho mas nada veio de lá. Então observou Sean como se estivesse perguntando "está ouvindo isso?".

E não era preciso se concentrar para que Sean tivesse certeza: Cyrus.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Ter Mar 21, 2017 11:34 am

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Eu preciso dizer que não fiquei nem um pouco contente com a reação do grandão Ho. Vocês viram isso? Quase acabamos como as pobres Hienas só por ter de ajudá-lo enquanto ele se recusava a seguir nosso chamado. O que aconteceu com ele? Onde está toda aquela força que eu via nele quando o conheci?

Mas esses questionamentos ficaram pra depois. Deixei-os de lado junto a um grandão Ho catatônico e uma sacola de ossos inanimados que seria o amigo Bones. Voltei minha atenção para Vax que depois de uma manobra muito rápida, conseguiu nos salvar mais uma vez. Isso ia me deixando cada vez mais sem jeito de abandoná-lo quando eu tiver de partir...

Essas coisas são tão difíceis de escolher!

No entanto, como se nada nesse mundo fizesse sentido, ouvi o som do bater de asas que eu tanto esperava minutos atrás. Era Cyrus, eu sei disso. Mas, em primeiro lugar me passou pela cabeça como ele estava lá mesmo depois do mundo acima de nós ter sido queimado daquela maneira? Ele deve ser um dragãozão resistente mesmo, ou talvez mamãe tenha o ajudado?

— O fim do mundo parece um pouco...quente. — murmurei com um sorriso que escapou sem querer. Enquanto isso, meus olhos desviaram do olhar questionável de Vax e voltaram para além do nosso abrigo, procurando pela direção onde o som de Cyrus voando estava vindo. Encarei a fumaça subir do solo, averiguei, questionei; será que..

Sendo ou não sendo, bom, essa é minha chance.

Corri

Por traz daquele olhar vago e do meu sorriso de canto de rosto existia uma memória em particular do dia em que o meu mundo foi mergulhado em chamas, pelo próprio Cyrus é claro. E que apesar do calor infernal eu consegui sobreviver, coisa que me fez questionar se agora seria diferente. Quanto tempo eu consigo correr na terra abrasada? Tempo suficiente pra Cyrus me pegar? Vou descobrir então!

Obs:
Serpico, sabe me dizer como ta a situação da minha energia? Levitação está muito fora de cogitação assim? Porque caso seja possível, o Sean usaria da levitação pra minimizar as queimaduras nos pés e a Pyroresistência pra reduzir os danos provocados por queimaduras do calor e tal. Isso pelo menos até encontrar o Cyrus e etc.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Sab Mar 25, 2017 11:29 pm

55. Sarça

— Ei! — Vax chamou, a exclamação dos que não acreditam no que estão vendo.

Mas Sean apenas continuou. Estava bem o bastante para levitar sobre o solo queimado, de modo que a pele de seus pés descalços continuou no lugar, sem risco de derreter e grudar no chão. Mas deu pra sentir o calor que irradiava de baixo. Ao menos o bolsão solar, ou seja lá o que foi aquilo, não estava mais no ar para queimar seu corpo. Olhou pra cima e uma lufada de vento vinda de asas batidas soprou em sua cara e repuxou suas roupas velhas, ainda aquelas, dadas por Lyra.

Ei! — Vax deveria ter saído de baixo da carroça. — Não!

Pó, pairou no ar, uma tremenda nuvem se instalando com aquele bater de asas. Sean não precisou esperar que ele pousasse — se impulsionou para cima e de repente já estava de novo lá, entre as asas do dragão. E ali, com Cyrus, soube que estava tomando a decisão certa. Afinal aquele dragão parecia ser o último resquício (amigável, hm) de família para o menino.

Ou não. Não o último.

Sean olhou para trás, vendo Vax ficar menor. Suas unhas brilhavam, mas apenas isso, ele não chegou a usá-las. A terra estava queimada num grande círculo, mas somente ali e não no mundo inteiro. Provavelmente, no momento do acontecimento, Cyrus ainda estava fora daquele raio de alcance. O que foi ótimo. Mas... Notou, então, que Cyrus parecia ferido. Era um dragão jovem, e poderia ser até bem resiliente, mas Sean conseguia sentir que não estava tudo certo.

Viu marcas de garras em alguns pontos, viu uma mordida num flanco.  

Cyrus parecia fechado para essas coisas, fechado para a dor que poderia vim desses ferimentos. Tudo que Sean conseguia dele no momento era ler uma vontade simples que o dragão tinha de ficar com o menino. Era como se seguisse uma ordem última.

Sarça, então. Cyrus sabia a direção. Levou um tempo e enfim a árvore figurou no horizonte. Cyrus, antes de se aproximar definitivamente, circundou a árvore e então desceu em espirais. O vento ali era quente como no sonho. Agora, mais perto e fisicamente ali, dava para considerar a ideia de que a própria Sarça soprava aquele ar em todas as direções. E mesmo agora, a visão dos galhos, da copa, era embaçada, como coberta por um lençol translucido tremeluzente que sugeria uma temperatura escaldante, de onde até mesmo pulsava alguma luz como se várias pequenas piras estivesse acesas.

Quanto ao caule e as raízes, essas davam para ver bem. Eram como de uma árvore comum, com a óbvia diferença de serem muito, muito maiores. Assim que Cyrus pousou e Sean tocou naquele solo com os próprios pés, foi como se sentisse um coração pulsando através do chão. As enormes raízes da Sarça saltavam pra fora da terra, criavam coberturas generosas, se esticavam em todas as direções — e era possível sentir que estavam vivas...

— Sim, menino, vida. Aqui, há vida.

A voz veio de baixo de uma raiz, de onde uma senhora estava curvada, agachada, ou algo do tipo. Oculta. Apareceu de repente, escapando até da percepção do dragão, que se empertigou, atento.

— Torço para que esse bicho mantenha a compostura. Esse aqui não é qualquer jardim.

Ela era baixa e magra, cabelos platinados ondulados, não passando dos ombros. Vestia um traje de couro rígido que deixava amostra os braços. Da cintura pra baixo uma saia branca lhe servia longamente. Ela tinha as mãos sujas de terra e junto ao colo havia uma bolsa, igual àquela que o próprio Sean pegou com o Mic, uma bolsa de camponês para guardar sementes ao alcance da mão.  

Ela estreitou os olhos e, com o tom de quem recebe uma visita inesperada, falou:

— O que está procurando, jovem?  

Spoiler:
Sean: Tu tá full (menos o uso da levitação no turno passado, que ainda vou contabilizar). E, bem, essa é definitivamente a reta final. Perdi muito do meu ritmo desde que o grupo quebrou, mas agora posso afirmar com ânimo dobrado: estamos nos últimos posts!

E aqui uma imagem aproximada da Sarça, com a diferença de que o caule e as raízes são completamente normais ao passo que a copa e os galhos são inflamados, mas ideia é exatamente essa, uma senhora árvore, rs  

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Dom Mar 26, 2017 7:58 pm

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Nas asas de Cyrus, uma sensação que eu gosto de pensar que é o mais perto de conforto familiar que eu já senti. Digo, desde que estou por minha conta, é claro.

O vento acariciava meu rosto e um monte de sensações e pensamentos invadiam minha cabeça. Eu pensei em Vax, deixado para traz com não mais do que exclamações e dúvidas. Um grandão Ho que já me ajudou muito mas que escolheu seu caminho e também ficou para traz. E isso sem contar nos demais colegas do nosso grupo. Que fim teria tomado o amigo Ball? Sollrac pelo menos eu sei que passou por poucas e boas.

E seguindo essa linha de pensamento, eu percebi também uma certa mudança na minha relação com Cyrus. Era engraçado, sabe? A questão do sentir. Num primeiro contato que tivemos, tudo foi muito conturbado e a sensação que eu tinha era de que a nossa ligação se resumia em Lyra, minha mãe. Ela era o nosso único ponto em comum. Mas agora eu sinto isso diferente. Através do contato, da sua presença, eu sinto um ar diferente. Através das escamas em suas costas eu posso compreender que existe alguma dor ali, problemas causados provavelmente por aquelas hienas violentas que enfrentamos nas ruínas. Posso sentir também o seu conforto na minha presença assim como eu compartilho desse mesmo conforto.

— Você estava certo afinal.. — referia-me a Rocco em meus pensamentos.

E o restante do voo serviu para aproveitarmos da companhia um do outro. Talvez um dos poucos momentos de alívio e tranquilidade que tive desde que cheguei aqui.

...


A chegada nas imediações da grande árvore também foi tranquila. Apesar disso eu pude compreender a aflição de Cyrus em rodear a árvore como se estivesse se certificando de que não havia perigo antes de pousar. A descida em espirais me trouxe um pouco de diversão e rendeu algumas risadas. Oras, não posso me divertir um pouquinho nem depois de tudo que passamos?

Mas o que mais chamou atenção quando descemos não foi nem o tamanho da árvore, nem suas raízes ou o ar quente que emanava dela. E sim o primeiro contato que tive; os meus pés tocando o chão, me trouxeram imediatamente a ideia de que havia vida ali. E não foi só isso. Mais tarde, uma voz confirmou essa intuição. No início eu confesso que pensei ser coisa da minha cabeça, mas quando Cyrus se prostrou na minha frente, alvejando a dona daquela voz... aí eu entendi que se tratava de alguém real. Não era mais como no sonho com Rocco.

Era real.

— Hmmm, então era de você que ele falava.. — murmurei com um olhar curioso e a cabeça um pouco inclinada. As palavras que ecoaram na minha mente lembravam um Rocco explicando sobre a Sarça e sobre uma possível entidade que viria ao meu encontro, talvez para me testar ou para me cobrar algo antes de eu usar a tal passagem. Quem sabe?

Os grunhidos alarmados de Cyrus me despertaram das lembranças e eu retribuí erguendo a mão direita em sinal de paz. Fiz um sinal para que ele se acalmasse, uma vez que aquela senhora aparentemente não representava perigo. Depois corri um pouco na frente, entusiasmado, indo na direção da senhora.

— Ah...err,, oi! Me desculpa. O Cyrus é um dragãozão bonzinho. Ele só está meio assim porque está ferido e preocupado. Mas ele não vai nos fazer mal! — aleguei com um largo sorriso — Aliás eu me chamo Sean! Sean Lionheart! — terminei me apresentando.

Meu entusiasmo era tanto que as vezes eu acabava atropelando as perguntas das pessoas. Mas isso não significa que sou mau educado e não vou responder. Era só uma questão de tempo até eu voltar na pergunta de fato e respondê-la. É que as vezes eu preciso de um tempinho pra pensar numa resposta legal. E foi isso que aconteceu.

— Eu estou tentando voltar pra minha vida. Um amigo disse que você poderia me ajudar, então eu vim até aqui. — não dei detalhes sobre Rocco pois eu não sabia até que ponto eu poderia explicar a respeito dele. Era como falar do Ifrit para as pessoas, entende? E enquanto conversávamos, meus olhos percorriam o local com grande curiosidade. Quero dizer, apesar de já ter estado aqui antes, é diferente quando você vem pessoalmente e consegue sentir tudo mais de perto, o calor, o contato, o ar...

— O ar daqui é tão gostoso... — mencionei aleatoriamente, fechando os meus olhos e enchendo os pulmões numa respiração mais profunda.

Obs:
Opa, reta final!

Já vou avisando que isso me deixa super ansioso e tal pq querendo ou não a gente se apega nas aventuras auehauheuhau. Meu pequeno Sean cresceu bastante de lá pra cá e agora é o melhor momento onde a gente vai fechando o ciclo e eu vou poder colocar em prática as mudanças e aprendizados. Então, sei lá, só tenho a agradecer. Bora fazer o melhor pra encerrar esse ciclo e fazer meu pequeno Sean voltar um homenzinho domador de Ifrit auheuahueh

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Seg Abr 03, 2017 8:44 pm

56. Encha

Ela não chegou a se apresentar formalmente, meio como se soubesse que Sean já sabia quem ou o que ela era. Mas ao menos interagiu com um simples:

— Nome bonito, Sean Lionheart. O que significa? Sabe?

Ela esfregou as mãos suavemente, removendo a terra das palmas. Seus lábios repuxados sugeriam um sorriso a meio caminho de acontecer. Ela ainda tinha olhos cerrados pra cima de Sean, como se não enxergasse bem mesmo com ele próximo.

Quando escutou sobre o que ele queria, ela fez que entendeu soltando um “ah”.

— Você está longe da estrada para as Quedas ou para a Escada. Vou presumir que escapou do que o destino tinha lhe preparado, e escapou com um dragão, veja só! Isso é algo quase que novo. Alguém escapar... e um dragão vivo. — Ela sorriu de verdade agora. Então sinalizou com a mão e se virou. — Me acompanhe. Ele pode vim também, ah, sim, até metade do caminho.

Ela caminhava num passo constante, olhando para o chão, rumo à árvore. O ar era bom, diferente, mas Sean já estava em suor — o calor só fazia aumentar conforme se aproximavam. Era algo fazia doer o pescoço, olhar pra cima, acompanhar aquela planta com os olhos até o zênite da tarde. Mas não dava para ser o tempo todo assim, pois o terreno era traiçoeiro demais, com sulcos e raízes menores, e havia sabedoria na postura da senhora em andar olhando para o chão. As raízes mais altas eram como monumentos petrificados, muitas delas maiores do que casas, lançando sombras enormes.

— Agora ele terá de ficar aqui — ela disse, sem olhar pra trás, e entrando num túnel escavado entre uma encruzilhada de raízes altas ao pé da Sarça. Quando falou de novo, de dentro, sua voz veio num eco. — Aqui dentro pode ser meio apertado.

Cyrus pareceu conformado com a ideia e ficou bem na entrada, observando o interior.

A sensação de vida era mais intensa ali, Sean sentia como se alguém estivesse lhe abraçando, e abraçando tão bem abraçado a ponto de sentir o coração da pessoa. Ou então era o seu próprio. Aquilo foi novo — era como se, pela primeira vez, se sentisse realmente vivo, não apenas uma ilusão da mente, mas algo a mais. Se guiou pela pouca de luz que entrava atrás de si e pelos passos da senhora mais a frente. Então houve o som de quem abre uma porta. Já acostumado com a escuridão, Sean foi até lá.

Era uma sala completamente vazia, aparentemente feita de pedra calcária e com uma segunda sala anexada. Desta, vinha alguma luz e vapor, assim como as batidas de ferro em ferro.

A senhora esperou Sean entrar na sala vazia para fechar a porta, encerrando eles lá dentro.

— Você quer voltar a vida? Deve saber que isso não pode ser feito de graça, não é? — Ela caminhou até a sala anexa, parou no arco, se virou, deu uma olhada na sala vazia onde Sean estava agora, deu uma olhada em Sean. — Você tem muitas coisas a oferecer, jovem Sean Lionheart. Posso ver. Tem tudo para que nossa transação dê certo. Vou lhe dar um tempo para pensar no que pode oferecer.

Então ela entrou na outra sala e começou a fechar a porta. Antes disse:

— Aproveite e encha essa sala pra mim, por favor. Volto logo.

E então fechou a porta, que abafou os sons do lado de lá e não permitiu passar nem se quer um fio de luz pelo batente. Então, ali estava, no escuro e numa sala vazia que deveria ser preenchida. Mas preenchida com o quê?
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Qua Abr 05, 2017 9:15 pm

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O que significa?

— Ah! Sim-sim! Agora que você falou nisso, eu me lembro! — no rosto uma expressão de quem lembrou algo muito importante — Lembro de papai ter falado uma vez que era um nome derivado de um nome famoso lá da Catedral de Zaltar. Alguma coisa relacionada a religião, mas eu não sei o significado exato. Então pra mim está tudo bem sendo só o meu nome, hahah! — logo emendei, terminando com um sorriso juvenil.

Acompanhei as expressões daquela senhora para a medida que falava sobre Quedas e Escadas ou sei lá o quê; se bem me lembro Vax ou aquele senhor Russelo falaram algo semelhante não foi? Mas agora eu não consigo lembrar o que é. Daí falou sobre a presença de Cyrus e sobre estarmos ali, e eu só concordei com a cabeça acenando positivamente.

Ei, mas espera aí! O que ela quis dizer com "é quase algo novo alguém escapar com um dragão"? Quer dizer que mais pessoas já escaparam? Mais gente conheceu o Rocco? Daí uma série de perguntas inundou minha cabeça e eu fiquei um pouco distraído, talvez o suficiente pra me deixar levar pela senhora para dentro da tal árvore.

Durante o caminho acabei me deixando tropeçar nas armadilhas da falta de atenção, tropeçando uma ou talvez duas vezes nas raízes. Nada que me levasse direto pro chão, afinal eu sou um menino rápido, consigo me equilibrar a tempo! Fora isso, lá dentro o calor aumentou, comecei a sentir alguns pingos de suor escorrendo da nuca e deslizando nas costas. Aquela era uma das piores sensações de uma vida! Mas isso também me fazia questionar se mesmo morto nós sofremos com isso? Seria injusto eu acho..

E por falar em injusto, a partir dali, Cyrus deveria ficar para traz. Eu sei, eu sei, ela já tinha avisado. Mas, é que é uma sensação ruim ter de deixá-lo para traz logo agora, depois de tanto tempo separados. E acreditem, eu sei bem como é essa sensação. Então caminhei até ele, erguendo a mão e se possível acariciando seu nariz caso ele viesse ao meu encontro.

— Amigão, eu preciso de um favor seu. E eu só confio em você pra fazer isso! — iniciei, tentando estabelecer alguma comunicação com ele antes de seguir a tal senhora para dentro daquele buraco — Vá procurar pelo grandão Ho! Se puder ajudá-lo ou protegê-lo que seja, mas encontre-o. Ele vai precisar da sua ajuda, você consegue fazer isso? — terminaria, se possível, encostando minha testa em seu nariz como que depositando minha confiança nele.

E depois disso, uma despedida. Sem olhar para traz. Simplesmente corri e segui aquela senhora para dentro do buraco.

...



Entrar lá dentro me trouxe uma sensação estranhamente parecida com a que eu tinha quando Ifrit estava no controle. Eu não sei explicar, só me lembrou isso. Talvez pela sensação de que aquilo tudo não era aquilo e sim alguém. O ar quente lá dentro podia ser sua respiração sabe? E essa sala vazia em que chegamos, quem sabe, seria o coração?

Perdido em devaneios, despertei quando a senhora foi para a outra sala e depois de deixar mais um enigma, ela simplesmente fechou a porta e mergulhou o mundo em escuridão. Não deu nem tempo de pedir pra ela esperar, aliás, eu não a culpo já que eu estava perdido em outro mundo. Ou seria outro alguém? Hoje eu to cheio dessas pegadinhas!

Chacoalhei a cabeça e deixei isso pra lá.

— O que será que ela quis dizer com encher? — e a primeira coisa que me veio na cabeça foi a lembrança de estar caminhando à cavalo com o grupo, naquela missão do tio Targo. Lembrei das maçãs entregues por Chagas. Lembrei da sensação de fome em minha barriga e de como fiquei satisfeito em saborear as maçãs uma a uma. Guloso, meu amigo cavalo, também comeu um montão de maçãs! Aquilo sim é o que eu chamo de encher a pança!

Mas eu não entendo como faria pra "encher" isso tudo aqui. Primeiro andei. Queria ver se encontrava algo no escuro. Talvez fosse alguma pegadinha dela e tivesse alguma coisa na sala que eu não prestei atenção. E andando na escuridão, insisti em puxar na memória algum exemplo ou sinônimo do que eu entendo por esse enigma. Lembre-se Sean, pense! Como você pode encher essa sala? Rocco talvez soubesse a resposta, mas eu acho que daqui eu não consigo falar com ele..

Talvez uma onda grandona como aquela pudesse encher essa sala rapidinho, né? — idealizei em pensamento.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Abr 12, 2017 7:53 pm

57. Coisas que enchem

Andou, logo encontrou a parede, morna. Andou mais um pouco, foi, voltou. Nada. No escuro, era a mesma sala que vislumbrou ainda agora, quando havia luz — uma sala totalmente... vazia.

Seu nome, era um nome bem grande. Enchia a boca na hora de falar. Sem contar a homenagem secreta à outra pessoa, ou mesmo um sentido próprio que, vai saber, se escrito, poderia encher a página de um livro velho.

Cyrus... ele pareceu entender que Sean precisava entrar por uns instantes. Um toque revelou que o dragão estava confortável naquele lugar. Talvez o calor mítico da árvore lhe emprestasse algum vigor, algum fascínio. Era como estar diante de algo que deve ser contemplado, e ele provavelmente não se incomodava em ficar sozinho um pouco, enquanto Sean resolvia aquele teste.

Ele, Cyrus, poderia facilmente encher aquela sala, com seu tamanho... Mas a porta foi fechada e Sean meio que sentia que agora só podia ir adiante, e não voltar.

Ifrit, talvez... ele era um demônio bem grande, não era?  

Nada da velha sair. Nem se quer um som significativo. Às vezes Sean tinha a impressão de captar algum barulho, mas não dava pra entender o que era. Em suma, a sala daquele lugar cheio de vida jazia vazia de sons...  

Apenas Sean, cheio de suor e de memórias. Cavalos de herança divididos entre três irmãos; “Lyra (também chamada Laira, Lhirra, Lirya) foi uma inimiga poderosa, mas não para nós”; o senhor a cavalo que aprendeu a cavalgar numa igreja; “Homúnculos sonham com ovelhas de carne e osso?”; como aquele vinho era azedo!; “Você não vai enfrentar ele?”; além da bola, ela tinha uma pulseira de cabelos traçados, cabelos castanhos — mas os dela eram pretos; Tok tok; “Cercada de inimigos, despertou um velho feiticeiro chamado Destruidor”; Gregar quase lhe esmagou com um cometa de gelo negro; e por aí vai. Era tanta coisa que daria até pra encher uma sala com elas, hm...

Spoiler:
Serão suas escolhas e ideias aqui e no próximo post que darão a cara para o final. Sinta-se livre, realmente livre, pra criar. Aproveite o momento. Mas cuidado, quando a senhora voltar, pode haver consequências, rs
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sex Abr 14, 2017 4:09 am



" Ele nunca teve medo do escuro.

Talvez tenha sido essa a primeira característica dele que me chamou atenção. Fez-me observá-lo com outros olhos, eu diria com menos desprezo e mais curiosidade. Foram muitos os anos em que vivi como um demônio e portanto torna-se justificável o meu sentimento de menos valia que tenho por humanos; todos os que tive o desprazer de conhecer, eram dominados facilmente pelo seu medo, pela sua escuridão interior. Eu digo que se passar tempo demais olhando para um abismo, ele olhará em retorno. E isso para os humanos é a mais pura verdade. No entanto, nas profundezas de Sean eu não encontrei o abismo. Eu encontrei algo novo.

Séculos de experiência e nada para justificar aquela sensação. Era irritantemente incômoda. Não havia escuridão no garoto para ser usada, mesmo ele tendo passado pelo que passou. No tempo em que vivi como Demônio, aprendi que mesmo as almas mais jovens podem ser marcadas pelo destino e lapidadas com uma ou duas cicatrizes, coisa que seria suficiente para num futuro próximo transformar-se no pequeno abismo daquela mesma pessoa. Esse tipo de ferida não se fecha nunca, e o tempo trata apenas de deixá-la descansar e apodrecer, transformando-a na escuridão de um ser. Mas no futuro de Sean eu não conseguia ver essa ferida apodrecendo. O que eu vi, na verdade, é que não havia ferida alguma. Mas... como? "




— Eu sei que você está aqui. — as palavras ecoaram no meu pensamento, interrompendo o raciocínio dele e rendendo um ar de surpresa. E num primeiro momento, como resposta, eu tive o silêncio. Mas aquilo não me incomodava sabe? Porque como eu disse, estar aqui no escuro me deixou confortável. As lembranças me vinham na cabeça e traziam momentos dispersos, e eu não entendi muito bem como aquilo parecia tão real, mas eu estava lá. E mesmo depois de checar na sala e conferir que não havia nada lá, eu podia ouvir o som dos cavalos marchando em meio a selva. Eu podia ouvir os risos de Chagas fazendo piadas com o nosso grupo por não conseguir acompanhá-lo na corrida de cavalos. Pude ouvir aquele barulho chato na fazenda do tio Targo, e ouvi também os sons das árvores retorcidas lá da Floresta da Tortura. Aliás, foi tanta coisa que eu comecei a ouvir que simplesmente não entendi o porquê de não estar agonizando em dores de cabeça. Por dentro eu estava...bem. Cheguei a conclusão de que estava em paz.

E então ele falou;

— Eu não sou bem vindo aqui. Talvez não seja boa ideia você chamar atenção falando comigo daí desse lugar.. vai que te pegam? — e com isso eu entendi como referência aos tais guardiões que Rocco mencionou naquela nossa conversa. Mas eu não estava preocupado uma vez que falar com Ifrit, pra mim, era como falar comigo mesmo. É o que chamam por refletir né?

— Não estou preocupado com eles. Estou preocupado com você agora. — respondi em pensamento, quebrando o silêncio proposto pelo salão escuro mesmo que por um diálogo mental.

— H-huh?! Huhuhuhu.... o pequeno corvo, preocupado comigo? Não seja tolo. Quando você recorrer aos meus poderes, sabe muito bem que não serei derrotado. Eu sou muito mais poderoso do que você imag-

— ... — meu silêncio o interrompeu.

Em tom de estranheza, pude sentir a sua vibração mudar. Ele estava curioso, certamente sentiu o que havia de errado, pois eu estava longe. Minha mente voou longe e explorou a escuridão. Aquilo foi surreal, como se eu tivesse aprendido a fazer tal viagem depois da minha experiência com Rocco. E eu não sei bem como eu consegui, mas em algum momento daquela conversa, eu senti que era capaz. Eu senti que precisava buscar alguma coisa nessas memórias, alguma coisa muito distante, e que se Rocco estivesse certo, eu era capaz de fazer. E eu fui. Fui muito além do que diz respeito às minhas memórias. Eu fui nas memórias dele.

E apesar de involuntário, ele me deixou passar. Durou pouco, mas eu consegui ver o seu povo. Eu consegui ver mais dos Ifrit, aquela tribo de criaturas mágicas que eram cheias de poderes e conheciam um montão de coisas. Era um tempo tão diferente que mesmo o sentir parecia extrapolar as sensações. Conheci as tribos e conheci o seu passado; o estopim, a decadência, o vazio. Mas antes disso, eu descobri aquilo que instintivamente me fez viajar até aqui. Eu descobri o que me preocupava em nós dois.

Mas ele resistiu. E então a nossa conexão oscilou por um instante, fazendo-me retornar para o vazio daquele pequeno salão escuro. O ar quente preencheu meu peito, e eu voltei, ainda de olhos fechados, concentrado naquele monte de coisa que invadiu minha cabeça e que não sei nem como eu conseguia organizar. Em simultâneo, senti a sua fúria e desconforto por ser invadido daquela maneira. Tamanha foi a sua frustração que eu posso descrever como a sensação muito parecida de estar nas chamas do Cyrus de novo, só que de dentro pra fora.

— Como ousa usar os poderes que EU lhe cedi para vasculhar no meu próprio passado?! Justo você que tanto fez-se parecer diferente dessas criaturas desprezíveis que são! — sua presença tornou-se violenta dentro do meu mundo, me fazendo estremecer e me diminuir. Era quase opressora, sua energia crescia dentro de mim como se mesmo naquela distância de um mundo para o outro, ele ainda tivesse tamanha força. Mas isso não me assustou, não me assustou porque aquilo que eu descobri em seu passado completou o que eu descobri sobre mim agora há pouco. E eu sei o que preciso fazer com isso, eu ouço isso aqui dentro. Então eu não deixei que aquela energia me suprimisse, nem que a escuridão me engolisse e me deixasse inconsciente como na maioria das vezes aconteceu antes.

— Nós dois fomos tão bobos. Você não consegue perceber, Ifrit? Não consegue ver que estamos juntos por um motivo? — as palavras cresciam no meu pensamento com uma sensação esquisita de alívio e carinho ao mesmo tempo.

— Eu deveria tê-lo consumido assim que recuperei as minhas forças, mas acreditei no seu potencial, acreditei que poderia me tornar mais forte para concluir o meu objetivo mais rápido. Achei que você seguiria comigo colhendo almas para trazer de volta a minha tribo, mas não! Você continua preso nessa humanidade fútil! — e o seu descontrole aumentava ao ponto de eu conseguir idealizar a sua energia dentro da sala. A escuridão deu lugar às chamas, amarelo-fogo vibrantes, reluziam nos meus olhos e iluminavam todo o ambiente mesmo que fosse fruto só da minha imaginação.

Mas eu encarei as chamas de frente. Olhei-as profundamente, pois sabia que no seu âmago estava ele. E eu o encarei com aqueles mesmos olhos que eu lembro que meu Pai me encarava todas as noites...

— Nunca foi sobre eu precisar de você, mas sim, você precisar de mim. Pois eu posso sim te fazer mais forte... — e acompanhando aquelas palavras, eu me levantei, caminhando na direção do âmago daquelas chamas. Elas se tornavam cada vez mas intensas e o calor era tamanho que mais parecia ter se fundido com o calor da árvore e estava me fritando por dentro. Mas os meus pés seguiram, um atrás do outro, levando-me até ele. — Você só precisa vir até mim, e eu vou aceitá-lo. Porque você e eu somos um só, Ifrit. — a minha mão direita avançou dentro das chamas, alcançando as correntes que desciam pela mão dele.


clique no play abaixo do título


Aquelas correntes eram tão pesadas que sozinhas, poderiam encher essa sala escura só com os sentimentos ruins que carregavam. Mas eu precisava segurá-las. Eu tinha que ser mais forte do que todo sofrimento que havia na história dele, ou eu não conseguiria trazê-lo comigo, e sem ele, nós não existimos. E mesmo que para isso eu tivesse de abrir mão de alguma coisa, como até agora parece que eu tenho sido obrigado a fazer, era uma coisa que agora eu sei que estou pronto pra fazer. Papai, Mamãe, ou qualquer um dos amigos que conheci nessa minha jornada até aqui, eu podia vê-los em minhas memórias, ou mesmo nas chamas. Eu pude ver tudo. E por mais que a saudade fosse grande, eu sabia que não podia voltar. O único caminho que eu tinha pela frente, agora, era com ele.

Então eu o abracei.

Teu nome eu sei, Efreet Izzat — aquelas palavras eu pronunciei em voz alta, acolhendo-o.



" Tornar-se um demônio e ter o seu nome banido, pode ser comparado a uma dessas cicatrizes que abordam a escuridão de um ser. Principalmente em se tratando de uma criatura mística, como eu já fui um dia. Ser julgado por companheiros celestiais que um dia celebravam ao seu lado, e ser reconhecido apenas como uma criatura caída, desprezada, é detestável. E para cada mísero dia em que eu passasse vagando nas terras ao lado dos Humanos ou raças semelhantes, eu só conseguia alimentar mais e mais essa ferida pois, para mim, a culpa sempre foi deles. A minha tribo, o meu povo, a minha história, tudo se perdeu por culpa das condições do que é ser humano. Os tais sentimentos e emoções, as fraquezas, tudo isso nos apodreceu até secar cada gota de vida que tínhamos.

Eu exponho esses pensamentos numa perspectiva do que vocês, humanos, são capazes de compreender. Mas como criatura que sou, eu voz digo que me arrependia amargamente do dia em que me deixei contaminar por tal perspectiva, em que me deixei humanizar desta forma. E acredito que todo o meu povo extinto se arrependa da mesma maneira. Pois a condição ser humano é dolorosa, é como um mártir, pois as feridas só pioram e dão origem a outras e revivem experiências e machucam ainda mais e te escurecem cada vez mais, só que isso nem é o pior.

O pior é você conhecer coisas como o Sean. É você estar queimando no fogo dos 7 infernos, agonizando com almas em sofrimento, e ainda assim ser aceito. E não é sobre a necessidade de ser aceito ou reconhecido que eu voz digo, humanos. Mas sim, sobre a capacidade que tens de levantar depois de cair. A capacidade de se remontar mesmo depois de cair no fundo do abismo, ou a capacidade de abrir mão de um mártir tão pesado, para puxar alguém de um abismo mais fundo. A capacidade de variar entre o desprezível ao transcendental em questão de um piscar de olhos.

Quanto poder há em vocês.

Talvez se tivéssemos compreendido esta grandeza ainda naquele tempo, hoje o meu povo poderia compartilhar o mesmo que estou sentindo ao lado do pequeno corvo. "


Resumao:
Eu aproveitei a liberdade do momento pra inserir o backstage do Ifrit. Não puxei muitos detalhes até porque eu não queria saturar o post, então se quiser mais detalhes da história da tribo do Ifrit tem aqui: http://lodossrpg.forumeiros.com/t1020-o-ultimo-ifrit

Então esse post foi mais a conclusão de tudo que o Sean aprendeu nessa campanha. A conversa com o Rocco ajudou o subconsciente dele a organizar essas experiências todas e, no decorrer disso ele veio absorvendo a ideia até chegar aqui onde ele percebe que ele e o Ifrit estão juntos por um motivo. E que nunca foi sobre o Sean depender dele ou vice-versa, mas sim, pela capacidade que o menino tem de "salvar" o Ifrit de um castigo celestial. O Ifrit, inicialmente não era um demônio. Ele foi condenado como tal, mas o Sean foi inserido nesse contexto de uma maneira que talvez ele consiga redimir o Ifrit. Então foi um post de aceitação, pra resolver de uma vez essa divergência entre ambos.

Também foi um post prévio pra deixar supostamente em aberto coisas que estou disposto a abrir mão pra voltar pra Lodoss. Dentre elas, podemos tirar por vários exemplos: a Mãe dele (que está ai no mundo dos mortos e que ele queria levar, mas agora ele percebe que já não quer mais tanto assim). Temos os amigos(companheiros de campanha, que ele acabou deixando pra traz durante o percurso). Temos também conceitos, como por exemplo, o da juventude perdida, uma vez que ele sofreu muito em questão de amadurecimento e personalidade por conta de um demônio com séculos de vida dividindo a mesma existência que ele (mas nesse caso queria conversar, porque se for pra ele voltar muito velho não sei se é muito viável rs), e por último e o menos agradável que estou tentando evitar, é o conceito da memória; abrir mão da memória dos pais e da própria história, mas manter o aprendizado/personalidade desenvolvida agora.

Mas se eu não puder escolher, tudo bem, vou aceitar o que vier =/

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Sex Abr 21, 2017 2:48 pm

58. Espelho

Sean deixou de ser minha melhor escolha, eu já comentara. Quando ficou claro que ele não estava vazio, percebi não ter muitos pontos ao meu favor. Ifrit era um problema — se eu perdesse, poderia ser incorporado. Então meus olhos foram em outras direções, outros meios. Mas no fim, Sean parecia o mais capaz. É o que ele fez com Ifrit que me dava expectativas, hm.  

A porta abriu, a luz correu pelo lugar escuro. Havia uma neblina na sala, uma neblina que não estava lá antes daquela porta ser fechada. Quer dizer, havia um vapor vindo da outra sala. Mas não denso, como agora. E, com a porta fechada, não teria como todo aquele gás ter enchido a sala no tempo em que Sean ficou só.

“Só”.  

Na escuridão, não percebeu a neblina, lógico.

A senhora apareceu no arco, pareceu farejar o ar embaçado.

— Essa sala está cheia de... descobertas. As vantagens da escuridão e da solitude. — Ela deveria estar olhando para Sean, mas seu rosto estava sombreado demais para ter certeza. — Você descobre coisas, quando nas trevas.

Entrou de novo, mas dessa vez deixou a porta aberta, um convite. Todo aquele gás, como que vivo, aceitou o convite: foi chupado pela porta. Não havia mais os sons de pancadas, mas algo quente foi mergulhado. Subiu o chiado escaldante. De lá de dentro a voz da senhora comentou:

— Há muitas formas de nascer de novo, Sean Lionheart. Há muitas formas de se alcançar um objetivo. Os caminhos variam, com atalhos, com atrasos. Errado está aquele que diz existir apenas um jeito, uma via, uma escolha. Não. É como as veias no seu braço, é como os galhos numa árvore. Diferentes, mas parte de um todo, com o mesmo objetivo. Você escolheu um caminho dentre outros possíveis. E agora você está no final dele e deve escolher como irá terminar.

As pancadas recomeçaram. Uma segunda coisa estava sendo forjada.

Na sala redonda, um ferro incandescente era martelado por um homem baixo sem boca e sem olhos e sem orelhas. O formato era o de uma pinça enorme, bruta, do tipo que serve para apanhar coisas grandes do meio de um forno ou do fundo de um poço quente. O ferreiro tentava dar forma a coisa.

As paredes eram cobertas de pinças como aquela. Muitas — um brincalhão poderia dizer que nem havia paredes ali, apenas pinças empilhadas sustentando o teto. Algumas delas eram realmente bonitas, luxuosas. Havia algumas quebradas. Tinha as com dobradiça aparentemente frouxa, do tipo que não fecharia muito bem para pegar alguma coisa que precisava ser pega. Outras eram rústicas, até mesmo enferrujadas, mas que pareciam ainda funcionar. Compridas, curtas. Tinha as densas, pesadas demais, ruins para o manuseio. As finas e fracas, como que feitas às pressas e sem planejamento. Vários tipos.

A senhora estava de pé num canto, perto de um poço. Nesse poço de águas escuras, havia algo reluzindo lá embaixo, um ferro vermelho esfriando, esperando para ser recolhido... Toda aquela neblina da outra sala, parecia ser absorvida por essa água, o que gerava um efeito interessante: a própria água fazia subir um vapor enquanto ao mesmo tempo recebia o novo gás.

De frente com o poço havia um espelho, e a senhora se afastou um pouco, para que Sean observasse apenas a si mesmo no reflexo e dali tirasse alguma lição.

Ela perguntou:

— Para que tenha sua vida de volta, para que retorne, o que está disposto a deixar, Sean Lionheart?

As batidas forjavam a pinça, moldavam.

E no espelho o ar da sala tremeluzia, mas a imagem de Sean era nítida, sem obstruções. E, talvez, ali no reflexo, fosse outro Sean, um Sean mais jovem, um Sean sem tantas... descobertas. Era, em última análise, um encontro com o eu. Era o fim. E também um começo.

Spoiler:
Sensacional!

E sim, você pode escolher. Eu tinha dado exemplos antes, como coragem, juventude... mas a ideia geral é que seja algo que mude definitivamente o seu personagem. É aquela história do retorno do herói, onde ele volta diferente. Todas essas coisas que você sugeriu, físicas (juventude) ou mentais (memória, inocência), serviriam, então fique à vontade.

Aliás, por falar em música no meio do post: Eu tinha um segredo sobre isso, e vou revelar, rapidão. Momento curiosidade: quase todos os títulos tem o link para uma música, às vezes a letra bate com o que aconteceu no post, às vezes era só pra encaixar com o título mesmo, às vezes era apenas um som que estava escutando na hora de escrever. Nos últimos cinco ou seis posts eu não linkei nada (linkei nesse, uma melancólica da banda Trees Of Eternity), mas no restante dessa campanha (e em boa parte da Herança) tem um som pesado acompanhando, rs.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sab Abr 22, 2017 5:23 pm

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A voz da senhora logo me despertou como que acordando de um sonho bom. Meu corpo estava quente, suando, e dos meus olhos escorriam lágrimas que pareciam ter acabado de sair do forno; escaldantes. Aquilo foi estranho até pra mim, acreditem.

Mas não foi só isso. Ao esfregar os meus olhos e me livrar da sensação de ardor provocada pelas lágrimas, percebi que havia uma certa neblina na sala. Busquei no restante do espaço alguma brecha que justificasse o aparecimento da neblina, mas não havia nada senão escuridão e o embaçado provocado por tal gás. Aliás, da sala onde a senhora estava também saia uma outra neblina, mas não era tão presente quanto a que estava nesta sala. Mas as perguntas ficaram pra depois; essa mesma neblina abriu caminho para o salão onde estava a mais velha. Caminhei em sua direção, uma última olhada para traz confirmando apenas tudo que aconteceu agora há pouco; não era necessário alguma silhueta ou vestígio para que eu soubesse da escolha dele. Pois agora, não somos mais distintos, escolhemos juntos esse caminho afinal.

Entrei.

E numa primeira impressão:

— Uaaau? — meus olhos percorreram as paredes, analisando aquelas ferramentas que mais pareciam pinças. Eram tantas, de tantos tamanhos diferentes, talvez servissem pra apanhar coisas diferentes também. E por falar nas pinças, um homem — se é que posso chamar assim, estava fazendo outra pinça ali num canto da sala. Batia com suas ferramentas, amaçava o material quente, batucadas e mais bate-bate. Aos poucos fui me acostumando tendo em vista a curiosidade instigada pela senhora. Ela me levou até um poço que havia num outro canto da sala. Que sala organizada pra um espaço tão escondido. Espaçosa né?

Daí olhei o mais próximo possível, cuidando pra não ser queimado, e esperava ver um mínimo do meu reflexo nele. Mas a água era escura e saia uma espécie de gás dali, enquanto outro se misturava à água dando a impressão de vapor ou sei lá o quê. Tive a impressão também de ver alguma coisa lá no fundo, chiando, chamando...

— Quem vê de longe pode até dizer que é um pedaço de ouro. — brinquei, deixando um riso abafado escapar. E depois voltei a acompanhar a senhora que, de frente ao poço, apresentou-me um espelho. Este sem muitos detalhes, exceto pelo reflexo que eu tanto esperava ver.

Me foi instruído então que, para retornar, eu deveria abrir mão de algo. Um preço a pagar. E sabe, eu já esperava por isso? Rocco já havia comentado sobre e, desde então, eu vim pensando sobre o que eu deixaria para traz. O que eu estaria disposto a pagar? E olhando agora para o meu reflexo, eu só tenho mais certeza do que é.

— É engraçado esse meu reflexo porque eu o vejo incompleto — as palavras saltaram da minha boca com certa naturalidade enquanto eu dava um ou dois passos, o suficiente para ficar frente a frente com o espelho — Tudo que eu esperava ver em meu reflexo antes era um vestígio de um outro eu. Aquilo que não podia esconder de mim, aquilo que sempre me perseguia e talvez até me atormentasse. Tudo porque não era completo; éramos partes distintas, um Sean que eu não conseguia abraçar. — e nesse ponto a minha mão direita já tocava o espelho, repousando a palma sobre a mão do meu reflexo. Olhos fitando um ao outro diretamente. E depois de muito tempo eu finalmente pude aceitá-lo, não havia mais o que temer em meu reflexo.

— Agora eu não espero ver outra coisa senão o meu eu inteiro. Eu não preciso mais fugir, esse é o caminho que escolhi. Não sou mais a criança que temia ter a sua personalidade perdida. Agora sou aquele que se encontrou completo. — completei.

Naqueles últimos instantes encarando meu reflexo, mentalmente eu o agradecia. Tudo que sofri, o que passei, e as coisas que tive de abrir mão. No começo eu não entendia e achava que o tempo só me faria perder as coisas. Mas hoje eu vejo que essas coisas precisavam ficar pra traz. Ou nós não estaríamos aqui. Então tudo que eu podia fazer era agradecer e respirar fundo, pois o caminho à frente traz muito o que perder ainda. Mas eu estou pronto.

— Eu quero deixar essa criança para traz. Eu quero abrir mão deste reflexo incompleto e temeroso do futuro. Pois agora eu já sei quem eu sou. — e essa foi a minha decisão final.

A juventude.

Ainda que, em algum lugar da minha mente, eu tenha escutado-o falar: " — um pequeno grande corvo, hmm? "

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Sab Abr 29, 2017 9:28 pm

59. Fria e pesada

— Então que assim seja. Tudo o que você era, até um passado recente, ficará aqui. Essa é a barganha e a barganha foi aceita.

O reflexo se tornou uma mancha no espelho. Ao mesmo tempo, o trabalho do ferreiro chegou ao fim: ele pegou a pinça de repente modelada, se aproximou do poço sem hesitar, como quem conhece cada milímetro da sala, meteu a pinça entre a água e tirou de lá uma... chave de ferro. Enquanto dentro da água, a coisa parecia muito maior, talvez uma barra de aço, quem sabe de ouro. Dava a impressão de algo mais encorpado. Mas fora da água, se revelou como uma simples... chave.

O homem a estendeu, ainda a segurando pela pinça. De fato, da chave subia uma fumaça.

— Pegue — disse a senhora.

Era estender a mão embaixo da pinça que o homem a liberaria. E contrariando a aparência, o item não estaria quente, mas frio. E pesado.

— É para abrir a sua passagem de volta — ela explicou. — Vamos?

O homem, depois, colocou a pinça num canto, junto de outras, rente a parede. Sean, olhando pra ela, não sentiu nada de especial... Não era como se tivesse realmente deixado algo para trás. Talvez isso era bom sinal: o que barganhou, no fim, não lhe custou muito.

A senhora saiu da sala. Mas seguiu numa direção diferente da que veio, contra a luz de lá de fora. Seus passos foram entrando na escuridão daquele local subterrâneo. Sean sabia que deveria segui-la, já se sentia colega da escuridão daquele lugar pulsante. Mas sentia como se estivesse deixando mais alguma coisa...

Cyrus. Quem era mesmo? Um dragão, claro. Um dragão que o ajudou a chegar até ali, o pegando no meio do deserto rochoso. Se lembrava dessas coisas, mas não conseguia explicá-las com precisão.  Sean lembrava que tinham um tipo de conexão... só.  

A senhora, do fundo da gruta:

— O caminho está aqui. Se cruzá-lo, poderá considerar-se vivo outra vez. Os olhos se acostumando, se acostumando... deu pra ver: agora a senhora estava de frente com um imenso buraco numa parede de madeira, uma parede que deveria ser uma raiz enorme. Desse buraco, havia um único ponto brilhante, distante. Ela adicionou. — E, se cruzá-lo do jeito que está... irá levar alguém mais consigo. Um espectro que, de alguma forma, está conectado à sua morte. Acho quem é.

Confesso que fiquei surpreso. Não deveria, mas fiquei. Me senti nu. Estava na mão dele.

— Devo removê-lo do seu umbigo?

Spoiler:
Considere sua memória (temporariamente, talvez, ou não, hm) apagada. Tudo que vc tem é do momento em que acordou ao ser regurgitado pelo Vax em diante, incluindo o sonho com o Rocco — este, aliás, narra a história de um futuro próximo, mas no presente, não consegue se comunicar, apenas através de sonho (só respondendo um post passado teu, onde vc sugeriu a possibilidade de convocá-lo...)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Dom Abr 30, 2017 3:26 pm

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— E-espectro? — gaguejei como quem acaba de acordar de um transe.

Olhos acostumando uma segunda vez, reconhecendo e organizando o que via. Primeiro veio na memória a imagem do meu reflexo manchado no espelho. Estranho; eu não conseguia idealizar o meu rosto nele, como uma memória difícil de lembrar, uma festa de aniversário de 3 anos ou algo assim. Depois a chave — essa que eu ainda carregava em minha mão direita, e por fim, a estranha sensação de ter deixado algo para traz. Algo importante.

Tinha relação com o dragão.

Sabe, pensando agora isso faz lembrar o pesar que acompanha tomar decisões. No fundo eu sabia que já havia tomado a minha e era este o motivo de eu estar aqui e não lá atrás onde o tal dragão ficara. Compreendo que eu poderia sim ter voltado atrás e procurado pistas com o tal dragão e seja lá o que for a relação que tenho com ele, mas algo aqui dentro também me fez compreender que isso é passado.

Sem mais delongas, voltei a minha atenção para o momento;

— Você disse um espectro? Mas... como isso é possível? — foi mais como uma pergunta retórica, afinal, eu fiz ela mais pra ele do que para a senhora. Eu não conseguia entender como Ifrit não percebeu a presença de um terceiro entre nós. E de repente em meus pensamentos eu enxergava com mais amplitude algumas das nossas capacidades; dentre elas, a possibilidade das interferências bloqueadas pela nossa simbiose. Então da mesma forma que esse espectro não podia interferir em nosso pensamento, nós também não podemos interferir na presença dele? Perguntas rondaram a minha mente, mas não seria surpresa que Ifrit distraído com nossas desavenças não tenha percebido um intruso.

Porque é assim que eu o vejo; um intruso. Digo, o espectro.

— Remova-o. — dono de poucas palavras, respondi a seco.

Cerrei meus punhos, apertando a chave na mão direita como que insistindo em manter o meu objetivo em mente. Muitas coisas estão manchadas em minha mente como aquele reflexo no espelho. Coisas incompreendidas como a existência daquele dragão ou como o sentimento de simplicidade que aquela pinça me trouxe. Reaver essas coisas pode acabar trazendo apenas sentimentos de menos-valia ou semelhantes, a julgar pela sensação que a tal pinça me passou. E se eu estou correto no raciocínio, não é pra isso que eu vim até aqui. Eu vim até aqui pra começar minha nova vida, e ela não envolve terceiros, então a minha decisão não pode ser outra senão removê-lo.

Curioso  que essa reação parece inusitada até pra mim. Na minha cabeça ainda é um pouco confuso mas eu tenho a sensação de que, em outra ocasião, eu teria perguntado mais a respeito do tal espectro, talvez até oferecer-lhe amizade. Mas agora eu vejo isso como apenas um obstáculo. Será que não estou mesmo esquecendo de algo importante?

Não mesmo — me veio um pensamento dele.

É, vai ver não é nada mesmo.

obs:
pau no cu do espectro. Já tem gente demais nesse corpinho aqui!

Dúvida: a partir de quando o Sean vai perceber as mudanças físicas? E aliás, até que ponto essas mudanças foram? Digo em questão de idade, aparência e afins? Devo atualizar isso agora ou depois?
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Sab Maio 06, 2017 11:10 pm

60. Coda

— Não sei ao certo como isso foi possível. É uma nova magia. Mas... — Ela fechou os olhos, que viraram e desviraram por debaixo das pálpebras. Então os abriu subitamente, como uma pessoa desesperada por enxergar na escuridão e de algum modo Sean viu tudo isso claramente. — ... ainda assim, é uma magia e sempre há uma contra magia.

Ele não sentiu nada de especial, mas ela garantiu:

— Está feito.

Sem a ligação com Sean, senti a atração imediata pra longe dali, mais especificamente de volta para Ho e Bones — os que eu ainda tinha um laço razoável. Não tinha como eu permanecer longe de um possível hóspede, então comecei a voltar, depois de chegar tão perto do meu Retorno... Foi ali que Sean deixou essa história, foi ali que o perdi de vista: naquela gruta subterrânea, de frente com um caminho profundo, um caminho que cruzaria toda a Sarça Ardente por baixo até sair do Outro Lado, na Forja da Eala, sobrevoando Lodoss.

Provavelmente ele estaria com um corpo novo ao terminar a passagem. Ou então a transformação já estava em gradativa atividade, desde o espelho embaçando.

Em algum ponto do caminho, Sean usaria a chave para destrancar alguma coisa. Mas de todas as portas ou portões numa rede enraizada de túneis, a chave funcionaria em apenas uma fechadura, a fechadura para o seu mundo natal — ou para o mundo que ele quisesse ir, realmente não sei, especulo. Nesse ponto — ou antes, ou depois — a árvore iria interagir com ele. Não mais na imagem de uma senhora imparcial... mas em imagens variadas, acho, do passado de Sean, não sei com qual propósito, se para sustar ou frustrar o retorno último. Não sei se meras ilusões ou se invocações reais.

A última visão que tive dele, já não era dele, mas de outra pessoa. Esse estranho... gosto de pensar que o ajudei, de alguma forma, embora não tenha me beneficiado do jeito que planejei. Mas não estou lamentando — lamentar deixa o homem fraco. Volto aos planos de antes e, se um dia conseguir retornar aos meus e falar com as pessoas, não apenas em um corredor fechado numa dimensão de sonhos, se um dia conseguir tocar as pessoas novamente e andar pelo mundo dos vivos como homem livre, então aí está um Lionheart com quem se reencontrar para conhecer novamente.

Spoiler:
Você cortou o narrador — e isso deu muito certo, pois fica aquele final aberto que apenas o seu personagem conhece! Fique livre para postar um último tiro, caso queira.

Meu plano original, claro, era algo nervoso e em equipe. A busca em três partes, estendida, deveria (de algum modo que não sei como faria, pois vai muito além da minha vontade) estreitar os laços dos personagens para que no final, seja com o Trianguli, seja numa saída alternativa, eu conseguisse entrelaçar passado, presente e o futuro de todos. Havia muita riqueza entre os personagens que dava para costurar, desde a morte da mulher do Bones, até uma paixão do Sollrac tentando ressuscitá-lo ao mesmo tempo que a campanha rolava. Você tinha um arco próprio já em desenvolvimento, da sua mãe e tal, fácil de conectar com um Bones ou um Sollrac. Nessa campanha, Ball foi desviado e acabei bolando um arco próprio pra ele também. E Ho era o cara que eu tentaria possuir com o meu narrador, a fim de sair do mundo dos mortos usando ele como veículo. Chagas, lembra do Chagas? Eu estava com uma coceira de pôr ele aí também, um recém morto. Foi uma ideia que o Akira me deu, no fim da outra campanha... Mas haveria npc demais para brincar e eu não queria npc pensante, eu queria monstros! Para dar ênfase a esse mundo intermediário, de passagem, eu precisava de monstros! Até voltei a folhear Berserk pra ter umas ideias de bichos que perseguiriam vocês constantemente (tipo Gatts mesmo, mas por causa do Trianguli). Mas também não sei se eu teria tanto fôlego para dar vida à todas essas ideias por, sei lá, todo o restante desse 2017.

Sobre o agora: eu poderia ter jogado tretas aqui e ali, mas achei o ritmo tão sóbrio e natural que apenas continuei conforme a música. Nunca imaginaria um final sem uma briga! Mas colocar uma ficaria fora de tom, traria mais história quando muito já foi contado e quando eu já estava lento das postagens e de planos. Então terminei, nessa postagem, satisfeito, muito satisfeito, com um final que é mais teu do que meu.

O fórum foi uma experimentação segura para ideias que aspiro um dia publicar e isso não seria possível sem os jogadores para testar essas ideias e interagir com elas. Por isso:

Grato à Gabz, que criou esse espaço místico!

Grato à Ball, Bones, Ho, Sollrac, por embarcarem nessa! O Caronte recebeu muito mais do que só duas moedinhas de cada!

E Sean... cara, sem palavras, SEM PALAVRAS!

Parece que a Lodoss não volta, e eu também acho que não terei nova coragem tão cedo pra narrar em fórum (voltei com fúria pro RPG de mesa, hm). Mas vou registrar a XP final, num próximo post em breve, pois, vai que a Lodoss também passa por baixo da Grande Árvore algum dia, não é mesmo?

Ao mesmo tempo, há a esperança do novo fórum da Gabz, em algum momento do futuro! Em último caso, nos vemos lá (eu bem que estou querendo jogar com um espectro que tem uma história aventuresca de uns mortos pra contar em alguma taverna, hm).

Até!
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Dom Maio 07, 2017 2:51 pm

Contando a partir da última XP concedida, apenas Knock e Hummingbird continuaram o jogo. Então:

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Re: [Comum] Considere-se morto

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