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[Comum] Considere-se morto

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[Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Nov 25, 2015 11:42 pm

Relembrando a primeira mensagem :


BALLTIER
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Robe de peles
Detalhes:
Descrição: Bisbilhoteiro / É fácil adquirir um inimigo; difícil é conquistar um amigo
Tendência: Bom
Animal: Cachorro


BONES
PV: ?%
PE: ?%
Itens:
-Macacão laranja, sapatos de pano
-Colar com várias presas de tamanhos variados e formatos diferentes. A mesma presa nunca se repete
-Pulseira de fio de cobre maleável, com unhas velhas e partes pequenas de ossos velhos
Detalhes:
Descrição: Ambicioso (conhecimento/poder) / Um ghoul amaldiçoado na forma esquelética repleto de vida, ironia e inteligência, bem equilibrado e centrado
Tendência: Caótico Bom
Animal: Corvo


HO
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Macacão laranja, chinelos de couro
Detalhes:
Descrição: Sabedoria / "Minha raça diz que sou mau, mas busco o bem; Que tipo de orc eu sou"
Tendência: Bom
Animal: Hellhound


SEAN
PV: ?%
PE: ?%
Itens:
-Macacão laranja, sapatos de pano
-Pequeno estojo com 3 tipos diferentes ervas de fumo
-2 moedas de prata com o desenho de uma faca em alto relevo num verso e com o outro raspado
-Poção de recuperação
Detalhes:
Descrição: Inocência / O essencial é invisível aos olhos
Tendência: Bom
Animal: Corvo


SOLLRAC
PV: 100%
PE: 100%
Itens:
-Macacão laranja
-Par de botas de couro
Detalhes:
Descrição: O Aprendiz / "Conhecimento e treino sempre!"
Tendência: Neutro e leal
Animal: Lobo cinzento


Recuperação de energia
Funciona assim: após um tempo de descanso, o personagem recupera certa quantia de energia + o seu valor em Vigor. Então, segundo a tabela logo aí abaixo, se eu descanso por 1 hora e tenho Vigor 4, recupero 54% de energia. Essa é uma recuperação passiva, mas exige descanso, que é exatamente ficar parado, recuperando o fôlego, tirando uma soneca. Se o personagem está cavalgando, por exemplo, então ele não está descansando e não se recupera.
1 minuto: 5%
5 minutos: 10%
20 minutos: 25%
1 hora: 50%
5 horas: 100%

Recuperação de vida
Recuperação espontânea sem necessidade de descanso. Referente à dano físico, no corpo.
1 minuto: Inconsciência
5 minutos: 25%
20 minutos: 50%
1 hora: 100%
5 horas: Ressurreição


Última edição por NR Sérpico em Seg Maio 08, 2017 1:18 pm, editado 50 vez(es) (Razão : ue atua de forma clandestina no submundo)
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Sab Nov 12, 2016 11:13 am

Estava correndo e fui me tranformar, mas deu tudo errado. Perdi velocidade, mas a transformação não se concluiu. Aquilo nunca havia acontecido comigo. Talvez eu estiesse sem energia. Que péssima hora para aquilo acontecer. Recebi o encontrão dos dois cães que vinha da minha frente. Vax estava atento e deu um salto já lutando contra os cães, nisso fui jogado para trás e os cães que eu havia despistado me pegaram. Uma mordida no pescoço, um soco reflexo.

Eu estava cercado e já ouvia mais uivos. Não tinham armas ou locais para os quais eu pudesse correr, não via Aurélio. Teria de dançar.

Me armei com os unhos fechados. Tentaria me transformar novamente. Vi Vax de lado lutando apenas com as garras. Então se não conseguisse, tentaria ao menos fazer garras com chamas no lugar das articulações do carpo para tentar aumentar o dano enquanto golpeava. Se não conseguisse, iria bater com os punhos secos.

O plano era bater até que todos. Uns diriam que não era factível, mas eu não queria apelar para um dos soberanos mesmo que fosse legal” vê-la novamente. Agora o cenário estava tão bonito. Friozinho chato... Eu tinha rasgado a roupa também. Uns cães brabos. “Êta merda” soltei baixinho

Tentei me transformar um cão escroto desses para tentar me misturar ao menos se não conseguisse, tentaria algo rápido para fugir dali com Vax. Se eu não conseguisse, iria para a agressividade pura sem ligar para nada além de ver os cães correndo entre os rabos entre as pernas (embora fosse quase impossíel de ver isso acontecendo, era a minha esperança. Aquele lance que se fala antes de uma batalha e tal eheueh). “Vamo lá que o trabalho mesmo nem começou!”

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Dom Nov 20, 2016 1:41 am

38. Punhos molhados

Conseguiu uma garra, e com ela rasgou a fuça do primeiro cão que caiu sobre si. Sentiu dentes em sua panturrilha esquerda enquanto seu punho descia sobre a cabeça de um terceiro animal. Houve um encontrão em suas costas com intuito de jogá-lo no chão novamente, mas Ho pisou firme, girou, dançou. Soltaram a panturrilha e pegaram o braço direito, ele chutou um, agarrou o outro, girou e o arremessou. Vultos se movendo ao redor. Talvez fosse hora de se desesperar, mas Ho apenas continuou de pé, socando, rasgando com a única garra, tentando ser mortal a cada golpe enquanto recebia mordidas e rasgos. Já sangrava em seis lugares diferentes e ofegava, mas o frio da cidade balanceava as coisas em seu corpo já na febre da guerra. Em algum momento caiu e sentiu o peso de dois deles em suas costas. Agora já enfrentava mais do que meia dúzia, e pelo canto do olho tinha a vaga impressão de que Vax estava na mesma situação. Se ergueu, caiu outra vez. Sentia dor e ódio, estava banhado em sangue e saliva de cão, sua roupa era frangalhos, o chão sob seus pés era uma paçoca úmida e escorregadia, terra e sangue e suor. Torceu o pescoço de um, arrebentou com a coluna de outro. Mais vultos ao redor. Catou um menor, rugiu e girou com ele, lhe usando de arma. Varreu ao menos cinco cães com esse movimento e aí outros cinco já tomaram seus lugares. Seus punhos estavam molhados, um deles mordido e com os dedos tortos. Sangue escorria de um ferimento na testa para dentro de um de seus olhos. Estava rodeado pela neblina, quase não enxergava além de dois metros. Era só uma questão de tempo.

Então, asas. E fogo.

Ho sentiu o calor muito depois de ver as chamas. Elas acertaram o chão a sua frente, queimando uma horda de bestas ocultas na neblina, e continuaram numa carreira reta. Ho se jogou de lado e as chamas passaram rente, ardendo a rua, fazendo a sujeira do solo estalar. Depois veio o vento — foi um voo rasante — e a neblina perdeu densidade.

O ambiente se revelou outra vez: havia ao menos 30 cães ali. Metade disso estava no chão, inerte pelos golpes de Ho ou então ganindo alto com chamas sobre seus corpos.

Ho olhou para o alto e reconheceu o dragão. Sim, era o mesmo que levara Sean. Ele parecia fazer um círculo no alto, para voltar e descer em outro rasante contra a rua cheia de cães. Ho não conseguiu precisar se tinha alguém montado nele, se Sean estava lá no alto, entre as asas do bicho. Mas teve a vaga impressão de escutar um chamado, não o seu nome, mas um simples...

— Por aqui. — Como se a voz falasse em sua cabeça.

A direção, era rua abaixo — o caminho que ele já vinha seguindo antes. E, de alguma forma, sabia que teria de virar na segunda a direita até achar uma... fortaleza ou algo do tipo. O chamado vinha de lá.

O dragão criou uma distração que permitiria à Ho sair correndo agora, agora mesmo. Talvez conseguisse deixar os cães para trás. Mas aí teria de deixar Aurélio e Vax também — pois não haveria tempo de ir socorrê-los e depois correr dos cães. Se transformar num deles também parecia impossível — Ho não se sentia capaz de tal façanha. Teria de escolher rapidamente o que fazer a seguir. Mais uma rodada de dança com os inimigos poderia ser ruim, dependendo da estratégia. Mesmo com um dragão aparentemente lutando ao seu lado, os cães ainda viam Ho como alvo principal.

***

Duf fez que sim.

— É verdade — disse, como se falar fosse difícil. — É verdade, ela é o verdadeiro oponente. — No final olhou para Sean não com uma ponta, mas sim uma grande lacuna de dúvida. — É, ela, é. Ahn... É. Concordo.

O guardião ficou um tempo em silêncio, como se avaliasse a questão com calma. Disse de forma imparcial, sem demonstrar se acreditava ou não no que Sean contava:

— Então cadê ela? — a espada ainda estava pronta, talvez seus músculos ainda estivessem considerando algum movimento rápido, uma reação explosiva escondida atrás daq1uela calma de pedra. Com a voz mais dura, acrescentou: — O que ganha com isso, corvo? Hm? Servindo à essa tal mulher?

Duf, antes, tinha negociado o silício com Sean. A barganha envolvia enfrentar o tal guardião. Agora Dufreine parecia ou esquecido disso tudo, ou simplesmente já era muito amigo de Sean e não o queria ver lutando com aquele homem. Ou então ele estava com medo por si mesmo, por estar junto de Sean na sala. Uma coisa era certa: ele começou a recuar para ir embora.

— Vá, corvo — disse o guardião, não se importando realmente com a resposta para sua pergunta de antes —, e chame sua mestra. Estarei aqui, esperando quem quiser ter o que guardo. Quanto a você, nunca mais volte.

Sean, ainda com os sentidos avantajados, teve a impressão de ouvir ganidos altos. Pareciam cachorros com dores mortais. Talvez a bruxa estivesse dentro da cidade agora e aí seria só uma questão e tempo para... para o quê? Será que ela poderia rastreá-lo até ali? Ou melhor: o que será que ela queria exatamente? Sean ou ouro?

O guardião ainda mantinha a postura, como que aguardando alguma armação por parte do garoto. Sean tinha permissão para ir ou então ficar e lutar. Nada foi dito sobre ficar de boa no canto esperando a bruxa descer.

— Vá — reiterou o homem. Uma ordem.

Duf já estava dois passos para trás, no arco da porta. Só esperava por Sean.

***

Arkin acordou sentindo-se exatamente como que desperto de um sonho ruim: paralisado. Estava num lugar escuro, parecia flutuar em águas densas e pegajosas. Não conseguia se mover, nem mesmo a cabeça, mas com o canto do olho tinha a vaga impressão de que havia outras pessoas ao seu lado, na mesma posição, flutuando. Se tentasse falar alguma coisa, descobriria ser incapaz, a boca não abrindo, a garganta parecendo entorpecida.

Mas enxergava. Naquele local escuro, havia como que uma janela aberta à sua frente e através dela ele enxergava uma cidade em movimento. Uma cidade velha e coberta de neblina. Ela subia e descia, como se estivesse no meio de um terremoto. E a visão ia se aproximando e se aproximando até a cidade estar perta o bastante para se ver um portão.

— Me deixe entrar.

Era a voz de uma mulher. Mas Arkin não via, através da janela, nenhuma mulher. Não sabia de onde viera o som, apesar de parecer extremamente perto, íntimo.

— Pague o tributo.

Essa outra voz era ríspida e distante, sussurrante, e vinha do lado de lá do portão. Aos poucos, Arkin foi capaz de enxergar uma criatura nas grades enferrujadas, um porteiro. Estava oculto em mantos negros e tornou a dizer.

— Pague o tributo.

Arkin sentiu um movimento. Era como se as águas onde flutuava se moldassem ao seu redor. Viu pelo canto do olho que as pessoas que estavam à sua direita sumiram, como que de repente submergidas. Ainda não podia se mover nem falar.

Então, só assistiu.

Houve um som, como que uma grande bolha inchando e depois estourando e a visão pela janela mostrou o solo e três pessoas caídas nele. Inconscientes e nuas. Não sabia de onde poderia conhecê-las, mas sentia que não era a primeira vez que via aquelas pessoas. Pareciam debilitadas, como que há dias sem comer, clavículas e costelas acentuadas.

— Aqui está o seu tributo, agora abra o portão. — disse a mulher e o portão se abriu.

O porteiro saldou:

— Bem vinda a Carcosa.

O portão rugiu, abrindo, e Arkin pôde sentir o cheiro forte de ferro oxidado. A visão tornou a tremer conforme avançava para dentro da cidade e então o meio demônio entendeu que não era a cidade tremendo, mas sim ele andando. De uma forma que ainda não entendia, estava dentro de alguém. Dentro de uma mulher.

Então, agora, percebeu que podia falar.

Spoiler:
Ho: -5% de energia pela garra feita, -46% de vida pela treta com os cães maus.

Todos: o Praquenome perguntou se podia entrar e eu dei um jeito de incluir ele na coisa, hm.

Dúvidas chamem.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Knock em Dom Nov 20, 2016 12:04 pm

“Por aqui”

A voz falou breve na minha mente... não me importei com tom, quem havia falado, com a idade, se era algum fantasma daquela cidade em ruínas... Só corri para onde eu me sentia instigado a ir. Fui o mais rápido que pude.

Eu sangrava e estava coberto pelo sangue dos cães contra os quais lutara. Foram tantos que mal consigo dizer, mas não foram tantos quanto um mar, porém mesmo assim, chegou ao ponto de eu me sentir afogar rodeado por mordidas, encontrões e vultos.

O máximo que eu conseguira transformar fora um dedo em uma garra, mas era o que tinha, então levantaria as mãos a Zalthar esquecido e tentaria adiar um pouco mais meu destino com a senhora que estava esperando depois da antessala. Cortei um, soquei vários, recebi mordidas, encontrões. Ficava ali no mesmo lugar batendo o que dava, reagindo ao que podia; do jeito que fora treinado ou do jeito que era guiado por instintos.

Entretanto eles não paravam de vir, os números pareciam tão densos quanto aquela neblina. Eu já nem sentia os ossos doerem de tanto me movimentar e do tanto que o meu sangue e o sangue dos outros banhavam minha pele. Na verdade eu nem sabia que ainda sagraria tanto, mas lógico que não pensei nisso naquela hora.

Continuei batendo e nem pensava mais até que cai de alguma forma e senti uns dois cães maus nas minhas costas. Olhei ao longe Vax em situação semelhante e isso me fez levantar. Percebi uma das mãos quebradas de tanto bater. Sorri. Peguei um cão pequeno e bati em outros com ele, mas ao ver que mais vinham, me enfurecia mais. Tentava não me precipitar para não morrer de forma boba. Mas eu não tinha energia nem para me curar.

Urros de ódio. Urros de ódio àquela velha. Urros de ódio contra aquela sombra da estrada. Eu avançava e batia, era mordido, era atacado. Eu nem sentia mais os danos. Sentia somente o fervor da dança com aquelas putas feias. Acho que aquele menino sorriria com o fato de ter uma dança daquelas após ter morrido, mas para mim é como Vax havia dito: Lute por sua vida. Era o que eu estava fazendo, mas sentia como se o fim da tentativa estivesse chegando.

Mas dessa vez a senhora morte ainda não me receberia nos aposentos dela. De repente me senti com frio como se estivesse no interior de um monstro estivera uma vez em uma certa mina. Era frio e incomodo, mas de repente: LUZ.

A luz vinha de algo que tinha asas que, mesmo não sendo, era como se fosse um anjo. Me joguei para o lado sentindo o calor da luz. Era fogo. Era dragão. Meu olho coberto de sangue não me deixara ver quem guiava o ser que reconheci depois de algum esforço. Eu só havia pedido um dente, mas ele trouxera todo o dragão HAHA. Achava que a própria morte não queria me conhecer.

Senti o vento das batidas das asas e voos rasantes. Então ouvi a voz. Teria de deixar Vax; Aurélio já havia sumido da minha vista há tempos. Nem lembro de ter pensado. Só corri. Nem me preocupei por ser facilmente encontrado com todo aquele sangue em mim. Só corri para onde a voz “apontava”. Eu não poderia ficar para lutar. Só não poderia. Corri mesmo sem esperar muita salvação.


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Dom Nov 20, 2016 12:31 pm

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Finalmente pude relaxar os ombros ao ouvir o Guardião concordar comigo. Em seguida um suspiro. Eu estava aliviado, entende? Aquela situação toda era muito complicada, e apesar de sua complacência, eu ainda me sentia um pouco desconfortável de ser considerado um alvo. Quero dizer, eu realmente não entendo. Se já estamos mortos, por que ele se apega tanto a esse ouro? Ele precisa mesmo passar a eternidade aqui tentando defender uma peça dessas? Peça essa, que por sinal, eu estou me arriscando em conquistar sem nem saber o real motivo. Tudo que sei é que alguém me disse que precisava dela. Assim como mamãe disse que precisava do Silício, assim como Duf disse que precisava que eu enfrentasse o Guardião. Todos precisam de alguma coisa não é?

Mas e eu?

— Ela está lá em cima, entrando na cidade... — Respondi ao Guardião, fitando-o nos olhos. Encarei-o profundamente como que encorajado a intimida-lo. — Quer saber? Eu fiz tudo isso por que me disseram que eu tinha que fazer.. e no fim o que eu ganho com isso? Todos me prometeram tanta coisa, me prometeram até que eu voltaria à vida, e ainda assim estou aqui arriscando a minha própria vida pelo seu ouro. Será que é isso mesmo que eu quero? — As palavras simplesmente saíram como se nem fossem mesmo minhas. Mas eram, eu sei disso. Eu só não compreendo porque eu não conseguia contê-las, porque eu estava me sentindo tão enfurecido mesmo sem saber o motivo. Essa era uma sensação terrível que eu não conseguia controlar. Dei um passo a frente, firme.

— Você tem razão! Talvez eu deveria ir embora mesmo! Mas ao menos eu estaria fazendo a minha escolha não é? — Bradei, mas sem hesitar, engatei uma segunda disparada de palavras que mais saiam como flechas alvejando um alvo; — E você? O que ganha passando a sua eternidade aqui? Confrontando desconhecidos tudo para defender um pedaço de ouro que alguém sussurrou, ou que alguma coisa te instigou a proteger? Seja verdadeiro comigo, Guardião! Por quê você ainda está aqui?! Onde está o seu direito de escolher o que realmente quer?! — Terminei com o peito arfando, ofegante. Eu sei que não deveria ter feito isso, e talvez se eu olhasse para o lado agora, o amigo Duf provavelmente nem estaria mais lá. Eu entendo a sua preocupação, talvez ele só não me quisesse ver triste. Mas sabe do que mais? Eu já estou triste! Estou triste porque desde que eu MORRI, todos querem que eu faça alguma coisa, mas ninguém está preocupado com o que eu realmente quero. Eu não deveria ter a oportunidade de escolher? Quero dizer, eu já estou mesmo morto, e isso tudo tem me deixado confuso, enfurecido, inquieto. Ainda mais agora, quando estou diante de alguém tão forte e com uma espada enorme dessas, mas que continua na mesma situação que eu!

— Nós podemos sair daqui! Leve seu ouro, eu não tenho interesse nele, mas venha comigo! Me ajude a encontrar o meu caminho e eu ajudarei a encontrar o seu! — Insisti, dono de um olhar persistente e com algumas lágrimas que insistiam em cair mas permaneciam ali, intactas.

O que eu quero? Eu quero a minha vida de volta. Eu quero o Ifrit de volta.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Praquenome em Ter Nov 29, 2016 8:23 am

(OFF: Desculpa a demora na postagem.  Não vai mais acontecer. ON)

Abri meus olhos. Minha cabeça doía como se eu tivesse escorregando a maior montanha do mundo com ela. E na minha boca, que horror! Parecia que um cavalo tinha cagado nela e um mendigo com séculos sem banho tinha me beijado. Minha primeira reação foi se cuspir mas..  Minha boca não se mexia..  não, não só ela. Percebia que eu todo estava paralisado. Eu estava flutuando numa água, se é que era água, densa enquanto minha visão ficava focada num ponto de luz que mais parecia uma janela divina em meio àquela escuridão.


Como eu tinha ido parar ali? Tentei me lembrar, forcei a mente a trabalhar nisso só para sentir uma pontada de dor aguda no meio da minha mente. Porém uma rápida imagem surgiu na minha cabeça. A de uma taberna em chamas no meio da noite. Não sei de onde ela era, mas me parecia estranhamente familiar. E antes que eu pudesse questionar mais a minha situação com aquele gosto horrível na boca e uma dor de cabeça gigante, a janela de luz começou a se aproximar e eu consegui ver com mais nitidez. Não sei se era apenas minha impressão, mas parecia que tinha mais alguém do meu lado, flutuando em meio àquele desconhecido. E põe desconhecido nisso.

A visão que eu tinha era de uma cidade, bem antiga por sinal. Ahhh, que merda de dor de cabeça, realmente não dá pra prestar atenção em nada sem sentir uma pontada. Algumas coisas contudo, eram praticamente lançadas na minha cara, como a voz de uma mulher extremamente perto de mim, a visão de um porteiro vestido em trapos e.. o"tributo". Três cadáveres que eu conhecia, mas não sabia de onde, igual a taverna. Sinceramente...  pra que três mortos só pra entrar numa cidade? Nem Tarakas faz isso, pelo menos ainda não.  O porteiro abria a porta e eu começava a me movimentar. Não, eu ainda estava paralisado.  Eu estava.. dentro da mulher?? Não, eu estou sonhado..  com certeza me deram umas ervas, sim mas...  Se o olho dela era a janela, então esse rio era..  sangue?!! - Que porra é essa??!- falei tão instintivamente que eu precisei de dois segundos pra perceber que eu conseguia falar. E então comecei a cuspir.. merda de gosto, o que eu comi pra estar com esse gosto na boca??!

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Nov 30, 2016 10:36 pm

39. Sem caminho

O guardião relaxou um pouco na postura, mas suas palavras foram afiadas:

— Escolher é ilusão, corvo. Não temos escolha, temos apenas um propósito que deve ser seguido. O meu é guardar esta peça, esse item poderoso e antigo. Fora isso não há mais nada para mim.

Não havia ironia, remorso, amargura. Era o tom de quem acredita.

A próxima replica foi assim:

— Não posso te ajudar a achar o seu propósito, o seu caminho. Ninguém pode. O meu caminho está bem definido, aqui mesmo, nessa sala, com essa espada em mãos. O seu, não existe mais. Você está em um lugar de mortos, não há mais caminhos à serem encontrados. E isso pode ser desesperador. E somente nesse sentido eu posso lhe ajudar, corvo. — Ele ergueu um pouco a espada. — Posso lhe dar descanso e você, então, não precisará mais procurar um caminho.

Sean piscou, o guardião saltou, a espada desceu, Duf tirou Sean da trajetória no último instante, a lâmina cortou alguma coisa, Sean caiu e olhou, Duf estava meio inclinado e paralisado, não sangrava, mas caiu de joelhos com a boca meio aberta e piscando. Parecia horrorizado.

Um dos gumes da espada brilhou de leve e o guardião a moveu novamente, atingindo Duf uma segunda vez, só que agora com o lado do gume que não brilhava. Preciso, abriu um sorriso na garganta do pequeno ciclope, o sangue saiu em um esguicho e Duf caiu de cara no piso, em meio uma tosse interna.

O brilho de um dos gumes sumiu, no outro, agora, havia um pequeno fio de sangue de Dufreine.

O homem se voltou contra Sean. Agora estava entre o menino e a saída.

Contra outro oponente e talvez em outra ocasião, Sean pudesse ter sensibilizado um inimigo com seus argumentos. Aquele guardião parecera desejar um final, desejar ser derrotado ou algo do tipo. Mas talvez não por palavras. Então tudo que Sean recebeu de volta foi:

— Você tem uma escolha, corvo. Ficar parado ou não. Mas nas duas opções, depois, você entenderá que na verdade não tinha escolha nenhuma.

Sean podia sentir. O guardião não era maldade, hostilidade. Aquilo não era pessoal. Aquilo era um serviço que precisava ser concluído — era exatamente assim que aquele homem encarava a coisa.

Caminhou na direção de Sean para concluir.

Então parou por um momento, quando o local tremeu um pouco. A origem do tremor vinha da superfície. Sean lembrou de vários prédios e casas desabitadas em meio a neblina, lembrou que tudo parecia velho e acabado e que não seria esquisito começarem a cair de repente, sozinhos de fracos.

Ou então a bruxa estava mais perto do que nunca.

***

— Olá — disse a mulher meio translucida.

Ho ainda recuperava o fôlego, e tentou manter a postura.

— Você veio com o meu filho, Sean, não é?

Era meio difícil captar os traços no rosto transparente dela, mas sim, talvez ela tivesse uma ou outra coisa que lembrasse Sean. Parecia cansada. Não do tipo ofegante, mas do tipo doente.

Estavam dentro de um salão de portão quebrado, por onde Ho entrou, instantes atrás. Na corrida que fizera, sentira o tempo todo que seria pego a qualquer momento, as costas fervilhando de antecipação à um salto de um cão, uma mordida e coisa e tal. Mas não aconteceu e quando viu a brecha no portão, entrou sem pensar duas vezes. Nenhum cão entrou atrás dele e agora ele estava diante de uma mulher fracamente iluminada pela luz de fora.

— Eu sou Lyra. — Ela mal se movia, mãos cruzadas à frente do corpo. Vestia o que deveria ser um vestido cinza. — O dragão lá fora se chama Cyrus. Você...

Ela pareceu pensativa enquanto encarava Ho.

Lá fora, ao longe, bem longe, Ho ainda escutava as asas de Cyrus e os rugidos dos cães. Pareciam bem distantes, como se Ho tivesse se afastado bastante, correndo por várias dezenas de metros — o que talvez tenha sido verdade. Ho simplesmente começou a correr e quando se deu conta já estava ali.

— Você... Meu filho precisa de ajuda. Ele... ele foi atrás de algo, embaixo, no subsolo da cidade. Faz mais de um dia...

Era difícil captar feições, mas no fundo do cansaço doentio era possível ver alguma preocupação genuína. Talvez ela realmente fosse quem dizia ser.

Então ela franziu o rosto para além de Ho, para suas costas.

O meio orc sentiu novamente as costas pinicando de antecipação, seu instinto mais profundo gritando que ele estiva prestes a ser atacado pelas costas.

Tinha alguém ali, na sombra de Ho, furtivo como nunca. Algo iria acontecer em menos de um segundo.

***

Assim que praguejou, a cidade parou de se mover e o campo de visão oscilou rápido para lá e pra cá. Se realmente estava vendo pelos olhos de outra pessoa, então essa pessoa deveria estar olhando para os lados nesse momento, se perguntando quem dissera aquilo. Então ela podia ouvi-lo...

O momento passou. A marcha voltou e Arkin continuou assistindo, agora uma rua de casebres velhos. Escutava rugidos ao longe, como se uma luta entre bestas estivesse comendo solta ali em algum lugar. Mas a mulher caminhava em outra direção. Rápida, parecia deslizar pelo calçamento. Arkin viu neblina, densa neblina, e escutou uivos, latidos.

— Tsc. Animais sem dono — disse a mulher, para ninguém em especial.

Dois cães dobraram a esquina como se soubessem exatamente que ela estava pra passar ali. Avançaram correndo e Arkin viu que eles grandes, cães infernais um pouco menores que cavalos. Feridos, com talhos, rasgões, sangue seco no corpo. Vai ver mortos vivos. Mas corriam como inflados de muita vida e vontade de violência.

Arkin sentiu uma oscilação na água em que se encontrava meio submerso, e lá fora, no mundo real, o ar tremeu, como que quente demais, e avançou contra os cães antes que estes pulassem na mulher. Os cães incendiaram instantaneamente, ganindo e tombando.

A mulher continuou, agora mais rápida. A visão de Arkin era um borrão cinzento com neblina. Mas a visão turva não era só pelo fato da mulher correr rápido. Não, tinha outra coisa. Percebeu que algo fora tirado de si. Era como se ele tivesse queimado energia rápido demais.

Quando melhorou, os olhos ganhando foco novamente na visão do mundo, percebeu que agora estava dentro de uma sala. Não fazia ideia de como chegara ali tão rápido, mas tornou a sentir um certo cansaço — forças deixando seu corpo sem o seu consentimento.

Como se outra pessoa as tivessem usando.

— Lyra! — chamou a mulher. — Eu vim por você! Apareça!

Total silêncio.

E aos poucos Arkin ia recordando de onde conhecia aqueles “tributos”: estavam juntos, eles e Arkin, numa estrada... parecia há muitos e muitos anos, mas não sabia dizer com precisão.... Estavam numa caminhada, logo depois que deixaram o barqueiro.... Estavam indo para um local de... condenação? Lembrava pouco, muito pouco. Seu cérebro parecia mexido, desorganizado.

Mas sim, lembrava agora: a caminhada pela estrada. A marcha. Todos ali eram condenados. Arkin, os tributos e vários outros. Cabeça baixa, pés arrastando, guiados por um ser de asas. Então aconteceu alguma coisa que o tirou de lá.

Estava quase se lembrando, quase...

Spoiler:
Arkin: -25% de energia consumidas de forma misteriosa, hm. Esqueci de comentar, mas vc já deve saber: seu personagem está sem os equipamentos em vida. Outra coisa: quando iniciei a campanha, no tópico de inscrição, perguntei umas coisas aos jogadores, coisas que eu posso ou não vir a utilizar em algum momento. São essas perguntas aqui:

1) Resuma o seu personagem em uma palavra ou título. (Exemplos: Ganância, Sabedoria, O Sortudo, O Soldado, etc.)

2) Resuma o seu personagem em uma frase. (Essa aqui é opcional, responde se quiser. Se for responder, que seja numa frase curta, no máximo uma linha, que pode ser uma fala, um pensamento, sei lá, fica a vontade.)

3) Se o seu personagem fosse um animal, qual seria?

4) O seu personagem acredita ser bom, neutro ou mau? Veja bem, é o que o personagem acredita, e não o que você, jogador, tem certeza sobre ele.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sex Dez 02, 2016 11:37 pm

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Foi um pouco difícil de acompanhar o que sucedeu. Digo, depois da conversa. Senti o vulto de algo, como um movimento que era pra ter me atingido em cheio, um certo anseio da minha garganta por algo de pontiagudo rasgando-a. E então as mãos de Duf. Pela forma como me apertavam, senti a preocupação e também o alívio no amigo avermelhado depois de me tirar da linha de fogo. E tudo isso num piscar de olhos.

— O-Obri.. — Pensei em agradecer o amigo, mas não tive tempo. Um segundo vulto e pronto, Duf foi movido à força pela mesma grande espada que almejava o meu pescoço segundos atrás. Ouvi o barulho do corte mas até então não acreditava ser real. Eu nem tive tempo de agradecer, entende? Então aquilo me chocou um pouco. Em seguida veio o barulho seco no chão, provindo do corpo inerte de Dufreine.

— Isso é engraçado não é? Ele estava morto, e morreu de novo. — Mas não havia graça nenhuma em meu tom. Quero dizer, eu entendo bem o peso de uma morte. Apesar de tudo eu gostava do amigo Duf, mas ele se foi. E mais uma vez eu estou sozinho. Suspirei. Tinha a estranha sensação de que não havia tempo, aliás, de que eu perdi tempo. A sensação de que minhas palavras, por mais que eu acreditasse nelas, elas não poderiam mudar o curso das coisas. É uma sensação que eu conheço bem e que eu convivi com ela por muito tempo. Mas o Guardião estava certo, afinal não havia escolha, nunca houve. Então o que eu poderia fazer?

— Na verdade, você está errado Guardião. Você acabou de me dar uma escolha! — Sorri, erguendo a mão direita em sua direção. Semicerrei os olhos, concentrando-me em sua presença, em todas as sensações que senti vindo dele desde que entrei nessa sala até o presente momento. Uma única ligação era o suficiente, coisa que venho preparando desde o momento de nossas charadas. Minha intenção agora era a de arrancar a sua força de vontade de uma única vez! Puxar essa convicção que ele acha que tem de que deve lutar, eu precisava acabar com ela e deixá-lo perdido nem que por um breve instante.

— Eu vou encontrar o meu próprio caminho! E vou começar agora, fazendo as minhas próprias escolhas! — Aleguei, desta vez, pronto para um combate. Meus olhos não piscaram sequer uma vez, mantendo o contato com o tal Guardião a todo momento. Eu o estava desafiando, estava conclamando aquilo como um combate! E para a energia supostamente retirada do Guardião? Seria de imediato entregue para Dufreine.

— Você ainda não cumpriu sua parte do trato, seu medroso! Vamos, levanta! — Insistia, tentando encorajá-lo a levantar nem que fosse com aquele resto de energia que lhe dei. Ele precisava pegar o Ouro e precisava fazer isso logo. Enquanto eu, ficaria frente a frente com o guardião. A todo instante, mantinha minha atenção nos movimentos do meu adversário, afinal, eu precisava estar atento para desviar quando fosse necessário e também para investir em algum movimento ofensivo. O que eu conhecia sobre combates? Memórias em mente; quando enfrentei aquele Orc na montanha. Aquela mesma sensação de entusiasmo, sangue quente, pernas prontas para um salto aqui ou ali principalmente quando for investir num movimento de ataque. Talvez eu ainda pudesse arriscar um soco? Não, eu precisava desarmar o Guardião, tirar a espada da mão dele, aproveitar de uma possível oportunidade surpresa entre um desvio e outro para o caso dele avançar primeiro. Do contrário, eu só precisava de uma brecha para investir diretamente e tentar tirar-lhe a espada.

Obs:
Habilidade Manipulação usada pra tirar a Força/Força de Vontade do Guardião e colocar no Duf.

Eu meio que estou considerando também um possível efeito tonificante daquela poção do Duf como que meio extrapolando meus sentidos, então por isso a linha de pensamento meio embolada e rápida, acima de tudo. Se quiser juntar isso com o Reflexos Aguçados da minha passiva e a Intuição, já faz um jogo só, papapum, um beijo espada do Guardião. Essa é minha intenção.

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Sex Dez 09, 2016 8:02 pm

40. Reencontro

Como eu disse antes, estava fora. Há um tempo. Desde a invasão da bruxa velha através do Ball. Então não vi o momento, aquele momento. Mas, como disse, soube da maioria dessas coisas através de Ho.

E o que aconteceu foi que eles se encontraram de novo. Não. Não em outro sonho compartilhado ou coisa do tipo. Se encontraram mesmo, ali, na masmorra sob a cidade.

Foi assim.

***

O tremor de ainda agora, que por um momento fez o guardião hesitar na marcha contra Sean, era alguém entrando ali com modos menos sutis que o do garoto, quando apenas desceu escadas e passou por uma película no ar, uma redoma. Essa nova pessoa estava ali, agora, sem nenhuma intenção de ser furtiva. E estava com os outros...

O problema daquela Carcosa é que, mesmo depois de toda desgraça e degradação, ela ainda guardava alguns habitantes. Claro que não estou falando dos cachorrinhos meio mortos e com jeito para multiplicação — não, eles são apenas adornos velhos sem dono, como plantas indesejadas que, com o tempo, crescem sozinhas nas entranças de uma fortaleza.

Quando falo de habitantes, estou pensando naqueles ocultos em exílio ou limitados por alguma força maior que eles, que os impedem de seguir adiante. Calculo que existam seis forças consideráveis e meio adormecidas naquela cidade do mal, sendo uma delas da ex-charmosa Lyra. Mas também não era ela a descer até ali — não poderia nem que quisesse.

O que me leva a pensar no tresloucado do Rei de Amarelo.

Antes, mas não muito antes: um grupo de bandoleiros, ou algo próximo à isso, entregaram alguns tributos nas portas de um salão fortificado, onde o Rei fica. Acho que eles ainda estão na cidade em busca de alguma coisa. Os tributos deram salvo conduto a eles, de modo que os cães nem se quer irão farejá-los até o final do dia. Mas eles que se explodam. O fato é que os tributos que entregaram deram mais pujança do que o normal ao Rei. Óbvio que a causa dessa força além das expectativas vinha do fato de não serem simples tributos, mas sim algo melhor — “almas imortais”, diria um membro da Antessala da Morte... Então o Rei estava pronto outra vez, seus poderes de volta, babando pela revanche tão aguardada contra aquele que guarda o ouro mítico.

É que, suspeito, o Rei não é muito diferente de qualquer outro louco com poder: quer mais poder.

Mas antes de descer lá, ele aproveitou para pegar outra das almas imortais, recém entrada na cidade...

Foi a presença que Ho sentiu, em meio a conversa que tinha com a mãe de Sean. E também foi a única coisa que sentiu, depois ficou tudo preto.

Então a cena de quando Sean reagiu foi assim: o guardião avançou, subitamente detido, um instante mínimo antes de se mover depressa com aquela espada. Foi detido pela habilidade de Sean, que decidiu não haver melhor momento para usá-la. O alvo estava próximo e numa aparente adrenalina pela execução que tinha por fazer. Então, é, foi o melhor momento.

Duf ainda gorgolejava no chão quando o globo de energia sugado do guardião foi disparado contra ele. O pobre coitado pareceu não estar entendendo se deveria morrer ou viver. Se ouviu os incentivos de Sean, não demonstrou.

Ao mesmo tempo que Sean direcionou as emoções do guardião, teve de deslizar para o lado, meio para trás, caso contrário teria o topo da cabeça arranca. A lâmina passou perto, mesmo o guardião estando mais lento e abatido. E além do vento da lâmina em seus olhos, Sean teve uma breve e estranha vontade de deitar e desistir.

Deitar e desistir, como se... nada daquilo valesse a pena. Estranho.

O momento passou um segundo depois, como um peido indesejado soprado por um vento. Sean se equilibrou e assistiu o guardião observar a si mesmo, tentando entender o que acontecia, talvez tentando entender o que estava fazendo e porquê.

Ele pareceu prestes a largar a espada.

Mas então Sollrac entrou na sala.

Depois Bones entrou.

A sala pareceu ficar apertada.

E definitivamente ficou quando Ho passou pelo arco.

Mas não era ele o último da fila: veio um homem alto, magro, magro demais, raquítico, a face chupada, cabelos brancos esfiapados caindo de cima das orelhas, o topo da testa reluzindo como a mais perfeita das carecas. Reluzindo o brilho do ouro, que piscou, vivo. Ele, o velho sinistro, vestia amarelo, trapos, mantos enrolados, traçados pelo ombro, circulando a cintura, caindo pelas pernas, como um lorde de férias num local paradisíaco. O lado direito do seu corpo era visível, as costelas proeminentes na pele branca que nem cal.

E ele sorriu um sorriso de cinco dentes.

— A porta estava aberta... — disse, como que se justificando. Sua voz era fina e ele parecia fazer um esforço extra para que ela saísse bem alto, saindo, também, meio esganiçada, meio falsa, como ator de teatro. — ... então decidi entrar.

O guardião, que ia largar a espada, não largou. Se virou, dando as costas para Sean, mantendo a guarda para os novos visitantes.

Duf ainda respirava ofegante no chão, começou a se mover, com medo da própria garganta, como se ela ainda estivesse cortada. Ninguém pareceu se preocupar com ele, que estava perfeitamente ao alcance de Bones. Aí rapidamente se arrastou para um dos lados da sala, olhando tudo sem entender. No movimento que fez, como que uma brincadeira sem graça por parte do destino, algo escorregou do seu bolso e ficou no chão entre ele e Sollrac — o visitante, agora, mais próximo dele

Ah. Era um recipiente pequeno de vidro com silício dentro. Mas ninguém pareceu notar.

— Você... — disse o guardião, mas não havia firmeza em sua voz.

— Voltei para pegar o ouro! — guinchou o velho de amarelo. — Voltei para realizar minha vingança! E vou adorar cada momento! E voltei para...

Ele percebeu Sean e se interrompeu.  

— Quantos vocês são, afinal? — perguntou, com um meio sorriso de surpresa, olhos arregalados, como quem vê um prêmio grande demais logo a frente. — Vamos fazer assim: Meio dragão, pegue o ouro no altar. Tem que ser você, pois você é bom, embora se ache neutro. Ghoul, termine com esse homem. Ele já parece fraco. E meio orc, traga o menino até mim.

Os três deram um passo.

Ho estava lá. Estava em algum limbo profundo, mas estava lá. Via através dos olhos, mas não controlava as ações. Aquele velho de amarelo o rendera de surpresa e, utilizando-se de alguma magia vil, tomou posse de seu corpo. De novo. Ho sofrera isso uma vez, diante de uma simbiose amorfa, ainda no mundo dos vivos. E agora outra vez a mesma coisa, só que nas mãos de um mago. Deu mais um passo, encarando Sean, mal controlando as feições do rosto.  

Para Sean, era um rosto com ódio. Como se Ho sofresse de uma dor que só pudesse ser curada através da conclusão da ordem do velho: traga o menino até mim. Mesma coisa com Soll e Bones: caminhavam para a tarefa comandada como se só isso existisse.

Como se não houvesse escolha.

Sollrac deu alguns passos, um desses resvalando de leve no vidro com silício esquecido no chão. Mas o recipiente permaneceu intacto.

Já as órbitas vazias de Bones estavam voltadas para o guardião, que sopesou a espada e aceitou o desafio, esperando apena mais um passo de Bones para que a envergadura de seu golpe dê início ao combate. Ele se moveu um pouco, como a ficar mais perto do altar e também ter uma chance de varrer Sollrac com o mesmo golpe.

Duf arfava, com uma mão na garganta.

Ho, no início, não sentia nada. Agora sentia calor. Algo interno, pois o ambiente era ameno. Febre. No peito. Então arfou e passou a controlar o rosto, as feições. E também descobriu que podia falar. Estava desperto, então.

Mas não totalmente: ainda caminhava na direção de Sean, para trazê-lo até aquele que lhe controlava.

Este permaneceu no arco da porta, aguardando a resolução — se possível rápida — daquele caso. O peito estufado, observando tudo por cima do nariz, queixo apontado, postura dura, imponente. Parecia até um maldito rei.

Spoiler:
Ho: vc está full de vida e energia. Mas está limitado à falas. Pelo menos nessa rodada.

Sean: considerei uns up por causa da poção, no caso, eliminando a necessidade de concentração e o requisito de ter Energia superior ao Vigor do alvo. Mas esse up pegou só nesse turno, hm. Outra coisa é que não consumiu energia, tanto o Reflexos quanto a Extração, mas, também, só nesse primeiro momento. Daqui pra frente vc volta a consumir energia e ter de seguir os requisitos e tal.

Todos: geralmente eu sou de atualizar todas as cenas, mas desde que o fórum fechou e caiu o número de jogadores da campanha, nem sempre faço isso. Outro fator é que vcs estão separados, às vezes os eventos que acontecem aqui à frente dos que acontecem lá. E por fim, não estou com pressa, diferente de outras ocasiões.

Tudo isso significa que se vc perder uma rodada ou outra, pode ser que a cena fique pausada e eu espere uma resposta para a situação no seu próximo post, numa boa. Mas, em alguns momentos, vendo uma oportunidade de fazer a trama andar de algum modo inusitado, posso acabar continuando a cena como se vc não tivesse reagido a tempo, respondido à uma pergunta, desviado de um golpe e coisa e tal.

Fiz isso agora. Tinha uma ameaça presente perto de Ho. E, para fazer uma parte da trama andar num passo mais largo, decidi que essa ameaça levou a melhor sobre Ho, de forma subliminar. Logo depois tudo culminou na timeline do que acontecia com Sean, hm.  

Enfim, só explicando mesmo.  

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sab Dez 10, 2016 1:38 am

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Carambolas! Pensei que eles nunca fossem chegar! Mas...espera aí...

Bem, não é surpresa que eles estejam todos um pouco mau humorados afinal já estamos aqui há muito tempo e esse lugar meio que mexe com a nossa cabeça. Agora há pouco por exemplo, um pouco antes do guardião fraquejar e de sua espada falhar em me atingir de novo, senti uma estranha sensação de que aquilo tudo nem valia tanto a pena. Ah, eu bem que podia deitar ali no chão e descansar né? Pra quê esse fardo todo? Mas aí eu pisquei e isso foi embora. Estranho não?

Bom, ao menos o meu plano meio que deu certo. Consegui tirar a energia do Guardião e, tudo foi tão rápido que eu nem sei como mirei tão certo em Dufreine pra lhe dar aquela mesma energia. Eu nunca fiz isso tão rápido assim antes, será que foi culpa da poção? Eu estava mesmo me sentindo mais entusiasmado que o normal e, puxa, é mesmo! Todos voltaram! Que vontade de correr e abraça-los, perguntar como estão... mas aí eu vi as caras mau humoradas, um jeito de que não queriam conversa. Caramba, morrer fez mal pra eles mesmo. Eu só não esperava que justo ele, o grandão Ho, fosse ficar tão mal assim. Quando ele chegou perto de mim e me encarou foi como se eu visse uma coisa muito ruim no lugar do seu rosto. E a sensação que eu tive foi bem mais a fundo, uma sensação que eu conhecia bem; era ódio. De onde eu o conheço? A primeira vez que conheci Ifrit, que eu o vi. Foi algo bem parecido, mas muito mais pesado. Então eu meio que...me acostumei, sabe?

— Eu nem vou perguntar quem é o amarelo sem dente. Amigo ele não é. — Falei meio que entortando a boca, insatisfeito. Então meus olhos saltaram ao redor do ambiente bem rápido, caçando detalhes. Vi o Silício. Vi Dufreine num canto e ninguém parecia ligar pra ele. Entretanto o amigo Duf nem parecia me ouvir, será que valia a pena? Valia a pena? Ah! Sem essa! Que droga de pensamento é esse? Depois de tudo? Não não!

— Essa é a minha escolha! — Contrariei meus pensamentos assumindo uma postura mais firme. Eu não tinha motivos para temer o amigo Ho, talvez ele só estivesse fraco, igual aconteceu lá na montanha quando aquela gosma pegou ele. E foi justamente isso que me deu uma ideia. Pensei rápido; eu estava estranho não? Desde que tomei aquela poção? Fechei os olhos, não resistiria caso o grandão Ho viesse me pegar, então aproveitaria o momento para me concentrar. Concentrei. Meu pensamento foi longe, bem mais longe do que o normal, sentindo coisas que mesmo antes eu não era capaz de perceber nem com a minha habilidade em uso. E eu queria ir mais além, além das memórias... queria ir até ele.

— Chame... — Minha mente pregava peças. Aquela era a minha voz, sussurrando, mas não era eu.

— Acredite — Instigou.

— É tão difícil. Estou com essa sensação de que não deveria, de que vou me machucar se chamá-lo. Eu acho que estou com medo... — Aleguei mentalmente, ainda mantendo a conexão com aquele algo além. Na verdade, aquela mesma sensação de que falei, parecia me puxar para dentro de um vazio sem fim. À deriva, entende? E isso me trazia medo.

— Pensei que você fosse grandinho o suficiente para tomar suas próprias decisões e, quem sabe, arcar com o peso das consequências. Talvez eu tenha...me enganado. — Sussurrou, intrigante. Mas era um sussurro confortante, hmm?

— Essa coisa de gente grande é muito complicado. Eu não entendo e isso me faz me sentir bem menor e fraco e...

— Impotente? — Interrompeu. — Não seja tolo, pequeno corvo. A sua inocência é o que me fortalece, então quem disse que você precisa lidar com isso? — Seus argumentos realmente iam muito além do que eu podia contrariar. Aquilo me fez sorrir, eu juro que fez! Uma boa gargalhada, aliás.

E então o silêncio.

— Eu senti sua falta... Ifrit. — No meio daquele oceano de escuridão, eu pude vê-lo. Seus olhos vermelhos como brasa e seu sorriso maledicente que sempre me fazia sentir uma baita dor de cabeça. E vou confessar? Até disso eu senti falta. E talvez seja justamente através disso que eu consiga trazê-lo até mim. Ei, afinal, nós somos um só não somos? Então eu acredito em você. E vamos sair daqui juntos de novo, eu prometo! Mas você precisa me ajudar, precisamos dar um jeito nesse tal de amarelo, hmm? Tirar a energia vital dele, você é melhor nisso do que eu afinal..

Obs Importante:
Então, o lance é o seguinte; as coisas apertaram e eu precisei recorrer ao Ifrit rs. Eu to considerando que consegui reestabelecer a conexão com ele através dos Ups nos sentidos - remanescente da poção - mais o efeito da Simbiose que funciona tipo um; quanto mais você acredita, mais fortalece o Demônio, como um vínculo entende? E como os dois são um só, acho que da pra trazer o Ifrit sim, usando Sean como "ponte".

O segundo ponto é que, trazendo o Ifrit, aí a coisa muda de figura. Quando transformado, vou upar um atributo dele em 100%, sendo este a energia pra pegar um S. Isso deve cortar os requisitos de tempo pra concentração da Manipulação, ainda mais ele estando transformado né? Aí entra o lance da habilidade dos possuídos que são capazes de danificar alguém sugando muita energia vital deles. Então no caso é uma adaptação da habilidade principal, a Manipulação invés de tirar 40% de um Atributo, poderia tirar vida também né? Ou se ficar muito op, substituir o debuff no atributo e colocar só em dano, quem sabe? Não sei, estou deixando ao seu critério pq não tive oportunidade de desenvolver a skill desde que o rpg fechou.

A intenção é; botar o Ifrit ali, usar a skill Manipulação no Rei Amarelo pra tirar o controle dele sobre os colegas (pq ele vai enfraquecer né?) e isso consequentemente me liberar do Ho e talz. Considerando que vou estar com rank S em energia e também o elemento surpresa da ação, eu to apostando alto hehe, mas fica ao seu critério como vai desenrolar isso aí ok?


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Seg Dez 19, 2016 3:02 pm

41. Não mais separados

— Cuidado, ghoul — disse o velho de amarelo, como um treinador observando os movimentos de seu aluno. — Um dos gumes pode cortar sua alma podre.

Se Bones escutou, não deu mostras: saltou pra cima do guardião, que girou a espada, um corte seco, que fez Bones cair de lado, meio ajoelhado, à um passo do alcance de um segundo golpe, que vinha contra seu peito. Bones ergueu as mãos num bloqueio e dessa vez ouve o ranger da lâmina se chocando com algo, com ossos. Bones voo pra trás, as mãos decepadas. Se ergueu rápido, sem fazer som. Mas parecia meio hesitante, de modo que o guardião tomou a iniciativa nessa rodada, com a espada em riste. A lâmina desceu brilhando contra o ombro de Bones e, novamente, não aconteceu som ou aparente choque. O ghoul caiu de joelhos, o guardião estava pronto para o golpe de minerva. Mas parou, pois Sollrac estava com as mãos naquilo que deveria ser guardado.

Quando o meio dragão tocou no Triangulli, guinchou como se recebesse uma carga elétrica, mas não soltou a peça — permaneceu firme, dentes trincados, olhos quase fechados. O ouro brilhou fortemente na sala, um brilho opressor, parecia um pedaço do sol, depois murchou em toda sua glória, reassumindo a luz aceitável de antes. Sollrac o tirou de cima do altar, com as duas mãos, veias saltadas nas mãos, braços, testa. A coisa pareceu que não viria, como se estivesse conectada à um ímã invisível. Aí se soltou de repente quase derrubando Sollrac para trás.

Na sequência a espada do guardião voo contra o rosto de Sollrac, que se abaixou, segurou o ouro com uma mão e devolveu, com a outra, o inferno na forma de bola de fogo, contra a barriga do homem. O guardião passou pela sala, voando de uma ponta a outra, impelido pela habilidade de Sollrac.

— Traga pra mim — disse o Rei. Não ficou claro se era para Ho ou Sollrac. Provavelmente para os dois.

E sobre Sean, ficou assim: as duas mãos de Ho se fecharam ao redor do corpo do menino, um pouco além de um aperto doloroso. A respiração quente de Ho raspou no rosto de Sean. Desconfortável como estava, com a sala brilhando e depois com chamas voando, ele fez o que pôde para se concentrar, para se comunicar.

Decepcionante. Ele recorrer a Ifrit daquele jeito... Você simplesmente não pede ajuda para alguém que te matou. Será que Sean se entregara à insanidade, assim, tão jovem? Talvez merecesse aquele demônio, afinal. Hm. Estavam unidos de novo. Isso se de fato estiveram separados alguma vez.

A sala ficou um pouco menor. Ifrit surgiu nas mãos de Ho, que teve de apertar mais a pegada, sem hesitar, sem mudar a face de ódio.

— Algo antigo e macabro — disse o Rei. Ele gemeu, como se sentisse a intromissão de Sean/Ifrit. Os lábios se repuxaram para trás mostrando os dentes numa fúria repentina: — Não mesmo filho do mal, não mesmo!

Bones tombou de repente, como se quisesse tirar um cochilo.

Ho amaciou o abraço, mas não exatamente por causa da transformação de Sean...

O Rei deu alguns passos para trás, uma aura tremeluzente se instalando sobre ele. Estava sobre o arco da porta.

O guardião estava se levantando, ignorando tudo, menos o ouro seguro por Sollrac.

Duf estava olhando o silício no chão, mordendo o lábio, como se tomando coragem para fazer alguma coisa em meio toda aquela confusão.

Ho caiu sobre um joelho diante de Sean/Ifrit, a face franzida. As mãos ainda estavam ao redor de Sean/Ifrit, mas o meio orc parecia mais se segurar nele do que segurar ele.

Se Sean/Ifrit tivesse que arriscar, diria que a influência do Rei sobre Ho e Bones estava consideravelmente menor naquele momento. Como se ele estivesse planejando alguma outra coisa com a energia que tinha dedicado aos dois.

Sollrac, que ainda segurava o ouro, parou a marcha e emitiu um som gorgolejante, como se fosse vomitar. Dobrou sobre si mesmo, uma mão apoiada no joelho, a outra apertando firme o Triangulli. Seus olhos lacrimejavam, olhando para o chão.

O guardião terminou de se erguer. Provavelmente já teria saltado contra o meio dragão, se ainda fosse rápido e decidido como antes. Ainda restava uma boa dose de vontade nele, verdade, mas não o bastante para uma reação rápida. O que, mesmo assim, não lhe impediria de atacar quem quer que tocasse o ouro.

— Mudança de planos, não traga ele pra mim — disse o Rei de Amarelo, para Soll ou Ho, ou os dois. — Não mesmo!

Sean/Ifrit estava se sentindo pronto para tentar a extração. Era o momento.

Spoiler:
Sean: a HE tá pronta pro uso. Aí se quiser, aproveita e posta outras ações que vc ache que dê tempo de fazer, pois meio que todo mundo vai fazer uma ação na próxima rodada. O barato vai ser loko.

Ho: vc já se sente capaz de fazer ações, desde que não seja muito complexas. Sente tontura, como se estivesse acordando aos poucos de um longo sono.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Ter Dez 20, 2016 5:27 pm

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Aaahh! O Submundo! Sabe, este é um dos poucos lugares que conheço onde a Energia Vital transita tão livre e evidente como você pode ver. Me surpreende o fato de que, mesmo com todo conhecimento que partilhamos, o pequeno corvo não entenda a verdadeira extensão dos poderes que lhe dei. É lamentável que a bondade o limite tanto. Apesar disso, eu preciso reconhecer que ter me trazido aqui mesmo depois de saber o que eu fiz, foi bastante corajoso. Eu mal posso conter o meu entusiasmo. Você consegue sentir não é? Nosso vínculo cresceu desde que você veio pra cá, comprovando o que eu disse; a energia tem lhe afetado de maneira diferente por aqui. E por falar em energia...o que é que temos aqui?

São meus amigos! Espera!

Espera...

O lugar em que você está agora eu conheço muito bem. Não é nenhuma surpresa afinal, já que nas muitas outras vezes que tomei conta do nosso corpo você foi parar aí. Só não era forte o suficiente pra permanecer consciente, então você ficava à deriva, o que parece ter mudado agora. Ao menos talvez agora você aprenda algo de fato. Já estou cansado de ter minha existência ameaçada pela sua imprudência. Abra bem os olhos garoto, está na hora de aprender como usar os meus poderes de verdade.

E-Está certo — Respondi em pensamento. E com um pouco de concentração, assim que abri os olhos, eu pude ver tudo através dos olhos dele.

O grandalhão avermelhado estava enfraquecendo só de estar na minha presença. Posso sentir a energia vital transitar nele, como o sangue correndo em suas veias. Eu diria que como um Vampiro anseia pelo sangue, eu anseio por essa energia. O meu desejo por extraí-la era grande mas outras presenças exigiam maior atenção. Os meus olhos queimavam em brasa acompanhando o ambiente até fazer um reconhecimento da situação. A julgar pelo que vejo, o meio-dragão estava sendo controlado pela criatura de amarelo. O guardião não representava ameaça afinal, uma vez que eu pude compreender uma extração de energia recém efetuada sobre ele, trabalho de Sean eu suponho. E o destino da energia extraída também se mostrou claro uma vez que o humanóide avermelhado ainda se encontrava catatônico ali num canto — efeito colateral do mau uso da habilidade. Por fim, compreendo que a peça chave para tudo isso era a criatura de amarelo.

— Você, Rei de Amarelo! — Anunciei, fazendo uso de um tom de voz multíssono — Eu vim para tomar a sua alma.. — Essas últimas palavras saltaram como um presságio. Presságio esse que certamente atingiria a espinha do grandalhão avermelhado, uma vez que sob contato direto comigo, minha energia acenderia em brasa. As chamas não necessariamente tangíveis, muito menos com o intuito de queimar, não. Essas chamas eram coisa que nem mesmo Sean seria capaz de manipular. Chamas essas que eu utilizo para drenar a energia vital de um alvo, no caso o Orc. Eu precisava enfraquecê-lo se quisesse ter liberdade suficiente em minha transformação, afinal Sean estava fraco, gastou muita energia desde que chegou aqui. Com essa primeira refeição, certamente eu seria capaz de seguir adiante. Livrar-me do abraço apertado da criatura avermelhada era o primeiro passo, se preciso forçando-o a me liberar com minhas próprias mãos.

E uma vez livre, levitando por força das minhas próprias habilidades, agora era o momento. Finalmente livre, talvez como nunca antes, eu só precisava manipular as correntes do meu corpo alvejando alvo por alvo daqueles que estivessem presentes, independente do que Sean considera como aliados ou oponentes; o intuito disso era quanto mais, melhor. As correntes exerciam a função de restrição, sendo uma parte de mim, através delas eu também sou capaz de drenar a energia vital das criaturas e portanto enfraquecê-las. Enquanto que, com a energia já acumulada, bastava criar um círculo de invocação no perímetro, ganhando uma ponta extra no desenho para cada criatura com energia a ser sugada. O círculo seria desenhado com energia vital pura, portanto não tangível, indolor e inodoro.



(Imagem do Círculo)


Mae cylch o fflamau ateb yr alwad eu Gwysiwr, llosgi holl drethi — as chamas do círculo atendem ao chamado de seu invocador, incendiando todos os tributos ac yn cymryd llawer eu heneidiau. — e consumindo a suas almas.


Obs escreveu:Tudo isso é fruto da habilidade primária do Sean. Como o Ifrit agora está fortalecido pelo vínculo da habilidade retribuição, e sendo ele um demônio, eu resolvi envolver um lance de ritual e tal, junto da habilidade passiva dos possuídos de serem capazes de drenar energia. Então é meio que um círculo de invocação pra consumir a alma dos envolvidos. E as correntes são do corpo do Ifrit mesmo, faz parte dele.


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Seg Dez 26, 2016 11:10 pm

42. Não mais incompleto

Velha Carcosa, cidade condenada ao próprio abandono. Que suas maldições perdurem para sempre, que ela nunca se erga. Vida? Nenhuma há de abrigar. Glória? Nem em pintura. Uma grande zombaria, o que sobrou, o que se tornou. Para que todos vejam e saibam. Que o silêncio dela seja a grande mensagem de que não se pode desafiar ordens superiores.

Um longo silêncio.

Brevemente interrompido naquele dia tumultuoso.

O Rei sibilou:

— Sss — suas mãos estavam próximas, como se segurando algo invisível. Ele deu mais meio passo para trás. — Se mete em assuntos proibidos, criatura! Minha alma já foi vendida há centenas de ciclos!

Segundo Russelo, um ciclo é igual a 23 anos. Lembrar disso lembra que eles tinham 552 horas... como será que está essa conta agora?

Mas vamos a questões mais urgentes.

Superar Ho não foi difícil. Na verdade o meio orc parecia distraído consigo mesmo. Ele piscou, por um momento como se estivesse acordando lentamente num lugar onde não se lembrava de ter deitado pra dormir.

Bones se sentou, estático.

Apenas Sollrac parecia ativo, tossindo, ainda curvado. Uma das tosses soltou um líquido preto no chão da sala. Não parecia ser o café da manhã.

A sala tremeu. Como se sentisse algo, como se suas estruturas físicas e míticas, isto é, aquela película delimitadora, estivessem a um só reagindo.

A energia deixou Ho.

O círculo apareceu no chão e a sala reagiu novamente, tremendo, talvez reconhecendo só agora a presença de algo intolerável ali embaixo. Ifrit, claro.

Agora era possível ver o ar tremeluzindo nas mãos do Rei. Esse ar parecia fazer alguns caminhos pela sala, como tentáculos translúcidos. Dois deles saiam de Ho e de Bones e iam para o Rei. Das mãos do Rei saia o terceiro tentáculo, direto para Sollrac.

Correntes pegaram Ho e Bones. Correntes cataram Duf, que gritou e tentou correr, sem sucesso. O guardião fincou a espada no chão a frente do corpo, um dos gumes brilhou e a corrente que era para ele se desintegrou no ar, centímetros antes de alcançá-lo. As correntes que pegaram Sollrac rangeram em resposta, como se encostadas com algo fervendo. Fecharam-se nos tornozelos do Rei, que pareceu não se importar. Ele suava. Ifrit rogou suas palavras ruins.

A sala iniciou um tremor que ameaçaria o deslocamento da retina de qualquer observador.  

Ifrit sentiu um frio interno. Aquela manobra estava exigindo muito do seu corpo, do corpo de Sean. Era um nível diferente, arriscado. Começou a extração. Ho, Bones e Duf cederam facilmente. O alvo principal, o Rei, estava lutando contra.

— Sss — fez ele, os dentes amostra. — Não!

O guardião ainda estava protegido atrás do gume mítico da espada. Ele desprendeu a arma da fenda no chão e deu outro golpe no solo, na pedra, no entanto sua espada brilhou, acertando mais do que o físico, e o círculo de Ifrit ficou rasgado numa ponta, ali, onde o guardião tinha atingido. A pele dele parecia ter adquirido uma cor cinzenta, e seu rosto era inexpressível, frio. Ele levantou a espada e a fincou novamente. O rasgo cresceu até o meio do círculo.

Ifrit sentiu nos braços e na nuca as vibrações mágicas dos golpes. Sua habilidade estava sendo contra-atacada de forma eficaz.

Meio globo de extração estava deixando o Rei, que agora só tinha olhos para Sollrac. Ele abriu as mãos velhas e ossudas com tudo, como se dispensasse algo, como se soltasse algo de uma vez por todas.

Para Bones e Duf, a extração fora completada. Os dois estavam deitados agora.

A extração não deu certo com Sollrac, pois, seja lá o que o Rei havia feito, o meio dragão ganhou presença na sala. O tipo de presença resistente demais. E quente. As correntes, por exemplo, cederam, queimadas. Ele agora estava caído de joelhos, a testa no chão. Ainda segurava o ouro, ao passo que a outra mão começou a dar socos no chão a medida que ele grunhia.

Gritou quando as asas brotaram de suas costas.

A armação cresceu rápida e implacável, derrubando paredes a direita e a esquerda, mais de trinta metros cada. O lugar, que já tremia, ameaçou desabar. O grito de Sollrac Senun foi ficando gutural a medida que seu cabelo caia e chifres brotavam. Lágrimas pingavam de sua cara e quando tocavam o chão, soltavam um chiado quente, deixando marcas no piso. Sua pele escureceu e reluziu o brilho do ouro em triângulos pequenos — escamas exóticas. As garras bateram no chão, abriram lascas. O corpo inchou, inchou demais. Uma das três caudas derrubou outra parede, atrás. Ele ergueu a cabeçorra para o túnel acima da sala, onde deveria haver um teto, e fez fogo subir de sua garganta. O ar queimou. Daí ele levantou voo túnel acima, as asas tombando com o túnel, fazendo tudo tremer mais um pouco...

Levou o ouro e a sala ficou na escuridão.

— Manifesto! — gritou o Rei, arfando em meio os sons das pedras.

A extração dera certo pelo meio — fora interrompida pelo contra ataque do guardião. Então apenas meio globo enérgico flutuava à frente dele, dando uma penumbra fraca à sala. As energias de Bones e Duf também iluminavam parcamente a cena.  

O guardião se abaixou, como se estivesse concentrado. Mesmo em meio as pedras desabando.

Pedras. Sim, começaram descolar de suas estruturas, como se algo além de cimento as mantivessem no lugar, algo agora rompido. O lugar estava acabando.

Spoiler:
Sean: cara, foi uma ação complexa por demais, hm. Não se acostume a fazer essas coisas, rs. Zerou sua energia.

Você tem mais alguma ação, antes do desabamento ou algum efeito colateral apagar você (ou não apagar, quem sabe).
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Ter Dez 27, 2016 3:44 pm

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Espera! O Duf é meu amigo! — Aleguei assim que senti as correntes envolvendo o corpo de Duffreine. E apesar de saber que aquelas correntes eram de Ifrit, eu tinha total conhecimento e sensibilidade a tudo que elas tocavam ou reagiam. Foi uma sensação quase tão estranha quanto a do embrulho que comecei a sentir no estômago para a medida que Ifrit rogava suas palavras antigas. Engraçado não?

Só não foi tão engraçado saber que ele ignorou meu alerta. Em seus pensamentos eu entendi que ele estava se concentrando, recorrendo a algo muito antigo que nem mesmo eu consegui compreender direito. Tinha alguma relação com aquela prece que ele estava fazendo, sim, pelo menos isso eu entendi — era uma prece. Mas o que eu podia fazer? Interrompê-lo naquele instante poderia acabar com nossa única chance de deter o tal Amarelinho sem dente.

Ifrit continuou, consciência mergulhada num tempo distante quase que viajando além desse mundo. Algumas vezes eu tinha vislumbres como se estivesse sonhando, viajando com ele. Mas na maior parte do tempo era eu quem estava consciente por nós dois e, acima de tudo, era eu quem estava sentindo as consequências daquele esforço todo. Quero dizer, desde que Ho cedeu sua energia e a partir dela, Ifrit invocou aquele círculo. Eu senti, senti um tremor dentro de mim como se eu estivesse desfalecendo para a medida que o círculo ficava mais forte. Mas não parou por aí, o Guardião também atacou em função de nos deter, eu senti tudo. Senti quando a sua espada mágica brilhou e quando seus cortes mesmo físicos causavam tremores em meus braços e na minha nuca. Um presságio? Aquilo não era bom sinal. Senti o círculo enfraquecer, senti meu corpo tremer junto dos inconstantes tremores na sala. E daí tudo ficou meio turvo.

— Bydd y fflamau eich llosgi — pelas chamas vocês vão queimar, vão queimar, vão queimar — llosgi i lludw — queimar até as cinzas.

E repetiu. Uma, duas, várias vezes. Aquilo precisava ser entoado para fortalecer o vínculo com aquela coisa antiga que o círculo parecia querer invocar. Mas Ifrit estava fraco, eu senti. Senti quando o círculo rasgou facilmente diante dos ataques do Guardião. Senti quando Solrac mudou completamente e transformou-se diante dos nossos olhos. Mas também senti o recuo do Rei Amarelo diante da nossa investida, e senti também as energias de meus companheiros sendo extraídas sem grande esforço. E eu podia reconhecê-los, como se no lugar das pequenas esferas de fogo eu pudesse visualizar o rosto de cada um deles. Duf ainda assustado e medroso, Bones curioso com o ocorrido e Ho, bem, ele certamente estaria revoltado por mais uma vez estar sendo controlado por algo ou alguém. Não é a primeira vez, não é?

Nosso corpo não vai aguentar, Ifrit. Eu preciso fazer alguma coisa. — aleguei, mas novamente ele não me deu ouvidos.

Então decidi aproveitar do tremor para fazer uma coisa. Se eu estava sentindo tudo então eu também podia me movimentar, não? Ergui o braço como que tentado a controlar o braço de Ifrit, e eu senti que este responderia, então não havia motivos para hesitar. Estava na hora de re-alocar as energias. A mesma energia retirada de Dufreine, seria redirecionada ao Guardião, em busca de devolver a sua força de vontade e força. Ele não é o Guardião afinal? Seu ouro acabou de ser roubado, meu amigo!

Já a energia do círculo, provinda de Ho, e a energia de Bones, seriam absorvidas diretamente pra mim. Considerando o Ifrit em meu lugar agora, talvez eu fosse capaz de fortalecê-lo e garantir que nosso corpo aguente mais um pouco com essa energia extra. Deixando, por fim, somente a energia do Rei de Amarelo nas mãos de Ifrit. E por falar nele...

— Heb esgyrn a soulless — bradou, consoante ao meu movimento de realocar as energias nos colegas de grupo.

Nossos olhos brilharam em chamas ardentes enquanto as correntes que antes seguravam o Rei de Amarelo pela perna, agora puxariam-no abruptamente em nossa direção. A energia antes flutuando à sua frente também seria trazida junto como que por atração. E eu logo entendi que a intenção desse movimento só podia ser empalar o Rei de Amarelo com os grandes chifres de Ifrit. Consolidar o efeito do círculo, depois de tantas intromissões, só seria possível agora com um dos alvos, sendo este o próprio Rei. Uma vez a energia do círculo completa dentro do próprio Ifrit, o seu chifre empalando o rei serviria para quebrar o seu espírito, consumindo-o nas chamas.

Spoiler:
Pra não ficar muito confuso o Sean se encarregou de distribuir as energias extraídas, enquanto o Ifrit se encarregou de finalizar o ritual lá tentando quebrar o rei de amarelo.

A energia do Duf voltou pro Guardião (Força/Força de Vontade)
A energia do Ho e do círculo foi pro Ifrit (Vigor/Resiliência do Círculo)
A energia do Bones também foi pro Ifrit (Energia/Ambição)
A energia do Rei vai ser consumida pra consolidar o ritual, tentando "queimar" o espírito dele depois da empalada.

PS: Prometo que é a última ação complexa que eu realizo nessa campanha Serpico. É fruto do desespero pq né, uma hora vou apagar rs

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Ter Jan 10, 2017 11:55 pm

43. Engolido

Onde estava, era gosmento e quente e elástico. Sentia um cheiro e talvez acordou por causa dele. Um cheiro ácido. Acordou? Bom, não exatamente. Estava mais para aquele estado de preguiça, aquele momento em que a pessoa não está acordada e nem dormindo. Esse era Sean agora, um meio termo. Por quanto tempo estave no silêncio?

Alguns vultos em sua mente mostravam as pedras caindo, mostravam uma energia se recusando a entrar em si mesmo, em Ifrit; mostravam as pedras explodindo antes de tocar o guardião, que recebera de volta sua porção roubada de essência; mostravam o enterro de Ho e Bones e Duf; mostravam o Rei rendido e empalado, rogando alguma praga última para Ifrit, o sangue dele grosso, até mesmo um pouco granulado como areia, caindo sobre o rosto de Sean. E depois o som do mundo quebrando e aí o tal silêncio.

O que Ifrit realmente queria invocar ali? Se conseguiu, Sean não teve olhos para ver o que foi.

Agora os sons voltavam. Um glub-glub constante, como se o menino estivesse debaixo d’água, ou perto. Era gosmento, quente e elástico. Tentou se mover e não conseguiu. Tinha a vaga impressão que estava despedaçado, como um boneco. Podia sentir sua mão longe demais de onde normalmente ela estaria; assim como a perna, que parecia não estar no lugar correto. Mas aos poucos... sim, além da volta dos sons, ele quase podia sentir que o seu corpo estava sendo remontado. Ou ao menos a sua percepção de corpo.

Aquilo poderia deixar qualquer um louco.

Na Antessala, Russelo falou da possibilidade de insanidade. Se não agora, quando voltasse. Voltasse a viver. Como? Recolhendo o Triangulli. Sim, agora já lembrava melhor das coisas. Sua mente também estava entrando nos eixos, afinal. Os vultos voltaram noutro giro de memória, o círculo, as energias, Ifrit, sangue arenoso, Sollrac dragão completo.

Sentiu uma lufada, um bafo, um gás. O cheiro de ácido estava ali, por perto, e talvez fosse ele, o ácido, a fazer glub-glub. Mas então as paredes daquele lugar gosmento, quente e elástico se contraíram contra Sean, um aperto repentino. O ácido subiu de lugar nenhum, lhe envolveu. Apertado, sentia que era impulsionado, conduzido numa direção.

Na direção da luz.

Mas antes de sair completamente de lá, passou pela língua bifurcada, passou pelas presas, e então tombou no chão, ensopado, o ácido gástrico pingado dele e pingando da boca da enorme cobra branca.

E aí ela disse:

— Fique aqui. Fique quieto. — E tinha a voz do Vax.

Era estranho, respirar outra vez. Por exemplo, agora, fora de onde esteve, respirar parecia a coisa mais incrível e essencial a se fazer. Ele poderia passar a vida inteira só ali, parado, respirando.

Os luminares no céu do submundo já estavam deitando. Logo seria noite. Aquilo de algum modo pareceu bom. Noite lembra dormir — e para Sean dormir, dessa vez respirando, parecia uma ideia interessante.

A cobra se moveu, Sean não viu para onde. Mas se fizesse algum esforço para mover a cabeça para o lado, veria que não estava só na terra quente. Aurélio também estava lá, desmaiado, com vermelhidão na pele, as roupas úmidas de ácido.

Então Sean sentiu que tinha mais alguém ali por perto, chegando, vindo para ele. Essa pessoa, quando apareceu no campo de visão dele, disse:

— Seu fraco.

Era a jovem bruxa.

Sean descobriu, só agora, ser incapaz de mover qualquer coisa que não fosse a cabeça. E os olhos. Até a boca parecia embargada, a língua como que três vezes o tamanho original, obstruindo tudo lá dentro. Estava ficando sonolento.

— Está com a porra do silício?    

Um dos lados da cabeça dela sangrava, pingos gordos saltando do queixo para o chão. Ela se agachou, pegou no queixo de Sean com uma mão suja, num aperto que fez a boca do menino abrir um pouco, e intimidou:

— É melhor que você tenha engolido a coisa. Caso contrário...
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Qua Jan 11, 2017 5:14 pm

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Sabe, uma das coisas que me deixa inseguro em conhecer gente nova é justamente isso; a amnésia. Com o tempo eu aprendi que o convívio com Ifrit me causava alguns apagões na memória e, independente do meu esforço para reavê-los, era simplesmente impossível. Então eu fico pensando como é que vou explicar isso pra alguém, já pensou? Eu conheço alguém hoje e daqui a uma semana ou mais eu esqueço? Mas é melhor não focar nisso. Quero dizer, haviam outros pensamentos que tomaram a minha atenção no momento.

A começar pela sensação de inconsciência meio consciente. Isso existe? Eu deveria ter perguntado pra mocinha bonita da floresta, ela com certeza saberia me responder! Mas, na minha perspectiva, o que chega mais perto de explicar é a sensação de acordar de um sonho dentro de outro. No caso, eu ainda estava no sonho. Deu pra entender?

Estimular minha cabeça à pensar no que aconteceu me trouxe confusão. Tudo estava meio desconecto, incluindo sentidos — que cheiro é esse? As palavras de Russelo vieram na minha cabeça, uma voz curiosa. Depois lembrei das palavras de Ifrit. Lembrei também das palavras do Rei de Amarelo, e só aí é que as coisas começaram a tomar alguma forma — imagens, porém sem muita conexão. Parece que elas vinham como se fossem os últimos pensamentos que tive antes de apagar, como algo que eu estava pra fazer mas acabei esquecendo. Bom, deu pra ver que não esqueci por completo. Mas será que consegui fazer alguma delas? Não consegui lembrar. Daí veio a sensação de ânsia, mesmo que eu não sentisse muito bem o meu corpo como normal. CADÊ MINHA MÃO?

AAAA.

Eu queria gritar. — Queria. Mas não consigo. Por que?

Depois veio a luz. Veio o escorregão, veio eu. É bom respirar de novo. Aliás, é bom sentir outro cheiro que não aqueles gás. Bom também ouvir alguma coisa. Era o senhor Vax? Pensei em coçar os olhos pra conferir a visão mas minhas mãos não respondiam. Que preguiça. Mas eu estou vivo, afinal. E tenho a sensação de que isso deveria ser comemorado, só não sei o porquê.

Mas espera, espera! Eu não estava falando sobre o medo de conhecer alguém e acabar esquecendo por conta desses apagões? Bom, ao menos eu posso dizer que ela eu não esqueci. A dona bruxa. Assim que ela se aproximou eu pude sentir uma presença conhecida, hmm? Não precisei, na verdade, fazer algum esforço para vê-la. Ela veio até mim. Sua mão direita parecia me segurar pelo queixo mas, por mais que eu tentasse entender aquilo, eu não conseguia sentir. Acho que estou sonhando no fim das contas. Mas se realmente me fosse possível, eu não poderia deixar de sorrir diante daquele contato tão... próximo.

— E-..esses olhos... — era o que eu queria dizer.

Talvez ela, somente ela, pudesse entender. Como se sente agora, desejando tanto por uma resposta que não pode ter? E bem, não era preciso ser um gênio pra saber que nas minhas condições eu nem sequer pensei em reaver o silício das mãos de Duffreine. Mas eu estava sem forças e aliás sem vontade de explicar. Talvez se eu lembrasse de mais alguma coisa, conseguiria dizer quando foi a última vez que o vi, mas até então tudo estava muito confuso. É cedo pra dizer.




OFF - parafraseei o que ela disse quando morreu. Só pra me vingar dessa vagaba que me deixou morto de curiosidade na época!

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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Ter Jan 17, 2017 8:53 pm

44. Amiga em comum

Mesmo o mais otimista não apostaria em um silício ileso depois de todas aquelas rochas caindo. Foi um tempo em que tudo que Sean respirava era o pó das estruturas, não havia ar de tanta demolição, nã tinha como nada sobreviver àquilo. Por falar em estrutura, assim que abriu a boca para falar com aquela moça, sentiu uma imensa vontade de vomitar e isso, por um instante, roubou sua sonolência.

Ela largou o queixo de Sean, que virou a cabeça e cuspiu saliva quente e pegajosa no chão. Logo descobriu que o cuspe não era só cuspe. Depois de alguns segundos, o vômito terminou. Sean ficou com um gosto ruim na boca.

— Sean? — perguntou a voz fraca do Aurélio, ali ao lado.

Quase que ao mesmo tempo, ele começou a tossir, virou a cabeça e vomitou exatamente como Sean. A mesma coisa pegajosa e translucida.  

— Aquela cobra tem algum talento — disse a moça, assistindo a cena. Voltou seu foco para o filho de Lyra. — Mas é realmente uma pena que você não tenha engolido o silício junto com toda essa substância. Nossa amiga em comum realmente precisava daquilo. Pensei que você era especial, por causa desses... olhos. Ela também pensou isso. Burra.

Sean estava deitado na terra. Ao redor de si, não tinha a percepção de nada, apenas a mesma paisagem, o campo rochoso de sempre em todas as direções. Mas quando olhava para a bruxa via, além dela, no horizonte, o que deveria ser fumaça. Mas estava realmente longe para captar de onde subia toda aquela cortina.

— Agora, nesse momento, eu deveria aproveitar e fazer você pagar. Não por isso, do silício. Mas por aquilo. Fui morta por me distrair com você. E agora eu poderia... — Ela se curvou de novo e pegou o queixo de Sean. — Que droga. Por ela, menino, é por ela. Hoje. Não prometo misericórdia caso nossos caminhos se cruzem novamente.  

Ela soltou o queixo outra vez, se empertigou e pareceu pronta para ir embora. Deu um passo para longe de Sean.

Sean já se sentia capaz de se mover. Mas ainda lutava com sua consciência, que teimava em lhe dizer para dormir ao invés de ficar acordado e de papo com aquela estranha.

Spoiler:
Considere que vc está zerado tanto de vida quanto de energia. O sono provavelmente é o efeito colateral da poção.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Qui Jan 19, 2017 9:24 pm

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Eu preciso dizer; essa situação não era de fato algo inesperado. Quero dizer, não havia motivos para me desesperar afinal, no convívio com Ifrit — ainda vivo, isso acontecia direto. Náuseas, dores de cabeça, entre outros sintomas. A diferença é que agora eu sabia que boa parte dessa exaustão em excesso era fruto daquela poção que o amigo Duff me ofereceu. Como eu sei disso? Meu estômago mandou avisar tempos atrás, ainda na conversa com o sr.Guardião. Eu definitivamente não sei como consegui segurar aquela dor de barriga que quase me fez me borrar lá mesmo.

— N-..gnhhh... —  as palavras embrulharam-se junto da minha língua, dando espaço para o tal líquido esquisito sair. E pasmem; aquilo não era saliva. Aliás, nem eu sei o que é, mas prefiro não saber.

Ainda perdido em meus sentidos, num misto de sensações entre fraqueza e inconsciência, uma voz conhecida me confortou. Aurélio estava por ali, talvez do meu lado direito ou esquerdo, não sei dizer. Meus olhos pesavam, pareciam me enganar entre um mundo de visões e sonhos, e a realidade. Será que estou doente? Maluco talvez?

Ao menos Aurélio estava lá. Isso significa que estou entre os bons. Não entendi o que a Dona Bruxa estava fazendo ali, mas pelo rumo da conversa, suas palavras denunciaram alguma ligação com minha mãe. Afinal, foi a pedido dela que fui na busca do silício não é? Só se ela conhecesse a Lyra pra saber dessa busca. Ou podia ser aquela senhora presa na bola de vidro, não sei. Quem é que pode dizer? Pensei em perguntar para Aurélio, mas ele talvez estivesse tão fraco quanto eu. Tão perdido quanto também. Optei por respirar, ainda que o ar parecia muito semelhante àquele que respirei quando Cyrus afogou o mundo em chamas. A diferença é que não tinha cheiro de churrasco, não dessa vez...

— Ei..Obrigado... — já que minha fraqueza embargava minhas palavras, decidi investir num dialogo mental. Por um instante esqueceria dos eventos externos, almejando elevar os meus pensamentos até ele. — Da próxima vez eu garanto que não vamos fraquejar tá? — e em resposta; o silêncio. Silêncio este que ninguém mais poderia interpretar senão eu. Silêncio este que, muitas vezes, representava o conforto de uma presença, a sua presença.

E esse conforto me dava forças.

Abri os olhos.

— -O...O o-ouro... Sollrac!? — tentei cuspir as palavras, forçando-as a sair. Quebrar o embargo. Seja lá quanto mais daquele líquido eu precisasse cuspir, mas eu precisava falar. Precisava entender o que aconteceu. As palavras e a dúvida vieram num impulso, e só depois é que vieram imagens que relacionavam o perguntado ao ocorrido. Lembrei do dragão, e do ouro levado. Por quê lembrei? Porque falavam do silício. Talvez o único capaz de tirar a mamãe daqui. Mas segundo os juízes, com os pedaços do ouro eu poderia sair, e quem sabe levá-la também. Não dá no mesmo então?

Se pudesse, colocaria esse raciocínio em palavras, mesmo que emboladas. Precisava tentar expor o meu ponto de vista, mas o sono, naquele momento, era o último dos meus mais resistentes adversários. Será que consigo vencê-lo?


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Dom Jan 22, 2017 9:14 pm

45. Eu de novo

Não tinha como lutar e a moça bruxa parecia pouco interessada em manter Sean desperto, de modo que ele começou a escorregar para o sono. Antes, teve a vaga impressão de que a bruxa tinha se ido e que uma cobra enorme surgira ali perto logo depois. Essa cobra inchada e branca abriu a boca de um jeito articulado que parecia doloroso pra diabo. Começou a pingar ácido de lá, seguido de Bones e depois de Ho. Ambos tombaram inconscientes no solo e aí sim, Sean se foi.

Ressurgiu no sonho. O cenário era o mesmo: sala pequena e escura e quadrada, com grades de barras grossas e diagonais no lugar de uma das paredes. Parecia uma cadeia. Do outro lado das grades fechadas havia um corredor, no outro extremo tinha uma porta de madeira fechada, ao lado da porta um único archote ardia e iluminava um pouco o ambiente, lançando a sombra do homem no corredor até a ponta das grandes onde Sean estava.

— oi.

Há que se manter o bom humor, então:

— como se sente ao saber que foi engolido e vomitado por uma cobra? experiência única, jovem!  

Mas vamos ao que interessa. O fato é que Sean conseguiu, sim, colocar em palavras, ainda que essas palavras tenham se perdido metade no mundo dos acordados e a outra proferida aqui, antes que despertasse. Uma meia mensagem do seu pensamento alto ultimo sobre a mãe. Mas peguei a ideia.

O homem simpático lá pelo meio do corredor, contra a luz do archote delineando sua silhueta e dando apenas alguns poucos traços para Sean interpretar (os mesmos cabelos compridos, as mãos nos bolsos da calça larga, sem camisa, algum desenho esquisito em seu peito, um desenho circular que só seria possível ver melhor se houvesse luz do lado de cá do corredor também, ou se o sujeito se virasse um pouco, enfim), disse:

— talvez tenha um jeito. de você voltar a vida junto com sua mãe, digo. mas você teria que pagar.

Sean estava pleno em suas capacidades. Podia falar, se mover. Mas tinha a noção de estar em um sonho. Um sonho lúcido.

Spoiler:
Sean: no meu próximo post mando umas XP pelos últimos acontecimentos, hm.  
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Seg Jan 23, 2017 12:44 pm

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E dormir nunca pareceu tão reconfortante e essencial como agora. Talvez um complemento à sensação desesperadamente necessária de respirar novamente como fiz há pouco. Ou teria se passado mais do que "um pouco de tempo"? Eu não sei. Tudo parecia tão confuso, palavras e lembranças escorriam em minha mente como vidas distantes ou pequenos sonhos sem sentido. Palavras de Russelo, Ciclos, explicações de Aurelio, a voz de meu pai.

Então acordei. Será?

Estava aliviado, disso ao menos eu tenho certeza. Dormir foi tão revigorante que só de aparecer ali eu poderia comemorar. As minhas palavras até saíram, ignorando o embargo anterior. Então eu pisquei, olhei ao redor, respirei fundo. Percebi que eu podia falar, podia me mover, eu era eu novamente. Nós — eu quero dizer. Daí então reconheci as grades, o lampião antes quebrado que me lembrava o corredor ante a sala de Duf. E o homem. Os mesmos cabelos longos e um jeito aparentemente simpático e descontraído que me trazia a sensação de conforto.

— E se tu vens, por exemplo, às quatro, desde às três eu começarei a ser feliz... — parafraseei as palavras de Baien. Pai, para os íntimos. E um sorriso bobo ganhou meu rosto, como que dando-lhe de presente para aquele homem — Olha, depois de ser chamuscado por um dragãozão e sair vivo? Ser engolido por uma cobra pode ser mais tranquilo do que parece, hahaha. — engatei em resposta.

Depois o silêncio. Aproveitei o momento. Seja lá onde eu estava, podia aproveitar um pouco mais do poder das memórias. Aquela capa que eu vestia e que tanto sentia falta. Meus dedos tamborilavam pelas bordas da vestimenta, ajustando-a para melhor aconchego. O mesmo sorriso bobo no rosto. As mesmas palavras de uma vida distante. Mas elas não eram as únicas ecoando naquele lugar; soaram consoante as palavras do homem da consciência coletiva — era assim que ele se apresentou né? E ele pegou minha ideia, pareceu compreender que mesmo depois de tudo, eu ainda queria dar uma segunda chance para minha mãe. Mas como esperado, a palavra pagar ou preço parecia estar sempre vinculada a qualquer tipo de pedido de ajuda que eu buscava com alguém. E eu não estou me queixando ou coisa do tipo, só que... eu não sei.

— Por que as coisas sempre fazem parecer que eu sou um devedor pra sempre? Como se eu realmente tivesse escolhido ter essa história.. — curioso; as palavras saíram com uma sensação esquisita de alívio. Um desabafo, é isso? Mas eu acho que já aprendi a lição. Aquele moço provavelmente também deveria ter suas próprias certezas, igual o sr.Guardião. Então não ia adiantar enrolar.

— O que eu tenho que pagar pra trazê-la comigo? — Indaguei, inocente.


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Seg Jan 30, 2017 9:20 pm

46. Sacrifícios

Me antecipei a garantir que:

— não é pra mim, não. — Pôs a mão no peito. — só estou falando que é normal ter de pagar para sair daqui, do submundo. não fique tão frustrado assim, você é jovem. ainda pode reiniciar sua história umas três vezes.  

Depois um pigarro e o retorno ao assunto:

— o pagamento. bom, já escutou a história do cavaleiro negro? que péssima pergunta, é claro que já. deve ter escutado umas mil histórias do cavaleiro negro, não é? talvez já ouviu falar de uns 108 cavaleiros negros diferentes. é, parece algo bem comum, admito. mas estou falando do primeiro cavaleiro negro. o primeiro homem sombrio à usar uma armadura completamente negra, um homem que por onde ia, deixava mortos. esse homem escapou daqui. quer dizer, ele negociou a saída com quatro demônios poderosos. ele queria vingança com o homem que o tinha confinado aqui, e os demônios se aproveitaram disso falando que ele sairia daqui, mas enquanto não concluísse sua vingança, teria de oferecer um sacrifício em sangue de tempos em tempos, lá, do mundo dos vivos. se não fizesse os sacrifícios, demônios menores, mas em grande quantidade, iriam até ele reclamar o sangue devido, no caso, matando ele. é. bom, esse homem não era de matar as pessoas sem que merecessem, ao menos não no início, então ele teve um problema moral em executar esses sacrifícios. não demorou para demônios surgirem para pegá-lo, já que não cumpria com o acordo. aí ele matava os demônios todos. os demônios continuavam indo, de tempos em tempos, sedentos, e morriam, sempre. o cara sabia matar uma horda de inimigos, isso sim. ele usava uma espada enorme pra fazer o serviço. então os demônios começaram a possuir pessoas próximas a ele, pra ver se assim conseguiam. tentavam pegar ele dormindo, comendo, cagando. e ele matava a todos mesmo assim. é claro que não conseguia explicar para as autoridades que as pessoas não eram mais elas mesmas quando as decepou, que eram demônios... acabou se tornando um sujeito procurado, com recompensa oferecida pelo rei da época para trazer o assassino à justiça. certo dia ele conseguiu sua vingança, finalmente achando o cara. os demônios foram embora e ele passou a ter de enfrentar os homens que o caçavam de tempos em tempos, em busca de recompensas. nessa altura, ele já estava paranoico demais e não tinha escrúpulos, matava qualquer um que achasse uma ameaça. conseguiu uma armadura negra e uma espada maior que a anterior e todos se afastavam quando via ele ao longe. aqui, os quatro demônios riram do resultado: eles tinham forjado uma criatura louca e matadora em um homem que queria apenas vingança. a vida dele foi regrada pelo sangue, desde que saiu daqui... esse é um exemplo, um exemplo comum, devo dizer. sacrifícios, o pagamento mais comumente exigido. se prepare para ouvir esse tipo de proposta, Sean.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Qua Fev 01, 2017 3:05 pm

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— Ah... — rendi um suspiro como que aliviado — Então ta certo! — terminei relaxando os ombros e voltando o meu olhar para o tal homem do outro lado da sala escura. E sabe, no começo eu até estava curioso para ver o seu rosto, mas não sei, depois de me ver aqui novamente é como se não fosse assim tão necessário. Ou talvez eu só esteja mais focado em outras coisas como por exemplo...

Uma história!

— Não! Eu nunca ouvi essa. — e apesar de hesitar um pouco àquele entusiasmo de sempre, acabei me rendendo — Mas eu adoro histórias! Me conta! — quem é que resiste a uma história? Sentei-me de pernas cruzadas, mãos apoiadas na ponta do sapato e uma cara de quem acabou de ganhar um presente. Ouvidos atentos, imaginação à flor da pele. Por um instante até me perguntei por que eu estava tão tenso anteriormente?

Bom, o fato é que a história falava de sacrifícios. Engraçado que é bem o tipo de história que o Ifrit gosta, e eu me pergunto se essa satisfação toda em ouvi-la foi fruto desse gosto pessoal ou só porque eu gosto de histórias mesmo. Bem, isso não vem ao caso eu acho. Confesso que me perdi em algum momento, ponderando em como eu chamaria aquele homem no decorrer da nossa conversa. Afinal, como se conversa com alguém que você não sabe o nome mas que também provavelmente não tem um? Isso é muito difícil. Precisei interromper.

— Vou chamar você de Rocco. Posso? — e veja bem, não tinha nenhum motivo especial para o nome. Foi só o nome que eu achei que combinava com ele. E independente de resposta, ficaria em silêncio ouvindo o restante da história.

Oras, não sou tão mal educado assim. Sei como me comportar quando os outros estão contando histórias tá?

— Aaahhh...no final ele se deu mal do mesmo jeito! — comentei surpreso, engatando no fim da história. Mas o que eu realmente entendi por tudo isso fez um paralelo com o que aprendi com o Sr.Guardião, ou quero dizer; o que acho que aprendi. O cavaleiro fez sua escolha, e não foi a escolha de voltar a vida, mas sim voltar a vida pra se vingar. Como disse o guardião, as consequências disso são nossas responsabilidades né? Fiquei pensando sobre isso antes de voltar a falar;

— Eu só preciso saber de uma coisa, Rocco — chamá-lo assim me fez me sentir mais confortável — Eu vou ter oportunidade de escolher? Mesmo depois da proposta feita? — meus olhos fitaram-no com certa hesitação. Por traz dessa preocupação existia um medo, sim, um medo. Quem sabe o quê ou quem eu serei proposto a sacrificar pela salvação da minha mamãe e a minha?


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Qua Fev 08, 2017 9:04 pm

47. Vazio aberto

— rocco? — Na penumbra, ele pareceu sorrir sem mostrar os dentes, deu de ombros. — pode ser. é, pode ser.

Depois, quanto a pergunta última de Sean, o homem explicou que:

— sim. acredito que sim. você vai poder escolher tranquilamente. mas talvez uns ofertantes sejam mais impacientes que outros, então você vai ter que decidir rápido. vou te mostrar.  

Ele se virou e começou a ir contra a luz do archote, até o lado oposto do corredor, abrindo a porta que estivera fechada. Do lado de lá a paisagem era de um azul negro ondulante. Fazia som de água. A luz do dia entrou e o archote, agora desnecessário, apagou.

— vem. a cela tá aberta.  

Na verdade, não havia tranca nenhuma ali, apenas as barras de ferro em diagonal, separadas umas das outras por alguns centímetros. Como que “estava aberta”? Mas se Sean tocasse nelas, sua mão atravessaria — como se ele, ou as barras, não existissem. Então poderia sair para o corredor atravessando as barras e seguir o homem que já estava dando um passo pra fora daquele lugar sem nem esperar por Sean.

Não parecia haver um chão do lado de lá. Apenas uma queda livre no azul negro. Era como se estivessem em túnel no céu, na vertical. Aquilo poderia dar alguma desorientação gravitacional só de pensar.

Ele ia dizendo, enquanto isso:

— tem uma possibilidade que sem dúvida vai te sair caro, mas é a mais comum e aberta. nenhuma autoridade interfere, por exemplo. os outros dois jeitos são clandestinos: além do acordo, na hora de atravessar, se tiver azar, algum superior pode aparecer e te pegar. ou então você pode retornar com o Vax, que é exatamente o que ele está fazendo agora. andando, pois suspeito que ele já não tem energia para aqueles saltos no espaço, hm. o problema de voltar para o julgamento é que sua mãe não estará inclusa no pacote, caso você ganhe a vida de volta. mas... francamente, você poderia deixar pra lá. sua mãe com certeza será ajudada por outra... pessoa. você conhece ela, aquela menina. se tentar rastrear sua mãe, vai acabar topando com ela e isso pode não ser bom. a menos que você chame o Ifrit para destruir tudo outra vez... mas seria melhor apenas não acontecer, sabe? fratricídio é algo triste, em todas as histórias. como é, vem ou não? não gosto de deixar essa porta aberta por muito tempo...
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Sex Fev 10, 2017 1:27 am

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Olha, eu não posso deixar de dizer; como é incrível ter meu cabelo de volta? Eu estava sentindo falta, é verdade! Posso ver as pontas escorrendo da minha testa e provocando meus olhos a encará-las por mais difícil que seja. Mas eu gosto da sensação. Eu sinto como se, apesar de tudo, eu esteja bem. Aliviado, sabe? Mas não só pelo meu cabelo. As palavras de Rocco me confortaram; no fim das contas eu tenho uma escolha então.

— Então tá! Eu vou com você. Mas... espera aí.. — enquanto me levantava, analisei as grades que nos separavam dentro daquele salão. Ponderei se realmente eram reais, uma vez que o próprio Rocco disse que eu podia passar, que eu nunca estive preso. Toquei as grades. Minha mão atravessou! — U-Uoh! Atravessou! Você viu? Viu? — animado, deixei um sorriso escapar e novamente repeti o ato, atravessando agora meu corpo inteiro.

Nossa, aquilo foi incrível!

Depois veio aquela mudança de cenário, a imensidão escura porém encantadora. Eu mal conseguia piscar! É verdade! Senti como se pudesse voar, como se não houvessem amarras, uma sensação de..liberdade. Até onde eu poderia ir? Minhas pernas queriam corres? Eu queria desbravar aquilo, mergulhar? Eu não sei, é tudo tão confuso. Olhei para Rocco. Ele falou umas coisas engraçadas, fingi concordar como se estivesse entendendo tudo mas eu confesso que não consegui compreender tudo. O que era um Fratricídio por exemplo? Bom, talvez não seja o momento de perguntar. Fiz que sim com a cabeça.

— Vamos sim! — afirmei de imediato. Não dá pra esconder meu entusiasmo, eu não consigo, oras!

Ainda assim eu sabia, lá no fundo, sabia que essa não é uma viagem a um parquinho e que também não vou encontrar só diversão. Mas só de repousar meus olhos naquela imensidão azul escuro, era como voar num céu que poucas vezes eu vi na vida. Lá em Takaras o céu nunca brilhou tanto assim, nem as estrelas. Não chegaria perto dessa beleza nem que tentassem. Ou será que não? Ou será que no fundo dessa escuridão pode existir diversão?

No fim eu acho que essa aventura toda me deixou foi bastante chato. Normalmente eu teria me divertido a beça com isso tudo...


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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por NR Sérpico em Dom Fev 12, 2017 1:29 pm

48. Fenômeno de luz

Saiu pela porta e caiu. Depois flutuou. Era como sua Levitação, mas sem precisar ter de pensar em levitar. Sentia-se leve. E não apenas o cabelo estava de volta: as roupas, a que imaginasse, estaria ali também.

Estava num mundo aberto, abaixo, o oceano negro e denso. Escutou uma porta se fechando atrás de si, se virou e viu Rocco, não mais na penumbra. Ele sorriu e tinha dentes pontudos. Seus olhos laranjas semicerrados observaram o mundo e ele respirou fundo. Os cabelos compridos eram vermelhos, amarrados na nuca. Rocco meteu as mãos nos bolsos das calças largas, descontraído. Não estava mais com o peito nu: um manto enrolado passava pelo ombro, dobrava na cintura e voltava para o outro ombro. Algo nele parecia jovem, uma disposição quase que infinita, um jogador paciente.

Ah, e da sua barriga despontava um fio prateado quase que translúcido. Esse fio se dividia em quatro pontas, três delas sumiam no ar, até onde os olhos de Sean enxergavam, como se estivessem ligadas a alguma coisa distante. Já a quarta ponta do fio ia até o próprio Sean, em sua barriga. Um tipo de cordão umbilical. Se tentasse pegar o fio, seria o mesmo que tocar nas grades abertas do lugar secreto de Rocco: sua mão atravessaria, como se aquele cordão não existisse de verdade, sendo apenas um efeito visual momentâneo, um fenômeno de luz como um arco-íris — mas que não desaparecia.

Rocco disse:

— o primeiro cara... você se lembra do Mic?

Ele saiu levitando numa direção. Primeiro lentamente, para que Sean acompanhasse. Depois aumentando a velocidade gradativamente, nada grosseiro, mas o bastante para ter vento nos cabelos.

— lembra dele comentando que estava devendo, ou algo assim. ah, sim. um cara, feito de pedra, lembra dele? estava cobrando o Mic quando vocês apareceram na colina. então. uma das três opções de negócio é justamente esse cara que o Pintor ficou devendo. um demônio chamado Gushnasaph, ou somente Nasa. vou te mostrar onde ele fica.

Voavam bem agora, quase que completamente inclinados de peito para baixo. O cenário continuava o mesmo, oceano de todos os lados. Uma vez que Sean olhasse para baixo, notaria que alguma criatura marinha imensa acompanhava o voo deles, como se realmente os estivesse vendo. Rocco também percebeu, mas não pareceu ligar.

E lá longe, na direção para onde voavam, surgiu um brilho, depois outros, logo um monte. Como reflexos. Os dois estavam bem longe de lá — por exemplo: ainda não dava para enxergar terra ou qualquer outra coisa na borda dos mares, mas os reflexos contrariavam isso, pois pareciam se projetar para o céu, formando imagens e formas cada vez mais claras, como se estivessem de fato se aproximando de algum lugar.

Antes que as imagens feitas de pura luz refletida pudessem ser interpretadas, Rocco observou Sean com um sorriso.

— talvez você veja uma miragem logo mais. talvez já esteja vendo nesse momento.

Sean enxergou Chagas rindo, mordiscando uma maçã. Estava montado no cavalo, depois do pique até a borda da floresta. Esperava o grupo com provocação preparada. Hayashi foi o primeiro a surgir.

— Onde aprendeu a cavalgar, irmão? — Brincou Chagas. — Na igreja?

Ao que Hayashi riu:

— E quem disse que eu sei cavalgar?

Logo o segundo colocado estava ali, e Sean se lembrava de ter chegado logo depois de Hayashi, mas quem estava na sela não era ele, era um homem cuja as feições não lhe diziam nada em termos de reconhecimento, mas mesmo assim, como em um sonho com desconhecidos, Sean podia sentir como se conhecesse profundamente aquele sujeito. Um homem que não fez parte daquilo, daquela busca pela herança do Targo, mas que no entanto estava desenhado na visão entre as luzes.

Chagas lhe atirou uma das maçãs e disse:

— Esqueci de amarrar uma corda em vocês antes de sair! Mil perdões!

Ao que o homem riu daquilo, catou a maçã no ar e falou:

— Eu sim: aprendi a cavalgar na Igreja.

Os reflexos continuaram a piscar, distantes, mas as formas e imagens sumiram.

— o que viu? — Rocco quis saber, descontraído, como quem não se importa. Mas seus olhos pareciam sérios.

Spoiler:
Pense nessas luzes formando imagens exatamente como um filme antigo projetado numa tela no céu. No caso, um cinema em escala colossal, hm. Quanto as revelações importantes a serem feitas *-* vou pensar direitinho aqui, já deixando alguns fragmentos aos poucos, rs. Nenhuma das duas opções demoraria, tocar uma parte do ouro ou se o próprio Rocco souber sobre você e começar a falar. Mas sendo o Rocco a revelar, isso viria num pico da conversa entre vocês, mas sendo tocando o ouro, aí haveria combate (o que fica mais fácil de jogar o Ifrit na cena). Então estou pensando aqui, e aceitando sua preferência, lógico.

Qualquer dúvida é só mandar mp e tal.
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Re: [Comum] Considere-se morto

Mensagem por Hummingbird em Ter Fev 14, 2017 12:56 pm

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— Hmmm, sabe, você até que me lembra um pouco aquele velho? — Referia-me ao Rei de Amarelo. Quero dizer, as palavras saíram mais como um reflexo, quase como se eu as tivesse puxado de alguma memória distante em que, mesmo naquele instante, eu não era capaz de acessar. Eu só não consigo lembrar, mas sinto que devem ser parecidos, principalmente porque aqueles fios brilhantes me causaram um arrepio. E é aquela história, esses arrepios sempre me trazem más lembranças...

De qualquer forma, não fiquei empacado nessa teoria. Na verdade, ainda estava encantado com o tal oceano. Talvez tão encantado que só por isso notei alguma coisa nos acompanhando durante o voo livre. Pois é, estamos voando, ta vendo que incrível? E a bruxa ainda me chamou de fraco.

— Ei, você ta vendo aquela coisona ali seguindo a gente? Sinceramente eu não quero ser engolido por outra cobra não. — e apesar do tom amistoso em minha voz, eu estava um pouco preocupado. Já passei por uns maus bocados né? Queria ter um pouquinho de tempo livre, sei lá, respirar um pouco?

Mas daí o Rocco entrou logo em outro assunto, falando sobre Mic e sobre o amigo dele;

— O Nasa! Lembro sim. Nomezinho complicado heim? Aliás eu sempre me pergunto quem é que escolhe esses nomes de demônio? — foi mais uma pergunta retórica, não que Rocco precisasse respondê-la. Pra ser mais direto, eu  ainda estava mais preocupado com a coisa nos segundo em baixo do oceano escuro do que com a conversa, mas tudo bem.

Daí papo vai e papo vem, ele entrou no assunto antes referido; o sacrifício. No caso, um dos sacrifícios válidos seria o tal Nasa, contratante do pedregulho que por sua vez estava batendo no tio Mic. Aquilo me deixou preocupado pois imediatamente as memórias me atingiram em flash's, a começar pelo tal pedregulho. Se ele era daquele tamanho e tão forte — que nem mesmo o grandão Ho conseguiu bater nele, como seria o tal demônio Nasa? Deve ser umas dez vezes maior! Isso me preocupa. Ao menos se eu tivesse um dragãozão pra me acompanhar seria mais fácil... onde está o Cyrus quando a gente precisa?

— Miragem? — cortei a conversa, quase como se desse de cara com aquilo que acabara de ser referido.

Na verdade foi tudo muito estranho porque as coisas estavam acontecendo muito rápido. Desde a queda livre no oceano escuro, o voo, as luzes... e no fim Chagas. Espera.. Chagas? A maçã, o riso. Eu lembro disso tudo! Foi minha primeira grande aventura a mando do tio Targo! Mas isso faz tempo, por que estou lembrando disso agora? — dúvida essa que ficou pra depois

— Quem é aquele? — respondi ao passo que as imagens sumiam e eu permanecia catatônico como que por efeito de um sonho. — Aquele que estava no meu lugar! Que esquisito.. tenho certeza de que fui o segundo a chegar! — resmunguei quase como se estivesse mais insatisfeito dele ter chegado primeiro que eu do que de fato ele estando no meu lugar. Eu sou competitivo de vez em quando ok?

O fato é: — Tinha um homem no meu lugar. Lá na época da missão do Tio Targo.. — comentei com uma resposta mais concreta desta vez. Encarei Rocco então como se esperasse por uma resposta ou qualquer coisa. Sei lá né, ele parece ser um Aurélio evoluído..


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