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[Clássica - Ree] Chuva Escarlate

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[Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Sex Fev 06, 2015 9:50 pm

Relembrando a primeira mensagem :

Observações:






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X1 Diamante de tamanho médio (escondido dentro do casaco)
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Observações: --


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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por George Firefalcon em Dom Jul 12, 2015 9:22 pm

Entendi o jogo de Sérpico, e eu continuaria ele.

- Achei a única maneira de conseguir mais poder para os meus propósitos.

Minha tontura já estava perto do fim, eu conseguia olhar para os lados, reconhecendo todos os rostos que estavam ali, mas eu ainda estava preso.

Precisava pensar em alguma maneira de sair dali, e urgente.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Goldsilver Ironsteel em Ter Jul 14, 2015 10:15 pm

Aldarion ouviu as palavras da maga, então balançou a cabeça negativamente.

]O que eu quero dizer é, estamos em Lodoss ainda, mais me parece que estão tentando transformar isso aqui em outro lugar. Talvez o próprio inferno esteja vindo. ─ Disse sem deixar de esconder sua inquietação e nervosismo. ─ Acho que da mesma forma que eu preciso de muita força pra carregar uma espada pesada, eles precisam de muita energia pra usar esse tipo de magia. Talvez sejam vários magos juntos, ou um artefato poderoso, ou tudo isso junto. O que quer que esteja por trás disso é bem poderoso e quer algo de nós... ─ Aldarion não conseguiu completar a frase sendo bruscamente interrompido por um homem com noíticas interessantes.

Sem se demorar, Aldarion colocou-se atrás do homem sempre alerta para novos inimigos.

(sorry post pequeno to meio com dor de cabeça.)

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Qua Jul 15, 2015 11:23 am

Após escanear todo o local, e chegar a conclusão nenhuma, voltou-se novamente para a gosma no chão. Fez uma cara de nojo ao sentir a textura daquela gosma. Porém era a única coisa que tinha algum rastro de...estranheza?. Curiosa, porém sabendo que não poderia ficar ali para sempre, mandou C.B buscar um jarro de vidro na cozinha, que utilizou para guardar o material. Mais tarde ela poderia fazer mais testes, concluiu.

Enquanto recolhia o material, escutava a resposta de Aldarion. Por um segundo Ree esboçou um sorriso sádico, imaginando as deliciosas almas que estes magos deveriam ter. Aquilo seria uma compensação adequada por toda a dor de cabeça que a estavam submetendo.

Enquanto sonhava com mais almas poderosas, um homem estranho adentrou, sobressaltando a mulher e C.B, que pulou imediatamente para as escadas, dentes a mostra. Porém Aldarion parecia conhecer ele, ou não pelo menos não suspeitar dele, e o seguiu.

Terminando de fechar o jarro e limpar o dedo no chão, Ree avaliou a situação. Naquele momento, ela estava em desvantagem ficando sozinha, pois sua magia nada fazia contra aquela criatura. Porém com mais alguém, ao menos ela tinha um escudo de carne a sua disposição.

- He.. Então assim será.

Guardou o jarro no bolso do casaco e saiu também, seguindo os dois homens. Clock Bunny ia em seu ombro, porém nenhum dos dois se sujava com o sangue, graças a habilidade de Ree, que mantinha uma camada fina do escudo a sua volta. Antes porém de continuar o caminho, ela parou, olhando em volta, procurando a direção de onde sentia aquela sensação mais forte. Marcaria algum ponto da paisagem, antes de se voltar aos dois homens. Só precisaria convencer o tal Aldarion a ir com ela, e poderia se dirigir a fonte de tudo aquilo.

Caminhou rapidamente até alcança-lo, mãos no bolso e expressão blasé.

- Então... quem é esse? E o que é "um deles"?

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Laser Beetle em Qui Jul 23, 2015 11:00 pm

Era estranho fazer tudo aquilo ao único som da chuva vermelha batendo contra o teto e o chão. O olhar sempre tímido de Kylya parecia julgar cada ação de Eric, e ele não sabia como reagir a não ser encará-la vez ou outra, pensando no que falar - ou que ela falaria algo. Mas o silêncio e a distância se mantinham. Quando percebeu que teria de usar uma ferramenta pra transformar um banquinho em lenha, balançou o braço e desprendeu o esforço cotidiano pra realizar seus milagres. Mas não funcionou. Olhou confuso pra mão metálica e o cristal azulado nas costas da manopla brilhava com o fluxo mágico que alimentava sua habilidade.

Não estava esgotado. Estranho. Concentrou-se um pouco mais e conseguiu invocar uma marreta um pouco disforme, e um pouco opaca. A luz era frágil e por diversas vezes teve medo de sua ferramenta quebrar diante dos golpes contra a madeira. Era impensável! Seus milagres eram como aço, então por quê? Ficou seriamente desconcertado com aquilo. Seria a Sombra? Estaria ele longe do Sol por tempo suficiente pra sua bênção ter diminuído? Ou era simples falta de convicção, falta de determinação por parte do devoto?

Um pensamento negro atravessou sua mente. Estaria a Luz lhe punindo por não ter matado Kylya? Virou-se para olhá-la e ela, pela enésima vez, desviou os olhos. Seria possível que ele tinha se enganado no seu julgamento...?

A fome e o cansaço impediram tal pensamento de progredir, ao menos por enquanto. Terminou o trabalho e em pouco tempo tinha uma dupla de ensopados quentes para os dois. A garota recusava se aproximar, então o loiro deixou a tigela para ela no meio do cômodo e se sentou ao lado da fogueira novamente. Sentia sua pele realmente seca agora, com camadas duras de sangue incomodando cada movimento. Precisava desesperadamente que a água voltasse a não mais ser sangue lá fora. Comeu uma colherada e o sabor lhe deu um novo ânimo, mas o som de Kylya vomitando atraiu sua atenção e o fez franzir o cenho.

Ela sofria de problemas para comer, talvez? Não parecia ser, já que ela se alimentava facilmente da carne de antes. Se bem que até aquilo ela tinha regurgitado. Mastigou em silêncio, pensativo, matutando as palavras dela. Ruim? Ela comia carne humana crua!
- Tente comer só os pedaços de carne que tem aí. Nada da coisa amarelada. - Eric havia viajado bastante, e conhecia comunidades em alguns países que se alimentavam exclusivamente de carne. Tinha presenciado uma cena parecida com aquela, quando uma criança vomitou um pedaço de fruto que o loiro a deu. Mas nada tão dramático... Até onde Eric entendia, nem mesmo Kylya sabia porque aquilo acontecia. O que, por todas as estrelas, era ela? A certeza de que não era humana já estava firmemente fortificada para o Cruzado; mas deveria ela morrer só por ser de uma raça diferente? Por ter costumes e necessidades diferentes?

Se pegou pensando de novo na morte dela, talvez por causa do acontecimento com sua fraqueza energética de antes. Repetiu várias vezes mentalmente que não a mataria até ter certeza de que ela era má. Até o momento, quem fora realmente maligno tinha sido ele. Efetivamente ele havia assassinado uma garota inocente, e vai ver a culpa e a necessidade de se redimir fosse o que o impulsionava a aceitá-la, e talvez fosse o real motivo por trás da sua gafe com a Luz.

Se ela vomitasse a carne novamente, porém, só significava uma coisa: ela só podia comer carne crua. E um último teste seria necessário.

Eric teria de sair novamente na chuva para resgatar os restos que jogara fora. Odiaria ter de presenciar aquilo de novo, mas precisava saber. Precisava ajudá-la, precisava entender quem ela era e porque ela era daquele jeito. Sua natureza filantrópica o impedia de fazer qualquer outra coisa.

Mas tudo isso revelava um problema que ele havia inconscientemente evitado... E em prol de continuar evitando-o, torcia pra ela conseguir comer os pedaços de carne. Daria os de sua tigela caso fosse necessário.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Sex Out 02, 2015 2:02 am

Off: 450 de XP de atraso. Eu deletei o que tinha postado ontem e refiz algumas partes nos posts >_<

@Eric

A aparencia frágil daquela luz incomodou Eric... Ele não sentia nada de diferente no uso de sua magia; sua energia fluia, se acumulava e se materializava, mas apesar disso seus olhos não mentiam para ele, sua luz parecia fraca se comparada a antigamente. E com isso, o coração do rapaz foi tomado por duvidas em relação as suas escolhas. Talvez o que estivesse acontecendo fosse realmente uma punição por não ter matado aquela criatura víl. Enquanto sua mente era tomada por esses pensamentos, a luz pareceu oscilar com um pouco mais de intensidade, parecendo corresponder aos pensamentos dele.

Mas, ainda sim, ele estava disposto a ter certeza do que ela era. Com as novas instruções, Kylya usou sua colher para se alimentar apenas da carne da tigela, mas enquanto ela mastigava, a expressão enjoada surgiu novamente e ela cuspiu a comida para fora de sua boca antes que acabasse vomitando de novo. A expressão dela demonstrou evidente frustração por não conseguir estar se alimentando devidamente e ela pareceu com receio da reação que Eric a demonstraria.

-
Sinto muit..o... – ela murmurou, cabisbaixa.

Disposto a levar aquele teste até o amargo fim, Eric saiu a tempestade de sangue e recolheu os restos de carne humana crua... Se sujar em meio àquela chuva não era nada se comparado a ter que tocar novamente naqueles restos de carne. O estomago dele chegou a se embrulhar quando seus dedos tocaram aquele pedaço morno de carne, mas ele os pegou e os levou para o interior.

Kylya continuava lá, sentada no canto e quando Eric colocou os pedaços de carne crua a sua frente, ela pareceu não saber como reagir. Ela olhou para aquele pedaço de carne e seu olhar mudou, os olhos dela se estreitaram um pouco e ela pareceu ter o instinto de ir, mas ela hesitou e olhou para Eric com certo receio. Provavelmente receio de que aquilo tudo não passava de uma armadilha do cruzado para ferí-la novamente... Mas quando ele não reagiu, ela estendeu a mão lentamente, os olhos ainda fixos nele no aguardo de qualquer movimentação. Assim que os dedos dela tocaram a carne, ela puxou rapidamente para si e levou até a boca, dando uma mordida pequena e puxando a carne para que se rompesse.

Novamente, o som do mastigar se tornou presente ali. Um mastigar incomodo e repugnante. E ela comeu sem ficar enjoada, não parecia estar saboreando a comida, mas provavelmente estava aliviando sua fome.

Diante da cena, Eric sentiu algo dentro de si reagir. Sua magia parecia querer reagir e fluir dentro dele, parecia quase um sussurro de sua própria luz, tentando alertá-lo de que ele deveria ceifar a vida daquela criatura.



@George / Sérpico

Diante das palavras de George, os moradores pareceram ficar indecisos sobre como prosseguir. Os dois homens ainda seguravam o mestiço pelos braços, apertando com força de modo que ele ficasse imobilizado. As breves palavras trocadas entre Sérpico e George pareceram o suficiente para deixar todos ainda mais desconfiados diante daquela situação. Assim que as palavras sobre os mortos foram ditas, George pode sentir seu rosto ser atingido com violência novamente e ele sentiu o gosto de seu próprio sangue em sua boca.

-
Diz que não o conhece, mas age como se conhecesse... – disse a voz mais rouca, pertencente ao senhor de mais idade - Parece um mentiroso de categoria baixa, mas isso não muda o fato de que ele foi pego logo após de matar dois dos nossos. Um senhor e um jovem... Um sem capacidade para combater e o outro... – lamentou, a voz um pouco carregada – Um bom garoto.

- E o que vamos fazer? Vamos até a base deles? – alguém questionou.

-
Esperem. Pode ser só uma armadilha, é um demônio! Pode estar tentando atrair todos nós para lá... Talvez fosse o plano dele desde o inicio!

- Ele disse que veio buscar algo...

- Tenham calma. Nós temos que agir com cautela. De fato pode ser uma armadilha, é melhor não seguirmos o que essa... – e o tom da voz se encheu de desprezo – Coisa. Homem, demônio, o que quer que seja, está nos dizendo. Dispam ele e o joguem em um calabouço, talvez haja alguma marca no corpo dele ou algo assim. Vamos descobrir o máximo que pudermos.

- Você vai pagar por ter vindo até aqui... – um dos homens que estava o segurando sussurrou para George e, logo em seguida, o meio-dragão sentiu uma pancada violenta em sua cabeça e tudo começou a escurecer .

... (continua)






@Sérpico

Após as palavras do senhor, Sérpico ouviu o som de uma pancada forte e a voz de George não mais foi ouvida após um breve gemido de dor abafado.

-
Vejam se ele não está carregando nenhuma arma oculta, ele é algo sujo e deve ter um truque ou dois para tentar fugir. Vamos interrogá-lo... E quanto a você, Dália, - e, por mais que não estivesse enxergando nada, Sérpico sentiu como se um olhar de desconfiança o atravessasse – Quem é esse garoto?

- ... Não seja imprudente, por favor... – a jovem sussurrou.

Duas presenças pareceram continuar ali, mas o restante das pessoas do vilarejo começaram a se movimentar e Sérpico pode ouví-los se afastar. E o som de algo se arrastar podia ser escutado, provavelmente era George sendo levado para algum lugar.

-
Eu já disse, ele só está perdido...

- Mas ele disse que conhecia o outro garoto. Ele pode ser um assassino, Dália, você não está pensando e colocá-lo sob o mesmo teto que você, não é?

- N-não, eu... – e ela se enrolou em suas palavras, parecendo não saber bem o que dizer – Ele é cego, o que ele poderia fazer contra mim?

- Eu a proibo. Nós não sabemos quem eles são e, até onde vimos, eles podem ser aqueles que vem nos atacando! Podem ser a razão por detrás dessa chuva e... Eu não vou permitir que você seja imprudente e acabe morta.

- Ele não é perigoso, eu estou com ele desd—

- Calada. A situação é mais complicada do que você pensa, nós temos um homem se clamando um demonio na vila e outro que diz que o conheceu. Esse rapaz pode ser um inocente e eu não quero ser tão injusto, mas ele não pode ficar, não com você.

- Por que você se mete? Sempre fica resmungando sobre onde eu estou e agora com quem eu ando... Eu não sou mais uma criança chorona, não preciso de você. Eu sou capaz de tomar minhas próprias decisões.

Não houve resposta, mas Sérpico pode ouvir uma respiração profunda e lenta, de alguém que parecia estar tentando manter a calma.

-
De qualquer modo, eu não quero ver você e nem esse rapaz perto do prisioneiro.

Dito isso, Sérpico sentiu mais uma vez um olhar o atravessar antes que passos indicassem que duas pessoas estavam se afastando... O som da chuva estava começando a se tornar algo habitual por causa de sua continuidade, embora ainda presente, o cérebro de Sérpico já começava a captar com mais nitidez barulhos distintos e, por conta disso, ele pode ouvir o sussurrar dos dois que se afastavam.

“Fique de olho...”

Foram as palavras que ele ouviu vindas do senhor de mais idade. Mas foram as únicas, pois o senhor foi se afastando e as palavras dele passaram a ser apenas murmúrios na chuva. A chuva ainda não caia sobre sua cabeça e ele ainda sentia que havia alguém ali, provavelmente Dália.

-
Que história é essa de você conhecer aquele assassino? – foram as palavras que surgiram de repente, a voz continha certa desconfiança.







@George

Para George, as coisas se tornariam complicadas. Depois de ser desacordado, o meio-dragão se viu em uma escuridão intensa... Ele ouvia alguns sons de arrastar do lado de fora, mas seu corpo estava pesado e ele não conseguia movê-lo; sua consciencia parecia ser algo que se distanciava cada vez mais... Até que nada mais podia ser escutado além do som da chuva. Dessa vez, porém, a voz que ele escutava não se pronunciou.

E George despertou e modo brusco. De repente, ele sentiu uma onda de água gelada bater contra seu rosto... A temperatura fria daquele liquido causou incomodo a ele e o fez abrir os olhos. E foi ai que ele percebeu sua situação.

Ele se viu em uma pequena sala abafada; não nenhum contato com o exterior e a única passagem que havia naquela sala era a da porta que estava a sua frente.. Um pouco distante e apenas uma tocha iluminava o ambiente. Instintivamente, o meio-feral tentou se mover, mas algo parecia restringir seus movimentos: o jovem estava com os tornozelos e os pulsos acorrentados. Seu corpo era mantido suspenso e seus braços estavam erguidos, provavelmente foram prendidos a algum apoio mais alto e seu corpo estava despido, além disso, sua boca estava amordaçada. Não pareciam haver comodos ali, mas ao olhar ao redor ele pode ver que havia mais alguém ali.

O homem estava com uma tijela na mão, provavelmente havia sido o responsável pelo seu despertar. Se tratava de um homem robusto e caabelos negros longos que faziam conjunto com sua barba. Ele tinha olhos castanhos fortes que observaram George com nojo e segurou o rosto dele com indelicadeza, apertando o queixo de George.

-
Acordou rápido. – e largou o rosto de George – As pessoas da vila acreditam que você pode falar algo, mas minha avó me contava histórias sobre demônios... Ela dizia que a língua é a arma mais poderosa deles. Que eles colocavam as pessoas sob feitiços e as ludibriavam apenas com o poder da boca. Por isso não se preocupe, eu vou ter certeza que você não vai ser capaz de falar nada além do que eu quero saber.

E o homem sorriu, parecendo satisfeito.

-
Eu certamente vou ser mais gentil do que o homem de quem você tirou a família.

Ele tirou da própria cintura um machado de tamanho médio, o erguendo no ar. Sem nem um olhar de piedade ou hesitação, a parte não cortante atingiu o abodmen de George com violência. A primeira pancada fez com que George sentisse uma dor profunda, mesmo sendo resistente, a força daquele homem parecia ser grande e o golpe fez com que o meio-dragão pudesse sentir uma de suas costelas se estalarem com o impacto. Mas aquele homem não bateu apenas uma vez, ele deu uma, duas, três... As pancadas continuaram e a cada vez que aquele pedaço de metal se chocava contra suas costelas, a dor que George sentia começava a aumentar. O homem de barba sorria satisfeito quando a expressão de George se contorcia e, mesmo que um grito de dor tentasse escapar, ele ficava abafado por conta da mordaça.

-
Você não acha que ele já vai falar? – George ouviu uma segunda voz.

-
Não, ele não parece estar sentindo tanta dor quanto deveria... Ei, traga a tocha para mim!

Um pouco sem foco por causa da dor, George foi capaz de acompanhar o movimento da outra pessoa que estava ali. Ele não havia a percebido antes, mas era um homem esguio. Ele pegou a tocha e entregou para o responsável pela tortura. Durante um instante, o rapaz hesitou em entregar a tocha e olhou de relance para George, mas acabou o fazendo mesmo assim.

E, sem piedade, o homem aproximou a tocha do abdômen de George. O meio-dragão a princípio sentiu o local apenas um pouco quente e incomodo, mas seu corpo apresentava uma resistência natural as chamas. Embora sua pele se aquecesse, a princípio ela não se queimava.

-
Mas que merda? Ele não queima!

- O que?! É impossível, você deve estar cego... – disse o outro rapaz, um pouco assustando, se aproximando novamente.

O homem mais forte pressionou ainda mais a tocha, chegando a encostá-la contra o corpo de George, mas, aquilo não era o suficiente para queimá-lo. Uma chama como aquela, que não era tão intensa, jamais seria capaz de causar ferimento real a um meio-dragão como ele, no máximo uma queimadura leve.

-
É mesmo um demônio... – concluiu o homem, afastando a tocha e carregando espanto em sua expressão – Conte para o Líder sobre isso e, na volta, traga um pouco de óleo, nós vamos testar o quão longe isso vai.

- Óleo? Mas você... Ele pode morre—

- Mas que merda. Mesmo que você está sentindo pena de um monstro? Vai logo! – e empurrou o outro de leve – Eu vou fingir que nem ouvi essa idiotice.

E o rapaz mais jovem se virou, saindo dali pela porta em passos apressados. Não levou muito tempo para que ele retornasse e, diante das ordens do outro, despejasse o liquido pegajoso sobre George.

(continua)








@Gold e Ree

Apenas quando Ree se pronunciou o homem pareceu notá-la, ele ficou surpreso e inicialmente assustado, chegando até mesmo a olhar para Aldarion. Mas, como o guerreiro parecia não considerar a maga uma inimiga, ele relaxou a postura e passou a guiar os dois de volta para a vila.

-
E-eu? – ele pareceu confuso com a pergunta e um pouco tímido – Eu me chamo Adam... Ah, é! – e então, com a pergunta dela, ele pareceu se dar conta de que deveria explicar melhor – Como eu disse para o Senhor Aldarion, algumas pessoas da vila tem sido mortas e nós finalmente pegamos um deles! Ele foi pego no ato! Eu não estava lá, mas parece que ele até mesmo admitiu ser um demônio...

Para Ree, era bem mais confortável fazer o trajeto até a vila com sua barreira, embora já estivessem um pouco sujos, não sentir aquele sangue cair sobre seu corpo era confortável. Ao olhar para o lado, em busca de algo que indicasse a localização do local onde ela mais sentiu magia fluir, não foi difícil marcar um ponto de referência: a densa floresta no horizonte. Era de lá que a sensação vinha.

-
Agora mesmo estão tentando tirar informações dele. – concluiu, embora parecesse nervoso, Adam tinha um sorriso contido no rosto – Finalmente vamos poder fazer algo contra eles. – disse, satisfeito.

E, em passos apressados, o trio logo chegou até o vilarejo novamente. Para Ree, a visão era nova... Parecia um lugar simples e com inúmeras casas de madeira. As luzes da maior parte das casas estavam acesas e algumas pessoas observavam pela janela. Alguns homens estavam próximos às portas, a maioria com um facão amarrado na cintura. Alguns pareciam animados e até mesmo falavam sobre a possibilidade de finalmente encontrarem o responsável por tudo aquilo, mas outros pareciam assustados com a possibilidade de terem um demônio na vila.

E se aproximando da taverna de onde Aldarion havia saído anteriormente, ambos notaram que haviam alguns homens ao redor, todos armados e dois deles possuíam armaduras leves. Olhavam constantemente para o lado em uma espécie de vigília.

-
Olhe, ele está aqui, eu o trouxe.

- Ei, Adam! Você o trouxe mesmo... Acha que ele pode ser útil? Ah é, descobriram que o demônio não se queima! Rufus quer testar algo um pouco extremo... Estamos todos esperando o que vai acontecer.

- O Senhor Aldarion pode ser útil, veja como é forte... – o homem sorriu – Ele pode impedir que ele fuja. – ele olhou para um jovem mais ao canto do cômodo, ele estava com o rosto entristecido, mas ao mesmo tempo parecia furioso enquanto conversava com alguém – E como ele está?

- Sabe como é, está louco por vingança, eu também estaria no lugar dele. Até agora todos concordam em deixar ele cuidar disso quando tivermos o que precisamos... Você vai levar eles lá?

- Sim, quando ele veio aqui ele pareceu entender alguma coisa sobre isso... Talvez ele possa ser útil.

- Vá então.

E Adam assentiu, passando para a parte de trás do balcão e convidando Aldarion e Ree para segui-lo. Ele entrou em uma porta e lá haviam várias caixas com bebidas e alimentos, provavelmente era onde o local guardava seu estoque de comida e de bebida. No chão, havia uma pequena porta que levava a uma escadaria estreita e foi por lá que o jovem seguiu. Para Aldarion foi um pouco desajeitado passar, já que ele tinha um porte um acima do normal.

Eles passaram pela pequena escada de madeira e foram parar em um cômodo pequeno onde havia apenas uma porta... E de lá eles puderam ouvir o som de um liquido sendo despejado. Adam deu um passo a frente e abriu a porta.


(continua)

@George / Ree e Gold

Assim que adentraram no ambiente, Ree e Aldarion puderam ver um homem com correntes prendendo suas mãos e pés. Ele era mantido de pé e estava completamente nu, com vários hematomas espalhados na região do abdomen. Pelo corpo dele estava espalhado um liquido pegajoso e, na frente dele, um homem robusto segurava uma tocha na mão e a aproximava do corpo de George.

Ainda um pouco tonto, George pode ouvir a porta se abrir mais uma vez e três pessoas diferentes adentraram no local.
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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Sérpico em Sex Out 02, 2015 8:47 pm

“Ótimo”, Sérpico pensou, irônico.

Pois fez foi piorar a situação de George. E quase que as coisas ficam piores pra ele próprio. O velho, o que deveria ser o líder ali, ou algo perto disso, era muito perspicaz. Provavelmente já foi passado pra trás algumas vezes durante seus longos anos de vida, de modo que é agora um cara experiente ao passo que Sérpico tem apenas alguns anos de estudos na arte de convencer ─ que alguns chamam de mentir, mas que para Sérpico é convencer, hm.

E tinha o problema dos fatos. Se George foi realmente capturado conforme diziam, com tudo indicando que cometera o ato... nem o mestre de lei do rei poderia representa-lo nesse julgamento, pois assassinato era assassinato e não tinha conversa. Pensando nisso tudo, Sérpico começou a hesitar, de repente descobrindo que pouco sabia a respeito de George. “Droga”, bateu os dentes, preocupado com tudo que disse em defesa de George,“se ele realmente fez isso, agora estou comprometido”.

Que não entendessem Sérpico mal, por favor. Mas é que ele estava cego! Não podia, além de tudo, ser condenado num vilarejo que nunca esteve, numa Lodoss que já não reconhecia como casa! De repente descobriu que seria de melhor ajuda se ficasse com o corpo fora daqui pra frente.

Então ficou quieto, parado, invisível. Escutou o que deveria ser George sendo levado e o povo indo embora. Mesmo assim, Sérpico continuou criando raízes. Mas então o velho estava vindo com questões. Dália respondeu bem, mas quase se queimou. Sérpico deixou que a coisa rolasse ─ se falasse algo, poderia ser pior.

“E ela realmente deve ser importante”, Sérpico pensou, constrangido. Aquele cuidado todo era significativo. O problema ali não era só os estranhos, mas também Dália. E ficariam de olho neles, como se Sérpico e Dália fossem resgatar George na primeira oportunidade, vejam só que absurdo, pois afinal nunca fariam isso, hm.

Sérpico despertou com a pergunta que lhe faziam. Respondeu:

Eu conheci ele, faz tempo. Ele, ele não era assassino. Estávamos metidos numa importante missão e ele... ─ O que podia dizer? Já tinha feito toda a propagada demoníaca. Se desmentisse tudo, Sérpico ficaria ainda mais digno de suspeita, certo? ─ Acho que ele está sob... influência. Por isso é necessário esperar um pouco, antes de qualquer julgamento...

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por George Firefalcon em Dom Out 04, 2015 1:08 am

Diante de uma indecisão momentânea, os moradores daquele vilarejo, em especial o homem que perdeu seus parentes para minha ação controlada... Mas parecia que eles já estavam desconfiando de Sérpico. Fiquei em silêncio acompanhando toda a conversa, até porque, não tinha como reagir em nada - estava imobilizado e eu não queria também mais esboçar nada. A cena daquele senhor e do menino morrendo à minha frente, por causa de que meu corpo havia sido tomado... Eu não merecia viver.

Em seguida, senti uma pancada violenta no rosto, sentindo na boca o gosto ferruginoso do meu próprio sangue.

Era o começo.

Mais nada fazia sentido, então parei de focar a audição e penetrei fundo dentro de minha mente, me isolando do ambiente externo. Apesar de ter fechado os olhos e sentir a dor latente na lateral direita do meu rosto, eu não queria mais olhar nos olhos daquele homem que havia perdido seus entes queridos por causa que eu fora fraco. Nisso, depois de algum tempo, senti uma pancada fortíssima no alto de minha cabeça, e não só a audição, que eu desviara a atenção, começou a sumir, e sim todos os sentidos. A dor, a consciência, os pensamentos... Foram todos ficando embaçados...

Enfim, quando dei por mim, já estava em um lugar diferente de Lodoss. Um lugar que me cheirava a saudade... Sim, minha mente havia me transportado de volta à Algaësia.

Naquele momento, eu senti algo úmido e gelado se bater contra minha face: tinham jogado água fria em mim.

Quando finalmente comecei a recobrar a consciência e a dor que permeava meu corpo, me vi em um lugar abafado, pequeno e a luz de uma tocha iluminava o local. Tentei me mexer para entender o que acontecia, e aí eu senti meus braços presos por pulseiras, e olhando pra cima, havia correntes. As pernas estavam da mesma maneira... E eu estava nu.

Havia mais alguém ali presente, e logo veio em minha direção e pegou meu rosto, começando a falar. E depois de falar, sorriu, terminando seu discurso e, em seguida, me acertando com a parte não cortante de uma arma, que eu sequer tive tempo de ver qual era. Gemi de dor, óbvio... Aquele golpe poderia ter me machucado muito. E ele não parou, continuou me batendo.

Foi quando eu comecei a duvidar... Seria mais bonzinho do que o homem que estava pronto pra dar cabo de minha vida? Achei que não. Eu berrava de dor, mas o berro era abafado por causa daquela maldita coisa que estava em minha boca. Eu sentia meu corpo latejar e doer a cada investida dele, e não havia limites para seu sadismo.

Foi quando eu ouvi uma segunda voz.Este chegou, aproximou a tocha de mim, encostando ela, mas apesar do calor e da sensação incômoda, eu não me queimava. Diante dos protestos, começou uma discussão pra saber se eu queimaria ou não... Era como se eu tivesse ficado exposto ao sol por algum tempo. Encostaram de novo só pra me chamar de demônio... Eu queria que aquele sofrimento acabasse logo, para o bem ou para o mal.

Em seguida, ele jogou algo pegajoso e malcheiroso em mim, o que eu entendi que era para que o fogo pudesse me consumir melhor... O que poderia acontecer ali? Provavelmente era a morte vindo me buscar, mamãe, do plano dracônico, que tinha vindo me buscar naquele lugar... Deixar aquela existência pra trás...

No momento seguinte, eu vi três pessoas diferentes entrarem no local... Por causa de minha tontura frente à dor, eu não conseguia entender quem era ou quem deixava de ser, mas provavelmente eu seria queimado - e com platéia.

Com nítida dor na voz, disparei...

-Será mesmo que minha morte vai ser... Com platéia?

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Seg Nov 02, 2015 12:40 am

Ree adentrou a vila um pouco a contra=gosto. Duvidava da positividade do rapaz, como se capturar um demonio significasse a vitoria garantida. Pobre rapaz, tão tolo... Conforme se aproximavam, C.B se escondeu no casaco de Ree, uma tática comum a dupla, para chamar menos atenção.

A vila era tão insigificante quanto poderia ser na visão de Ree. Nada que não tivesse visto antees, apenas homens e mulheres, assustados ou animados. Aquele provavelmente era o maior evento em séculos daquelas vidinhas pacatas. Ouvia com desinteresse o papinho daqueles homens, e só começou a realmente prestar atenção quando foram conduzidos finalmente ao local.

Seus olhos ainda se adaptavam a escuridão do local, porém o que precisava ver não necessitava de luz. No momento que adentrara, seus olhos afiados logo percorreram o ambiente, lendo todas as almas do local. E em segundos suas esperanças de poder bater um papinho com um demonio se esvaiu. Aquilo não era nem de perto um demonio. Por acaso eles tinham titica de galinha na cabeça ?!?

Ree não pode deixar de gargalhar quando percebeu que tipo de alma aquela era. Um meio-dragão. Aquelas criaturas que tanto odiava. E eles queriam tortura-lo com.. Fogo?!?

- Deuses... Vocês realmente não tem a menor idéia do que estão fazendo né?
- Adotou uma postura jocosa, claramente se divertindo com a cena - Honestamente, tantos erros, tão rudes...

Ela se aproximou do homem com a tocha, apontando os chifres do rapaz.

- O que raios você acha que isso é? - Ela aproximou seu rosto do dele, sentindo-se realizada por ver um daquela raça em condições nada gentis - Esse rapaz é claramente um meio-dragão. Boa sorte tentando queima-lo. Vai demorar alguns séculos até que o ultimo naco de carne dele termine de queimar. Pft... Tente uma espada, fure os olhos, arranque unhas ou serre os chifres para uma humilhação mais sutil. Você terá mais sorte. - Ela se levantou, dando as costas para ambos, e voltou para a porta. Seu semblante voltou a ficar serio, enquanto se apoiava no batente.

- De qualquer forma, esse garoto não é um demonio. Está longe disso. Vocês tem outro guardado por aí ou é só isso? Se não, estou indo embora. Existem lugares com mais pistas do que nessa sala...

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Qui Nov 19, 2015 10:27 am

150 de Xp de atraso para Ree, Sérpico e George.
Atrasei ainda mais porque tava esperando os outros dois, mas não consegui entrar em contato com o Besouro então decidi pular eles. Eu vou dar o prazo de 1 semana para os jogadores e, depois disso, quando eu for postar não vou procurar mais ninguém. :c




@Sérpico

-
Missão? Você era algum tipo de mercenário de onde você veio…? – questionou, mas pereceu hesitar no final da frase.

Com o restante da frase de Sérpico, porém, Dália permaneceu em silencio. Ele podia ouvir a respiração dela, lenta e o silencio... Talvez ela estivesse absorvendo o que ele estava lhe dizendo ou se esforçando a acreditar na loucura do garoto.

-
Influência...? – a voz soou descrente e confusa – Como o que quer que tenha te deixado cego...? V-vamos voltar para dentro... Não é como se fossem nos deixar chegar perto dele e ficar debaixo dessa chuva é... Desagradável. – a voz soou mais pesada que o de costume e a jovem tocou, hesitante, no pulso de Sérpico para guia-lo.

Agora sem um de seus sentidos, Sérpico notou que seus outros pareciam mais sensíveis do que de costume. O toque de Dália estava mais frouxo do que antes e o ritmo de caminhada dela parecia mais lenta, ele era capaz de ouvir os passos arrastados da jovem; o acontecimento parecia tê-la desanimado mais do que o normal. Quando alcançaram novamente o interior da residência, ele pode ouvir Dália respirando profundamente.

-
Você... Realmente veio de Paramet? Eu prefiro acreditar que você é só um maluco, mas... Você parecia tão sério... Não que alguns malucos não acreditem nas próprias histórias... – e ela soltou uma risada leve, desanimada.

E, da parte dela, silêncio. Sérpico pode ouvir o som de água escorrendo para dentro de um recipiente, depois uma pausa e o som se repetiu. Sérpico pode ouvir os passos de Dália se aproximando e, em seguida, ela pegou a mão dele e lhe entregou um copo.

-
É chá. Eu fiz enquanto você estava no banho... Se não quiser tomar, tudo bem. – comentou, simples, voltando a se afastar.

Mesmo a distância, Sérpico pode ouvir ela tomando a bebida. Caso decidisse experimentar, o chá parecia ser de maçã e estava bem adoçado, talvez até um pouco demais a depender do gosto do jovem. Mas Dália não parecia se importar e continuava.

-
Eu me pergunto de onde você veio... Se de algum outro mundo estranho ou, não sei, do futuro ou do passado. – ponderou e pareceu dar um sorriso fraco – Mas é estranho que alguém que você conhece tenha ido vindo parar aqui também; quer dizer... Acho que nada mais é esquisito por aqui. Mesmo que seu amigo esteja sob a influência de algo, ao que parece ele foi pego no ato... Eu duvido que vão se importar. Ele vai simplesmente ser visto como uma ameaça; na melhor das hipóteses ele vai ser mantido vivo e vão tortura-lo... Todos estão agitados por aqui desde que começou a chover sangue e pessoas tem morrido. – e fez uma pausa – Ah. – pareceu se dar conta de algo – Você disse que seu amigo está sob influência, você... – e a voz agora pareceu um pouco receosa – Não acha que pode estar também? Você disse que pode estar sendo afetado por magia...




@Ree, Aldarion e George
Obs: George, você está amordaçado, você não consegue falar direito, no máximo emitir alguns sons abafados.

(George) “Você não está sendo um pouco dramático demais, George?” a voz soou novamente na mente do rapaz enquanto ele era consumido pela sua própria angústia “Você não merece, você sabe que não... Você não merece ser punido pelo que você é. Você não é um verme para ser tratado dessa forma...” E a voz já não carregava mais o tom divertido, ela transmitia ferocidade. “Você deveria mostrar a eles quem é você e sua verdadeira força... Você pode, eu posso te ajudar... É só você pedir.”

Aldarion ficou inerte, confuso durante a cena e sem saber exatamente como reagir. Ree, por outro lado, imediatamente notou do que tudo aquilo se tratava. Enquanto George estava amarrado ali, porém, por apenas um instante, a jovem teve a impressão de que havia visto algo na alma do meio dragão; algo pareceu vibrar ali e depois desapareceu, algo que causou a mesma sensação de quando havia encontrado aquela massa negra naquela residência.

Assim que a garota abriu a boca, o homem que estava aproximando a tocha parou e se virou pra ela, com evidente confusão e irritação pelo tom que ela havia utilizado. Ele acompanhou os movimentos dela e, quando ela apontou para os chifres dele, a resposta veio rápida e rude.

-
É um demônio, que surpresa há em ver chifres na cabeça dele? – o mau humor era claro – O que? – o homem demonstrou uma breve confusão quando ela revelou que o jovem era um meio-dragão – Dragões não existem há mais de mil anos. Aqueles que tinham qualquer ligação com eles já sequer existem mais. Você deveria saber disso, todos sabem.

- Esse homem é um assassino. Ele foi pego enquanto assassinava um velho e um adolescente. – respondeu o outro – Você parece se achar tão esperta, mas você não sabe de nada, nós sabemos o que estamos fazendo.

- Alias, hoje é um dia estranho... – e agora homem pareceu adotar um tom mais desconfiado – É incomum que quatro estranhos apareçam na vila assim, no mesmo dia, isso está ficando suspeito.

- A-ah. – o rapaz que os guiou até ali – Mas o Senhor – indicou Aldarion – disse que iria caçar os demônios... Ele até entrou na casa da última família morta para procurar por eles.

- Hm. Sei. De qualquer modo, esse moleque, demônio ou não, é um assassino repugnante... Mas, só para garantir, não custa tentar tirar informações dele, não é? – e deu um sorriso amargo – Talvez ele saiba de algo e, mesmo que não saiba, ele é só um lixo mesmo. Se isso incomoda vocês, vão embora, é assunto da nossa vila de qualquer modo.
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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por George Firefalcon em Dom Nov 22, 2015 12:32 am

E a voz continuava a ecoar em minha mente sem que eu tivesse direito de bloqueá-la. Grunhi um pouco - por estar amordaçado - e o gosto do pano com a minha própria saliva deixava um gosto amargo em minha boca. Mentalmente, ao contrário, eu poderia responder.

"Minha verdadeira força será resistir ao seu papinho. Não me tornarei um assassino só porque você quer."

A corda ao redor de meu corpo me deixava dolorido, principalmente ao redor dos pulsos, pois em certos pontos impedia a circulação, e eu sentia as pontas dos dedos de minhas mãos ficarem cada vez mais e mais insensíveis, além de geladas. Os pés não tinham esse problema, pois eu tinha as minhas botas e elas protegiam a circulação de meus pés.

Eu os ouvia falando de mim, e não tinha como me defender. Ao mesmo tempo que era angustiante, eu tinha que lidar com aquela voz em minha mente. Será que eu estava doido ou estava sendo atacado por um espírito ruim, e este estava me fazendo utilizar uma herança que nem mesmo os dragões de Algaësia usavam mais, que era o instinto? Eu como meio dragão poderia utilizá-lo? Não acho que poderia, mas também não acho que não poderia.

Mas o que poderia estar acontecendo? Quando o homem falou de minha chegada e dos outros, eu também fiquei intrigado. Mas a única coisa que eu queria era me libertar, mas sem pagar meu preço em sangue. Se o melhor fosse eu morrer mesmo, que fosse rápido e limpo.

E era fácil de ver... Minha morte estava decidida, restava saber se eles saberiam mais de mim antes de eu morrer ou não.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Sérpico em Ter Nov 24, 2015 10:14 pm

Mercenário? ─ Sérpico balançou a cabeça ─ Não, não exatamente. Eu só... não escolhi, fui convocado... digo, meio que não tive escolha. Era ajudar a Ilha ou ajudar a Ilha.

Agora sobre a influência... Sérpico meio que sentiu um frio no estômago quando cogitou a possibilidade de alguém estar lá, dentro do quarto, dentro de sua cabeça, dando risadinhas e tapando seus olhos para o mundo exterior. Nem respondeu nada quanto a isso. Simplesmente precisava de uma cura, com urgência, antes de se acostumar, de se acomodar, antes de ser Sérpico, O Resignado.

Mas também não teve coragem de tocar no assunto novamente, de insistir com Dália pra que ela puxe pela memória e lembre-se de alguém sábio e poderoso, com magias de cura. Não teve coragem por causa do toque dela, das passadas dela. Parecia até outra pessoa. Não que Sérpico já fosse experiente em notar como as pessoas andam, como é o toque de cada, mas Dália estava diferente. “Parece que perdeu uma briga”, Sérpico pensou.

Logo estavam na casa. Dália deveria estar pensando mil coisas por segundo. Sérpico pensava duas mil. E ficou quieto, medindo seu silêncio com o dela. Acabou soltando:

Eu realmente vim de Paramet. ─ E só. Vai ver o desanimo estava passando para Sérpico, uma doença contagiosa.

Ele aceitou o chá, mesmo sem querer bebê-lo. Bicou e pensou em dizer que estava bom, obrigado, mas isso não ia ajudar em nada.

Como resolveria o caso de George? Estava pensando nisso, procurando uma resposta no fundo da caneca. Sem sucesso. Então Dália o acertou com uma marreta: “do futuro ou do passado”, ela disse. Seria... possível? Então, uma sequência de golpes: a perspectiva de George ser torturado enquanto Sérpico fica aqui, tomando chá e usando roupas emprestadas; chuva de sangue? Isso explicava algumas coisas; e então de volta ao tópico da influência.

Sim... eu ─ de repente se sentiu cansado. Aquilo tudo bem que poderia ser um simples sonho. Apenas um sonho longo demais. ─ Eu tenho escutado coisas ─ falou, de uma vez. O que tinha a perder? Jogou tudo em Dália: ─ Desde que acordei. Uma voz. Com falsa piedade, não sei descrever. E ela, essa voz, ri, como uma criança levada. Do tipo que eu não gosto. Tem mais chá? E com essa voz... bem, quando eu estava no banho, senti uma presença. Pensei ser você. Mas não era. Era o dono da voz. Ou a dona. Quer dizer que estou banhado de sangue? A chuva é de sangue? Como? Acho que eu não estou bem... eu... Já esteve num sonho ruim que deseja muito acordar mas não consegue? Eu nunca estive, até agora.

Ele se levantou de onde estava. Apenas um impulso, impaciência, euforia. Sentiu tontura e sentou de novo. Suava. Respirava pela boca. Altas palpitações. Estava em choque. “Acho que estou morrendo”, pensou.

Acho que estou morrendo.

George, sendo torturado. Pessoas agitadas, pessoas de olho em Sérpico, pois agora era um suspeito. Sérpico incapaz de ver.

Quando deu um raio, lá fora ─ Ele apertava a caneca ─, eu voltei a ver. Foi por um instante. Eu vi todos, vi George.“Só não vi você”, lamentou e sorriu, nervoso. ─ Então voltei para o escuro. Isso não pode ser normal... ─ E entre bufadas: ─ Eu vim de Paramet, e tudo estava bem! Acredite... em mim. Por favor.

E cansou, os ombros caídos, a cabeça também. E, por um instante, pensou: caso a mesa fosse virada e ele tivesse pego uma Dália cega dizendo que veio de uma Lodoss destruída e com chuvas de sangue, ele, Sérpico, iria acreditar nela?

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Qui Dez 10, 2015 10:24 am

Ela sorriu, destilando sua ironia diante da resposta do homem.

- Claro... Assim como todos sabem que chuvas de sangue são coisas completamente normais.

Ao menos estava obtendo informações importantes. Aparentemente não estavam no mesmo...milenio que eles? Mas eles não pareciam muito mais avançados do que sua própria era... Aquilo era estranho. O outro idiota se pos a falar, e o fato de acharem que sabiam o que etavam fazendo a divertia. Dispensou os comentários dos dois como se fossem palavras ao vento.

- Vocês possuem problemas com demônios. A concepção de mercenários em busca de trabalho é tão difícil assim? - Ela balançou negativamente a cabeça, como se estivesse decepcionada. - De qualquer forma, não encontrei o que queria aqui. Mate-o, queime-o, faça o que quiser. Existem coisas mais estranhas para eu investigar por aí que um assassino comum.

Ela se virou e saiu pela porta, subindo as escadas e abandonando Aldarion. Talvez se ela pudesse encontrar mais pistas do que sentiu na casa... Ela saiu para o vilarejo, buscando mais rastros mágicos, sem se importar com os olhares dos moradores.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Sab Jan 23, 2016 2:14 am

@Sérpico

E enquanto Sérpico falava, Dália optou pelo silêncio. Apenas o som da respiração dela podia ser escutado, o ar entrando e saindo lentamente pelo nariz dela. O jovem sentia o olhar dela caindo sobre si, provavelmente julgando cada palavra e cada gesto dele. Quando ele perguntou sobre o chá, ela não reagiu, talvez tivesse escapado de seus ouvidos por conta do assunto.

-
Ninguém sabe... – respondeu sobre a chuva, sem demonstrar ânimo – Quando o sol se vai, a chuva vem.

E quando ele se levantou, ela demonstrou uma leve surpresa com o gesto repentino. Talvez tivesse assustado com a junção do assunto e com o gesto brusco de Sérpico.

-
O-o que? – pareceu assustada com a constatação dele – Morrendo?

E então, quando ele enfim terminou de falar, um silêncio incomodo tomou conta do ambiente. Os segundos pareceram mais longos que o normal e a chuva caía impiedosamente do lado de fora. Ele pode ouvir o som da cadeira arrastando, provavelmente Dália se erguendo e os passos dela se tornaram mais próximos.

As mãos dela tocaram os ombros de Sérpico e, embora ela própria estivesse um pouco trêmula, ela pressionou um pouco talvez tentando passar alguma firmeza.

-
Está tudo bem. – a voz soou gentil e ela se aproximou mais, envolvendo Sérpico em seus braços.

Ela o abraçou, não forte, já que ele estava sentado e ela de pé, mas ele pode sentir sua cabeça se encostando no ombro da jovem e os braços dela gentilmente ao redor dele tentando transmitir algum conforto.

-
Está tudo bem, Sérpico. Quer dizer... – o tom voltou a ser um pouco nervoso – Eu sei que não está, mas, eu acredito em você. Ou você é um louco que acredita nas próprias histórias ou é verdade... Eu acho. – e ela se afastou, mas manteve as mãos sobre os ombros dele, talvez estivesse olhando para seu rosto – Ou talvez você seja um ótimo ator. – e ela deu uma risada tensa, tirando as mãos do ombro dele e se afastando mais – Talvez eu esteja sendo burra em te dar esse voto de confiança, mas... Eu não sei. Coisas estranhas têm acontecido aqui recentemente e talvez você seja uma delas... – e suspirou – Sabe, eu... Não tenho te contado tudo... Não que seja alguma informação útil para você, mas... Você foi honesto, então... Eu... – e a cadeira pareceu se arrastar um pouco de novo, provavelmente com ela sentando.

- Eu tenho uma razão para ter interesse em tudo isso... Eu tenho uma irmã mais velha, quer dizer, eu tinha. Como eu te disse, nós éramos aventureiras; eu não sei como você era, mas você deve ter conhecido alguém como nós. – e embora não pudesse enxergar, Sérpico podia sentir que ela estava sorrido pelo tom nostálgico na voz da garota – Nós éramos órfãs, nossos pais adoeceram e morreram quando éramos pequenas e o velho líder cuidava de nós. Nós sempre nós estávamos em problemas e deixávamos ele preocupado, sempre correndo de um lado para o outro em busca de emoções. E uma vez nós fomos até o norte da ilha... Foi minha ideia. Todas as histórias de que era perigoso, de que era um lugar amaldiçoado... Na época pereceu emocionante e nós fomos sem pensar duas vezes. O lugar é... – e ela respirou fundo, o tom de nostalgia sumindo de sua voz e dando lugar a uma voz mais séria - Assombroso. Parece um exagero, mas nada vive lá... A chuva de fogo destruiu tudo. Essa foi a última vez que eu vi minha irmã. Nós vimos uma sombra em meio as ruinas, eu não vi bem o que era, mas nós nos assustamos e corremos... Minha irmã era mais rápida do que eu, mas sempre que nos mentíamos em problemas ela corria atrás de mim. Eu só corri, sem olhar para trás e quando eu me dei conta de que não conseguia mais ouvir ela gritando para que nós corremos eu olhei para trás... – a voz dela se tornou um pouco mais fina e ela fez uma pausa, parecendo respirar fundo e voltou a usar seu tom normal – Ela não estava mais lá. Ela desapareceu naquele lugar, eu voltei para procurar por ela mais uma vez. Todos tinham medo... Só o velhote me ajudou a procurar, mas nós nunca encontramos ela, nem mesmo o corpo... Eu nunca aceitei isso, mesmo com todos me dizendo que ela estava morta e que eu deveria desistir. Mesmo agora eu... Eu não consigo.

- Pessoas tem morrido na região... Nas noites de chuva, uma casa é invadida e quem está lá morre. Todas foram casas próximas ao rio... Em uma das noites, um dos vizinhos disse ter ouvido alguém cantar... E ele alega ter tido a impressão de ter visto uma mulher dançar na chuva. Minha irmã... – e ela hesitou, levando alguns segundos para continuar a frase – Kylia gostava de fazer isso, ficar debaixo da chuva. Quando eu ouvi isso, eu pensei “e se...” – e a voz agora era tremula, parecendo não ter coragem para dizer o que gostaria – Sabe?

- E agora você apareceu... Você diz ouvir vozes... Eu só posso imaginar que seja quem está causando tudo isso... Talvez a mesma pessoa que tenha levado minha irmã... Eu sinto muito, eu não... Eu sei que você tem suas próprias preocupações. Mas eu não consigo não imaginar que está tudo conectado... Talvez você seja a resposta para alguma coisa...






@Ree

-
Cuidado com o modo como age, sua vagabunda. – a voz soou rouca e aborrecida – Nós não queremos ser... Injustos. – os olhos estreitos se fixaram em Ree – Mas você é só uma intrusa, cuidado com as palavras, você não vai querer parecer suspeita.

Adam, o rapaz que estava acompanhando Aldarion, apenas deu um sorriso nervoso e pôs a mão sobre o ombro do barbudo parecendo querer acalmá-lo. Com as últimas palavras, o homem apenas a encarou e aguardou que ela se retirasse.


“Vamos acabar logo com isso.” A voz dele ainda pode ser escutada por detrás da porta enquanto Ree subia a escada de madeira. Ela chegou a dar alguns passos em direção a saída daquele lugar, mas antes que se colocasse para fora, os gritos de dor George puderam ser escutados.

O clima no bar ficou um pouco mais tenso e todos olharam para a direção de onde os gritos vinham... Em meio ao desespero, todos conseguiram ouvir os gritos dele, implorando por sua vida e paga que apagassem o fogo de seu corpo. Ree provavelmente teria simplesmente saído dali sem se importar com o que estava acontecendo, mas algo chamou sua atenção.

Algo pareceu explodir. Não algo físico, mas algo mágico. No momento em que os gritos de George finalmente cessaram, alguma coisa se dissipou no ar e desapareceu. A sensação foi semelhante a daquela criatura... Algo estranho, algo que parecia fora do lugar. Uma sensação semelhante a que ela sentia dentro de si mesma.

Ela saiu do estabelecimento e sua busca por rastros mágicos foi em vão. Ninguém ali parecia ser um usuário bom de magia, algumas das pessoas até possuíam uma energia, mas ela era baixa. Além disso, magia nenhuma pareceu ser utilizada por ali, os rastros mágicos eram insignificantes e nenhum deles tinha a mesma sensação que a daquela coisa. Talvez a floresta tivesse a resposta que ela procurava, mas talvez aquela criatura estivesse lá.

Na rua, algumas pessoas a espiavam através da janela, mas ninguém andava pelas ruas.

-
Senhora, senhora! – a voz de Adam pode ser escutada logo atrás de si e ele parou ao lado dela – Eu sinto muito, todos estão tensos... Não o leve a mal. V-você não deveria sair andando por ai, pode ser perigoso... Eu posso te arranjar um quarto se desejar.
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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Sérpico em Sab Jan 23, 2016 2:02 pm

Se não estivesse cansado emocionalmente, Sérpico ficaria surpreso com o abraço. Mas no caso apenas o aceitou, relaxando, deixando Dália remover toneladas de peso que pairavam em seus ombros. O gesto parecia ter poderes regenerativos, exatamente como falavam os pacifistas. Sérpico melhorou um bocado.

Então Dália contou um pouco sobre ela. De fato, não que fosse informações úteis para Sérpico. Mas, bem, ela estava confiando nele ─ mesmo tendo ainda uma ponta de suspeita sobre quem era Sérpico ─ e isso já era alguma coisa. Estavam avançando. Sérpico não sabia pra onde, mas estavam avançando.

Se sentiu mal com o que ouviu. Se arrependeu de ter sido sincero e em troca merecer a sinceridade dela. Sérpico desejou, por um instante, não ter que ouvir aquele sofrimento, desejou voltar no tempo e manter um relacionamento artificial e simples e leve, aquele dos conhecidos desconhecidos, dos perfeitos estranhos, que se relacionam bem, mas não se aproximam tanto, um diálogo de surdos, um aperto de mão entre porcos espinhos. Mas já era tarde ─ até um abraço Sérpico recebera!

Então absorveu a dor dela. E nem era preciso ser capaz de enxergar pra saber exatamente como Dália estava. Talvez com os olhos marejados, com as mãos apertadas sobre o colo, o queixo a tremer, o peito subindo e descendo rápido demais tentando compensar o esforço da garganta subitamente apertada por causa do choro contido. Sérpico teve vontade de devolver o abraço. Estava envolvido no luto dela e, de repente, parou de pensar somente em si mesmo.

Quando você... quando eu apareci aqui, você foi a única que apareceu. Foi na esperança de achar sua irmã?

Sérpico concordava que sem encontrar corpo, não era garantida a morte da pessoa. Talvez a irmã de Dália ainda estivesse por aí. Mas Sérpico não conseguia enxergar nenhuma ligação do seu caso com o de Dália...  

E essas casas próximas ao rio ─ Sérpico parou, pensou um pouco. ─ Você já foi até essas casas?

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Goldsilver Ironsteel em Dom Jan 24, 2016 2:00 pm

OFF: Desculpe o sumiço, não vou sumir mais. Agora pretendo jogar apenas for fun, não quero xp nenhum desta campanha só itens que eu venha a ganhar. Obrigado.

Aldarion acompanhou Adam e Ree sem abrir a boca e proferir uma única palavra, Ree era visivelmente uma maga e portanto, claramente possuía muito mais qualificações para lidar com aquela situação que ele. Aldarion era um aventureiro experiente, havia enfrentado uma infinidade de monstros em sua terra natal e em Lodoss, mas toda a sua experiência prática jamais poderia superar o conhecimento prático de um mago, pois os magos possuíam toda a esfera completa, o conhecimento prático e teórico, e deste segundo, Aldarion carecia.

Ele observou tudo com atenção, observou o barbudo agir de forma rude com Ree, mas nada fez, apenas o encarou, seu punho cerrando pronto para encontrar o queixo do infeliz em um soco poderoso, mas por sorte isso não foi necessário. Ree era uma pessoa extremamente arrogante e fria mas isso não justificava qualquer comportamento hostil por parte dos locais, de qualquer forma contanto que ela o respeitasse ele não iria se incomodar. Depois da breve discussão, Ree se retirou da sala, Aldarion deu de ombros e a seguiu.

Ei garota, você realmente parece saber das coisas, me diz, qual seu plano? Se você quiser eu posso ir com você, minha espada pode estar a sua disposição, não sou um mago e talvez eu seja menos poderoso que você, mas minha pequena arma aqui pode dar um fim a muitos demônios infelizes. ─ Disse ele apontando para sua espada.

Então começaram os gritos, gritos horrendos de dor dignos de uma alma sendo torturada no inferno. Então eles realmente resolveram queimar o pobre coitado? Aldarion não sabia porque, mas sabia que alguma coisa estava errada. Por isso ele passou correndo por Ree voltando ao quarto onde o meio dragão estava para ver o que estava acontecendo, se o meio-dragão fosse realmente um monstro, um demônio, ele faria algo muito ruim para escapar das chamas e Aldarion queria estar lá para se certificar de que ele de fato era só um meio dragão.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Dom Jan 24, 2016 3:03 pm

"Pft, idiota. Esse vilarejo não vai muito longe com ele...."

Subindo as escadas, logo atrás veio Aldarion, declarando suas intenções de segui-la. Aquilo a satisfez imensamente. Ter um escudo de carne ao seu dispor era sempre bem vindo.

- É bom saber disso.....Eu ainda não tenho um plano. Mas sei onde essas criaturas estão se escondendo. porém não podemos ir até lá. Não ainda...

Estava se aproximando da saída quando parou, sentindo um elemento mágico que não havia sentido antes. Os gritos eram quase música aos seus ouvidos, mas não era por isso que havia parado. O que ela sentiu não foi uma alma sendo liberta simplesmente. Havia algo mais.

"hmm... Um estranho, que clama ser um assassino, e essa mesma sensação... Aldarion também não é daqui... O que você quer com a gente?"

Ela fechou os olhos, escondendo a coloração prata que eles adquirem quando ela ativa seus poderes, e procurou. Ela só sentia a escuridão, e no meio dela, uma alma. Algo estranho e corrompido, como se estivesse infectada. Ela se concentrou naquele ponto. Se pessoas sensíveis estivessem no local, talvez percebessem um imenso fluxo de energia sendo emanado por ela.

"Ai está. Venha. Eu preciso de você"

E como sempre ocorria, ela protestou e se debateu. Como se quisesse ascender. Porém Ree era mais forte do que ela, e ela parecia ser atraída para si, como uma força gravitacional. E após alguns minutos, estava completo. A alma estava enfeitiçada, agora submissa aos poderes de Ree. Ela se comportava erraticamente, e era claramente diferente de qualquer outra alma que ela possuísse. Que... Espera.

Elas não estavam ali.

O coração de Ree bateu forte. Onde estavam? Ela não havia sentido a falta até o momento, pelo simples fato de não ter necessitado usa-las. Porem..quando? Pois ela sentiria caso fossem arrancadas de sua influencia drasticamente. Aquilo estivera sempre assim? Como não havia notado?!?

Nervosa, saiu do local mordiscando o dedo. Enquanto esperava por Aldarion, encarava a floresta, no horizonte. Estavam brincando com eles. Ao mesmo tempo que estava nervosa, o cansaço começou a bater, após uma noite péssima com sonhos proféticos e o ritual realizado agora a pouco. Além disso, aquele vilarejo começava a irritá-la. Apenas pessoas densas e sem nenhuma pista. Mas ela havia conseguido uma. Muito importante.

Quase não ouviu o que o garoto quando ele voltou correndo, Aldarion junto a ele. Apenas reparou quando ele a chamou repetidas vezes, e desviou o olhar por um tempo para encara-lo. Parecia ponderar a sugestão. Porém voltou o olhar novamente em direção a floresta.

- Você tem um mapa de lá? Não há nada aqui semelhante a um demônio. O máximo que conseguiram foi eliminar um meio-dragão infectado por algo mágico. Mas não um demônio. - Suspirou, desapontada - Eu aceito a oferta do quarto. Posso paga-lo se for preciso. Preciso meditar, urgente....

Seguiria o garoto pelas ruas do vilarejo, sem se importar com os olhares dos moradores. O garoto parecia alguém mais sensato, ainda que ingênuo. Porém, poderia saber mais sobre onde estava talvez. Já havia discutido um pouco com Aldarion, e havia ficado intrigada com os poucos conhecimentos que aquelas pessoas possuíam.

- Garoto, onde estamos? Quero dizer, aqui é Hirt, não é? Em que ano estamos? - Permaneceu em silencio enquanto ouvia - Eu e Aldarion... esta claro que não somos daqui. E também o meio dragão. A Hirt que eu conheço é.... diferente. Apareceram outros estranhos nos últimos dias?

Clock Bunny resmungava dentro do casaco, estava louco para sair, porém ainda haviam muitos olhares pelas ruas para que Ree o permitisse. Ree refletia sobre as respostas que o garoto daria, e caso fosse afirmativo, pediria para ver estas pessoas. Por enquanto, havia muitas peças faltando. Seus dedos se acomodaram ao lado do jarro em seu bolso, enquanto seguiam pelas ruas. Precisaria meditar e fazer experimentos com a alma e aquela coisa do jarro. Mas não ali.

Diminuiu o passo para ficar junto a Aldarion, enquanto Adam seguia a frente, e disse em um tom baixo e sério.

- Aldarion...Você...sente algo de diferente? Algo...faltante? Aquilo que aconteceu na casa, você tentou fazer algo que não conseguiu, e pareceu frustrado...O que aconteceu exatamente?

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Ter Jan 26, 2016 6:24 pm

Prazo: 2/2




@Sérpico

- Sim... Eu saio em noites de chuva... Eu penso que talvez eu a encontre, mas eu encontrei você. -  depois do último questionamento dele, ela respondeu sem pensar muito - Depois que encontram os corpos, ninguém mais vai nas casas. Eu nunca vi um dos corpos, mas dizem que sempre há... – e o tom dela agora carregava certa repulsa – Pedaços faltando e sangue por todos os lados. Eu nunca tive coragem de entrar... Mas eu sei quais são. Por que você pergunta...? Você... – e hesitou, talvez com receio da resposta – Que ir até lá ou algo assim?

Pode ter alguma coisa lá! Qualquer coisa, deixada para trás ou... ou... bem, já ouviu que os criminosos sempre voltam ao local do crime? Eu já ouvi isso, não lembro onde, mas... que seja. Deve existir algum padrão nesses ataques, talvez algo além de serem em casas perto do rio... Só indo lá pra saber.

Na verdade, Sérpico ficou curioso com fato de ninguém ter mais interesse pelas casas, e simplesmente esquecê-las após os ataques. Bom, ele estava quase disposto a investigar pra saber o que podia descobrir... quase disposto. Como não podia ver, não seria muito útil. Mas também não podia deixar que ela fosse sozinha. E o momento não era bom: chovia.

Talvez possamos ir lá amanhã ─ sugeriu. ─ Quando a chuva parar...

- Hm. – Dália pareceu ponderar as palavras ditas por Sérpico – Talvez... – e, por mais que não pudesse vê-la, conseguiu captar o medo em sua voz – Será que quem fez isso realmente voltaria lá? Eu não sei... – e pareceu indecisa, mas respirou fundo – Será que é mesmo uma boa ideia...? Ah. – e ela soltou um suspiro, talvez aliviado, quando ele sugeriu que eles fossem durante o dia – É. De dia acho que não tem problema. Se eu quero uma chance de encontrar ela, não posso ficar me acovardando...

E foi então que, de repente, Sérpico sentiu algo sobre si. A princípio ele sentiu um olhar recaindo sobre suas costas e, em seguida, um peso sobre seus ombros como se mãos tivessem pousado ali. Mas ele sabia que Dália não havia se movido de onde estava; ele não havia escutado nada e além disso o toque era totalmente diferente. Era pesado e forte, chegava a causar uma ardência estranha em seus ombros... Mesmo que tentasse se levantar, o jovem se sentiu incapaz de repelir aquela força que o compelia a permanecer sentado.

- Sérpico, Sérpico... – a voz soou, bem próxima de seu ouvido, não parecia a mesma que ele havia ouvido em sua consciência... Essa voz parecia masculina e jovem – Deixe-me te dar uma, hm... – e ele ponderou por um instante, dando uma breve risada – Uma dica. Quando a manhã vir, você vai adormecer. Aqui, você só consegue acompanhar a chuva e a escuridão... Essa foi a dica, agora, meu conselho: apenas se deixe ir, deixe que a chuva te lave. Morra de uma vez, Sérpico.– o toque começou a ficar gelado e incomodo enquanto ele continuava – Você não quer ter o mesmo fim que seus pais, não é? A doença está vindo e eu tenho certeza que lhe mostraram... Os dedos gelados de uma morte dolorosa.

E o peso desapareceu de seus ombros, mas a sensação incomoda de estar sendo observado permanecia ali, embora mais tênue.





@Aldarion

Aldarion correu de volta para a sala durante os gritos, um dos homens se alarmou e tentou pará-lo, mas o guerreiro apenas o empurrou para o lado e desceu as escadas, passando pela porta mais uma vez.

Dentro da sala, ele avistou o homem barbudo observar o corpo de George queimar. Ele não demonstrava nenhuma satisfação com o gesto, apenas observava com uma expressão séria.

Observando o corpo de George queimar, mesmo Aldarion não pode evitar sentir uma certa angustia em observar aquilo. As chamas pareciam o consumir com uma lentidão maior do que o de costume, talvez por conta de sua raça, mas o óleo que fora jogado sobre ele manteve as chamas acesas por tempo o suficiente para que elas se tornassem fortes e consumissem a pele do mestiço. Os urros de dor e de agoniam eram ensurdecedores em um ambiente tão pequeno como aquele... O jovem se debatia em chamas, tentando se livrar das correntes que o prendiam, mas fora em vão. Ele queimou. O cheiro da carne incendiada começava a dominar o ambiente e foi então que as coisas se tornaram um pouco estranhas.

As chamas que consumiam aquele corpo se tornaram mais escuras... Um negro alaranjado tomou conta delas enquanto os gritos de George se tornavam fracos até que enfim cessaram. O homem barbado ficou surpreso e saiu da sala, sem dar atenção ao guerreiro.

E o corpo permaneceu ali, queimando.



@Ree

Quando os gritos cessaram, Ree passou a se concentrar. Ninguém lá dentro parecia notar o que ela estava fazendo, especialmente com os olhos fechados. Ela podia ouvir os murmúrios de dentro da taberna, mas tudo aquilo se tornou distante enquanto ela buscava pela alma do falecido.

Com o contato, a alma tentou se contorcer, fugir, mas Ree era mais forte e foi capaz de dobrá-la. Agora ela tinha mais uma alma para sua coleção... Mas foi ai que se deu conta que das almas anteriores, apenas CB havia restado. Mesmo que tentasse se concentrar para encontra-las, Ree era incapaz de sentir a essência delas.

E, por um instante, a maga teve a sensação de ouvir uma breve risada de deboche atrás de si. Atrás? Fora baixa, mas bem próxima... Pensando bem, era difícil saber de onde tinha vindo.





@Ree e Aldarion

O guerreiro subiu para encontrar Ree novamente. No bar, os homens comentavam sobre as chamas negras que consumiam o corpo de George; alguns dos presentes desciam as escadas para ver com os próprios olhos, mas os homens pareciam mais certos do que antes que aquele era um demônio que eles haviam capturado e especulavam sobre o que fazer agora, com receio de uma possível retaliação.

Adam observava Ree, aguardando uma resposta.

- Hm? – ele acompanhou o olhar de Ree – Não... Aquela é a floresta Allgreen, ninguém mora lá. Tudo que eu sei é que o rio passa por ela. – com as palavras dela, o rapaz pareceu confuso – Mas as chamas... Eram negras... – tentou justificar, sem muito empenho – De qualquer modo ele era um assassino... – e abaixou o olhar, um pouco frustrado.

Com o convite aceito, o garoto assentiu. Disse que os levaria até sua casa, pois lá haviam duas camas extras para quando seus irmãos que moravam em outra vila vinham visita-lo.

- Sim, estamos em Hirt, a vila fica perto do Kellsea. – ele respondeu, mas quando Ree perguntou sobre o ano ele pareceu levemente confuso, mas optou por não fazer perguntas – Estamos em 815.

Quando Ree explicou brevemente sobre Aldarion e ela, Adam apenas os observou confuso e com descrença, talvez imaginando que ela estivesse louca.

- A Hirt que você conhece...? Tirando a chuva, é a mesma de sempre... E não... Vocês são os únicos até onde eu sei.

E pararam em frente a uma casa, Adam abriu a porta e permitiu que os dois entrassem. O lugar era pequeno e frio; a casa não era muito decorada, a única coisa que havia eram algumas esculturas pequenas de madeira que representavam animais. Havia uma sala com uma pequena lareira e o que parecia ser a cama dele ficava ao canto, além de uma cozinha pequena, um banheiro e um pequeno quarto aos fundos.

- Eu entendo que você... Que aquele homem talvez não fosse um demônio, mas... As pessoas têm uma razão para achar que tem algum demônio por aqui, sabe... No primeiro dia em que choveu sangue, muitos alegam ter escutado uma risada enquanto dormiam. Eu não teria acreditado se não tivesse escutado também... – e ele desviou o olhar, incomodado com a lembrança – Era alta e nítida, parecia real e soava... Um pouco maluca. Não deve ser uma coincidência... Não é?
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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Sérpico em Ter Jan 26, 2016 7:18 pm

Sérpico estava pronto a dizer que Dália não parecia nem um pouco covarde, muito pelo contrário, mas aí sentiu-se mal. Sentiu de novo aquele peso do luto e tal... não, calma aí! Não era peso de luto coisa nenhuma! Era um peso físico, realmente sobre o seu corpo.

Dália? Não, não era ela. Então...?

Não dava nem pra levantar e, ao constar isso, Sérpico parou de tentar na mesma hora e travou a respiração. Aquela força... podia parti-lo, esmaga-lo ali mesmo. Sérpico tentou apenas resistir, ficar firme, enquanto lutava para entender. “Alguém”, pensou, e talvez fosse alguém, alguém grande, lhe pressionando pra baixo. Mas por que Dália estava tão quieta? Já ia perguntar pra ela quem estava brincando com ele daquele jeito quando a voz ressoou.

Malditas vozes.

No entanto, aquela era diferente. Ia dar uma dica. Sérpico se permitiu uma respirada, só pra não morrer asfixiado. Mas tentava fazer o máximo de silêncio pra ouvir o que viria a seguir. E teve uma péssima recompensa: a dica era confusa e desencorajadora.

Morrer? ─ soltou isso sem querer, de chofre.

A voz continuou. Falou da doença. A porra da doença! Mas o pior foi ter falado de seus pais, do fim deles, como se esse safado os conhecesse. Daí Sérpico não gostou. Uma coisa era falar que ele ia morrer ─ Sérpico podia lidar com esse tipo de ameaça. Outra coisa completamente diferente e perigosa era falar de sua família.

Seu puto covarde! ─ e se levantou assim que o peso sumiu. Ainda sentia alguma coisa. Como se o danado dono da voz na sua cabeça ainda estivesse ali, de canto. ─ Por que não paramos com esses truques bestas e vamos logo pro tudo ou nada? Hm? ─ Seus punhos fecharam com força. Céus, como ele queria socar o cara. Talvez matá-lo com as próprias mãos. ─ Acha que pode me assustar falando na minha cabeça? ─ Mas ele estava bem assustado, sim. Só que estava mais furioso do que assustado, daí a disposição pra brigar. ─ Acha que me conhece? Que conhece meus pais?!

Nem era preciso dizer que Sérpico esquecera por completo a amiga Dália, logo ali. E, bem, se ela não tinha certeza sobre a sanidade dele, talvez agora não restaria mais dúvidas... O problema era que Sérpico estava frágil demais pra ser cutucado daquele jeito, frágil e cansado. E se entregar a fúria sempre parece um bom negócio quando as coisas estão assim. Que as explicações  ficassem para outra hora. Agora, ele queria ouvir o desgraçado responder:

Acha que conhece os meus pais!? ─ Sérpico ainda tinha a xícara de chá em mãos. De repente não tinha mais: jogou ela, na direção que achava estar a coisa que lhe observava. Depois pegou a cadeira em que estava sentado e a ergueu, como que pronto para rebater algo com ela. ─ Acha que conhece os meus pais, seu cagalhão? Pois venha! Irei te mostrar uma parte deles que você não conhece! VENHA!

Que o mestre mental aceitasse o desafio ─ ele ia levar uma surra pesada!

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Qui Jan 28, 2016 10:03 pm

Ao adentrar na casa, Clock Bunny finalmente saltou do casaco de Ree, se chacoalhando por inteiro e tratando logo de se espreguiçar.

Ree adentrou sem perceber muito a decoração. Seu pensamento estava longe, tentando conectar os pontos. Não estavam em um ano ou local diferente. Ainda assim, algo soava muito estranho. Talvez o escudo de carne tivesse razão? Talvez estivessem em um plano diferente?

Ela não entendia quase nada de planos, exceto a pouca leitura que conseguiu na Academia. Logo, seus poderes seriam inuteis, sem o devido conhecimento.

A moça suspirou, sentando-se em uma cadeira, enquanto Adam externava suas preocupações. Os camponeses pareciam avidos por uma explicação, e uma maneira de lidar. O desconhecido as vezes era mais assustador do que as garras de uma besta, a qual você conseguia ver, sentir e tocar facilmente.

- Não, não parece ser. O problema é o que vocês chamam de demônio. Encontramos um deles na casa. Não era absolutamente nada parecido com o que vocês acham que é.

Clock Bunny pulou para o colo de Ree, que começou a coçar atras da orelha, arrancando movimentos da pata traseira de satisfação com o agrado. A garota retirou o jarro do bolso, colocando-o em cima de uma mesa ou apoio que estivesse proximo. Além do jarro, suspeitava que algo foi trazido junto com a alma do meio-dragão, pois ela não conseguia se livrar daquele sentimento estranho de estar sendo....vigiada?

- Isso é um resquicio dele. Vê esta gosma? Ele deixou muita por onde passou.  

A moça cutucou o vidro, como se esperasse algum tipo de reação da mesma, mas nada ocorreu. Parecia frustrada por não saber o que fazer no momento. Por isso, se levantou abruptamente, quase jogando o coelho, já totalmente relaxado, de cara no chão.

- Eu preciso meditar. onde podemos nos instalar?

Ree seguiria Adam para descobrir onde poderiam dormir, e assim que ele indicasse, se tornaria para Aldarion, falando baixo, enquanto buscava o jarro.

- Você... Preciso que fique me vigiando. É complicado explicar, mas peguei uma....amostra mágica daquele cara na taberna. Preciso examiná-la, mas não faço a mínima idéia do que vou encontrar. Parece algum tipo de infecção...ou maldição. Algo que distorceu aquele cara, eu desconfio.

Ela se acomodaria, sentando-se da maneira mais confortável possivel, enquanto concentrava sua energia. Esperaria Adam se retirar, ou pelo menos se distrair com algo. Caso nada acontecesse, Clock Bunny faria o papel de distração, para não atrapalhar.

- Tsk, eu ainda vou me arrepender disso... Me chame de vez em quando. Não é bom me perder do plano físico por muito tempo...

E assim, lamentando novamente por ter sido envolvido em toda aquela porcaria, ela fechou os olhos,e canalizou energia, iniciando sua análise. Seus cabelos ganhariam mechas pratas, e se os olhos estivessem abertos, Aldarion também notaria os olhos perderem a coloração carmin, adquirindo um brilho prata.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Qua Fev 03, 2016 4:42 pm

Off: O Jogador Gold foi removido da campanha por ter perdido o turno 3 vezes. :c Ree, eu vou substituir o personagem dele por um NPC. Não vai mais ser o Aldarion, mas um cara chamado Wotan, ele é um guerreiro e é forte também, ele passou pelas mesmas coisas que o Aldarion mas a personalidade vai ser um pouco diferente.

Prazo: 10/02





@Sérpico

- Hm? – foi o primeiro som que Dália emitiu quando Sérpico falou sozinho, aparentemente ela não escutava as mesmas palavras que o jovem – Morrer? Do que você tá falando...?

E quando ele se levantou, Dália soltou uma leve exclamação surpresa e depois disso não disse mais nada. Provavelmente havia ficado ali, olhando Sérpico surtar. Não houve nenhuma movimentação da parte dela. A xícara colidiu contra a parede e Sérpico pode ouví-la estilhaçar.

Quando ele ergueu a cadeira, Dália voltou a falar.

- S-sérpico? Se acalme... – a voz hesitante e um pouco assustada estava baixa e um pouco longe, provavelmente optando por não se aproximar – É a voz...?

Mas não houve tempo para que Sérpico sequer respondesse ou respirasse fundo para se acalmar. De repente, a cadeira que estava em suas mãos estourou como se uma força invisível tivesse a destruído, o som da madeira se despedaçando foi alto. Dália gritou quando a cadeira estouro.

E depois, tudo começou a ficar gelado. Um frio intenso tomou conta do ambiente de modo rápido e assombroso... Não havia nenhuma corrente de vento ali para que isso acontecesse. Mesmo Sérpico, que estava quente por conta da sua fúria, sentiu seus pelos se erriçarem.

- O que é esse frio...? – Dália murmurou, parecia trêmula.

E parecia que o chamado de Sérpico havia funcionado.

- Sérpico, Sérpico... – a voz soou novamente, desapontada – Eu não acho que conheço seus pais. Eu os conheço. Sarah não tão bem, mas Frederik... Ah... – e ele parecia se deleitar com a lembrança - Ele sim. Complexo, fascinante.


Ayakashi ~Japanese Horror Story~
Sorrow Version 3
Yasuharu Takanshi
E, de repente, tudo se iluminou. Era estranho, ele sentia as sensações, mas tudo parecia tênue... Como se seu espirito estivesse naquela visão. Ele sentiu uma brisa bater contra seu rosto enquanto seus olhos se ajustavam a luminosidade... O cheiro familiar do campo chegou até seu nariz. Não havia mais som de chuva... Havia uma certa tranquilidade no ar, uma paz familiar. E quando seus olhos se acostumaram com a visão ele conseguiu ver a fazenda onde viveu.

Nos campos, ele pode se ver... Mais jovem do que ele era. Mas ele se lembrava com perfeição daquela época de sua vida. Aqueles eram os dias em que sua mãe estava de cama e seu pai saíra em busca do druida. E da estrada, o jovem avistou o pai chegando em seu cavalo. A imagem não tinha o esplendor de sempre, ele parecia cansado, estava mais magro do que Sérpico lembrava... E o olhar carregado de lágrimas. O jovem Sérpico pareceu entender sem que Frederik precisasse dizer uma palavra. O homem desceu do cavalo e colocou as mãos trêmulas sobre os ombros do filho.

- Me perdoe, Sérpico... – a voz trêmula – Nada... Não havia nada...! – ele abraçou o filho e chorou. Sérpico retribuiu o abraço e compartilhou suas próprias lágrimas com seu pai.

E a imagem se apagou lentamente, dando lugar a outra. Era o quarto de seus pais. Sarah estava deitada na cama, ofegante... O rosto pálido e as bochechas avermelhadas por conta da febre. Os olhos estavam fechados pesadamente e a expressão um pouco contraída em dor.

Frederik estava de frente para a cômoda do quarto, servindo um copo de água. Ele pegou do bolso um pequeno embrulho... Olhou para aquilo com pesar e despejou o conteúdo dentro do copo; um pó branco se misturou com a água. O homem se virou para a esposa com um sorriso fraco e sentou-se na cadeira ao lado dela... Ele acariciou o rosto de Sarah gentilmente e depois segurou sua mão. Mesmo inconsciente, a mulher parecia reconhecer o toque e tentar retribuir o gesto.

- Eu sinto muito, meu amor... – ele apertava a mão dela com força e ela, mesmo inconsciente, parecia tentar retribuir o gesto – Eu não... Você está com dor, não é? Eu te conheço, mesmo que você não diga nada... - o sorriso desapareceu, dando lugar as lágrimas... Ele tornou o aperto mais firme - Eu falhei com você... Me perdoe... Isso é... É a única coisa que eu posso fazer... Eu não consigo mais te ver assim... Por quanto tempo você vai sofrer e ficar em dor? Eu te amo tanto... – e ele chorou, soltando a mão de Sarah - Me perdoe...

Ele ergueu um pouco o corpo dela em um de seus braços e hesitou. Pareceu lutar contra a ideia... Ficou um longo tempo olhando para o copo e depois para a mulher. Prendeu a respiração e, enfim decidido, lentamente virou o corpo de água na boca de Sarah até que todo o conteúdo fosse despejado ali. E largou o copo de lado, abraçando a mulher que deixava de respirar em seus braços, pouco a pouco. Sarah pareceu relaxar nos braços de Frederik e a expressão se suavizava, deixando a dor para trás.

E aquela cena também foi se apagando até que tudo voltou a ser escuro e silencioso.


- Tão intenso... – a voz voltou a soar em meio àquela escuridão – O remorso, a dor, a dúvida, o medo, a coragem... Seu pai foi incrível. Eu, particularmente, o achei formidável, uma verdadeira obra de arte. – e ele demonstrava um certo prazer enquanto falava aquelas palavras – Foram tantos sentimentos intensos em um único instante... Até agora eu consigo senti-los.

E Sérpico sentiu o despertar, ele abriu os olhos e tudo estava escuro como costumava ser. Ele sentiu seu corpo mole e parcialmente caído, mas sendo segurado por alguém. O ar continuava gelado.

- Então, caro Sérpico. Eu os conheço.

- Q-quem é você? – a voz de Dália soou assustada, mas talvez fosse um bom sinal que ela demonstrasse escutar a voz.

- Você nunca achou estranho que Sarah faleceu dois dias depois que Frederick voltou? Bem conveniente, não acha? Uma pena que ele não teve ninguém para fazer o mesmo por ele... Ele teve de sofrer tanto até morrer.

E ele pode sentir as mãos trêmulas de Dália o puxando para cima, tentando ajudá-lo a se levantar. Mas, mesmo quando ele se ergueu, por alguma razão ela não soltou o braço dele, provavelmente queria impedi-lo de fazer qualquer loucura. Na verdade, por alguma razão ela tentou passar para a frente dele.

- Para trás. – a voz dela, embora assustada, soou firme. O som do metal sendo desembainhado pode ser escutado vindo dela.

- De qualquer modo, vê, Sérpico? Eu os conheço. Na verdade, acho que fui eu quem te mostrei uma parte que você não conhecia, não é? – e riu, como que debochando – Seus p—

- Cale a boca! – Dália disse, irritada, mas sua mão trêmula ainda demonstrando o quão assustada ela estava – Pare de mexer com ele!

- Ah, Dália. – e a voz parecia se tornar mais próxima a cada palavra... Em resposta a isso, Dália recuava tentava puxar Sérpico consigo – Você cresceu. Meus planos para você estão correndo bem... Em breve você irá encontrar a casca de quem você procura tanto.

- Do que você está falando...?

- Em breve, criança. Agora... Sobre seu desafio, Sérpico. Eu realmente não acho uma boa ideia. Qual a graça de esmagar algo tão... Inferior? Considere a minha paciência um favor.








@Ree

- Eu senti. – Wotan respondeu enquanto caminhavam um pouco mais atrás de Adam – Quer dizer... Foi como se eu não sentisse. Embora eu esteja carregando minha arma agora... Quando eu a empunhei para lutar, ela se tornou pesada e eu não consegui levantar ela. – e estreitou os olhos, frustrado – Eu não sei o que isso pode significar.

Depois que adentraram na casa, com a visão de CB, Adam pareceu demonstrar um pouco de surpresa, mas, mais uma vez, preferiu não fazer perguntas embora sua expressão de estranheza fosse evidente. Quando Ree retirou o jarro, porém, ele finalmente parou de prestar atenção em Clock Bunny.

- Isso...? Eu não me lembro de ter ouvido de nada do tipo... Nem nas casas onde tiveram os assassinatos. A-ah, você pode ficar no quarto dos fundos. – e o rapaz guiou Ree e Wotan até um pequeno quarto aos fundos, haviam duas camas e alguns lençóis no chão que pareciam formar uma terceira cama improvisada - É um pouco apertado, mas... Espero que sirva. Eu vou fazer um chá, vocês podem descansar se quiserem.

E Adam se retirou. Wotan encostou a porta por onde passaram e olhou para Ree com curiosidade.

- Tudo bem... Mas se algo der errado eu faço o que? Te balanço até você acordar? – perguntou, não confiando muito em apenas chamar pelo nome dela – Bem, eu vou dar um jeito, eu espero. – se sentou em uma das camas.

Ree fechou os olhos e passou a se concentrar. A princípio foi um pouco difícil se concentrar... Como se houvesse um empecilho. Mas Ree tinha uma energia forte e sua percepção mágica era apurada... Ela conseguia sentir energia fluindo, na verdade, agora que estava em um local mais sossegado e havia se acalmado um pouco, ela podia perceber que uma quantidade absurda existia por todos os lados. Uma energia que não parecia natural, uma energia que carregava sensações emocionais junto da mágica.

Tudo aquilo parecia estar bem presente naquela chuva, talvez fosse ela que trouxesse toda aquela sensação mágica para a vila... Mas, embora semelhante, Ree já havia tido contato direto com aquela criatura, e também o liquido no jarro lhe dava pistas de como reconhecer os traços mágicos daquelas coisas, assim, para ela não foi difícil conseguir seguir esse fluxo. Na verdade, por alguma razão conseguia distingui-lo com mais facilidade. Era estranho, mas agora ela sentia certa proximidade com tudo aquilo, uma familiaridade que parecia não pertencer a ela.

Algumas coisas vieram a sua mente como um flash. Ela viu, diante de si, um rapaz que parecia subjugado... Ele estava no chão e havia uma garota jovem perto dele, ela lhe servia de apoio com um dos braços e sua outra mão segurava o cabo de uma espada que ainda estava na bainha. Ela encarava Ree com fúria e medo, como um animal encurralado.

E, de repente, ela conseguiu ver a floresta. Sabia que era uma visão, mas parecia próxima, real. As árvores não possuíam o tom verde natural, tudo estava manchado. O escarlate mesclando com o verde, os marrons dos troncos agora possuíam uma cor avermelhada. No centro de tudo, havia um pequeno lago e sua água, apesar da chuva, era negra. A chuva fazia com que aquela água escura transbordasse, escorrendo de modo sobrenatural por toda a floresta através de longas linhas negras que se estendiam.

E por entre os galhos, Ree conseguiu ver vultos. Haviam três figuras negras, próximas umas das outras.

- Ei. – a voz feminina que ela ouviu da primeira vez soou – Alguém está espiando. É a escrava? – e o vulto pareceu se mover, a cabeça olhando ao redor – Eu sinto ela. O que você fez?

E Ree sentiu que tudo aquilo foi cortado com brutalidade. Seu pulmão ficou sem ar por um instante e sua cabeça doeu, uma dor irritante, como se seu cérebro tivesse sido pressionado por alguma coisa. A garota sentiu as mãos de Wotan sobre seus ombros e o corpo um pouco fraco.

- Você está bem? Você quase caiu...

“Você tenta ver demais.” Uma voz soou, em sua mente e junto dela, a dor se intensificou. “Mas... É divertido, eu admito. Nós queremos ver vocês se debaterem... Você em correntes ou em uma jaula, como no passado.” E ele riu, parecendo achar divertido. “Sabe, não foi uma ideia tão boa pegar a alma do meio-dragão. Por causa disso, agora nós seremos companheiros por algum tempo. Eu espero que você não se incomode, sendo uma garota... Eu até fico um pouco tímido.”
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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Sérpico em Qua Fev 03, 2016 9:09 pm

Quando a cadeira explodiu, Sérpico arfou assustado e se desequilibrou um pouco. Mas rapidamente recuperou a postura e ficou firme:

Só? ─ perguntou. Boa parte de sua coragem (ou loucura, escolha uma) ainda estava intacta, só com alguns arranhões. Então o bicho ruim começou atacar a temperatura de Sérpico, que antes de trincar os dentes soltou: ─ Ah cara, por favor. Uma brisa leve de Calm tem mais sentido que essa sua magia!

Mas estava ficando cada vez mais difícil formular bravatas. Ainda mais quando não se sabia como ferir o outro. Sérpico estava pensando seriamente nisso quando ouviu Dália reclamar do frio... então ela também estava sendo afetada? Isso distraiu um pouco sua fúria, de modo que a próxima coisa que ia falar era pra que deixasse ela de fora, que era assunto só dos dois e Dália não tinha nada a ver com aquilo. Mas aí o cara falou primeiro e Sérpico voltou a ver.

É!

Mas, espera... Ele já tinha visto aquilo. Seu pai, a estrada, o campo, sua casa. Sua mãe. Era o sujeito brincando com ele? Uma ilusão? Mas ainda assim tudo parecia tão... autêntico ─ como uma memória. Uma maldita memória, talvez esquecida... Não. Deveria ser uma invasão, uma armadilha do inimigo, uma criação dele. Não podia ser verdade!

Mas... real demais, real demais! Real a ponto de paralisar Sérpico. Qual era a maior emoção: reviver a cena de morte ou poder ver, sentir, seus pais novamente? “Se mexe”, conseguiu pensar, pois era real, era tudo real. Sua mãe e seu pai de novo, era tudo que importava. “Se mexe, se mexe, se mexe!”

Sarah, bem ali, morrendo, ao alcance do toque ─ ao alcance de um abraço! ─ e Sérpico parado, distante, inútil, fraco, deixando a mãe morrer outra vez... Mas o seu pai... o que significava aquilo? “Não, não, não”, ecoou, “não foi assim, não foi assim, não assim, não, não!”

E: “SE MEXE!”

Mas ficou colado no lugar. E Sarah morreu. E Frederik... Amenizou a dor dela ─ foi isso que Sérpico viu o pai fazer?

Então voltou. Voltou para o seu confortável mundo escuro. Era bom estar de volta, longe daquela dor. Um sonho, ilusão, nada foi real. Sérpico só precisava de um tempo para combater as emoções vindas do pesadelo. Só um tempo, e estaria recuperado, novo. Mas o inimigo falou novamente, não deixando ele se recuperar. Por que não podia apenas ficar quieto e acabar de uma vez com Sérpico ao invés de insistir naqueles jogos mentais? Mas não, continuou falando, jogando pesado. E jogou certo nas palavras ─ pois quebrou Sérpico, que apenas afundou. E de repente sentiu que merecia tudo aquilo. Sim, merecia sofrer. Os dois tinham morrido e ele ficado vivo ─ merecia sofrer por isso. Aceitou o que aquele cara estava fazendo, a forma como estava lhe matando ─ lentamente, exatamente como uma... doença.

Esperou pelo final.

Mas de quem era a outra voz na cena?

Ah, droga: Dália. Ela estava ouvindo a conversa, interagindo com o demônio. E estava defendendo Sérpico, mandando o cara calar a boca! “Não, não, não”, rezou Sérpico, para o bicho, “não fale com ela, é comigo, o assunto é comigo”. Mas o inimigo não escutou a oração e depois desfez de Sérpico.

Um favor ─ ressoou, fraco. ─ Você me faria um favor se...

Aquele cara podia exercer grande força sobre as coisas, diminuir a temperatura e entrar na cabeça dos outros. Um currículo que tornava Sérpico bem "inferior", como ele mesmo dissera. E isso era o estranho da história: quem era Sérpico para que aquele cara viesse falar com ele, viesse lhe dar tanta atenção assim? Conhecia Sarah e Frederik, certo ─ mas, e daí?

Sérpico pensou, terminando sua fala em secreto: "Você me faria um favor se apenas fosse embora... Nos deixe em paz". Sérpico precisava de paz. Precisava sofrer em paz. E também queria trazer a conversa de volta para sua cabeça, excluindo Dália. "Se pode me ouvir, e sei que pode, apenas saia... você venceu".

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Seg Fev 08, 2016 11:40 am

Suas primeiras impressões eram de que toda a vila estava empesteada por uma energia forte, porém de origem emocional. Aos poucos, ela supunha que aqueles eventos eram realizados por motivos pessoais. Emoções, para se tornarem este tipo de manifestação, devem ser muito fortes. E um mago com treinamento, jamais deixaria suas emoções contaminarem suas magias. Algo que ela mesma andava trabalhando. No entanto, não deveria se subestimado, uma vez que as emoções também podem amplificar, de uma maneira tosca e com o risco da perda de controle, qualquer magia que se lance.

Continuando a seguir o rastro, sua mente foi carregada em direção á floresta. Sentia ali uma familiaridade, porém lhe parecia artificial, ao mesmo tempo. Porém, antes que pudesse pensar no assunto, um flash ocorreu, e novas cenas começaram a aparecer.  A sua frente, duas figuras. Suas posições lhe passavam a ideia de medo, porém a moça parecia querer revidar contra...ela? Aquilo era estranho. Não era nada de suas memórias pessoais. Havia se misturado com as memorias de outra pessoa talvez? Era difícil dizer. E o pior, de quem? Qual o significado daquilo?

Novamente uma mudança de visão, voltando a floresta. Agora parecia no controle novamente. Navegando por entre as árvores, seus sentidos a guiavam até uma clareira macabra. Ela olhou para cima, como se tentasse localizar a posição da lua e estrelas, e então continuaria.  Três vultos encontrou, atiçando sua curiosidade. Porém, ela foi rapidamente detectada. Mas fora o suficiente. Agora ela sabia com quantos lidavam. Pareciam jovens pelas vozes, e não esperavam que ela conseguisse chegar até lá, o que era um bom sinal. Porém sua energia foi atrapalhada, e seu contato espiritual cortado.

Voltando com abruptalidade ao quarto, seus pulmãos lutaram para recuperar o ar, enquanto sua cabeça martelava. Clock Bunny estava atento porém confuso ao seu lado.

- Ouch....  Apenas um... contratempo.  

Ela encostou-se na parede para recuperar o equilibrio, porém uma nova voz surgiu em sua mente, voltando a dor martelante em sua cabeça. A voz era jovem, que nem as outras duas que ouvira na floresta. Ela refletiu um pouco sobre o que escutava. E então deu um meio sorriso de satisfação, entendendo finalmente o que se passava.

He. Veremos, pirralho. Seus amiguinhos não pareceram nem um pouco felizes por eu ter conseguido ir até lá. Alguém anda relapso... tsc tsc.

Ela se desencostou da parede, finalmente tomando jeito naquela coisa da dor de cabeça. Agora que sabia quem a causava, ela poderia fazer algo a respeito.

Agora, seja um bom garoto e fique calado. Os adultos tem que conversar.

Concentrou suas energias em si mesma, procurando criar um bloqueio mental, separando a alma contaminada de seus pensamentos pessoais, algo que geralmente já fazia com as almas capturadas (ou ela teria que passar a eternidade ouvindo as lamuriações das mesmas), porém desta vez precisaria reforçar, já que havia uma fonte externa de magia.

- Bem... acho que encontrei algumas coisas promissoras. De fato, se escondem na floresta. E são três. Jovens, e instáveis emocionalmente. A razão por eu ter te pedido para manter um olho em mim...  - Ela deu uma cutucada na própria cabeça - É porque estou com uma parte da consciencia de um deles comigo. É um pouco complicado de explicar, mas é basicamente isso...  

Ela suspirou, parecendo cansada com o gasto de energia necessário para aquela investigação. Não era nada exaustivo, porém precisaria descansar se quisesse se recuperar.

- Eu vi outras duas pessoas. Eu não sei quem são. Se eu vi algo do passado de alguma dessas crianças, ou coisa do tipo. Mas eles parecem importantes. Uma mulher e um homem.  - Suspirou novamente, massageando as temporas - Mas não consegui compreender mais.

Vou precisar refazer isso daqui algumas horas, e tentar pegar mais algumas informações... Mas definitivamente será mais difícil.

- Por enquanto, é isso que consegui. Mas não aconselho irmos até lá sem um plano. Eles possuem a vantagem de terreno e de... basicamente saber que merda está acontecendo...  

Ela balançou o jarro para os lados, jogando a gosma de um lado para o outro, como se refletisse. Ainda tentava entender que tipo de material era aquele.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por NT Hrist em Seg Fev 08, 2016 6:45 pm

Prazo: 15/2


@Sérpico

- Hm?

A criatura demonstrou certa surpresa com a reação de Sérpico e pareceu cessar sua aproximação. O jovem sentia o olhar daquela criatura caindo sobre si, como se pudesse realmente ouvir tudo o que Sérpico pensava. E então, ele gargalhou. Bem ali, diante dos dois. Uma risada alta e contínua, como se tivesse ouvido uma daquelas piadas de doer a barriga.

- Ah, Sérpico... – disse, fazendo uma pausa e recuperando o fôlego – Você é perfeito! Você é bem mais intenso do que eu esperava... Acho que é o que dizem, tal pai tal filho. Eu fiz bem em lhe escolher...

Infelizmente aquela coisa não parecia estar disposta a atender o pedido de Sérpico. Aquele inimigo estava disposto a esmagá-lo por completo naquele instante, no instante em que ele havia se demonstrado tão vulnerável. A presença foi se tornando cada vez mais próxima e o frio cortante o acompanhou.

- Acho que você já está no ponto. Talvez seja a hora... - e agora, ele demonstrava uma certa ansiedade.


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- Para trás. – Dália disse novamente.

- Ah, Dália. - ele soou gentil - Você não quer encontrar sua irmã? O encontro de vocês será em breve. - abandonou a falsa gentiliza, agora soando frio - Agora saia, acabou para ele.

-... Não...– e se manteve ali, na frente de Sérpico.

- Seu destino é outro, a história de Sérpico já terminou. Não me faça perder a paciência.

- Não... Eu não ligo pro que você fala. É verdade que sua aparência é assustadora... – e a voz era um pouco trêmula, carregada de medo - Mas você não vai decidir nada. E se foi você quem levou Kylia...

De repente, Sérpico sentiu uma onda leve de energia se espalhar pelo ambiente... Leve e fraca, mas que acontecia de novo e de novo, como se algo mágico estivesse pulsando dentro da casa. E a cada pulso mágico emitido, as coisas começavam a se iluminar e o ambiente ganhava mais claridade; a escuridão que dominava a visão de Sérpico foi pouco a pouco se extinguindo. As coisas não eram tão nítidas como deveriam ser, ainda parecia haver uma certa escuridão que parecia tentar oprimir sua visão.

A sua frente, ele viu Dália. O cabelo branco dela estava preso em um rabo de cavalo com uma faixa verde. Ela segurava uma espada comum e a apontava para a criatura a sua frente. A energia parecia vir de Dália e agora o corpo da garota emanava uma luz leve.

-... – suspirou – Bem, mesmo que você se machuque agora, acho que não vão se importar, você ainda vai cumprir seu papel.

E, instintivamente, os olhos se voltaram para o dono daquela voz. A frente dos dois havia uma figura, uma sombra com forma humanoide... Era como uma mancha preta com formato humano, mas tudo era negro. Algumas gotas de um liquido pegajoso escorriam de seu corpo e pingavam o chão. A única coisa que ele possuía eram dentes brancos pontiagudos que estavam expostos como o de um animal que rosnava para a ameaça a sua frente.

Ele pareceu avançar, mas cessou o movimento. A energia pulsou com mais intensidade e o ambiente deixou de ser tão frio, agora uma sensação quente predominava agora. Aquilo tudo causava sensações estranhas a Sérpico, o amargo do que acabara de acontecer ainda estava em seu coração, mas também havia uma sensação de conforto e proteção. E agora ele notou que reconhecia aquele tipo de energia, já havia visto aquilo antes sendo usado por Eric.

-... – a criatura cessou, fechando a boca e escondendo os dentes – O que... – pareceu surpresa e Sérpico captou uma certa frustração em sua voz – Como isso...

- Vá embora! – Dália gritou, a espada dela emitiu um brilho mais forte e foi brandida a frente de seu corpo.

Dália atacou novamente e a criatura se esgueirou para trás, rosnando e mostrando os dentes. A garota certamente não era uma guerreira de verdade, por mais que seus movimentos fossem firmes, parecia faltar naturalidade a eles.

- Tsc... – e Sérpico sentiu que a criatura o olhou novamente, dessa vez sem aquela confiança excessiva, dessa vez ela parecia transmitir ódio.

E aquela imagem se desfez. A mancha negra começou a se desfazer, as gotas pingavam com mais intensidade enquanto a criatura parecia escorrer para o chão, deixando apenas um rastro de tinta negra para trás. Todas as sensações ruins que ele trazia desapareceram, até mesmo a sensação de que era observado sumiu.

- Ele foi embora...? O que diabos...– Dália olhou ao redor, ofegante, apertando o cabo da espada em sua mão – A voz que você disse... Era ele? Você está bem? – e se virou para Sérpico, preocupada - Ele te machucou de algum modo?

Dália era magra e ela mais baixa do que ele. Na verdade, por mais que não fosse forte, ela parecia um pouco atlética e sua pele tinha um tom bronzeado... Talvez ela trabalhasse no campo afinal. Os olhos dela eram verdes claros e agora ela parecia preocupada, ainda um pouco assustada com o quer acontecera.


Dália:
[/color]










@Ree

“Bem, eu não te escolhi.” A resposta veio e o tom era um pouco relaxado e divertido, como se realmente não se importasse."“Então você não é mesmo minha responsabilidade... Eu estou aqui de favor e, bem, eu sinto que você merece por simplesmente ter sugado aquela alma sem pensar... Oh-oh. Claro. Vocês podem conversar a vontade.”

Por mais que tivesse criado uma barreira em sua mente, era difícil saber se ela realmente era efetiva ou não, ainda mais quando a voz havia se silenciado enquanto ela falava, teria que esperar para descobrir ao que ele tinha acesso conforme ele se manifestasse.

Wotan apenas a observou, a expressão um pouco confusa. Para alguém que não utilizava magia, parecia difícil compreender as coisas das quais ela falava.

- E como isso funciona? Você... Está conectada com ele ou algo do tipo? Ouve os pensamentos dele e essas coisas? – perguntou, mas sem realmente esperar respostas que ele seria capaz de compreender – Duas pessoas...? Hm. – e passou a mão pelo queixo, pensando – Aquela coisa disse algo estranho naquela casa, não? Ele disse “vocês cinco são nossos brinquedos”... Você e eu não somos daqui e aquele rapaz que foi morto, ninguém o conhecia... Talvez ele também não pertencesse a esse lugar. Talvez isso signifique que existem mais dois? Quem sabe você não os viu... Mas isso é só... Talvez. – e abaixou os ombros, desanimado ao se lembrar de outra possibilidade – Também podem ser visões dos assassinatos que tem ocorrido ou até mesmo memórias, como você disse... É difícil saber.

"Deus, ele não parece um pouco estúpido falando?” a voz soou novamente, um pouco entediada. Mesmo que (talvez) não escutasse os pensamentos de Ree, ele certamente escutava o que era externalizado. Dessa vez a dor de cabeça não veio. “Guerreiros não costumam ser muito espertos, eles nunca transmitem confiança em nada além de segurar uma arma. Quando eles tentam ser inteligentes, acabam soando estúpidos... E muitas vezes realmente são." e ele riu brevemente. "Pessoas assim precisam ser guiadas, não acha? Eu sei que acha. Combina com você pensar esse tipo de coisa.

- Bem, se não vamos até lá, o que vamos fazer? Descansar, sair por ai tentando descobrir algo...? – o guerreiro parecia incerto sobre como proceder.
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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Sérpico em Seg Fev 08, 2016 9:50 pm

De novo. Falando do seu pai daquele jeito errado, maculado. Sérpico, mãos fechadas, apertou as unhas fundo nas palmas, sem saber o que poderia fazer contra aquele demônio maldito. Que por sinal não ia embora. Claro que não ia. Queria derrubar Sérpico, e Sérpico aceitou aquele modelo de final, de término para todo aquele momento insuportável. Não ia lutar (como lutaria?), xingar ou suplicar. Ficaria apenas firme, as unhas entrando nas palmas. Como seria então? Congelado de dentro pra fora? Não importava, realmente não importava. “É”, Sérpico pensou de volta, “talvez seja a hora”. Que ao menos fosse rápido. Era o mínimo que Sérpico merecia por ter divertido tanto o diabo.

Mas ela... ainda lá, escutando, interagindo e o demônio interagindo de volta... “Por que?!” e foi uma pergunta mental para o inimigo. Por que joelhos ele tinha de dar tanta atenção para Dália? A ponto de se desviar de sua ação de matar Sérpico. O tom era gentil, depois frio, sempre com aquela sábia superioridade, mas mesmo assim ele continuava falando. E falando. “Por que?!”

Sérpico tinha escutado o som da espada. Instantes atrás, Dália havia tomado a frente e sacado a espada... e por que o sujeito do mal não estourava a espada dela assim como fez com a cadeira? Sérpico era atingido com um peso físico ou imagens na mente, ao passo que em Dália... nada, só o frio e olhe lá. Ela entra na frente, manda o cara ir pra trás, manda calar a boca e se recusa a se mover ─ e tudo que ele faz é dizer “não me faça perder a paciência”? Para Sérpico, aquele sujeito era poderoso demais. Ao menos o suficiente para jogar Dália longe, ou lavar o cérebro dela com imagens pesadas ─ como fez com Sérpico.

Mas nada, não fazia nada disso contra ela!

“Não pode... ou não quer?”

Não dava pra saber. E Sérpico não se importava tanto assim. Não agora, no fim. Do outro lado, estaria com eles de novo e poderia passar a limpo aquelas imagens que invadiram sua mente. Então que o diabo parasse de dar atenção pra Dália e terminasse o assunto com Sérpico!

Sim. Sérpico notou a nova energia pulsando. Seria aquilo, então? O que faria? Faria Sérpico cair e se contorcer ou somente explodiria sua cabeça? As unhas romperam as palmas. Agora ele sabia por que era preferência universal morrer sem sentir, tipo enquanto dorme, num sono tranquilo. Ficar esperando ─ quando se sabe que está pra chegar mas não chega logo ─ é um saco.

Ele até voltou a ver, veja só.

Primeiro pensou que era outra visão ou que talvez já tinha sido atingido por algo, morreu, e já estava despertando em outro lugar. Tinha até um anjo de luz lá. Mas as palmas ainda latejavam e ele sentiu as mãos molhadas ─ olhou, e viu, viu o sangue, as mãos, os braços, as pontas de suas botas, lá embaixo, no chão, no chão de uma casa, uma casa bacana, digamos, mas que talvez ficasse devendo um pouco por ser num lugar tão especial como o outro mundo... A menos que não fosse o outro mundo e Sérpico ainda estivesse vivo. Daí percebeu que ainda sentia aquele energia, e vinha... dela, que deveria ser Dália e não um anjo.

E tinha a sombra gotejante. Quando Sérpico viu a coisa, boa parte da confusão se foi. Pois aí soube que era ele, o desgraçado, e quis quebrar aqueles dentes na base da cabeçada enquanto xingaria toda a linhagem daquele bastardo podre.

Estava vivo, caramba! E estava vendo!  

E foi muito bom ver a criatura recuar ante a estranha energia que pulsava no ambiente. “Ah rá!”, Sérpico exultou, como um espectador distante que descobre o segredo da trama da peça que está assistindo. “Qual o problema, bicho? Não consegue fazer nada contra ela, não é mesmo?" Sérpico achou que se aquela coisa tivesse um rosto, seria, agora, um rosto preocupado. Quase riu de nervosismo a medida que o sorriso do outro murchou, e acompanhou empolgado enquanto Dália golpeava e mandava o invasor ir embora. E, que coisa, não é que ele foi mesmo?

Sérpico estava quase bufando assim que tudo acabou. Atropelou as questões de Dália:

Você derrotou ele! Você... ele não pode... percebeu como ele não fazia nada e... ─ Sérpico precisava de um balde de água fria despejado sobre a cabeça. ─ Ele não me machucou, não. Isso aqui ─ Mostrou as mãos feridas. ─, isso foi eu que fiz. Não... ele... que se dane ele! Você viu que... com você ele recuava... Você derrotou ele! Ele ficava de falação, mas não te feriu e... estava falando só comigo, mas resolveu falar com você também... E você surpreendeu ele! Rá! RÁÁÁ! ─ Era raiva disfarçada no riso. ─ Estou vendo de novo! Posso ver! Você disse que não tinha nenhum mago, mas... como fez aquilo? Me lembrou um antigo conhecido. E abriu meus olhos! A energia... Eu até pensei que estava morto e que você era um... , estou vendo!

E simplesmente abraçou ela. Anjo ou não, foi salvo por Dália naquela noite. Em vários sentidos.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

Mensagem por Ree em Qua Fev 10, 2016 5:42 pm

Ree deu nos ombros, tendo suas próprias duvidas. O cabeça de musculos finalmente parecia entender o que ela já havia entendido horas mais cedo, mas não seria ela a dar um tapinha nas costas dele. Por mais que odiasse concordar, a vozinha estava certa em certos pontos, porém errou em uma coisa. Ela permitiu que um pensamento seu escapasse a ele.

"Ah, eu me pergunto, se você nunca questionou se o guia também não soa estupido as vezes... Ou se de fato se é o guia, ou o guiado..."

Ree se espreguiçou, deixando um bocejo sair de sua boca, indicando o cansaço. O dia já estava acabando, e privação de sono de nada ajudaria.

- Por enquanto? Recomendo descansar. Podemos ter mais sorte amanhã. Quem sabe o que vi não é o futuro, e eles ainda não pisaram nesta vila? Nossa presença aqui de certo não é coincidencia, é o que posso afirmar no momento.

"Eu poderia mandar Clock Bunny investigar, mas no clima de caça a bruxas desses camponeses, ele pode ser mal interpretado" - Pensou, enquanto coçava as orelhas do coelho. Ajeitou-se em uma das camas, deixando proximo a sua mochilha e casacos. O facão, transferiu da bota para debaixo do travesseiro, seguro junto de Clock Bunny. De resto, não tinha muito o que fazer. Iria fazer uma nova tentativa de madrugada, quando as coisas estivessem mais calmas, mas por enquanto, precisava se recuperar.

- Ah, sim. O que você poderia fazer caso algo acontecesse..Você tem uma espada, bem pesada. Eu apenas preciso estar inconsciente, isso deve ser o bastante para cortar a ligação. Mas evite o rosto. Ou eu juro que algo VAI acontecer...com você.

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Re: [Clássica - Ree] Chuva Escarlate

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