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Floresta da Tortura

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Floresta da Tortura

Mensagem por ADM GabZ em Seg Fev 24, 2014 2:05 pm


A floresta amaldiçoada não leva este nome à toa. Diversos seres acertam suas contas neste lugar, levando suas vítimas a mortes horrendas e extremamente dolorosas — e muitas vezes, lentas. Corpos ficam muito tempo pendurados, pois quase nenhum animal se atreve a ficar na floresta por muito tempo. Algumas árvores parecem ter rostos, outras brotam em formatos destorcidos e atormentados. O chão é lamacento, úmido, e as poucas formas de vida que vagueiam por ali já não possuem uma alma para ser atormentada. A energia é negativa e pesada, fazendo qualquer pessoa fraca de mente ficar amedrontada e insegura. Gritos de agonia são ouvidos vindos da floresta eventualmente, e é difícil dizer se são seres sendo torturados... ou ecos que se perderam na escuridão. Alguns demônios nascem aqui sem motivo aparente, surgindo de almas atormentadas, ou do ódio delas.

Existem muitas lendas que levam aventureiros a desbravar a floresta amaldiçoada. Promessas de riquezas, tesouros perdidos a milênios atrás que apenas esperam por almas corajosas encontrá-los. Outra das lendas apontam uma fenda no espaço-tempo em algum lugar da floresta. Nela o tempo passa muito mais rápido do que o normal. Existem relatos de demônios que passaram apenas alguns dias na floresta e, quando retornavam, tinham centenas de anos de idade.


Última edição por ADM GabZ em Sab Jul 15, 2017 7:24 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Kamui Black em Ter Abr 01, 2014 11:51 pm


- 028 -



O caminho era tortuoso e difícil. Estava escuro, mais escuro do que quando fora ali durante o dia e se ele não conhecesse um pouco da floresta certamente ficaria perdido. Teve que procurar muito antes de encontrar a caverna. Estava cansado e o veneno fazia efeito em seu corpo. Três vezes ele tropeçou nos traiçoeiros galhos e três vezes caiu no chão estatelado, já que contava com apenas um braço para lhe amparar. Por fim, resolveu quebrar um galho e utiliza-lo como muleta para lhe auxiliar.

Quando chegou na entrada da caverna, porém, jogou o galho no chão e descansou alguns minutos. Não queria parecer debilitado na frente daquelas velhas, não sabendo o como elas podiam ser perigosas. Respirou fundo e entrou na caverna, já segurando o saco com as joias.

- Olá, senhoras - disse com a maior calma possível. O esforço que fazia para não demonstrar fraqueza era supremo. - Trouxe algumas gemas. Muitas pedras preciosas e de grande qualidade. Preciso de uma cura para o Thales e para mim também.

Esperava sinceramente que elas o ajudassem depois de oferecer todas aquelas joias. Se isso não desse certo, porém, nem tinha pensado no que fazer. Teria que improvisar.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Shaorin em Sex Abr 04, 2014 10:45 pm

A floresta estava exatamente como Kirshin descrevera, e neste dia estava ainda mais sombrio pelo fato de estar doente, parecia que todas as criaturas sabiam e o atacariam em conjunto; essa sensação de ser observado era constante e incômoda.

Da primeira vez não achara facilmente a caverna, mas desta vez por algum motivo achou fácil. Ao chegar, tudo estava calmo e silencioso, mas conforme avançava, via uma luz tênue alaranjada que iluminava a caverna.  Ela estava do mesmo jeito que deixou da última vez. As três se encontravam  sentadas nas suas posições perto da roca analisando uma de suas teias. Ao ouvir os passos de Kirshin, elas pararam e abriram um sorriso malicioso e se entreolharam quando movimentou o saco.

A mais velha se levantou e caminhou mancando — prova de que o combate entre os dois deixara sequelas — até o meio do caminho.

— Até que enfim chegou. Gostou da surpresa com seu amigo? Mas acho que gostou mais da mordida, não é? — Falou a última parte com um olhar divertido. — Como o destino é interessante, não? Ainda mais quando se pode modifica-lo...

E olhou para ele com um sorriso desdenhoso nos lábios que irritaria qualquer um. As outras olharam com pouco caso.

— Depois de quase matar nossa irmã, acha que o ajudaríamos em troca de um punhado de esmeraldas? É pouco! Qualquer um trás para nós isso, e aos montes se quisermos. — Falou a pequena que se levantava e caminhava para perto da outra. — Queremos saber o que nos roubou e porquê, daí pensamos se vamos te ajudar.

Kirshin não tinha muita escolha, e pelo visto foi elas que mexeram no seu destino e colocaram esta situação. Mesmo se não contasse o que pediram, não era garantia de que o ajudariam pela clara raiva em seus rostos. Teria de ser muito esperto e persuasivo com elas e até enganá-las para fazer um bom acordo. Será que Kirshin teria lábia suficiente com três velhas espertas?

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Kamui Black em Sab Abr 05, 2014 12:09 am


- 029 -



Kirshin liberou um sorriso nervoso em seu rosto e cravou suas unhas na palma de sua mão quando descobriu que eram elas as responsáveis pelo veneno que corria por seu corpo. Sua raiva era imensurável e sua vontade era de sacar a espada ali mesmo e retalhar aquelas velhas apenas para ver se elas realmente eram imortais. Velhas malditas! Um dia ainda acabarei com vocês! Entretanto, utilizou todo o seu auto controle para não fazer isso. Afinal, muito dependia de sua capacidade de manter sua mente concentrada naquele momento.

- Posso lhes dizer o que foi que peguei - respondeu com sinceridade. - Foi uma pedra branca deste tamanho que ficava naquela gaveta. - Mostrou à elas o tamanho do objeto e apontou para móvel. - E o motivo pelo qual a peguei é bem simples: fui contratado para isso.

Assim que falou, Kirshin deu duas tossidas rápidas enquanto colocava seus pensamentos em ordem. Observou-as e analisou suas reações antes de continuar.

- Entendo que as pedras preciosas não serão suficiente, então posso oferecer-lhes meus serviços. Eu já trabalhei para alguns comerciantes de Takaras e até para o templo de Janiya antes. Sou especializado em aquisições. Se houver algum objeto que desejam e esteja ao meu alcance, deem-me informações sobre ele que eu lhes trago. Mas para isso precisarei estar em minhas melhores condições físicas.

E então aguardou, esperando ansiosamente que elas desejassem algo e que não fosse algo difícil de se conseguir.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Shaorin em Sex Abr 18, 2014 11:47 pm

Kirshin pôde ver os olhos delas se estreitarem ao pensarem no que teria pêgo; uma delas deu um respiro enquanto as outras se entreolharam. Claramente pareceu não ser algo de valor para elas, por isso não deu muita atenção, mudando o assunto.

— Há uma coisa de que precisamos...— Existe um Homúnculo que devemos um favor. Precisamos de alguém queira ajudar, sabe...— E abriu um sorriso.

—Não sabemos o serviço, mas garanto que não seja nada perigoso. Ele está no cemitério, há alguns metros atrás dele. Vai topar ou não?

Assim que ouvisse o "sim" de Kirshin - afinal ele não tinha como recusar mesmo -, a mais velha caminha até o rapaz e pega a bolsa, abre e enfia mão dentro e pega três e enfia na boca mastigando rapidamente; seus olhos brilham num tom esmeralda e na hora sua postura muda e alguma coisa em seus olhos parece jovial. Ela deu um forte e longo suspiro e olhou-o, tirando duas pedras do saco e entrega a ele.

— Coma.

Agora a situação era delicada. Como Kirshin comeria as esmeraldas, algo tão resistente? Mas assim que colocou um na boca e seus dentes entraram em contato com a joia, ela tornou-se gelatinosa com um gosto suavemente adocicado. Assim que começou a engoli-las sentiu seu braço formigar e uma disposição repentina. Olhando seu braço via que a roxidão saía de suas axilas e voltava para o ferimento até ele não passar de um rosa para branco e sumir. Estava cem por cento de novo.

— Termine o serviço que livraremos seu amigo. — Falou cínica, jogando com clara força e vitalidade o saco para as outras, o que faz Kirshin pensar por um instante se não fosse uma boa entregar as joias para o amigo comer, se daria certo como dera com ele. Difícil dizer se era apenas uma magia delas ou da própria joia.

Agora tinha um novo lugar para ir: procurar um Homúnculo no cemitério, tarefa fácil ou difícil? O que o faz pensar se tinha valido a pena ajudar o amigo desde o começo.




{ Poste sua saída aqui e a volta no cemitério com a procura. Seja especifico e detalhista, pois seu personagem procura alguém fora do cemitério.}

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Kamui Black em Seg Abr 21, 2014 12:25 am


- 030 -



Não será perigoso, é? Até parece. Mas não havia escolhas para Kirshin. Preferia um perigo eminente que continuar com aquele estranho veneno no corpo. Aceitou apenas acenando com a cabeça e recebeu uma das joias. Estava relutante em comê-la, mas ela começou a amolecer assim que a colocou na boca e conseguiu engoli-la.

O alivio de se ver curado foi quase palpável. Estava curado e revigorado, apesar do fato de que teria que enfrentar algum novo desafio em breve.
Talvez eu devesse tentar transformar essas três em minhas aliadas. Oferecer meus serviços mais vezes. As recompensas podem ser... interessantes. Mas teria que deixar aquela possibilidade para outro momento, agora teria um trabalho a fazer.

- E será que eu posso saber o nome deste homúnculo? -
se é que ele possui um. - Completou em pensamento. - E a aparência dele também.

Independente da resposta obtida, Kirshin apressou-se em voltar para o cemitério. Provavelmente a noite terminaria antes daquilo tudo estivesse terminado. Mas Kirshin não se importava mais com aquilo, apenas queria se ver livre de toda aquela confusão o mais rápido possível.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Shaorin em Dom Abr 27, 2014 1:52 am

Agora tinham pulado para um estagio mais profundo e perigoso. Estavam prestes a conhecer Kassandra, a cigana-maga da qual Alice havia mencionado. Os três estavam a pé, o que tornavam as coisas mais fáceis, tanto para se camuflarem quanto para uma boa luta caso precisasse. O pássaro havia sumido de vista no instante em que Alice o soltara em Takaras, e quando já entravam pela Floresta da Tortura, o viram voar para fora de lá sem ao menos pousar para entregar alguma resposta. O grupo ficou confuso por um instante observando a ave ir embora, mas ao vira para frente, um vulto negro saiu por entre as copas das árvores: Era um corvo. Ele pousou numa árvore morta ao lado esquerdo e observou-os por longos minutos até soltar um gralhar forte e ritmado e ser respondido por um assovio longo.

Uma bela mulher surgiu por entre as árvores e Simon soltou o ar com certa dificuldade, engolindo em seco., claramente era o pensamento de que ela era a cigana mais bonita que vira até hoje. Ela foi se aproximando deixando os olhos passearem pelos três desde Simon - que não conseguiu sustentá-lo por muito tempo - por Dachi e enfim por Alice, que sustentou-os sem alterar-se em nada. A mulher parou na frente de Dachi por ele estar no meio dos dois e deu um leve sorriso, levando um pouco dos cabelos negros para trás dos ombros permitindo que seu corvo pousasse nele.

— Vocês devem ser Alice, Simon e...Dachi. — Foi quase uma pergunta quando caiu os olhos em Dachi, mas voltou-os para Alice.

— Os encaminhei para um caminho mais longínquo, restando para nós um caminho mais breve e menos irritadiço, mas terei de me ausentar quando estivermos chegando, tenho que manter minha presença com ele para não levantar suspeitas.

— Imaginei que fosse fazer isso...Mas a que preço, Kassandra? — Alice apressou-se a dizer, nervosa. Queria saber detalhes do fugitivo mas não quis perguntar direto, mas parece que ela captou a mensagem.

— Ele está forte, se é o que quer saber. Não me comentou  nada sobre reviver Kodak, ainda não confia em mim. Mas nisso darei um jeito em breve.

— Como podemos confiar em você? — Disse Simon em tom ríspido, se pronunciando pela primeira vez.

— Não precisa confiar, apenas estamos nos aliando, é um simples negócio. — E sorriu de canto debochado, fazendo-o corar de raiva.

Bem, vamos por aqui, se me permite mostrar o caminho. Kassandra levou-os para um lado mais obscuro da floresta, onde não havia nenhum sinal de vida. Seu corvo pairava baixo suficiente para não ser visto por ninguém que estivesse a fundo demais na floresta e nem muito perto deles para mostrar suas posições. Alice bebia água algumas vezes, quase esvaziando seu cantil e conversava com Kassandra sobre os últimos detalhes, contando sobre Kodak e requisitando seus serviços. A feiticeira era uma mulher madura e centrada no que fazia, muito profissional quando se tratava de negócios tão perigosos. Solicitou que pudesse visitar a casa de Alice e ler alguns livros de sua biblioteca particular, no qual foi aceita com sucesso e demasiada felicidade, torcia por não ser algo que exigisse valor em ouro.

Kass contou-lhes que havia rumores que ele seria aberto no centro do labirinto, o que confirmava o que tinham dito anteriormente naquela casa cheia de Medusas, mas que a data seria próxima a Lua de sangue, momento oportuno para reunir as almas das quais precisava para completar o ritual além de suas vítimas para sacrifício. O caminho mostrou-se tortuoso e cheio de pequenas complicações: sem água potável e sem animal para caçar, névoa em boa parte que dificultava o trajeto para cobras e raízes pelo caminho, o que fazia-os tropeçar algumas vezes, um frio incômodo que marcou parte do caminho, fazendo seus dentes tilintarem.

Mas uma hora depois Kassandra conseguiu um servo jovem e tirou sua pele e entranhas e começou a assá-lo, teriam de comer em algum momento e como julgou estar longe de seus alvos, pararam para acampar.

—...É como disse, não vai ser fácil achar o centro do labirinto tão rápido quanto eles. Ele tem vida própria como devem saber e é imune a qualquer tipo de magia. Teremos que usar a sorte, além de sermos muito cuidadosos...Vá lá saber os perigos que ele colocará em nosso caminho. — Falava a mulher, verificando o servo na brasa.

— Mas acho que não será difícil, apesar de que você não poderá estar conosco o tempo todo. — disse Alice um tempo depois.

— Não há magos com eles, o que estranhei. Estão em quatro apenas. Três mulheres e ele. Bem acompanhado por sinal.

— Devem ter alguma fonte de poder e uma vítima, certeza. — Falou a garota com amargura na voz, levemente vermelha. Kassandra olhou-a de soslaio como Simon.

— Como me separarei de vocês em breve, deixarei algumas marcas no caminho para que possam chegar um pouco depois que nós para nos emboscar, claro que verão pelo caminho o estrago que faremos com quem tentar nos atacar e poderão ver o tipo de força que ele está carregando. Algum plano quando chegarem lá?

— Sinceramente não.

— Mas precisam de um.

— Eu sei, mas precisava de algum aliado com eles para saber seus planos para então montarmos o nosso. Alguma ideia? — Falou a garota, olhando de Simon para Kassanda e então pousando em Dachi.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Yoda em Dom Maio 04, 2014 4:35 am

Seguimos rumo à floresta adentro. Ainda sentia-me confuso por estar naquela situação e saber que envolvia aquela maga maldita me deixava irritado o que não era bom para a situação em geral. Andamos durante algum tempo, seguindo um pássaro que se perdia aos céus pela floresta ter um ambiente bizarro e totalmente diferente de qualquer outra vista, acabava que alguns galhos se fundiam ou atrapalhava qualquer visão que vinha de cima...Bem, pelo menos para mim.

Quando finalmente paramos, meu pulso se fechou assim como minha garganta, pronto para atacar com a terra. Fazia aquilo sem ao menos ter noção e tudo graças as malditas lembranças que aquela mulher trazia acabou me proporcionando. Antes que me perdesse mais em minha ira e pensamentos de aniquilar tal moça, voltei a me concentrar e observar a todos e principalmente o ambiente, já que estávamos em um local estranho.

Olhava-a com intensidade, mas consegui ignorar seu olhar acompanhado de um sorriso sarcástico, Mas o que me deixava intrigado era com Simon, seus atos eram muito estranhos, sempre de forma suspeita. Aquilo me ajudava ainda mais a ignorar os sentimentos que sentia por Kassandra.

Kassandra e Alice conversaram bastante enquanto caminhávamos por um longo tempo, indo para uma espécie de esconderijo no mais fundo da escuridão da floresta. Ao pararmos para ajeitar algumas ideias e receber algumas poucas instruções de Kassandra, fiquei bolando alguma coisa em relação ao labirinto e sua forma de vida e ser contra a magia, e armadilhas para nos proteger caso realmente dependêssemos da sorte. Estava bem distraído até o momento em que todos pararam e olharam para mim, deixando-me confuso por um instante.

-- Bem... se o labirinto for totalmente de pedra, posso tentar mapeá-lo de alguma forma, antes de entrar nele ou quando entrarmos....Caso isso ainda não funcione posso tentar ampliar meu poder de alguma forma...mas preciso tentar antes – Terminei a frase olhando para Simon, querendo dizer que ele poderia me ajudar naquilo se parasse de esconder tais conhecimentos de minha pessoa.

Levantei-me e segui para perto dele, arrastando-o comigo para que ficássemos um pouco distante de Alice e Kassandra, e de alguma forma o pássaro que nos acompanhava.

-- Diga-me Simon, o que esconde? O que sabes sobre o livro e meus poderes? Esse é um bom momento para contar, nem que seja um pouco – Pressionando o braço dele com uma força deveras intensa.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Shaorin em Ter Maio 20, 2014 11:24 am

kass e Alice ergueram as sobrancelhas surpresas com a ideia de Dachi, se entreolharam e acabaram por abrir um sorriso. A cigana foi a primeira a falar enquanto Alice pegava um pedaço de carne e comia.

- Mesmo que não seja, só o fato de conseguir ver o chão saberá o que em cima dele por suas sombras. Não sei até onde e vai seu grau de domínio desta habilidade então... - deixou a voz morrer, mas logo retornou a fala.

- Podemos nos unir em habilidade e você conseguirá me ver andar pelo labirinto.

A conversa morreu ali e ela começou a comer junto de Alice enquanto Dachi puxou Simon para um lado mais afastado. A cigana falava com a garota animadamente sobre outros assuntos, mas não deixou de observar a saída dos dois.

Simon não pareceu surpreso com a investida e perguntas de Dachi, olhou para seu braço que ele apertava e puxou, soltando-se de forma delicada ao afirmar que abriria a boca.

- É uma habilidade básica que uma vez usada de maneira correta, torna-se esplendidamente forte.

- Posso ensinar à você, mas não agora. A única coisa que posso fazer é dizer para concentrar-se no que quer ver e esquecer tudo ao seu redor por mais que estejam com uma péssima situação. Esvaziar a mente é tudo, dando espaço para a habilidade entrar e tomar conta. Com o tempo, se ela realmente te escolher, não precisará mais fechar os olhos.  Por hora apenas coma algo e descanse. Tomarei conta do primeiro turno. Ah, sobre o livro não sei muita coisa...seria bom alguém que entende bem sobre magias.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Yoda em Seg Jul 07, 2014 12:15 pm

Somente pude manter a cara fechada enquanto ele terminava de falar, pois suas palavras foram mais fortes do que um soco em minha cara. Respirei fundo para manter a calma e falar se agredi-lo por não ter a resposta que gostaria.

- Tudo bem.... Terias alguém para indicar? Posso lembrar o nome depois que tudo isso acabar e você me ensinar mais sobre esse poder...Não é por nada, mas é que meus objetivos exigem muito de minha força. – Disse já me distanciando um pouco com o intuito de retornar para onde as garotas estavam. Vendo que mais nada ia ser dito, retornei para a fogueira pegando um pouco de comida sem falar nada com ninguém, e assim fiquei durante todo o tempo antes de ir dormir. Dormir..ahuahu...cogitei muito antes de conseguir isso, provavelmente estaria cansado ao acordar, mas a concentração muito mais alta por estar tão focado quanto antes.

Ainda me surpreende de Simon querer esconder algumas coisas, com sua expressão de nervosismo estampada. Kassandra é alguém a quem sinto desejo de matar, depois da ultima vez em que a vi....ainda sinto de apertar seu pescoço com muita força. Alice ainda me é estranha, tínhamos um inimigo em comum, agora ela se parece muito amiga dela...o que é isso? Que troca repentina. Será que terei a mesma sorte que Akkin teve?....O via como meu irmão depois de tudo...se ele já não fosse...a...devo tentar dormir logo, pode ser que me peçam para vigiar....” Pensava em meio ao sono, e por fim, algumas ultimas palavras soltei “onde você esta meu pai...”

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Sab Mar 07, 2015 9:07 pm

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— AHHH!

Acordei.

Com um longo suspiro de alívio, pude enfim abrir os meus olhos e captar a realidade em cada tom amarelado de minha íris. O sonho que eu tive? Era o mesmo. Noite após noite, se é que eu podia chamar aquilo de noite. Minha memória está sempre tão confusa, é como se eu soubesse o que é a Noite e o Dia, mas não conseguisse distinguir...entende?

Reparei que eu acordei mais uma vez em um lugar qualquer daquela floresta. Vaguei por tanto tempo aqui, tantos dias e, ainda assim, não me familiarizei com o lugar. Em algumas noites aleatórias quando meu corpo fraqueja e quando minha barriga dó muito pela fome e pela sede, ele toma conta de mim. O que sei é o que ele sempre me diz;

— Não temas meu pequeno corvo, eu só vou permitir-te abrir as asas e voar um pouco! No fim, vai sentir o doce agrado de um amanhecer sereno como a aurora...

Repeti suas palavras quase como se tentasse lhe imitar o tom. Era um costume meu. Um segredo? Minhas memórias sempre ficam muito bagunçadas por causa dele, e é por isso que, mesmo em relação a coisas simples, eu sempre repito-as pra mim mesmo. Não quero esquecer de quem eu sou. Levantei, arrumei minha capa vermelha - que por sinal tinha algumas gotas de sangue espalhadas ao redor do colarinho, secas. -, apanhei minha cestinha de palha e agora sim estava preparado.

— Eu sou Sean Lionheart. Tenho 10 anos, sou um garotinho que só quer encontrar um caminho.

Eu nunca perdi a esperança. Por mais que tenha poucas lembranças de meu Pai, ainda menos de minha Mãe, sempre pensei neles como estrelas que me olham lá do alto, por traz das nuvens avermelhadas e escuras que estão sempre no céu. Ele me disse muitas vezes que a alma de meus pais é mais corrompida do que a escuridão da própria Takaras, mas é como eu sempre penso: deve ter um lado bom nessa história.

Minha cabeça estava doendo menos, eu já conseguia me equilibrar... tudo estava certo. Era hora de caminhar e procurar mais uma vez por uma saída daquela floresta assustadora. Estava decidido:

— Hoje eu não vou ter medo! Vou pedir ajuda se encontrar alguém!

Com passos firmes então tomei o meu rumo por algum caminho qualquer, levando comigo só a minha cestinha de palha e meu casaco com capuz.


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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Shaorin em Sab Mar 14, 2015 8:49 am

(Desculpem meu atraso, estive no hospital mas ja estou bem, e facul comecou xD. Vamos continuar.)

Lionheart só queria sair dali e há dias não conseguia. Já era meio de tarde e sabia que passaria mais uma noite se não achasse ninguém que pudesse dar uma informação sobre o caminho. Mas espere, como acreditar numa criatura que vive ali? Ou então, num indivíduo que esteja passando por estaa bandas? Será que a sua informação será correta e não o levará para um destino ainda pior?
A floresta era como Lionheart observava e agora conhecia. Suas árvores eram tortas e durante a noite pareciam rostos prontos para falar e galhos para agarrar e dilacerar. Neles moram criaturas estranhas que se parecem com as que conhecemos como corujas, esquilos e etc., mas em algum momento crucial mostram para que estão ali e não dura nem um minuto. O chão era coberto por folhas secas e novas, além de pedra e frutos podres e venenosos. Vez ou outra via um animal passar correndo no meio do caminho para se esconder. Outros, paravam para olhar o novo intruso e seus olhos ficavam vermelhos brilhantes e abria a boca, exibindo uma boa enorme e dentes pontudos que nem se imaginava que caberia tantos, e saia correndo como um aviso.

Numa direção geografica que Lionheart desconhecia, estava indo em direção à Vila Solstício. O céu mostrava que iria chover a qualquer momento por causa das nuvens negras e tempo abafado.

Caminhou mais alguns metros e viu uma sombra surgir do caminho por onde estava indo. Ela foi ficando mais à mostra e viu que era uma mulher.

mulher

Os olhos dela se abriram como se caminhasse com eles fechados. Lionheart sentiu uma aura simples nela, principalmente quando ela sorriu ao vê-lo.

- Olá. Que bom encontrar viajantes pelo caminho, está indo para onde? Ou...está perdido? - fez uma expressão de surpresa e doçura. Suas mãos que estavam para baixo se juntaram nas mangas da blusa e esperou a resposta. De primeira olhada er uma mulher bonita e gentil, quase indefesa se não fossem seus olhos que deixavam na cara que não se tratava de um humano.



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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Sab Mar 14, 2015 9:22 pm

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Caminhei por um bocado de tempo. Quero dizer, eu não sou muito atento a essas coisas sabe? Então não prestei muita atenção no tempo que perdi caminhando. Cada passo era uma nova experiência. Por incrível que pareça eu adorava ver aquelas criaturinhas correndo de um lado para o outro dentro daquele lugar. Algumas tinham uma aparência tão hostil, e eu nunca entendi o porquê. Sempre quis fazer amizade com eles mas todos são tão reservados... sequer consigo chegar perto que eles fogem ou me atacam. Sendo assim, só me restava continuar andando de um lado pro outro, pra lá e pra cá, até que...!

— Uh-?

O que era aquilo? Com olhos confusos porém muito curiosos, encarei aquela silhueta que se prostrou diante de mim. Era maior do que eu, aproximava-se com certa demora o que me levou a crer que não estava me ameaçando ou coisa do tipo. Antes mesmo que eu a identificasse, meus olhos ficaram turvos, minha boca seca.. era ele. Ensandeceu dentro de mim. Nessas horas eu descrevo melhor essa sensação como uma dor de cabeça insuportável e uma fraqueza por todo meu corpo. Isso me levou ao chão no mesmo instante, sequer pude terminar de identificar quem se aproximava.

— NHHHHHHGGGG!

Aquele gemido foi excruciante pra mim, refletindo em lágrimas que desciam pelo meu rosto. Precisei de um tempinho pra voltar ao normal. Aliás, tempo suficiente pra que quando eu voltasse a olhar pra frente; notasse ela ali na minha frente. Meu capuz descobriu minha cabeça durante a minha queda, revelando então meus cabelos bagunçados e meus olhos tão chamativos, e um pouco assustados é claro. Encarei aquela mulher, ou criatura.. não sei explicar, era tão esquisito. Como se eu soubesse o que ela NÃO é, mas também não soubesse o que ela é, entende?

— Ah! E-err....Oi? Minha mente estava bagunçada, sem contar na timidez. Meu coração gelou! E agora? Eu tinha jurado que ia pedir ajuda, ora, onde está aquela coragem?! Levantei então e respirei fundo. Por um momento, mas bem pouco sabe? Encarei ela firme nos olhos e... — Não dá, eu não consigo... Murmurei.

Rapidamente cobri minha cabeça com meu capuz.

Minhas mãos, inquietas, foram de encontro uma a outra - em baixo das mangas do meu casaco - enquanto os dedos se entrelaçavam em sinal de ansiedade e nervosismo. Minha orelha então começou a coçar quase como fogo, e isso acontecia sempre que ele resolve falar alguma coisa. Por sorte ele não estava muito disposto então não durou muito. Logo recobrei consciência. Inclinei levemente meu rosto, o suficiente pra que o capuz permitisse a visualização dos meus olhos através da sombra que provocava antes. Com isso pude encará-la no rosto mais uma vez, ainda que agora; com muita timidez.

— Err... m-me desculpe. É que na verdade, eu estou meio perdido. A moça pode me dar uma ajuda? Não sei como sair dessa Floresta...

Meu peito então foi preenchido por uma sensação estranha. Parecia um vazio enorme como também uma chama de ansiedade que eu nunca senti. Estava feito! Tomei a atitude mais corajosa que sonhei em fazer. E agora? O que será que aquela moça ia me responder?

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Off:

Tudo bem, não precisa se apressar quanto a narrações e tudo mais. De qualquer forma, agradeço muito pela atenção e que sigamos em frente, tentando botar um pouco de juízo na cabeça do pequeno Sean kkkkkk. Aliás, eu peço desculpas em relação a dificuldade de narra-lo assim de começo - visto que ele não tem objetivos claros -, mas é justamente esse o ponto; quero desenvolver os objetivos dele a partir do começo da aventura. Então, sinta-se livre pra colocar o que você achar "melhor" pra desenvolver o Sean e vamos ver no que dá =D
PS: Melhoras viu?

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Shaorin em Seg Abr 20, 2015 10:15 am

(Desculpem meu atraso, provas. Isso nao se repetira mais. Vamos continuar.)

A mulher manteve-se impassível o tempo todo em que Lionheart estivera tímido. Era uma mulher paciente e não reclamou em um só momento, esperando que ele falasse. Ela a abriu um sorriso doce e olhou-o nos olhos.

- Com todo prazer. Sabe qual direção quer ir? Eu estou indo para Takaras, que é na direção que estou caminhando. Hilydrus está naquela direção atrás de mim. Se quiser posso te deixar em Takaras e de lá pode achar seu caminho. O acompanharei.

Dizendo isso voltou a caminhar até que passasse por ele e deu outro sorriso, esperando que ele a seguisse.

Então seguiram o caminho para onde ela ia, apesar de ter vindo por ali, não ia saber os caminhos certos para pegar. A floresta estava mais escura e não muito diferente de quando passou, conseguiu reconhecer o suficiente para se encontra r por um tempo até que chegassem numa parte onde a grama era substituida por terra e pedras, as árvores eram mais secas e com menos vida, arbustos de frutas diferentes das quais nunca vira; um abiente diferente que sentiu até uma sensação diferente como se nunca fosse conseguir encontrar e ter o que mais sonhava. Com mais um pouco de caminhada avistaram uma estrada diferente onde viram os primeiros telhados de Takaras,mas ainda faltava mais de meio dia de caminhada.

- O que procura em Takaras? -Perguntou a mulher, olhando-o de soslaio.


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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Seg Abr 20, 2015 3:36 pm

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Apesar de ainda estar morrendo de timidez, fui ganhando coragem pouco a pouco, até que fosse capaz de ao menos encarar a mulher com menos desconfiança nos olhos. Afinal, o que eu tinha a perder? Já estava naquela floresta por tanto tempo que sequer conseguia imaginar castigo pior.

Aceitei então sua ajuda de forma que aos poucos, trassamos um pequeno percurso. Pelo que soube, a direção onde a tal mulher estava indo era Takaras. Juntando A com B, e misturando com um pouco das memórias que eu tinha, este caminho podia ser o primeiro passo pra saber mais sobre meus pais. Pelo que sei, Baien - o meu pai - trabalhava em algum Porto de Takaras, e isso é tudo que eu soube antes de ser sequestrado e trazido pra cá. Era meu ponto de início, sendo assim, porquê não seguir aquela mulher?

— Na verdade dona...? Fiz uma pausa, aguardando por alguma apresentação por parte da mulher, e em seguida, voltaria a falar-lhe ainda com certa timidez.— Estou procurando pelo meu pai. A última vez que o vi ele trabalhava em algum Porto desse lugar que você falou, Takaras... Murmurei.

Minhas memórias não eram tão claras, as vezes sentia até receio de que não fossem reais. Mas, diante do que me aconteceu, acreditar era a minha única esperança! E, quando essas lembranças invadiam minha mente, era definitivamente a melhor sensação de que tenho memória. Lembrar dele, Baien. Era como se eu pudesse sempre escutar a sua voz, tranquila e branda, me aconchegando de alguma forma. Sem contar que só nesses únicos momentos é que eu conseguia manter a sanidade longe de influência dele, o Anjo. Inclusive, nesse mesmo momento, ele não voltou a se manifestar.

— Você acha que ele ainda pode estar vivo? Indaguei, cheio de inocência.

Ao término, estendia-lhe a minha mão direita, aguardando para que a mulher lhe agarrasse e me guiasse pelo caminho. As vezes me sentia meio ingênuo por isso, mas acabava sendo tão involuntário, fazia parte de mim. Durante o caminho é claro, não deixei de lhe indagar também - se tivesse a oportunidade - a respeito de suas andanças pela floresta.

— Aliás, o que pretende fazer agora? Curioso, deixei escapar um pouco de entusiasmo na pergunta, acompanhado de certa ingenuidade também. O que será que aquela criatura não humana tinha em mente?

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por NR Fury em Sex Maio 15, 2015 9:31 am

O caminho era tortuoso e cheio de armadilhas. Buracos, pedras que soltavam, a vegetação com espinho e, às vezes, até mesmo a trilha desaparecia e deixava os caminhantes confusos. Mas aquela mulher parecia saber aonde ia. Seus passos eram rápidos, mas cuidadosos o suficiente para que o garoto a acompanhasse sobre eles. Ela seguia sempre uns dois ou três passos a frente, mas, de vez em quando, voltava o olhar para trás para checar a segurança de Sean sempre com um sorriso terno e gentil e um olhar doce e amável. Porém, quando ela dava as costas, era como se uma sombra densa se abatesse. Era como a lua: de um lado, pura e iluminada e do outro escura e misteriosa. Dava mesmo para confiar naquela mulher? Sean duvidava, mas duvidava também de sua dúvida. Não seria apenas impressão?

Então ele falou de seu pai e expressou seu inocente desejo de reencontrá-lo - o que ela certamente deduziu das entrelinhas. Naquele momento, a mulher parou. Pode ser que o menino, pego pela surpresa, até tenha se chocado contra o corpo dela, o que não a incomodou. Um silêncio mórbido se estendeu entre os dois, mas então ela se vira de volta para ele com um sorriso ainda mais encantador. A mulher se aproxima, segura uma das mãos do menino com suas duas, acolhedoras. O toque de sua pele era aconchegante, aquecido e macio, era carinhoso e, principalmente, cheio de cuidado. Sean não lembrava - ou lembrava muito pouco - de sua mãe, mas, se fosse ela ali, talvez se sentisse bem assim.

[???] — É claro, meu querido! Eu vou te ajudar a encontrá-lo, eu prometo! — Com aquele sorriso que insistia em não sumir. Suas palavras eram reasseguradoras.

Ela flexionou os joelhos, ficando com os olhos na altura dos olhos de Sean, buscando fitá-los bem em seu centro. As orbes daquela mulher eram assustadoras: suas íris tinham a cor do fogo e era marcadas verticalmente por pupilas alongadas que eram como fendas infernais. O cabelo dela era fortemente ondulado e tinha a cor da terra molhada. Se olhasse bem, perceberia também que os dentes dela eram levemente pontiagudos, mais um traço que revelava sua natureza inumana.  

[Annabell] — Eu me chamo Annabell, mas você pode me chamar de Anna ou de Bell, se preferir. E você, querido?

[...]

[Annabell] — Venha, ainda temos um longo caminho a percorrer...

E seguiram até que viram Takaras se anunciar no horizonte, ainda assim tão longe que levaria mais de um dia antes que pudessem alcançá-la. Annabell fez uma pausa. Sean então perguntou o que faria.

[Annabell] — Precisamos descansar. Acontece que minha casa fica logo adiante. Eu acabei de preparar a comida. O que acha? Você parece com fome.
01

LEIAM LEIAM LEIAM:

Ei, tia Shao! Estou tomando a narração do Bird, ok? Quando você voltar, podemos conversar sobre isso.

Então, Lucas. Como não consegui abrir a imagem da mulher, eu vou usar apenas a descrição. Não sei se ficou igual ou parecida, mas enfim. Conversei com a Gabz e ela autorizou a te dar a XP por atraso(abaixo). Vou te explicar um pouquinho sobre meu sistema de narração: vê aquele numerozinho ali? Eu contro os posts. De 10 em 10 eu faço distribuição de XP, mas se acontecer alguma coisa que mereça no meio, pode receber um pouco antes também. Bom, qualquer coisa, me chama no skype.

Bônus por atraso: 150xp

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Sex Maio 15, 2015 10:33 am

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Que estranho.

Quero dizer, mesmo depois de passar esse tempão perdido na floresta, nunca passou por aqui pessoa tão gentil quanto a moça. Seria mesmo real? Aliás, por duvidar disso, aproveitei a nossa andança pra beliscar meu braço - tentando acordar desse aparente sonho -. A dor foi a única resposta. Ou melhor, a verdadeira resposta. Era real.

E então, ao longo do que caminhamos, eu só conseguia enxergar aquela mesma paisagem que vi durante tanto tempo. De tanto sempre ver aquilo eu sequer consegui manter a atenção nos arredores. Meus olhos estavam focados naquela mulher, tão diferente do que já conheci. Quando lhe encarava no rosto, tinha a estranha sensação de ser muito bem acolhido por alguém gentil. Quando lhe fitava pelas costas, uma sensação talvez até parecida com a de quando ele tenta tomar conta de mim. Será que ela é como eu? Pouco tempo eu tive pra refletir. Annabell - como ela se apresentou - parou no meio do caminho e me apanhou as mãos, quase ajoelhada em minha frente. Olhou fundo nos meus olhos e isso me deixou ainda mais confuso sobre aquelas sensações. Parecia tão acolhedora... onde é que ela esteve esse tempo todo? Quando percebi meus devaneios, retomei consciência, afoito.

— Ah sim! Você pode me chamar de Sean. Sean Lionheart!- Afirmei de supetão.

Em seguida, quando a mulher retomou o caminho, respirei fundo. Estava pouco a pouco vencendo essa timidez terrível. Me sentia um pouco mais relaxado de andar ao lado dela. Digo, pelo menos ela sabia para onde estava indo. Ou pelo menos parecia, andava tão rápido que eu já estava ficando até um pouco cansado. E, quando enfim fizemos outra parada - a qual quase agradeci de joelhos -, a moça falou que tinha uma casa logo ali. Olhei ao redor, tentando avistar algum indício - dessa tal moradia -, ou mesmo do lugar em que agora estávamos, em suma inocência da minha parte é claro.

— Ah, ainda bem! Eu tô morrendo de fome tia Anna.- Resmunguei, com um pouco de manha.— Podemos comer alguma coisa lá?- Fiz questão de não esconder o entusiasmo. Minha barriga parecia acompanhar minhas palavras com grunhidos. Levei as duas mãos na altura da barriga e acariciei. Estava mesmo com fome.

E, antes mesmo da resposta da moça, estendi-lhe a mão direita esperando que ela apanhasse.— Vamos, vamos!- Inocente, apressei-a.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por NR Fury em Seg Maio 18, 2015 8:32 pm

[Annabell] — Sim. Vamos, querido! — e ela segurou, gentilmente, a mão do menino.

Annabell seguiu por uma trilha muito estreita que se esgueirava por entre as árvores secas de troncos enegrecidos e mortos. Os galhos retorcidos pareciam garras que se esforçavam em alcançá-los, mas não podiam. Sean estava seguro. De alguma forma estranha, ele sabia que estava. Mesmo que um demônio habitasse seu peito. Mesmo que trilhasse o caminho para o inferno.

Alguns passos apenas e uma cabana muito simples se insinuou quase completamente coberta pela vegetação. Os galhos secos a cobriam como uma proteção, como uma carapaça de espinhos à medida que a floresta parecia se tornar mais densa naquele ponto. Por isso, não dava pra ver se era grande ou pequena. A porta de madeira antiga e pesada era marcada por vincos profundos e manchas escuras. A mulher retirou uma chave enferrujada de algum lugar em suas vestes e a torceu no buraco da fechadura.

A porta rangeu. No interior da moradia, um assoalho de madeira se estendeu convidativo. O calor indicava a lareira acesa. Mais alguns passos e estavam na cozinha. Não haviam muitos cômodos, afinal. As chamas da lareira fervilhavam uma panela e um cheiro delicioso se espalhava pelo ar. Algumas velas que Annabell tratou de acender e ramos de ervas que pendiam do teto. Uma mesa grossa de madeira. Algumas xícaras envelhecidas jaziam sobre ela e também um livro empoeirado.

Interior.

[Annabell] — Sente-se, Sean! Eu vou lhe servir alguma coisa... — Indicou a cadeira com um breve sorriso.

Annabel serviu Sean com uma sopa quentinha e cheia de pedaços suculentos de carne macia adornada por legumes coloridos. Depois ela buscou uma torta que ela imediatamente fatiou, revelando a carne maravilhosa que se aconchegava em seu interior.

[Annabell] — Coma o quanto quiser!

Aquela comida... será que algum dia alguém já havia sido tão gentil com o jovem Sean? Será que já haviam lhe preparado tamanhas delícias? Annabell apenas o acompanhava. Ela serviu-se de sopa, mas parecia encantada vendo o menino se deliciar. Parecia que aquele era seu prazer. 
02


Última edição por NR Katsuo em Ter Maio 19, 2015 9:34 am, editado 1 vez(es)

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Seg Maio 18, 2015 10:42 pm

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Ela pegou na minha mão...

Aquela sensação, talvez fosse a melhor das que tenho lembrança, por exceção do pouco que lembro de meu Pai. Por conta disso eu me senti mais seguro. Esqueci completamente dos detalhes sórdidos que tornavam aquela paisagem tão pitoresca. As árvores que mais pareciam garras do inferno? Transformaram-se em macieiras e laranjeiras. Os corpos pendurados e ensanguentados? Pássaros que cantarolavam como num sonho. E, andando bem do meu lado, segurando minha mão, aquela mulher estranha que agora transformou-se numa figura que eu venho tentando imaginar há tanto tempo. Materna...

Tudo parecia perfeito. Ao menos parecia.

Huhuhuhu...— - Aquela gargalhada dele voltou a me perturbar. Isso ainda em meados daquela trilha até a casa da moça. Não sei se ela percebeu, levei a mão livre na altura da minha testa e franzi o cenho, como se estivesse segurando a dor. Era terrível, sempre que ele tomava espaço, eu sentia uma dor terrível da qual nunca vou me acostumar. Cambaleei um pouco, mas logo ficou tudo bem.

— Ngg- Murmurei, retomando equilíbrio.— Caramba! Acho que estou mesmo com fome...- Tentei desviar o assunto, descontraído.

[ ... ]

Já na casa de Anna, o chão amadeirado e o ambiente ameno por conta da lareira pareciam muito convidativos. Tanto que eu não hesitei sequer um minuto antes de entrar. Corri, entusiasmado, ganhando terreno na casa da moça. E não era lá uma casa muito espaçosa. Poucos cômodos, móveis não muito luxuosos e decoração bem...velha? É, isso. Enfim. Estava tão quentinho ali dentro se comparado com o lado de fora. Admito que isso me ganhou.

— Puxa, que casa legal você tem, tia Anna!- Disse, depois de andarilhar um pouco pela casa e, finalmente, parar sentado na grande mesa presente no centro. Abaixei o meu capuz então, finalmente revelando meus olhos bem atentos e um pouco luminosos por conta daquela tonalidade incomum. Fitava todo o ambiente, curioso, astuto. Tudo parecia tão diferente daquilo que eu vi na floresta por tantos anos, que, até mesmo os detalhes de uma vela ou de alguma xícara, me chamavam atenção. Por sinal, os que fiquei olhando por um bom tempo. Só retomei consciência quando a moça trouxe um prato de comida e colocou na mesa. O cheiro era tão bom...

— Hmmmm!- Murmurei, esfomeado. — Que cheiro gostoso!- E não poupei esforços. Na primeira oportunidade que tive, apanhei algum talher ou coisa do tipo - se me estivesse disponível - pra começar a comer. Claro, antes da primeira garfada/colherada/bocanhada, ele sussurrou bem baixinho;

— Quanta ingenuidade. Sabes que a donzela não é humana e ainda arrisca comer da sua comida? Huhuhuh, deveria conhecer melhor antes de julgar alguém, pequeno corvo. - Debochou. E foi só.

Calou-se em seguida.

Isso me deu a chance de comer sem hesitar, mesmo depois do aviso que me foi dado. As vezes isso parecia mais certo sabe? Desafiar essas desconfianças que nem mesmo eram minhas. E eu estava com fome, não cometi nenhum pecado, certo?! E se me fosse permitido eu comeria mais, incluindo a torta deliciosa que a moça trouxe logo em seguida. Precisava me farta, não sei quando nem onde vou ter outra oportunidade de o fazer.

— Puxa tia Anna! -*mastiga* Você cozinha tudo isso só pra você?- Resmungava, ainda mastigando.

Afinal, desde que cheguei, não notei mais ninguém por ali. Seria ela completamente sozinha, como eu?

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por NR Fury em Ter Maio 19, 2015 9:36 am

[Annabell] — Hahaha! Não! Eu cozinho isso tudo porque, vez ou outra, abrigo viajantes perdidos.

Sério? Toda aquela comida?! De qualquer forma, era bom que fosse assim, já que, quanto mais Sean comia, mais Annabell o servia. Ela parecia uma mulher muito generosa e também sem fome, já que não deu mais do que algumas colheradas na sopa quentinha.  

"Trec..."

Soou a madeira em algum lugar na casa. A mulher se manteve com a mesma expressão, como se nada tivesse acontecido, mas, tendo percebido que Sean notara, ela responde:

[Annabell] — Ratos...

E o silêncio voltou para o interior daquele lar. Além da porta por onde entraram, Sean podia notar mais algumas - três, para ser exato. Possivelmente as que davam para os quartos.  

[Annabell] — Quando eu abrigo viajantes, raramente encontro uma criança. Eles normalmente são... homens. — O clima ficou um pouco sério, mas ela deu um sorriso gentil para descontrair. — Mas e você, querido, o que foi que aconteceu para um menino tão jovem estar sozinho nessa floresta? Você parece tão... magrinho e com fome...
03

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Ter Maio 19, 2015 10:53 am

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— Perdidos é? Huhuhu, no meu tempo chamavam isso de rapto, huhuhuh.. - Voltou a debochar.

As vezes eu agradecia por só eu escutar-lhe os deboches.

Já estava acostumado. Ele tinha esse maldito hábito, sempre desconfiado, ressabiado, as vezes chegava a ser irritante. Afinal, o que poderia haver de errado com aquela mulher? Ela foi a mais gentil que já conheci. Ofereceu-me comida, ofereceu-me abrigo, e acima de tudo; carinho.

— Eles devem ter muita sorte de te encontrar! - Sorri largamente, em seguida voltei a comer. A sopa estava realmente deliciosa, mas por algum motivo eu ainda não estava satisfeito? Apesar de já ter comido bastante. Sendo assim, decidi passar para a torta. Outra que mais parecia comida de outro mundo, de tão gostosa.

Ouvi uns barulhos ao longo da casa. Parei tudo que estava fazendo, ressabiado. Olhei ao redor; nada.

Anna disse que eram ratos. Mas.. eu não acho que sejam. Posso ser ingênuo e jovem, mas, de todos os anos que vivi aqui nessa floresta, uma coisa eu aprendi; os ratos aqui são grandes o suficiente pra fazer barulho muito maior. E estrago também, afinal, eles são muito mais selvagens. Eram inimigos mortais da minha sobrevivência! Sempre que eu tinha alguma comida, eles me atacavam vorazmente pra me roubar, e isso eu nunca vou esquecer. Aliás, o que me levou á pensar; tanta comida na mesa, uma casa grande dessas no meio dessa floresta, como é que ela sobrevive sem ser atacada? Parecia tão estranho.

E não parou por aí. Quando voltei a observar a casa, percebi que haviam mais portas. Por um momento tive a frágil ideia de que encontraria meu pai, dormindo enfermo, atrás de uma dessas portas. Mas logo passou, eu só estava com saudade pra imaginar essas coisas. E no meio desses devaneios, a moça falou um pouco mais sobre ela. Disse que costumava abrigar homens, e, a forma como falou me deixou um pouco intrigado. Pena que eu não entendi quase nada do que ela quis dizer com aquilo. Só o clima que ficou um pouco estranho e, envergonhado por isso, abaixei a cabeça voltando a comer. Ou pelo menos tentei, afinal, a mulher me lançou uma pergunta que me deixou particularmente abalado.

" O que aconteceu comigo? "

Era o suficiente pra me entristecer só de lembrar. Aliás, eu não fiz questão de esconder que aquilo me deixou abalado. Parei de comer e, por alguns segundos, fitei o chão como se estivesse perdido em pensamentos. Mas, antes que a moça voltasse a falar, interrompi;

— Eu fui raptado.- Entonei seco. Inclinei a cabeça então, o suficiente pra que eu pudesse encarar a moça nos olhos, por mais que eu estivesse um pouco envergonhado. — Isso é tudo que sei. Fui raptado de meu Pai, quando ele trabalhava no Porto de Takaras. Depois fui trazido pra essa floresta de onde nunca mais saí. Isso já faz alguns anos...- Expliquei.

E ali estava. Um pouco daquela estranha maturidade que a presença do demônio me proporciona. Capacidade de falar da minha história e do meu passado como parte de mim, sem renegar os fatos, sem ocultá-los, somente a verdade. Lembrar disso me deixava triste, mas eu já estava acostumado, então não era o fim do mundo. Eu sabia conviver com isso, e também lutava pra superar isso. Pra buscar respostas...talvez seja esse o motivo pelo qual estou atrás de meus pais. E, só de pensar nisso eu ganhei coragem, encarei Anna o mais profundo possível nos seus olhos, agora com determinação, com valentia;

— Por isso eu quero encontrar meus pais. Eu preciso saber o que aconteceu, preciso saber a outra parte da minha história!- Bravejei. Aquilo me deixava um pouco exaltado, admito.

Achei melhor não falar sobre o demônio. Não que ele não fizesse parte da minha história, mas, que faz parte da minha intimidade.

— Você me entende, tia Anna?- Completei, cabisbaixo.

Foi ali que parei de comer...

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por NR Fury em Qua Maio 27, 2015 9:34 am

[Annabell] — Que história triste você tem... — Ela disse, mas sem parecer dar realmente importância, embora sua expressão denotasse certa preocupação. Havia um outro detalhe que havia prendido mais a atenção de Annabell. — Anos, você disse? Você deve ser mesmo um garoto de sorte... muitos homens não duram um dia nessa floresta. — E termina com um sorriso gentil e com uma pitada de escuridão.

O que ela dizia, era, de fato, verdade. Um adulto sobreviver por um longo tempo naquela floresta amaldiçoada era algo para se admirar. Uma criança, era um verdadeiro milagre. Aquilo que Sean omitia era a peça chave para entender essa história. Será que a mulher desconfiava de alguma coisa?

Annabell se serviu com um pedaço da torta. A faca que tinha uma ferrugem cor de sangue cortou lentamente a fatia e o garfo necrosado o levou até a boca de tentes pontiagudos. Ela se deleitava com o alimento, fruto de seu próprio preparo. A carne macia. A massa suave e fininha. Qual era o segredo daquela delícia?

[Annabell] — Um menino tão jovem... uma história tão terrível... e tudo o que você quer, é encontrar sua família. Fico feliz de tê-lo encontrado. — Os olhos dela, nesse momento, buscaram os do menino. — Você não está feliz de estar aqui comigo?

Ela tira mais uma fatia da torta e serve para Sean.

[Annabell] — Coma. Coma mais. Você vai precisar estar bem alimentado .

Um breve momento de silêncio se colocou entre os dois, então ela gentilmente questiona:

[Annabell] — E sua mãe, querido? Você ainda não me falou dela.
04

Bônus:

50xp pelo atraso. :3

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Qua Maio 27, 2015 11:12 am

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Persuasiva demais, como resistir?

Ao longo da nossa conversa, as coisas tendiam a ficar mais bagunçadas. Eu me peguei repleto de questões as quais não podia fazer abertamente. Ainda não tive resposta de como a mulher sobrevivia ali, nem do porquê era tão gentil comigo, um forasteiro que acabou de conhecer...

E então ela me ofereceu outro pedaço.

— Não seja tolo, criança.- Sua voz em múltiplos tons inundou meus pensamentos, me obrigando a parar.— Desconfiança é o que te aflige. Mas já se perguntou quem és tu frente a ela? Huhuhuhu... és também uma criança que sobreviveu alguns anos numa das florestas mais temidas... - Debochou.

— Então quer dizer que ela também pode ter um como você?- Minha ingenuidade me levou a crer nisso.

— Isso é você quem deve descobrir. Essa criatura não me despertou interesse. - Rebateu.

— T-Tudo bem. - Gaguejei em pensamento.

Terminou-se o diálogo então. Tudo mentalmente.

[ ... ]


Retomei consciência, fitando profundamente aquele pedaço de torta na minha frente, num prato. Tia Anna fazia questão que eu me alimentasse bem, e particularmente, aquela comida toda estava deliciosa. As vezes me pergunto onde ela arrumou ingredientes mesmo numa floresta como essa. Enfim, eu suspirei. Empurrei levemente o prato de volta pro centro da mesa enquanto respondia aquela pergunta;

— Não conheço muito sobre ela. Papai vez ou outra falava alguma coisa dela, só sei que seu nome era Lyra e que ela morava em algum vilarejo de Hirt quando engravidou de mim. - E então fiz um sinal com a cabeça, como se rejeitasse a comida mas agradecesse pela cordialidade.— Meu pai dizia que ela tinha os olhos mais belos que ele já viu em terra. Púrpuros, encantadores... e é só isso que sei. - Completei.

Aquilo só me retalhava por dentro. Digo, ter essas poucas lembranças dela, apesar de não ter memórias de tê-la conhecido pessoalmente. Parecia um vazio, um pedaço desse quebra-cabeça que eu ainda não tive oportunidade de encontrar. Ficou notório em minha expressão que estava um pouco cansado...

— Eu estou um pouco cansado, Tia Anna. Será que posso dormir um pouco num dos seus quartos? - Indaguei por fim, repleto de inocência.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por NR Fury em Sab Jun 06, 2015 11:08 am

[Annabell] — É claro, querido. Você tirou as palavras de minha boca... — A mulher sorriu e aproximou um pouco o rosto observando o menino por mais um instante. Ela tinha um olhar de satisfação. — Por que você não fica aqui e come mais um pouco enquanto eu preparo a sua cama?

Annabell se retirou da mesa e se dirigiu até um dos quartos. Não dava para ver a mulher lá dentro e nem para escutá-la. Naquele momento Sean ficou sozinho. Quer dizer, quase isso... Apenas o crepitar da chama na lareira fazia algum ruído.

Tac...

Alguma coisa caiu. Não era uma coisa grande, talvez não fosse o silêncio quase absoluto nem fosse percebido. Alguma coisa caiu embaixo de Sean. Os olhos do garoto, instintivamente, buscaram a origem daquele som. Não havia nada. Apenas o assoalho de madeira espeça. Mas entre cada tábua, havia uma fresta escura. Um buraco profundo e negro. Sean sentiu como se algo espiasse de lá. Como se alguém olhasse através da escuridão. Seria possível? O que será que haveria lá embaixo? Ratos? Ou um abismo que se abria como uma garganta prestes a devorá-lo?

[Annabell] — Vamos, querido. — Quebrando o transe em que Sean se encontrava.

Annabell conduziu o garoto até o quarto. Era uma acomodação pequena, havia apenas uma cama  forrada de palha e um pequeno armário de duas portas.  Era simples, mas aconchegante. Sean sentiu como se fosse ter um bom sono ali. E havia mais um detalhe: não existiam janelas.

[Annabell] — Deite-se... prefere que eu deixe a vela acesa? — Já na porta do quarto, se preparando para deixá-lo sozinho.

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Re: Floresta da Tortura

Mensagem por Hummingbird em Dom Jun 07, 2015 2:40 pm

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Por sorte, tia Anna aderiu a ideia. Concordou que já estava ficando tarde e sendo assim, me ofereceu um dos seus quartos pra que eu pudesse repousar. Ela era mesmo uma mulher gentil, até então não entendo porque escolheu viver aqui nessa floresta tão sozinha.

E enquanto ela arrumava o quarto, eu fiquei sozinho sentado na mesa. Quero dizer, nem tão sozinho...

— O-Oq-que? - Gaguejei, surpreso.

Aqueles barulhinhos irritantes pareciam vir de algum lugar da casa. Instigado pela curiosidade, comecei a fuçar. Olhei de baixo da mesa; e nada. Voltei a olhar por cima agora, vasculhando a casa; e nada. Mordi o lábio inferior, como em indignação por não encontrar o detentor daqueles barulhinhos. Pensei em pedir ajuda pra ele, mas eu tive a impressão de que ele diria que não é problema dele, e que era pra eu me virar. Cruzei os braços então.

Estava inquieto. Mas, antes que eu tomasse alguma atitude, a porta do quarto se abriu mais uma vez e revelou a silhueta da tia Anna, acompanhada por sua sombra aparentemente borrada e disforme por conta da iluminação da vela que ela carregava. A chama da vela cambaleava sutilmente, turvando a sombra da mulher a medida que ela caminhava.

Dei de ombros quanto aos barulhos anteriores. Desci da cadeira - com certo esforço dada minha baixa estatura -. Arrumei minha mochila nas costas e caminhei até o quarto, sem muita pressa é claro, por conta do sono. E quando cheguei, a primeira coisa que reparei foi que não haviam janelas. Nenhuma.

— Ufa! Ainda bem que não tem janelas Tia Anna. Era horrível ter de acordar com aqueles ratos mutantes invadindo meu quarto e roubando minha mochila... - Murmurei.

Está certo, essa não era uma das melhores experiências pra se compartilhar, mas pra mim já era alguma coisa.

Entrei no quarto então, deixei minha mochila do lado direito da cama enquanto me deitava do lado esquerdo. Tia Anna não quis permanecer no quarto, parecia mesmo querer que eu descansasse bastante, e não sei porque eu tive a sensação de que iria dormir muito mesmo. Até que me veio sua última pergunta; sobre a vela.

— Pode apagar, eu me sinto melhor no escuro. - Respondi, enquanto me aconchegava na cama.

E aquilo foi a última coisa que vi, até fechar os meus olhos. Estava realmente cansado, quase delirando de sono. Pude jurar que ouvi a risada debochada dele ecoando na minha mente, bem baixinho...

Spoiler:
OFF: Está tudo bem Mat. Eu também, estou sem computador por enquanto, mas assim que eu recuperar mando notícias. Enquanto isso eu vou postando só quando der =/

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Re: Floresta da Tortura

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